"The look on your face is delicate"
—Danien Rice

Nos últimos dias de verão eu recebi um "treinamento" intensivo de legiminência com ninguém mais e ninguém menos que a minha doente titia, Bellatrix. E admito, até eu fiquei surpreso quando percebi que eu era bom nisso. Em pouco tempo eu já era capaz de penetrar a mente de uma pessoa desprotegida só com um feitiço não verbal, desde que eu estivesse perto da mesma, sabia que precisava melhorar, mas considerando que a maioria dos grandes bruxos levaram anos para se aperfeiçoar, acho que eu posso dizer que estou no caminho certo.

No meu último dia de férias pela primeira vez eu me senti aliviado, não aguentava mais aquela casa, aquelas pessoas. Não aguentava mais planejar um homicídio que eu sabia que seria impossível. Não aguentava mais entrar na mente maníaca da minha tia.

Estava esperando minha mãe terminar de se arrumar para irmos até a estação de King Cross quando mais uma vez, minha tia bateu na porta do meu quarto e entrou antes mesmo de que cogitar abrir ou não a porta.

— Como pretende extrair informações sobre a Ordem? — Ela disse enquanto tirava uma poeira imaginária da minha mesa.

— Bom dia para você também, Bella.

— Você apresentou um plano, mas suas ideias para matar Dumbledore são um tanto... amadoras... — Ela apenas sussurrou essa última palavra.

—Pensei que você acreditasse em mim.

— E acredito — Ela fez uma pausa como se procurasse organizar as próprias ideias. — Contudo, precisamos encarar que você não vai conseguir essa proeza de primeira. Isso pode levar tempo. — Ela deixou que eu refletisse por dois segundos.

Ela provavelmente conseguiu ver as engrenagens do meu cérebro trabalhando sem conseguir compreender onde ela queria chegar. Com um suspiro entendiado, ela tornou a falar.

— Pense Draco, o Lorde da trevas não tem tempo ou paciência para seus fracassos. A cada tentativa em vão, a sua doce mamãe paga. Está me entendendo? — Parou ao meu lado perto da janela.

— O que você sugere? — Perguntei sem desviar o olhos da janela.

— Seja útil. O distraia com informações sobre Ordem. Enquanto você for um bom informante ele não terá motivos para acabar com você ou com a Ciça.

Ela estava certa. Sua mente podia ser louca, mas ela ainda estava certa. Por isso desviei os olhos de janela e a encarei. Eu sabia que ela já havia pensando a respeito, caso contrário, não teria se dado ao trabalho de vir até aqui.

— Você tem razão, mas eu ainda não sou capaz de usar legiminência a longa distância. E tenho certeza que Potter já é capaz de ocultar a mente, e não é como se qualquer outro membro do trio maravilha fosse sair gritando informações sobre a ordem ao vento. Não vai acontecer. Eles são espertos, ou melhor, a sangue-ruim é esperta.

E justamente quando eu disse "sangue-ruim", o rosto de Bella de iluminou e ela fez um floreio com a mão como se dissesse "aí está". Inclinou-se até o meu ouvido e disse:

— Esse rostinho bonito precisa servir para alguma coisa...Use a garota.

Use a garota.

—-x--

Eu estava em uma farmácia no centro de Londres, precisava comprar alguns produtos para terminar de arrumar a minha mala para Hogwarts, partiríamos na manhã seguinte. Estava calor e eu me sentia desconfortável naquele vestido de verão que Juliette praticamente me obrigara a comprar, ele fazia com que meus braços parecessem roliços demais, isso estava me enlouquecendo. Talvez fosse melhor eu me livrar dele, poderia dar de presente para Ginny, ficaria melhor nela de qualquer maneira. Qualquer coisa ficaria melhor em Ginny. Como ela conseguia comer tudo o que Molly cozinhava e continuar com aquele corpo incrível?!

Shampoos, precisava de mais shamppos. Não queria recorrer aos de Hogsmead, não eram tão bons quanto os daqui. Esse ano eu só levaria os de baunilha, gostava do cheiro doce, lembrava sorvete.

Eu queria um sorvete. Talvez mais tarde.

Eu estava procurando por lixas de unha quando meus olhos pousaram em uma caixinha de laminas. Estiquei a o braço e peguei uma...Eu havia prometido a mim mesma que não voltaria aos antigos hábitos, e estava de parabéns, me comportei muito bem durante o quinto ano inteiro e tinha certeza de que conseguiria aguentar firme novamente. Por isso, coloquei a caixinha no lugar e segui em frente.

Estava quase chegando no caixa quando vi uma daquelas típicas balanças de farmácia. Eu passei o verão inteiro sem me pesar, não sei bem o porquê, acho que eu simplesmente não queria.

— Certo...- Eu disso colocando a minha cesta no chão.

55,0

Eu prendi a respiração, enquanto sentia a minha garganta apertar. Que droga era aquela? Fechei os olhos e abri de novo.

55,0

Calma.
Eu pensei "Eu preciso manter a calma, 3 quilos. Eu engordei três quilos durante as férias de verão, mas e daí? Quem se importava? É normal engordar nas férias, todo mundo engorda nas férias."

Voltei para o final do corredor, onde ficavam as laminas.

"Lord super 50", só para o caso de eu ficar estressada demais, só para o caso de eu precisar.

—-x--

Expresso de Hogwarts

Não havia nem 20 minutos desde de que me juntara aos meus colegas no vagão na sonserina e eu já estava me sentindo sufocado. Blasie tentava a todo custo extrair alguma informação sobre o que acontecia na minha casa. Aparentemente, toda alta sociedade bruxa do Reino Unido percebeu que alguma coisa estava muito errada na mansão Malfoy. Para onde foram os bailes? O que aconteceu com as recepções?

Imbecis. Será que o fato do meu pai está preso já não respondia a todas essas perguntas? Eles esperavam que fossemos celebrar o fato do meu pai estar acabado em Azkaban?

Pansy também estava me dando nos nervos. Queria que ela tirasse aquela cabeleira quase tão loira quanto a minha do meu ombro. E que parece de perguntar, queria todos parassem de perguntar.

— Vou ver se consigo comprar uma torta de abobora. — Falei ao meu levantar. Eu estava sem apetite algum, mas eu faria qualquer coisa só pra sair deli.

— Por que você não pede a algum aluno do primeiro ano buscar pra você? — Pansy arqueou a sobrancelha.

— Estou sem paciência para pirralhos, e de qualquer maneira eu preciso ir até o outro lado do trem para me juntar aos monitores monitores. — O que era verdade.

Não esperei uma resposta, apenas saí. Mas pude ouvir quando Pansy mencionou que eu estava estranho.

—-x--

Então Harry acabara de dizer que achava que Draco Malfoy se tonara um comensal da morte. Que piada.
No dia anterior, ele e Ron o seguiram pelo beco diagonal até a Borgin & Burkes e viram o que na opinião de Ronald, era uma apenas mais uma esquisitice da família Malfy, e para Harry, uma provável cerimônia de iniciação.

— Hermione, eu sei o que eu vi. — Ele olhou para Ron como quem pede apoio. — Faz todo sentido, toda a família serviu a Voldmort, agora chegou a vez dele se juntar ao comensais.

— Harry, supondo que por alguma razão que eu nem ao menos consigo imaginar, Voldmort tenha permitido que o Malfoy se tornasse um de seus comensais, e que Malfoy tenha sido burro o suficiente para aceitar — não adianta negar, ele pode ser desprezível, mas precismos reconhecer que ele é inteligente — , acha mesmo que eles fariam uma cerimônia na Borgin & Burkes em plena luz do dia?

— Acho. E por que não fariam? A essa altura eles nem aos menos estão fazendo questão de se esconder.

Com um suspiro eu assenti. Não adiantava discutir, pelo menos por hora. Harry estava convencido e não havia nada que eu pudesse dizer para que ele mudasse de ideia. Talvez quando chegássemos na escola e ele percebesse que Malfoy continuava o mesmo imbecil de sempre, ele deixaria isso pra lá. Contudo, não estava afim de ouvir Harry falando sobre isso até Hogwarts. Peguei meu exemplar de "Encantamentos e Feitiços Antigos Esquecidos" (um livro do sétimo ano, eu já havia terminado o do sexto) e fui para o vagão dos monitores, faltava um bom tempo para a reunião mas ainda assim era melhor do que passar a viajem inteiro ouvindo sobre o Malfoy.

—-x--

Quando abri a porta da cabine dos monitores eu não pude acreditar na minha sorte/falta de sorte. Só havia uma pessoa lá dentro, e essa pessoa atendia por Hermione Granger.

Eu passara a noite em claro pensando em como eu poderia me aproximar dela. Quem diria, eu, Draco Malfoy, passando a noite em claro por pensar em Hermione Granger, mesmo que por uma "causa maior" — nesse caso, a minha vida — isso era no mínimo estranho.

Eu pensei a noite inteira e cheguei a seguinte conclusão: Essa aproximação precisava ser progressiva. Eu não poderia simplesmente chegar em Hogwarts e dizer "Ei, Granger, foi mal por ter te atormentado todos esses anos, vamos ser amigos e quem sabe andar de mãos dadas pelo jardim enquanto você deixa escapar alguma informação sobre a ordem". Eu precisava mostrar que eu estava diferente, pensei em usar a prisão do meu pai como desculpa, poderia até funcionar, contudo, eu precisava ir de vagar.

Em outros tempos, se eu a tivesse encontrado sozinha em uma cabine eu teria lhe chamado de sangue ruim para em seguinte ignorar a sua presença. Não era tão divertido ficar humilhando-a sem uma plateia. Na verdade, era mais difícil não me sentir culpado sem os incetivos dos meus colegas. Eu era mesmo um merda.

Como agora as circunstâncias eram outras, eu apenas a ignorei e me sentei no banco da frente.

Ela me encarou com aqueles olhos de avelam arregalados — talvez surpresa pela ausência de insultos — antes de voltar para o seu livro, e eu aproveitei para analisá-la. E foi aí que eu percebi que eu nunca de fato olhei para Granger.

—-x--

Eu já estava acostumada a ser insultada pelo pessoal da Sonserina. No começo quando alguém me chamava de sangue ruim ou insultava a minha família eu me sentia muito constrangida. Eu odiava quando alguém gritava esse apelido nojento do meio do corredor, a minha vontade era me esconder sob uma capa de invisibilidade e não sair nunca mais. Por alguma razão eu me sentia tão pequena e deslocada, o que me levava a pensar qual seria o meu lugar. Porque eu era estranha demais para o mundo trouxa, impura demais para o mundo bruxo...talvez eu fosse mesmo algum tipo de aberração.

No terceiro ano o constrangimento deu lugar a raiva. A essa altura eu já havia vivido bastante coisa ao lado de Harry e Ron, eu já era capaz de acreditar a apostar em mim mesma, e minhas notas diziam que aquele poderia sim ser o meu lugar. Então eu levantava a voz quando o Malfoy me chamava de sangue ruim, e apontava a varinha toda vez que a Parkson me chamava de dentuça. Todavia, com o tempo essa postura começou a se tornar cansativa. E por isso eu senti um misto se surpresa e alívio quando o Malfoy tomou o seu lugar na cabine e ignorou a minha presença.

—-x--

Hermione Granger tinha algumas sardas no nariz, e ao contrário da maioria das garotas da nossa idade, ela não usava maquiagem para esconder. E acho que de alguma maneira, isso acabava por lhe dar um infantil, quase inicente.

Hermione Granger era magra, mas não magra como Pansy Parkinson que não tinha curvas e aparentava estar passando fome. Não, Granger era magra como uma pessoal normal e saudável. Ela já estava usando as roupas da escola, mas ainda assim, era possível ver algumas curvas. O que foi uma grande surpresa para mim, eu realmente nunca havia olhado para essa garota.

Hermione Granger provavelmente era uma pessoa cheia de manias, pois desde que eu entrar na cabine ela já arrumado uma mecha de cabelo atrás da orelha 3 vezes, e provavelmente nem se dera contar disso.

E talvez Hermione Granger fosse desastrada, porque todas as vezes em que ela levantava o braço para ajeitar o cabelo eu pude perceber alguns arranhões em seu braço esquerdo. Será que era canhota?

— Desculpe — Sua voz era um tantinho exasperado — mas tem alguma coisa errada comigo? Você está me olhando a mais de cinco minutos.

E então eu olhei para aqueles olhos cor de avelã, justamente quando a luz da janela invadiu a cabine, e eu pude jurar que havia algumas matrizes de caramelo. E eu poderia ter usado o momento em que seus olhos encontraram os meus para me concentrar e entrar em sua mente, mas me distraí pensando em como as matrizes caramelo e as sardas que iam até a pontinha do seu nariz arrebitado deixavam o seu rosto delicado.

Roubar essa delicadeza por um misero segundo me pareceu quase um crime, um pecado.

Então eu olhei por mais um segundo antes de lhe dar a resposta que iria contra a imagem que eu havia construído sobre essa garota durante toda a minha vida.

— Seus olhos tem matrizes de caramelo, Granger.

Ela abriu a boca para responder, e provavelmente o teria feito se a dupla de monitores Corvinal tivesse nos interrompido ao entrar na cabine.

Notas finais
Hey pessoal. Sei que faz muito tempo que eu não atualizo, mas eu realmente estive ocupada nos últimos meses. E também não queria postar qualquer coisa só por postar, não faz o meu tipo. Assim como o capitulo anterior, esse é um tanto parado e sem muitos diálogos, mas é importante para a história. A história até então teve MUITAS visualizações e apenas dois comentários, please, come on! Alguns avisos: Como vocês já sabem, a história se passa durante o sexto livro, então, pode ser que vocês encontrem algumas semelhanças entre os diálogos. Eu não tenho beta, então talvez vocês acabem encontrando alguns errinhos, desculpe.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.