Antes de Partir
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Teria morrido? Não, sentiu que não tinha chegado sua hora. Ainda não. Pensava, mantendo os olho fechados, temia abri-los, pois não queria se chocar com a realidade, ou com o que pensava que era a realidade. Por fim, tomou coragem, abriu-os, mas novamente os fechou, desacostumado com a luz, ainda mais naquela sala fortemente iluminada.
Depois de ter-se acostumado, observou o cômodo, era branco, sem janelas, de paredes aparentemente acolchoadas, porta de ferro também branca e uma mínima entrada de ar acima da porta. Fugir por ali? Sem chances, não passaria.
Um turbilhão de perguntas invadiu sua cabeça, como se sua consciência tivesse despertado. Levantou rápido e sentou-se na cama que ficava ao lado oposto da porta naquela sala. Não sabia quem era, onde estava, quando era, porque estava ali... Não fazia a mínima ideia.
* * * *
Ali perto, em uma rua, havia um mulher parada, era noite e caía uma garoa fina, mas ela se deixava molhar, olhava para o prédio à sua frente, sólido. Uma lágrima caiu de um dos olhos e se misturou coma chuva.
* * * *
A quanto tempo estaria ali? quanto? quanto tempo? Era só o que se passava na sua cabeça: perguntas e porquês, os seus porquês de tudo. Era só o que podia passar na sua mente.
Um alarme soou alto e ecoou, acuado olhava para todos os lados tentando identificar de onde vinha o barulho. Quando o alarme cessou, uma voz robótica estalada disse:
_ Refeição um.
A portinhola na parte inferior da porta abriu-se, não a tinha percebido, um pote com tampa plástica foi empurrado para dentro, continha uma porção variada de legumes e outras verduras, mas com a ausência de qualquer tipo de carne.
Hesitante se levantou, pegou e abriu o pote. Poderia ter alguma coisa na comida, alguma droga, qualquer coisa. Sentou-se novamente na cama e ficou encarando a refeição, parecia que não comia a dias, mas e se realmente tivesse algo nela? O que aconteceria consigo? Não resistiu, devorou-a instantaneamente.Terminada a refeição, tocou no pote para colocá-lo no chão, não sentiu seus dedos, podia movê-los, mas não os sentia. Segurava e largava o pote para testar a sensibilidade, porém, nada.
Ainda estranhando suas mãos voltou a seu circulo vicioso de pensamentos, com todo tipo de dúvida, " será que me vigiam?" , "quem são essas pessoas?" , "há outros nessa condição?" , que vinha seguido de uma vontade de fugir, fugir daquele cubículo agoniante e esclarecer as coisas, pois se continuasse ali ia acabar em suicídio.
* * * *
_ Por que levaram ele? Hein? Aqueles maníacos. _ falava nervosamente, quase gritando.
_ Você sabe, conhece os riscos.
_ Pare com essa sua maldita ladainha.
_ Acalme-se, você sabe das razões.
_ De que lado está? Vai lá, vai. _ gritava perdendo totalmente o controle _ Mais tarde eles vem aqui e levam nós!
* * * *
Não se tinha a percepção de tempo naquele lugar, não fazia ideia se tinha passado horas, ou minutos, estava numa espécie de transe, não tinha noção nem do dia nem da noite.
Noite. Noite... O céu azul forte arroxeado, a lua, as estrelas, deitado no gramado olhava o céu. Via sua imensidão. Era um parque, um bosque talvez, olhou para sua direita. Sorriu. Não estava sozinho. Lembrou daqueles olhos, o sorriso, sua beleza. Umsussurro: "NARUTO", então ele virou-se inteiramente para a direita, apoiou o cotovelo na grama e a cabeça na mão, com a outra mão acariciou o rosto dela, levemente, ela colocou sua mão sobre a dele e olhou profundamente nos seus olhos.
Agora desperto de sua alucinação, abruptamente levantou-se, em pé na sala colocou as mãos nos cabelos como se fosse arrancá-los e gritou:
_ Hina! _ nisso desmoronou no chão com seu rosto vazio atordoado.
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