Notas iniciais
Geeeente, demorei né D: desculpa!!! Nem vou ficar falando da escola e blá blá blá porque vocês já sabem né, e com certeza devem passar pela mesma coisa - esses professores não dão tempo mesmo não concordam? Hahahaha bom, de qualquer forma, hoje eu deixei meu posto de nerd e abandonei todas as tarefas e coisas que eu tinha para fazer, sentei na frente do computador e escrevi loucamente. Estou surpresa com a forma como tudo saiu exatamente como eu queria, e aproveito para noticiar vocês de que hoje com certeza eu terminarei de escrever a história. Na verdade, parei de escrever para vir postar e já já volto a escrever. Obviamente não vou postar tudo de uma vez, e provavelmente ainda farei pequenos ajustes e tudo o mais, mas realmente já devemos começar a nos despedir da história (só DESTA história, que isso fique claro kkkk)
Não tenho nem como agradecer a todas vocês pelo apoio e carinho, e aproveitando, quero dar as boas vindas a nova leitora, lyviamch, obrigada, de coração! E àquelas que depois de vários capítulos sem comentar resolveram dar sinal de vida, minha gratidão eterna ♥ ♥ Espero que gostem do capítulo, embora eu pense que esta já é uma espera infrutífera (mas NÃO BRIGUEM COMIGO, POR FAVOR!).
Obrigada, mais uma vez, e
Boa leitura!

Capítulo Vinte e Quatro

A manhã seguinte trouxe o desespero de volta. Eu realmente teria que ir à escola infernal na qual meus pais tinham me matriculado, e realmente teria que conviver com a goteira que eram os pensamentos em minha mente.

Pingando. Pingando.

Vamos Mianah, escolha. O que você quer? Hein? O que você escolhe? Seu tempo está acabando. Vamos logo”.

Pingando…

Me vesti devagar, sonolenta e principalmente tentando protelar o momento de dor em que chegaria à escola. Segunda-feira é realmente um dia terrível, meu Deus. Que terrível.

Parei na frente do espelho do banheiro após estar completamente vestida com aquele uniforme ridículo. A tinta lavável ainda estava nas pontas dos meus cabelos. Eu os ergui e girei na frente do espelho, puxando a gola da blusa para baixo e tentando enxergar minha tatuagem nova. Dei um sorriso bobo e me debrucei sobre a pia do banheiro. Lembrei sem querer de quando Theo e eu estávamos ali. Molhados. Com frio… mas tão quentes. Parecia fazer uma eternidade, mas na verdade mal tinham se passado dois ou três dias.

Parecia impossível que o mundo pudesse dar tão poucas voltas enquanto a minha vida se contorcia e se revirava sem escolher uma direção só para seguir.

Dei um suspiro e tentei afastar os pensamentos de minha mente. Não pensar parecia fácil antes. Eu não pensava muito nas coisas, nunca pensei. E agora poderia estar fazendo qualquer coisa, mas os malditos pensamentos continuavam girando, piruetando, rodopiando, dançando, cantando, gritando, me chamando dentro de minha mente. Os livros que definem o amor como loucura estão perfeitamente corretos.

Assim, comecei a me arrumar para o colégio da maneira como me arrumaria se estivesse indo para o velho colégio, aquele no qual eu era feliz – ou o mais próximo disso. Eu sabia que isso só me arranjaria problemas, mas eu não me importava mais. Não naquele dia.

Eu não sei direito quando foi que tomei a decisão. Não sei se foi mais inconsciente e involuntária do que qualquer outra coisa, mas me olhar no espelho e ver a garota mais parecida comigo que eu podia pintar naquele momento me deu forças. Forças para dizer a mim mesma que eu jamais suportaria abrir mão daquilo que eu era por qualquer pessoa. Forças para lembrar a mim mesma que qualquer coisa pode ser superada. Qualquer coisa.

Eu realmente acreditei nisso.

Mas não sabia se teria forças para dizer a Theo que eu estava me rendendo, e não era a ele. Entretanto, eu precisava encontrar uma forma, e eu iria encontrá-la. Tirar aquelas forças de algum lugar.

~

Entrei no carro alguns minutos antes de minha mãe. Eu esperava que meu pai estivesse com ela, como sempre, mas ela me disse que ele pegaria uma folga naquele dia. Respondi normalmente, quase rindo de seu jeito distraído, que não tinha percebido minha aparência.

Mas também, quando ela percebeu, freou o carro no meio da rua, horrorizada.

– Meu Deus! Não! – a velha tempestade em copo d’água, a qual eu tinha esperanças de não me acostumar. Vãs esperanças. – Vamos voltar para casa. Você não vai para o colégio desse jeito.

– Mãe – eu disse com meu tom entediado e chato de sempre. – Eu vou.

– Não, você não vai, Mianah.

– Sim, eu vou – insisti calmamente.

Ela retomou a direção do carro, tentando pegar o caminho novamente para casa.

– Não – negou novamente.

Eu ergui o tom de voz. Não era difícil para mim começar a gritar. Por dentro, eu já estava desesperada.

– Eu vou do jeito que eu quiser! – falei. – Você não vai precisar disso tudo por muito tempo! Eu vou embora! E eu nunca mais precisarei obedecer a você!

Desta vez ela freou tão abruptamente que meu corpo foi arremessado para frente, porque eu obviamente estava sem o cinto de segurança. A nossa sorte era a rua estar vazia àquela hora da manhã.

– O quê? – ela gritou.

– Eu vou embora do Rio. Vou embora do Brasil. Eu vou embora.

Ela deu um riso sarcástico.

– Ah, você está delirando. Embora para onde? Com quem? Vai deixar o Theo? Você está louca, Mianah, completamente louca.

– Não, eu não estou – meu tom de voz foi quase vitorioso, e mesmo assim precisei me esforçar para me controlar e não deixar o nome de Theo me derrubar. No fundo, minha mãe sabia que eu não estava brincando. E ela não tinha idéia do que eu podia fazer, mas sabia que era mais do que imaginaria um dia. – Eu vou para a Europa, aonde vão me pagar para fazer o que, aqui, me jogam na cadeia se eu fizer. Pichar.

A expressão de minha mãe estava tão pasma que até eu mesma fiquei preocupada por ela eventualmente ter um ataque de nervos e jogar o carro na frente de um caminhão.

– Você não vai a lugar algum – ela disse, com a voz falha. – Não enquanto eu estiver viva.

Eu sacudi a cabeça. Parte de mim tinha medo de realmente a estar matando de desgosto, e a outra parte estava feliz porque eu finalmente tinha conseguido romper as amarras.

Deslizei a alça da mochila por meu ombro e sorri indolentemente para ela. Abri a porta do carro e saí andando pelo acostamento sem olhar para trás. E ela não tentou me impedir.

~

Eu sabia que o próximo passo era, de todos, o mais difícil.

Falar com Theo.

Deixar a escola e “conversar” com minha mãe foi fácil, até simples. Eu não queria pensar que só era simples assim porque eu não me importava com minha mãe, mas parecia ser exatamente por isso. Porém Theo era alguém realmente importante. Mais do que importante.

E pelo caminho todo até a casa dele, fui tentando encontrar em algum lugar a força de que eu precisava para fazer aquilo. Para dizer a ele.

Eu tinha esperanças de que a distância me fizesse esquecê-lo. E eu tinha esperanças de não ter saudade dos meus pais, de Luiza, do Rio, de Lena e Victoria e, principalmente, de Arthur. Ir embora queria dizer muito mais do que isso, porque eu sabia que estava marcada por cada um deles… para sempre.

Quando cheguei à frente da imensa casa onde Theo morava, segurei-me nas grades do portão para não acabar no meio da calçada, encolhida e chorando. Toquei o interfone e pedi aos céus para que Theo estivesse em casa, enquanto ao mesmo tempo pedia com todas as minhas forças para que ele não estivesse.

Talvez eu simplesmente pudesse voltar atrás, e isso não seria difícil, uma vez que eu não tinha respondido o e-mail ainda. Só que eu me conhecia bem o bastante para saber que depois de já ter destruído tudo, eu não voltaria atrás. Eu não mudaria nada.

E Theo atendeu o interfone.

– Sou eu – foi tudo o que consegui responder.

Nenhum som saiu do aparelho, mas ouvi o portão ser destravado. Cruzei os braços no peito com força e respirei fundo várias vezes. Engoli cada uma das lágrimas que ameaçavam romper minhas barreiras e fui encontrar o fim da única coisa que me manteve firme durante todo aquele tempo.

~

– O que você está fazendo aqui? Deveria estar no colégio a essa hora, se eu estiver certo – Theo comentou em tom de bronca. Eu vi seu rosto chateado e minha expressão firme cedeu lugar ao desespero por um segundo, ao imaginar qual seria a cara dele quando eu falasse.

Eu tenho certeza de que ele sabia que algo estava errado, e que eu não estava ali só para vê-lo. Então, Theo suspirou e cruzou a imensa sala de estar de sua casa para me abraçar.

– Vem. Meu pai está trabalhando – ele disse.

Naquele momento, eu me senti a pessoa mais minúscula do mundo. Eu dificilmente me senti exatamente uma pessoa.

Mas olhei para ele; olhei para os olhos que pintara um dia – olhos que tinham me dado indiretamente o motivo pelo qual eu o estava deixando agora – e me esforcei para captar cada mínimo detalhe deles. Mais do que fiz no dia em que o pintei, eu queria conseguir fechar os olhos e ver cada pequena manchinha esverdeada e dourada e brilhante que havia naquelas íris. Eu queria me lembrar do formato deles, queria descer para o nariz, e as maçãs do rosto. Queria estender a mão e sentir a textura do queixo com a barba bem feita, queria passar os dedos na nuca dele, ver os cabelos dourados, sentir seus braços…

Não, eu não queria esquecê-lo.

Eu pensei que quisesse, e um minuto antes, eu realmente queria. Mas os braços dele fechados ao meu redor, me protegendo como uma coisa realmente valiosa para ele, me mostraram que assim como ele não parecia querer abrir mão de mim, eu não queria abrir mão dele.

Mas como precisava… podia ficar com as memórias.

Enfim Theo me soltou e segurou apenas minha mão. Levou-me para sentar no sofá menor, que ficava no canto da sala, e me olhou. Esperando. Perguntando com aqueles olhos o que tinha acontecido comigo.

Engoli em seco. Era como se um painel em néon estivesse brilhando acima da cabeça dele, dizendo “sua vez de falar! Sua vez de falar!”. E eu não sabia direito como falar. Tentei não pensar na palavra “adeus”. Isso deixaria tudo tão incrivelmente dramático, o que não combinava nada comigo, se excluíssemos todos os dias a partir do momento em que conheci Theo Albuquerque.

Respirei fundo pela boca.

– Eu precisava falar com você. Então me livrei da minha mãe e vim para cá.

– O que a propósito, foi muito errado – ele comentou.

Apertei os olhos e ergui as mãos.

– Só… me escuta. Por favor.

Ele assentiu quando abri os olhos.

– Eu vou embora. Não sei quando, mas vou embora – despejei.

– Como assim? – ele disparou.

– Eu vou morar em Roma.

– Por quê?

– Porque recebi uma proposta de emprego de lá. E eu vou aceitá-la.

Houve um pesado silêncio dramático demais para o meu gosto.

– Muito bem… você só pode estar brincando – ele deu um sorriso amarelo.

– Não, Theo, eu não estou brincando – minha voz saiu tensa, falha e desesperada. – Eu preciso correr atrás de mim mesma, assegurar-me do que sou. Você não combina com a pessoa que eu sou e mesmo que combinasse, não daria certo a uma distância tão grande.

Ele se remexeu no sofá e eu percebi suas mãos tremendo. A cada segundo uma nova fissura era feita em meu coração.

– Eu estou tentando, Mianah, está bem? Estou tentando ficar com você. Estou tentando fazer você feliz, mas eu não consigo desse jeito, eu não consigo se você não me der a chance… de… – sua voz foi se perdendo.

– Olhe, eu… eu…

Por alguns minutos nós ficamos ali, como dois doentes incapacitados de pensar e falar.

Porque estávamos doentes. Apaixonados um pelo outro.

– Eu nunca vou conseguir dar a você o que merece. Eu disse que só poderia dar a você o que tenho e o que sou, mas eu percebi que isso não é e nunca foi tudo o que você merece. Você é bom demais para mim, Theo. Você merece ser feliz e encontrar uma pessoa que pense como você, aja como você… e eu tenho certeza de que você vai encontrar.

Eu não conseguia pensar em mais nada a ser dito quando acabei de falar. Ele me olhou. Seus olhos estavam sombrios agora, ilegíveis. Estendi minha mão devagar na direção do ombro dele, mas a recolhi um segundo depois. Sacudi a cabeça e mordi meu lábio inferior. As mãos dele estavam fechadas em punho. Peguei uma delas, que ele entrelaçou na minha.

– Tchau – eu sussurrei, apertando a mão dele por alguns segundos.

Então peguei minha mochila, cruzei a sala e também o deixei para trás.

Notas finais
Qualquer erro de ortografia ou concordância que vocês avistarem, por favor, me alertem - vocês sabem né, no embalo de escrever a gente acaba deixando uns errinhos passarem, mas eu revisei o texto hahaha
E então... o que acharam? Sei que tudo foi meio abrupto, e que esse término do Theo e da Mianah deve ter deixado vocês loucas, mas gostaria muito que lessem e continuassem me apoiando, espero não decepcionar vocês - pelo menos, eu não me decepcionei com o final que imaginei u.u kkkkkkk
Obrigada novamente... e reviews, por favor, deixem reviews (ou MPs). E leitoras fantasmas, por favor, apareçam, eu gostaria muuuuuuito de conhecer vocês, com vocês minha alegria seria completa! Por favoooor, pensem no meu caso ^^
Beijooooooooos e posto assim que tiver uns reviewzinhos ;) amo vocês ♥