Antes Que O Dia Acabe

16 Capítulo 16- Ethan/ Lia


Ethan

O dia anterior passara rápido, sem nenhuma mudança, e Ethan estava pouco ansioso para seu encontro. Vestindo uma blusa xadrez com as mangas dobradas por cima de uma regata branca, o azul de seus olhos parecia ressaltado. Também levava uma calça jeans e tênis casuais. Ethan era dono de uma beleza discreta e pura, quase angelical.

A caminho do restaurante, ele parou em uma floricultura, onde comprou um buquê de tulipas rosas para Sophie. Ethan havia sido educado pelos pais para ser um cavalheiro, e isso era um de seus charmes.

Chegou ao restaurante 10 minutos antes do combinado e bebeu sua água lentamente enquanto esperava. Não demorou muito e Sophie chegou. A combinação de pouca luz e muito álcool impedia Ethan de lembrar-se das feições de Sophie. Naquele momento, entretanto, a claridade atravessava as paredes de vidro do restaurante e ele pôde admirar a beleza exótica da menina: a pele cor de jambo e olhos mel pareciam emoldurados pelos cachos volumosos arrumados com um turbante colorido. O vestido branco com um decote discreto contrastava com a pele escura e uma rasteira e uma pequena bolsa finalizavam o visual. Quando ela o viu, deu um aceno simpático e juntou-se a ele na mesa.

–Aqui, são para você- disse Ethan entregando as flores.

–Nossa, é muito gentil da sua parte. Obrigada- sorriu Sophie e Ethan retribuiu o sorriso.

A conversa fluiu de forma agradável e eles se deram muito bem, como se fossem velhos amigos. Ethan percebeu que jamais tivera tamanha intimidade com uma garota. Seus poucos relacionamentos tiveram sido superficiais, e ele nunca havia se envolvido de fato. Os assuntos foram extremamente diversificados, desde política até o corte de cabelo estranho do garçom. Ethan sentiu-se estranhamente leve e confortável conversando com aquela menina. "Se nada entre nós der certo, ainda poderemos ser amigos, pelo menos" pensou ele.

Ao fim da tarde, ele deixou Sophie em casa e, ao despedir-se, beijou-a na mão. Com a promessa de manterem contato, Ethan voltou para casa.

Lia

Poucas horas antes do almoço, Brandon ligou para Lia e eles marcaram de se encontrar. Lia sabia que era bobagem, mas dentro dela, a saudade queimava inexplicavelmente. Foi apenas quando desligou o telefone e um sorriso pateticamente abobado dominou seu rosto que ela percebeu: estava apaixonada. Lia sabia que o amor doía, trazia sofrimento e lágrimas, mas ela vira em seus pais algo diferente. O amor podia ser algo bom, que gerava lágrimas, sim, mas de felicidade. E ela queria experimentar isso ao menos uma vez na vida, e a possibilidade de ter amor ao lado de Brandon era algo bastante atraente. Quando ela estava com ele, era como se o passado se dissipasse, como se ela não precisasse de nenhum tipo de analgésico para a dor, nenhuma droga. O problema era que ela não estava com Brandon. O branco das paredes era sua única companhia, e a depressão que ele a fazia sentir fez com que o vício tomasse conta de seu ser por inteiro.

Em busca de algum conforto interno, ela foi até a necessaire que guardava escondida na última gaveta de seu armário para pegar um baseado. No segundo seguinte, ela pôde sentir o sangue congelar nas veias, o coração parar de bombear e todos os músculos de seu corpo se contraírem. As drogas haviam acabado.