Antes que seja tarde
21 Nico ou Luke?
Notas iniciais
Thalia POV’s
Olhei no relógio mais uma vez, já era quase meia noite, eu tinha exatos vinte minutos para estar na decidir e estar na casa do escolhido. O problema é que eu não sei quem é o escolhido!!! Preciso decidir e tem que ser agora.
O Luke é lindo, gentil, mais atlético e aventureiro que o Nico que, além de lindo e gentil, é super-romântico e fofo. Eles estão comigo desde que nasci, sempre ao meu lado, consolando-me quando eu estava triste, quando brigava com meu pai e com a vaca da Hera eram eles e a Annie que me abrigavam em suas casas. Devo muito a eles, por tudo que já me fizeram, por todas as vezes que eles me acharam no Central Park chorando, principalmente o Nico, e me acolheram em seus braços e disseram que iria ficar tudo bem. Ah... se eu soubesse que um dia iria ter que escolher não teria saído de seus braços irritada por estar me sentindo tão vulnerável e fraca, não teria respondido para eles dizendo que eu não precisava da ajuda deles sendo que eu precisava, principalmente teria me permitido ser fraca nestes momentos, nos momentos que eles estavam do meu lado, queria ter deixado eles ficarem ao meu lado passando a mão em meus cabelos e sussurrando que tudo iria ficar bem... Mas eu não posso mudar isso agora, terei de escolher.
Luke é um amor e esteve sempre aqui, apesar de às vezes um pouco mais distante, afinal sempre vivemos em mundos diferentes: eu no da música, no das brigas com os pais, no das brigas na escola, etc... Enquanto ele vive em seu mundo “perfeitinho” de menino popular, que pega todas as garotas (na maioria para me deixar com ciúmes :/), com seus pais, aparentemente, perfeitos que não implicam com ele, etc. Mas eu sempre soube seu ponto fraco, sempre soube que sua vida não era perfeita, pode não ser tão problemática quanto a minha, mas não é perfeita não.
Lembro-me de uma vez que ele fugiu de casa, quando tinha seis anos, foi seu primeiro ato de rebeldia, ele foi para uma pista de corrida e ficou correndo sem parar até cansar, eu o encontrei jogado na arquibancada. Foi neste dia que descobri que sua vida não era perfeita como todo mundo pensava, descobri dos ataques que sua mãe tinha, de como seus olhos ficavam verdes e ela começava a falar coisas sem sentido, de como muitas vezes ela se feria ou feria alguém quando entrava nessa espécie de “transe”, de como ele se sentia um péssimo filho por não conseguir ficar perto dela nesse estado, por não conseguir ajuda-la. Neste dia combinamos que toda vez que sua mãe entrasse neste “transe” ele iria para minha casa, pois ele não precisava nem podia passar por tudo aquilo sozinho. Deste dia em diante nós nos aproximamos cada vez mais.
Ah o Nico... temos mais coisas em comum do que podemos imaginar, mães mortas, madrastas, pais muitas vezes incompreensivos, estilos musicais iguais, rebeldes, depressivos as vezes, sempre vivemos no mesmo muito, por isso desde o dia que o conheci me aproximei muito dele, sempre fomos melhores amigos. Sempre estivemos juntos o tempo todo. Hoje admito que sempre tive uma quedinha por ele. Ele era muito extrovertido quando era menor, ria muito e fazia todos rirem com ele. Diferentemente do Luke, ele nunca precisou ficar com meninas pra me deixar com ciúmes ou para me chamar atenção, pois eu sempre prestei muita atenção nele, uma vez que ele sempre foi muito apegado na mãe quando era pequeno e quando ela morreu foi como se estivessem arrancando uma grande parte dele. Foi ai que ele começou a ficar mais caladão, a se excluir na maior parte do tempo, a não fazer mais piadas nem caçoar de ninguém, apenas ficava quieto, com seus fones de ouvido, sentando num canto distante. As únicas pessoas com quem ele falava era comigo, Annie (suas melhores amigas) e com a Bianca, que sentia o mesmo que ele.
Lembro-me de uma ocasião que estávamos todos de férias da escola, tínhamos cinco anos e nossa família toda decidiu viajar para a praia. No final do primeiro dia de praia, encontrei-o deitado em uma das pedras perto da arrebentação, aquelas pedras pontiagudas onde as ondas arrebentam com tudo. Ele já estava todo molhando e frio, já que já eram quase sete horas da noite. Subia na pedra escorregadia com dificuldade, deitei-me ao meu lado e peguei sua mão, fiquei observando as estrelas como ele estava fazendo, até que ele começou a chorar, contando-me tudo que o magoava, tudo que estava passando em sua vida, o quanto sentia saudades de sua mãe e que queria que tudo voltasse a ser como era antes dela morrer. Deste dia em diante pude retribuir o afeto, compreensão e carinho que ele sempre me deu enquanto eu chorava em seu colo devido à falta de minha mãe, da minha vida normal. Deste então nunca mais nos separamos, sempre consolamos um ao outro e sempre compartilhamos tudo, até os fatos mais idiotas e bobos.
Foi então que eu percebi quem eu realmente amo, que apenas ele seria meu porto seguro para sempre. Sai correndo do meu quarto, desci as escadas tropeçando em meus próprios pés e abria a porta da frente em um estrondo. Na hora nem pensei em pegar o carro, sai correndo pela rua, limpando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto e borravam minha maquiagem, tenho certeza que se alguém me visse agora pensariam que eu tinha levado um murro no olho, mas não liguei, afinal ele nunca ligara para isso enquanto me consolava em seu colo. Parei esbaforida em frente ao casarão em estilo gótico, peguei meu celular e vi que já eram 00h20min, eu estava atrasada, provavelmente ele já estaria dormindo, mas eu tinha que mostrar, que eu o escolhera, que eu o amo, que eu queria que ele fosse somente meu, que ele era o meu escolhido.
Abri o portão, passei pelo jardim e adentrei na varanda, bati na porta. Meu coração estava a mil, minhas mãos tremiam mais que tudo e as lágrimas teimavam em sair. Ele abriu, rosto triste, olhos cheios da mágoa, aposto que pensou que eu não o tinha escolhido. Não pensei mais, tinha que mostrar que ele fora o escolhido, mas não tinha palavras, elas não saiam.
Eu não precisava de palavras, nunca precisei. Pulei em cima dele e dei-lhe um beijo apaixonado, neste beijo demonstrei tudo que sentia. Ele assustou-se no inicio, mas logo correspondeu na mesma intensidade. Quando o ar nos faltou, nos separamos ofegantes, eu queria rir e chorar ao mesmo tempo, não existe palavras que possam descrever o que eu estava sentindo no momento. Ele me puxou para os seus braços, senti seu cheio de perto, passei as mãos em seus cabelos e eu finalmente consegui dizer o que estava entalado em minha garganta a tanto tempo.
– Eu te amo Nico Di Ângelo.
– Eu também te amo Thalia Grace.
Bianca POV’s
Acordei com minha madrasta chamando. Já era segunda-feira de novo?
Levantei totalmente sem vontade. Escorreguei para debaixo do chuveiro e consegui me despertar. Vesti uma roupa simples para ir à escola. Uma regata cinza e preta, shorts pretos, tênis pretos e bolinhas brancas. Escolhi uma pulseira prateada de cobra enrolada, brincos pretos pequenos e um anel preto e prateado. Deixei meus cabelos soltos, passei um delineador simples e um batom claro.
–Bom dia Nico! Bom dia Hazel – cumprimentei meus irmãos e minha madrasta. Todos sentados à mesa do café.
–Bom dia – murmurou Nico, apoiado no braço, quase dormindo.
–Bom dia Bi – Hazel estava o oposto de Nico. Totalmente alegre e eufórica. Algo me dizia que essa alegria tinha nome e sobrenome: Frank Zhang.
–Bom dia Bianca – falou Perséfone com um sorriso simpático. Eu não a odiava e também não a amava. Ela sabia ser uma pessoa incrivelmente simpática e querida quando queria, porém, quando se irritava ou estava de mau-humor, era insuportável ficar perto dela.
Servi-me de café com leite, apenas para não ir de barriga vazia e não levar um sermão de Perséfone. Enquanto tomava café, lembrei-me de algo que havia combinado com eles sábado à noite.
–Vamos entregar os convites hoje? – falei subitamente animada.
–Tanto faz – Nico ainda estava no mesmo estágio de animação. Voltei-me para Hazel. Pelo menos ela estava acordada.
–O que acha?
–Acho melhor que seja hoje, assim todos terão tempo de aceitar ou recusar e se preparar, além de que assim conseguiremos deixar tudo pronto.
Assenti analisando o que ela falava. Sábado à noite, depois que Hazel chegara, ela, Nico e eu sentamos na sala de estar e tivemos a ideia de fazer uma festa. Motivo? Nenhum aparente, quem sabe algum surja até o fim de semana.
Vamos fazer a festa o mais cedo possível, ou seja, sábado, daqui a pouquinhos dias, pois muito planejamento resulta em festa cancelada. Mas estabelecemos um tema. Todo mundo deve vir vestido de preto.
Nosso pai disse que não haveria problema, apesar de não entender nada dos adolescentes. Até parece que ele nunca foi em festas ou fez elas em casa.
Ontem eu e meus irmãos começamos a pensar nos preparativos, principalmente nos convites. Optamos por serem em folhas e envelopes pretos, apenas as palavras escritas em branco. Um laço de fita preta prendia e enfeitava o envelope, ideia de Hazel, que disse que havia ficado simples demais. Hazel correu para o quarto buscar os convites. Escovei os dentes, peguei minha mochila e segui para o carro. Sempre ganhávamos carona de Perséfone.
Chegando à escola, vi meus amigos reunidos em volta de alguém. Continuei olhando e vi que era Thalia. Parecia que todos esperavam algo dela.
Ai meus deuses!
Ela iria revelar quem ela escolheu! Nico ou Luke? Meu irmão estava meio verde ao meu lado.
– Tenha calma Nico, vai ficar tudo bem. – falei para ele. Parecia que o garoto nem respirava. – Respire fundo e vamos.
Descemos do carro e seguimos para o aglomerado de pessoas. Thalia estava nervosa, ao centro do grupo. No outro lado do pátio, Luke chegava sozinho. Quando o vi mais de perto, percebi que Thalia, Luke e Nico tinham a mesma expressão nervosa.
Segurei-me para não rir e percebi que estava nervosa também. Não queria imaginar o quanto meu irmão ficaria arrasado caso Thalia escolhesse Luke. A felicidade de um garoto que depende de uma garota. Espero nunca passar por isso, depender totalmente de um garoto para ser feliz.
–Ah, vocês chegaram!
–Thalia, antes de você... falar, posso entregar uma coisa? – falei me sentindo a maior intrometida de todos os tempos.
–Bianca, agora não é hora – repreendeu-me Nico, segurando em meu braço.
–Nico... – protestei – Depois eu não vou achar mais ninguém!
–Tudo bem Bianca, pode entregar. – falou Thalia.
Peguei os convites com Hazel e comecei a entregá-los. Não falei nada, pois o clima estava pesado demais. Se tivessem duvida, que viessem me perguntar. Thalia e Luke quase nem olharam quando entreguei. Nico sabia tudo que estava escrito, mas tenho certeza que teria feito a mesma coisa que os dois.
Voltei quietinha para meu lugar e Thalia começou a falar.
POV Thalia
Não me lembro como cheguei em casa, só sei que agora eu já estava mais aliviada, era como se tivesse tirado um peso da minha consciência, não tinha percebido antes o quanto este triângulo amoroso acabava comigo, mas o alívio logo passou. Teria que anunciar para todos minha escolha assim que chegasse na escola. Não sei por que fazer isso, eu podia simplesmente chegar lá, abraçar e beijar meu escolhido, mas não... A Silena tinha que mandar todos me esperarem para eu fazer um anúncio na frente de todos. Eu ainda te mato sua Barbie falsa em tamanho real.
Levantei, tomei um banho, coloquei minha roupa, penteei os cabelos e me maquiei. Peguei o colar que Nico havia me dado quando tínhamos cinco anos, meses depois de eu tê-lo encontrado na pedra. É um cadeado em forma de coração e uma chave. Sai pelo corredor e bati na porta de Jason.
– Anda logo Jason! Já estamos saindo! Você tem cinco minutos para estar na garagem ou vai ter que ir a pé!
Roupa da Thalia: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=121767609&.locale=pt-br
Desci as escadas e fui para a cafeteira, mandei fazer meu cappuccino tradicional e peguei uma maça na fruteira. Foi a conta deu comer para o cappuccino ficar pronto. Ouvi os passos na escada, devia ser o Jason. Peguei minha bebida e as chaves do carro.
Carro: http://automobilister.files.wordpress.com/2012/05/lamborguine-preta.jpg
– Esta apressada hoje eim?! – disse ele entrando no carro
– Quero acabar logo com isso. – eu respondi saindo da garagem e entrando na rua larga e limpa do condomínio.
– Isso o que?
– Nossa! Está mais lerdo que o Perseu! Com o meu triângulo amoroso Jason! Com o que mais seria?!
– Mas você não tinha que decidir e estar na casa do “escolhido” até meia noite de ontem?
– E eu decidi e estive na casa do “escolhido” até a meia noite de ontem.
– Mas então porque você vai acabar com ele agora se já acabou com ele ontem?
– Ai meu Zeus! Como você é burro! Esqueceu que a Silena inventou de eu ter que anunciar para todos hoje quem era o “escolhido”!
– Ah é verdade... Você esta fufu eim?! E por que estamos fazendo aspas com as mãos quando falamos “escolhidos”?
– Eu sei lá! Foi você que começou!
Ficamos o resto do caminho quietos. Chegamos à escola e assim que sai do carro todos fizeram uma roda em volta de mim enchendo-me de perguntas.
– CALEM A BOCA! Eu irei anunciar quando todos chegarem! Agora tratem de arranjar algo pra fazer e parar de me encher o saco!
Não deu certo, eles continuaram no meu pé. Fiquei fingindo que não estava ouvindo nada, até que o Luke chegou sozinho, ele estava triste, dava para ver a mágoa em seus olhos, eu o amava, mas não como eu amava Nico, eu o amava como amigo e esperava que ele cumprisse sua parte do trato e continuasse sendo meu amigo, por mais difícil que isso fosse.
Meus pensamentos foram interrompidos quando eu o vi, meu coração disparou e eu não pude evitar o sorriso que se formou no canto dos meus lábios. Ele estava lindo, camisa branca com uma jaqueta de couro por cima, calças jeans pretas e all star preto. Cabelos bagunçados e um olhar brincalhão, o mesmo olhar que ele costumava ter antes de sua mãe, por um momento vi de novo aquela criança travessa e alegre de sempre. Também pude perceber um pequeno sorriso em seus lábios e isso me deixou mais nervosa ainda.
– Ah, vocês chegaram! – eu disse
– Thalia, antes de você... falar, posso entregar uma coisa? – falou Bianca
– Bianca, agora não é hora – repreendeu-a Nico, segurando em seu braço.
– Nico... – protestou – Depois eu não vou achar mais ninguém!
– Tudo bem Bianca, pode entregar. – falei.
Ela nos entregou um envelope preto com um laço, nem olhei para ele, meus olhos estavam presos em Nico, ele também me olhava como se perguntasse o que eu iria fazer. Foi ai que tive uma ideia.
– Bem... Eu não sei muito bem o que dizer, mas o um “escolhido” – disse olhando para o Jason que riu e fez sinal para eu prosseguir – Ele é, realmente, a única escolha. Não há outra pessoa que possa ocupar este lugar – disse olhando diretamente para o Nico e então virei-me para o Luke – Luke – Eu disse e muitos arregalaram os olhos, inclusive Nico – Você é um amor, um perfeito namorado, qualquer garota teria sorte em tê-lo como namorado, mas eu não sou qualquer garota e tenho que levar em consideração meus sentimentos – abracei-o e sussurrei – Sinto muito.
– Tudo bem. Desde que você esteja feliz – ele sussurrou de volta e isso quebrou meu coração, mas eu tinha que ser forte. Soltei-me dele e virei-me para o Nico.
– Nico... Tenho tanto para dizer, mas acho que isso resume tudo – disse e arranquei a chave de meu colar, arrebentando a argola que a prendia junto a corrente, e dei-a a ele.
Ele sorriu enquanto analisava a chave, então me puxou para um abraço. Era como se o mundo não existisse mais, como se estivesse apenas nós dois ali naquele momento. Ele me soltou e deu-me um beijo na testa. Só então pegou a chave novamente e levou-a ao fecho do cadeado em forma de coração em meu colar. Ao abri-lo ele viu a foto de nós dois, eu em seu colo, os dois adormecidos. Seu pai havia tirado aquela foto meses depois das voltas as aulas quando o procurei num momento em que senti falta de minha mãe e havia brigado com meu pai e minha vacadrasta.
Ele sorriu e me deu um beijo, um beijo calmo e apaixonado. A única coisa que consegui ouvir foi nossos amigos gritando e assobiando como loucos. Nos separamos e começamos a rir da cena. Ele entrelaçou nossas mãos e eu senti como se eu fosse a menina mais especial e amada do planeta. Sorri para ele e neste momento eu me senti completa.
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