Antes das Chamas - Suécia, 1872

10 Talvez Ele Goste de Você


Notas iniciais
MIL DESCULPAS PELA DEMORA, eu estou cheia de coisas para fazer e estudando para o vestibular e acho que estou ficando um pouco maluca, quando tenho um tempinho para escrever acabo me distraindo ou com um bloqueiozinho criativo e isso realmente está me incomodando. Espero que vocês gostem desse capítulo!

— Além de meu pai, Erik e Hugo, quem mais estava lá? – Greta perguntou.

As duas já haviam terminado de comer e agora estavam sobre a cama, Greta deitada no colo de Luci enquanto a amiga trançava o seu cabelo.

— As senhoritas Givens e Alter, uma outra senhorita e um senhor que não conheço, o senhor Grigori – ela parou um pouco para lembrar da última pessoa que faltava ela falar, a que estava fazendo com que a criada parasse de agir com certa formalidade, ele despertava um lado de Luci que nem a garota conhecia – e Cameron Briel – ela finalmente disse.

Greta riu.

— O que foi? – Luci perguntou.

— Cameron Briel – Greta imitou a voz da criada, que só então percebeu que Cameron tinha sido o único que ela chamara pelo nome, como se os dois tivessem alguma intimidade para se chamarem pelos nomes – ele perguntou de você durante o baile.

— O quê? Ele perguntou de mim? – a garota estava chocada, parou até de trançar o cabelo de Greta por um instante.

— Sim, “quem é aquela adorável senhorita?”, foi o que ele me perguntou.

— E o que a senhorita disse? – a criada não podia fingir que não estava animada com a ideia de ele se interessar em saber quem era ela.

— Que você era Luci Persson, a única, é claro.

As bochechas da garota ficaram um pouco vermelhas.

— Você gosta dele? – Greta perguntou com um sorriso no rosto, ela parecia empolgada com a ideia de Luci se interessar por alguém.

— Claro que não.

— Claro que sim – ela riu.

Luci ia se defender e tentar convencer Greta de que estava errada – algo que ela mesma não tinha se convencido – quando as duas ouviram batidas na porta do quarto.

Uma criada que Luci não conhecia muito bem, entrou no quarto e parou próximo a elas.

— Sinto muito incomodar, mas a governanta Müller pediu que a senhorita fosse até o salão oeste para conversarem sobre assuntos importantes – ela disse.

— Tudo bem, obrigada, pode ir – Greta respondeu.

A criada obedeceu às ordens e saiu do quarto.

— Mesmo com meu pai longe, aparentemente não terei alguns momentos de paz e sossego.

— Achei que as férias tinham sido para descanso e divertimento.

— Não pude me divertir com Erik seguindo todos os meus passos.

Luci riu um pouco, ela podia imaginar o irmão seguindo a garota por todos os lados, parecia uma cena engraçada na mente da criada.

— Luci, você me acompanha até a senhorita Müller?

— É claro – a garota sorriu, estava feliz de poder passar um pouco mais de tempo com a amiga.

Antes de sair, Luci colou toda a comida que sobrara em cima da bandeja, deixando pronta para que ela buscasse em outro momento. Greta parou para prender o cabelo e calçar um par de sapatos.

Depois que a comida estava sobre a bandeja e Greta considerou estar apresentável, as duas saíram do quarto e foram seguindo o caminho até o salão oeste.

— Não ache que esqueci sobre o que estávamos falando – Greta disse com um sorriso nos lábios.

Luci corou, havia imaginado que essa conversa não iria mais acontecer.

— Não tenho coisa alguma para falar – a criada falou.

— Claro que tem, você estava completamente corada – Greta riu um pouco ao lembrar da amiga envergonhada por falar de um cavalheiro – vocês já conversaram?

— Um pouco – ela admitiu.

— Sobre o que?

— Muitos assuntos.

— Talvez ele goste de você.

— Greta – Luci falou séria – isso seria impossível e mesmo que fosse, não seria adequado, seria... Complicado, as pessoas iriam olhar com maus olhos até mesmo uma amizade entre uma criada e alguém como ele.

— Você, acha inadequado eu gostar de Oliver? – Greta também estava séria.

— Não, mas-

— Então por que é tão inadequado você estar interessada senhor Briel? Ele me parece bastante charmoso e educado.

— Eu não estou interessada, ele é só... Um amigo.

— Luci – Greta parou para olhar bem nos olhos da amiga – eu acho que não importa se você sente algo por ele e sei que a maioria das pessoas julgam as outras por coisas bobas, como de onde vieram ou para onde pensam que vão, muitas pessoas são realmente tolas e você não deveria se importar com a opinião delas, pois quem deve dizer pelo o que é certo ou não lutar, somos nós mesmos e temos que lutar, mesmo que da forma mais sutil por aquilo que acreditamos e queremos, mesmo que tudo dure por apenas alguns segundos...

— É um pensamento bastante bonito – a criada havia ficado tocada com aquilo, não imaginava que Greta se sentisse assim.

— Sua mãe disse isso para mim certa vez, ela foi julgada demais, todos nós somos.

Greta não esperou a criada se recuperar e voltou a andar enquanto Luci estagnou por um momento, a lembrança da mãe ainda machucava a garota. A criada voltou andar a acompanhar Greta, porém as duas continuaram em um silêncio inquebrável até se aproximarem do salão oeste e ouvirem a voz da senhorita Müller:

— Sim, será maravilhoso, espero conseguir fazer tudo em tempo.

Quando viraram a esquina do corredor viram a senhorita Müller e o rapaz loiro, Daniel Grigori, conversando.

— Greta, ainda bem que chegou – a governanta falou quando viu a garota virando o corredor.

O garoto virou e viu Luci, o choque ficou evidente em seus olhos, ele parecia estar vendo um fantasma sempre que a via. Para a sorte dele, somente a criada pareceu perceber aquilo.

— Eu estava comentando com o senhor Grigori sobre os preparativos para o seu casamento – Müller disse.

— Preparativos? – Greta pareceu um pouco tonta depois disso.

— Sim, seu pai pediu que começássemos a preparar tudo para o grande dia – a animação de Müller não era compartilhada por Greta ou qualquer outro na sala.

— Hm, tudo bem – Greta não tinha muito o que dizer ou fazer, aqueles preparativos poderiam até ser divertidos por alguns minutos, era o que Luci pensava, que não havia notado os olhos de Daniel parados nela.

— Ótimo, perdoe-nos senhor Grigori, mas temos de ir – a governanta falou para Daniel, que apenas naquele momento desviou seus olhos da criada.

— Claro – ele disse após sair do transe.

Nenhuma das duas pareceu perceber o quanto Daniel havia ficado distraído com a chegada de Luci, entretanto a criada percebeu os olhos dele sobre ela depois que Müller começou a andar/arrastar Greta para dentro do salão.

— Precisamos decidir a cor dos lenços, o sabor do bolo... – a senhorita Müller falava enquanto ia para mais longe do casal que havia ficado no corredor, Greta parecia estar com um pouco de receio de ter feito uma má escolha aceitando o pedido da governanta.

Daniel e Luci estavam sozinhos novamente em frente às portas de uma outra sala, os dois parados um na frente do outro sem saber exatamente o que deveriam fazer ou falar.

— Que coisa engraçada, não? – Daniel tentou começar uma conversa.

— Perdão, senhor.

— As duas – ele tentou se explicar – elas parecem engraçadas, quer dizer, Greta parecia não estar tão empolgada com o casamento e os preparativos, contudo Helena sim.

— É, talvez – a garota estava confusa, não estava entendendo o que ele queria conversando com ela sobre aquele assunto.

— A noiva deveria parecer mais disposta, talvez – ele tentou rir da própria piada, mas parecia nervoso e o riso saiu meio errado.

— Perdão, mas acredito que eu tenha de ir para a cozinha agora, senhor Grigori – Luci tentava escapar dali e Daniel ficou um pouco afetado quando ela disse o sobrenome dele – tenha um bom dia.

— Espere – ele disse antes que ela partisse – desculpe-me se fui rude ontem, a sua aparição me surpreendeu e agora novamente – confessou.

— Eu o surpreendi? – ela não estava entendendo.

— É, um pouco – ele pensou por um instante – achei que pudesse ter visto os meus desenhos – tentou se explicar – eu nunca os mostrei à ninguém e fiquei um pouco... Agressivo ao imaginar que a senhorita os vira sem permissão.

— Eu não olhei seus desenhos – ela mentiu, mas não uma mentira completa, ela só achava que tinha visto um dos desenhos dele, entretanto sabia que havia sido apenas a imaginação dela falando mais alto – o senhor não precisa se desculpar.

— Preciso, como cavalheiro não deveria ter agido de maneira tão grotesca.

— Tudo bem, porém eu realmente tenho de ir.

— Certo – ele sentia que precisava dizer algo mais, queria dizer tantas coisas para ela, contudo ao mesmo tempo sabia que tinha de manter segredo pelo maior tempo possível e aproveitar a presença dela ali, mesmo que um pouco distante – espero vê-la em breve.

Aquilo foi o suficiente para deixar os pensamentos de Luci ainda mais caóticos.

— Daniel – a voz de alguém surgiu no cômodo.

Alguns segundos depois, Gabrielle Givens surgiu alguns passos atrás do senhor Grigori.

— Estava procurando por você – a garota falou sem parecer perceber a presença de Luci.

— Gabbe – a voz dele soou mais fraca, como em um pedido.

Os olhos da loira percorreram o corredor e ela finalmente viu Luci parada um pouco a frente.

— Podemos falar depois, na verdade eu estava procurando Ariane – a loira apressou-se em falar e inventar uma desculpa para deixa-los a sós.

— Não, senhorita Givens – Luci disse – o senhor Grigori acabou de falar que estava procurando a senhorita.

— Eu disse? – Daniel estava confuso.

— Sim, senhor – Luci riu, como se estivesse achando engraçada o “lapso de memória” de Daniel – e eu preciso ir agora, com a sua licença.

Luci apressou-se em sair dali o mais rápido possível e seguir para a cozinha, não entendeu exatamente o motivo, mas ver a senhorita novamente com o garoto a fez ficar um pouco instável. Ela logo chegou a cozinha e ocupou-se em fazer suas tarefas diárias e tirar o casal da cabeça.

Notas finais
Agora os títulos dos capítulos serão frase que apareçam no capítulo, bem, é o que eu acho. Espero que tenham gostado, contem tudo nos comentários, pois dicas, sugestões, críticas... Aceito de tudo! Enfim, eu vou tentar escrever mais, porém não posso garantir nada, porque eu tenho muita coisa para estudar e tudo mais, se eu demorar, por favor, não pensem que eu abandonei a fic, ok? Não me abandonem, por favor.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.