Antes que acabe conosco.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu traduzi bem rapidinho, então se tiver algo errado, por favor me avisem e eu arrumo :)
Acho que é só isso que vocês precisam saber, espero que gostem!
“Isso tem que para, Swan.”
A voz de Regina soou alta pelo quarto silencioso demais, fazendo com que Emma parasse abruptamente. Elas sempre souberam que esse dia chegaria, mas nunca disseram nada, sempre tentaram ter aproveitar ao máximo o pouco tempo que tinham juntas. Agora elas haviam adiado o inevitável por tempo demais.
Emma estaria casando dali a uma semana, e tudo iria mudar, não importava o quanto elas tentassem negar, já havia mudado. O relacionamento das duas havia mudado quando Emma decidiu ir ao inferno por ele, e Regina viu-se obrigada a acompanha-la, pois não poderia deixar Emma em perigo.
Ela havia tentado entender; mesmo que talvez de um modo deturpado, Emma precisava de Hook, precisava do que ele representava em sua vida. Emma precisava da aprovação de seus pais, por que, no fundo, ela era ainda uma garotinha procurando o amor de seus pais e não conseguia suportar a ideia de desaponta-los. Se perdesse Hook, também perderia a família que seus pais tanto sonharam para ela e perderia a chance de ser quem eles desejavam que ela fosse.
Para o inferno ela foi; literal e metaforicamente. Salvou Hook; salvou o seu pequeno teatro e manteve a farsa... Mas perdeu Regina no caminho.
Não de uma vez, é claro, mas uma pequena parte do coração já muito maltratado de Regina havia sofrido em demasia para poder pertencer à Emma novamente, e ela sabia.
Quando Emma pediu que Hook passasse a morar com ela, Regina riu. Ela riu porque era óbvio que Emma pediria e era óbvio que Hook aceitaria e era óbvio que Snow estaria tão feliz e realizada que a aparentemente a imensurável dor que habitava em Regina seria apenas um maléfico necessário. E ela riu ainda mais até que lágrimas rolassem por seu rosto e soluços dominassem seu corpo, e de repente ela já não ria mais.
Emma havia explicado, de novo e de novo, e Regina havia entendido. Ela entendeu que era necessário; tinha que ser feito para que esse teatro continuasse, para garantir que seus pais estivessem satisfeitos, para garantir que Hook não tivesse motivo algum para fugir, para garantir que ninguém suspeitasse de seus verdadeiros sentimentos em relação à morena. Porém, por mais que ela entendesse, não doía menos.
Pouco a pouco, a relação das duas foi morrendo e não havia algo que elas pudessem fazer para impedir.
Agora Emma estava prestes a casar-se, com aquele pirata nojento que a tratava como lixo e apenas a empurrava ainda mais para dentro de sua concha. E Regina recusava-se a deixar essa tortura continuar.
“Eu falo sério, essa foi a última vez.”
Regina estava sentada na cama, abraçando suas pernas e encarando a parede a sua frente na vã tentativa de segurar as lágrimas.
Seu cabelo estava bagunçado pelas ultimas horas passadas rolando entre os lençóis, lábios ainda inchados e corpo coberto apenas por um cobertor branco. Ela era uma visão dos deuses, mas a tristeza em seus olhos impedia Emma de perceber qualquer outra coisa.
Emma, que já estava com a mão na maçaneta da porta, prestes a sair e voltar para sua patética mentira, forçou-se a virar e encarar a morena de frente. Quando ela enfim falou, sua voz era nada mais que um sussurro doloroso.
“Regina, por favor...”
A morena virou-se bruscamente para Emma, olhando firmemente naqueles olhos esmeralda. A raiva que sentia quase escondia a sua dor… quase.
“Não Emma.”
Sua voz soou mais forte do que ela pretendia e a morena percebeu que encaixava bem com suas emoções. Ela queria acabar com isso da maneira menos dolorosa possível para ambas, mas sabia que era um desejo ingênuo. Ela estava tentando ser a amiga compreensiva e amorosa que ela sabia que Emma merecia, mas a raiva que sentia por estar nessa situação ridícula era quase incontrolável.
“Não tem pelo que implorar, não tem pelo que desejar, não tem como consertar isso. Nós devemos por um fim nisso. Nunca deveríamos ter começado.”
Aquilo atingiu Emma como um soco no estômago, forçando todo o ar para fora do seu corpo. Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos, tentando controlar suas emoções, mas quando em fim abriu a boca sua voz saiu ainda mais fraca do que antes.
“Você... Você se arrependeu?”
Regina fechou os olhos, lutando contra o impulso de machuca-la tanto quanto estava se machucando. Ela balançou a cabeça e respondeu honestamente, sussurrando no silêncio do quarto, quase esperando que a loira não ouvisse.
“Nunca.”
Quando Regina finalmente voltou a encara-la, tinha lágrimas nos olhos.
“Estar com você me faz feliz, Emma. O problema é que não importa o quão feliz eu esteja quando você está por perto, não compensa pelo quão miserável eu fico quando você vai embora.”
A recíproca era verdadeira, Emma não poderia negar. Ela sentia-se completamente destruída sempre que era obrigada a deixar os braços da morena. Irradiavam felicidade quando estavam juntas, apenas para estarem desoladas quando eram separadas. Ela entendia o que Regina estava dizendo, e até concordava, mas não estava pronta para desistir ainda.
“Então você prefere estar miserável o tempo todo.”
“EU QUERO SUPERAR.”
Aquele grito pareceu ecoar pela casa inteira. Até quando o som havia claramente acabado, continuou a se repetir na mente da loira. A tensão no quarto era palpável.
Regina respirou profundamente para tentar retomar o controle das suas emoções. Lágrimas rolaram por suas bochechas, mas ela foi rápida em limpa-las. Tentou manter a calma, ela precisava que Emma entendesse e não a visse como a vilã da história. A última coisa que precisava era mais mágoa entre elas.
“Nós duas precisamos superar, Emma. Isso precisa acabar, ou se tornar algo mais, e nós duas sabemos que não será nada mais do que já é. Só estamos nos machucando.”
Não, Emma pensou, eu estou machucando você.
E ela sabia que era verdade, ela havia feito uma bela de uma bagunça e Regina estava apenas tentando prevenir mais dor. A morena havia garantido, mais que uma vez, que ela estaria disposta a lutar por elas; ela iria encarar o que quer que fosse posto em seu caminho, não importa o quão apavorante poderia ser. Regina era corajosa o suficiente, mas ela não podia ser corajosa pelas duas.
Emma estava empacando sua vida, mantendo-a nessa ilusão de felicidade que só servia para mata-las aos poucos. Regina estava sofrendo e Emma estava oferecendo alivio momentâneo, impedindo-a de encontrar a cura. Ela era como um dente podre que Regina precisava remover. Iria doer, e muito, mas tinha que ser feito para tornar tudo melhor.
Mas ela era muito egoísta para aceitar que deveria manter-se longe.
“Eu não quero que a gente acabe.”
E ela não conseguia importar-se com o quão patética ela soava.
“E não precisa, mas eu não posso continuar assim, eu não posso.”
E Emma nunca se odiou tanto quanto quando olhou naqueles lindos olhos marrons e viu toda a dor que ela havia infligido no amor da sua vida, sabendo exatamente o que poderia fazer tudo desaparecer, mas não sendo forte o suficiente para fazê-lo.
“Eu sei o que você está pedindo que eu faça e você sabe que eu não posso.”
Regina concordou com a cabeça e deixou escapar uma pequena risada, porque é claro que ela tinha que se apaixonar por alguém que nunca teria coragem de tê-la.
“Exatamente, você não pode ficar nos meus termos, e eu não posso ficar nos seus. Então simplesmente não ficaremos.”
Regina entendia os medos da loira, inclusive compartilhava de alguns deles, mas ela não conseguia parar a raiva que a possuía todas as vezes que Emma negava à elas um futuro.
“Essa é nossa última chance, se o seu casamento não nos parar, eu não sei o que vai. E algo tem que; não podemos continuar com isso para sempre. Eu não posso fazer isso para sempre.”
E nosso como ela desejava poder. Poder viver sem o pedaço de seu coração que Emma levava toda vez que ia embora. Poder ignorar a dor que sentia quando Emma chegava tarde da noite cheirando a rum. Poder parar a revolta em seu estômago toda vez que ela era forçada a assistir o amor da sua vida nos braços daquele pirata sujo.
Mas ela não podia. E ela estava com dor, dor agonizante pior do que ela jamais sentiu. Ela só queria que parasse, que acabasse, mas Emma continuava insistindo. Ela precisava por um basta nisso, e tinha que ser agora.
Ela juntou toda a raiva que sentia, não era difícil; ela sentia muita raiva. Ela tinha raiva de Emma, dos Charmings, daquele maldito pirata e de todo o universo que parecia fazer de tudo para assegurar que ela nunca conseguisse seu final feliz.
A cima de tudo, ela tinha raiva de si mesma, por deixar-se acreditar que ela e Emma podiam ser algo mais. Ela criou esperança e agora tudo que tinha era um coração partido e sentimentos demais.
Tomando um novo folego, ela olhou firme nos olhos de Emma e falou, em alto e bom tom.
“Eu mereço mais do que uma foda rápida algumas vezes por semana, e se você não pode me proporcionar isso então eu não quero você de modo algum.”
Emma nada disse enquanto abria a porta e saía.
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