Notas iniciais
Quem disse que Hogwarts não tem baile pros alunos formandos? Vocês não viram porque as aulas foram interrompidas nos sétimo ano do Harry -hehehe- (Na verdade estou escondendo minha insegurança de que talvez não tenha mesmo)

Severus andava apressado em meio à neve com sua capa esvoaçante e seu cabelo ao vento, um ponto negro numa área alva. Viu Zeke voltando abraçado com Martha; tinha ouvido falar que fora ela que o convidara para o baile. Mas o quê importava?

Abriu as portas do Três Vassouras e se sacudiu antes de entrar para não derramar neve no bar. Olhou ao redor e reconheceu a pessoa que acenava em sua direção, sentada numa das mesas.

— Bom dia, mamãe – Severus a cumprimentou formalmente.

— Severus – Eileen Snape o cumprimentou com um aceno de cabeça. – Lhe trouxe a roupa do baile – disse tirando o embrulho do colo e pondo na mesa.

Severus fechou a cara e cruzou os braços. – Dumbledore não tinha nada que ter insistido – disse resmungando.

— Já lhe disse para não resmungar. E você sabe que Albus Dumbledore só quer o bem dos alunos – nesse momento um garçom se aproximou da mesa para atendê-los e Eileen com um gesto pediu para que não lhe atrapalhassem.

— Dumbledore sabe que preferiria ficar no quarto estudando do quê participando dessas convenções sociais para tolos.

— Você não pode se trancar, Severus. Você nunca irá crescer influentemente se distanciando das pessoas.

— Eu sou provavelmente o melhor aluno da Sonserina da minha idade – enfatizou virando o rosto.

— E eu me orgulho disso. E mesmo você sendo um mestiço você não deve nada aos alunos sangue puro.

Severus não olhou para a mãe, apenas abaixou a cabeça com um olhar perdido. Eileen percebeu que Severus não gostaria mais de interagir com ela e recomeçou:

— Você não quer convidar sua amiga Lily Evans? – perguntou em baixo tom. – Vocês entraram nessa escola juntos, não seria interessante que passassem seus últimos anos em Hogwarts juntos?

Severus percebeu como pareceu ter sido difícil para a mãe pronunciar as ultimas palavras. Ele olhou para sua mãe e lembrou de como havia sido difícil ela aceitar sua amizade com Lily. Que foi só depois de insistência e um pedido de seu pai Tobias – que fez Severus pensar que ele estava apenas desafiando Eileen e não que tivesse sido um pedido sincero – que ela passou aceitar melhor. Mas agora era tarde.

— James a convidou antes e ela aceitou – contou baixinho.

— James Potter? Aquele garoto da grifinória que lhe causou problemas? – e recebendo a confirmação débil de Severus ela completou: — O quê aquela garota acha que está fazendo? Ela que dizia ser sua amiga, ir ao baile com o baderneiro do Potter.

— Ele é o astro do quadribol de Hogwarts – disse com um tom zombeteiro. E vendo que sua mãe iria esbravejar ele interrompeu: — Não se preocupe. Eu não sou mais amigo de Lily.

Eileen percebeu o quão chateado Severus tinha ficado, por isso calou-se. Ela pediu leite para os dois, que chegou bem depressa. Observou Severus tomando seu leite e disse: — Seu pai não pôde vir. Ele tinha muito trabalho.

— Tudo bem – disse Severus sem tirar a atenção do copo.

— Você deve voltar, já está ficando tarde.

— Claro. Tchau, mamãe – disse empregando o mesmo tom formal de seu cumprimento inicial e pegando o embrulho.

— Tchau, Severus.

Voltando para Hogwarts, Severus se sentia culpado por não ter interagido melhor com sua mãe. Severus a considerava uma das bruxas mais inteligentes que conhecera e ela era de certa forma uma de suas inspirações nos estudos acadêmicos.

“Ei, ranhoso!” Severus ouviu. Conhecia aquela voz zombeteira que se diferenciava apenas pela falta de marra da voz de seu amigo. Quando se virou, apenas confirmou aquilo que imaginava: Era Sirius Black que falava ao lado de Potter.

— Deixe-o, Sirius – repreendeu James com uma risadinha.

Desde que os boatos do namoro de Lily com James começaram, James havia deixado Severus de lado, mas Sirius ainda costumava aborrecê-lo.

Severus virou-se e saiu sem falar nada com passos rápidos.

— E você ainda o defende, James – disse Sirius. – Ele realmente deve se achar superior a nós.

Severus ouviu aquilo e parou. Todo o sentimento de culpa por sua mãe ainda estava lá. Ele se virou de volta pros dois e com um tom incisivo disse: — Superior a você provavelmente sou, mas não há nada com quê se orgulhar em ser superior ao fracasso da família Black.

— O que você disse?! – bradou Sirius puxando sua varinha.

James segurou a mão do amigo e o pediu que guardasse a varinha.

— Isso Sirius, deixe o senhor Potter guiá-lo – disse em tom zombeteiro que mais pareceu uma versão esganiçada da de Sirius.

— Pelo menos eu não tenho que recorrer a um grupinho praticante de arte das trevas para me sentir importante! – gritou Sirius se afastando de James.

Severus ostentava um sorrisinho por fora, mas por dentro estava queimando seu combustível de ódio.

— Snape – iniciou James firme, – sugiro que volte para Hogwarts ou eu vou me juntar ao Sirius ao invés de impedi-lo.

Severus fechou a cara para James e voltou andando em ritmo rápido, com pisões fortes.

— Malditos – resmungava Severus no caminho de volta. Antes de chegar à Hogwarts ele viu dois rapazes indo em direção contrario a sua que pareceu ser Remus e Peter.

Em Hogwarts, no caminho para as masmorras, Severus cruzou com Lily, que parou bruscamente após perceber o transtorno que ele aparentava.

— Sev, o que houve? – perguntou com um tom que parecia de aflição para Snape.

Os olhos de Lily. Quanto tempo ele não falava com ela? pensava Severus. Queria responder ou não queria? O que sentia por ela era raiva? Mas então porque ele teve momentos em que achou que amara de uma forma que nunca amou ninguém? Será que deveria confiar nela?

— Sev, me diga o que houve – pediu Lily. Ele apenas fez menção a falar algo, mas seguiu por ela em direção as masmorras.

Ao chegar ao salão comunal da Sonserina, Severus foi abordado por Mulciber.

— Que embrulho é esse, Severus? – perguntou sem animação.

Severus sentou numa das cadeiras perto de Mulciber e respondeu displicentemente: — São só roupas.

— Vai ao baile? Porque convidei Margareth e ela aceitou – disse agora animado.

— Se eu não tiver ninguém para me acompanhar talvez não me obriguem a participar disso.

— Severus, é nosso ultimo ano em Hogwarts. Depois disso você-sabe-quem vai estar nos esperando com boas oportunidades – disse baixinho, mas com o mesmo tom de animação. – Você não quer aproveitar?

— Iria preferir que ele invadisse Hogwarts antes desse baile tolo – se pegou pensando em James e Lily. – Se bem que gostaria de terminar os estudos – disse de forma mais contemplativa.

— Não se preocupe. Lucius me garantiu que teremos tempo de terminar os estudos. Olha Severus, eu posso pedir que Margareth convença sua irmã Andrea a ir com você. Ela também é Sonserina.

Severus pensou em Lily e seu coração ardeu. Imaginou ela ali do seu lado conversando com ele e em como seria agradável. Mas seria impossível com ela namorando o estúpido do James. – Tudo bem, peça a Margareth. Pelo menos poderemos acabar logo com isso.

Notas finais
Obrigado por lerem. É sempre legal ler aquelas histórias que contam parte que não foram contada nos livros ou nos filmes, então quis deixar minha marca. Espero que tenham gostado (Será que ainda teremos um one shot mostrando o baile?)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!