Antes De Reabrir A Minha Fábrica.
1 Willy Wonka. Antes de reabrir a minha fábrica.
Uma das maiores tristezas de Willy Wonka era ser perseguido por seus concorrentes e saber que, todos os dias, teria que desconfiar das pessoas em que mais confiava. Ele sempre buscava ser doce com todo mundo – oras era um chocolateiro! – e saber que sua doçura poderia custar uma vida de trabalho duro, era aterrorizante.
Mas mesmo assim, correndo riscos, largou a fábrica nas mãos de um de seus melhores amigos, e funcionários, e correu pelo mundo buscando algo novo.
Foiassim que conheceu os Oompa Loompas.
A felicidade de encontrar as pessoas, ou melhor, pessoinhas, perfeitas para cuidar da fábrica explodiu em suas veias e borbulhou sua mente maluca que já bolava diversos produtos novos.Sem pensar duas vezes demitiu todos os seus funcionários e fechou a fábrica, segundo ele, para sempre.
Mas como sua velha professora do fundamental sempre dizia: “para sempre era muito tempo”, e Willy se viu maluco ao ver um fio de cabelo branco brilhar em sua cabeleira macia.
– Meu Deus, estou ficando velho! O que vou fazer? – O Oompa Loompa que cortava seus cabelos mantinha-se concentrado em sua tarefa. – Se eu morrer essa fábrica será invadida por meus concorrentes e eu vou falir pouco depois! Não! Não! Não! – Esperneou enquanto permanecia sentado e mesmo assim a pequena criatura não errava o corte de Willy. – Já sei! – Pulou da cadeira e observou o corte idêntico ao que sempre usava. – Você sempre me surpreende! Estou mais bonito do que nunca!
O Oompa Loompa piscou para seu chefe e desceu do, enorme, banquinho em que estava em um único salto. Willy ainda observou o corte admirado com a habilidade da criaturinha.
Primeira fase: como fazer.
Willy não tinha habilidade nenhuma em planejar algo que não fosse doce– Ele amava doces e por isso sua mente só pensava em doces. Mas, naquele momento ele precisava encontrar um herdeiro de sua fábrica e nem tinha noção se seria menino ou menina.
O que ele sabia era que queria um.
Não que não tivesse pensado em dar sua fábrica para um Oompa Loompa, mas eles eram muito pequenos e se algum de seus concorrentes quisesse algo, era só pisar neles.As criaturinhas seriam facilmente esmagadas e ter um Oompa Loompa esmagado era triste demais, pois eles paravam de cantar– uma vez Willy pisara em um e a cantoria cessou por quase um ano.
Willy gostava deles cantando as coisas esquisitas que aconteciam, mas no começo, a cantoria era quase nula, pois a fábrica não era apropriada para eles e todos os meses uma criaturinha era esmagada – isso para não falar do Oompa Loompa que caiu em um dos barris de chocolate e nunca mais foi visto. Ou aquele que bebeu o refrigerante que faz voar e nunca mais voltou¹... Triste!
Willy Wonkaqueria alguém criativo como ele e doce como seus doces. Foi então que percebeu que apenas uma criaturinha era perfeita o bastante para ser moldada como queria!
O maluco Wonka correu pela fábrica – fazendo a calda de seu fraque roxo balançar – e entrou em seu quarto. Colocou sua ideia em um papel e nela se perdeu por dias.
Tudo seria perfeito!
Ele convidaria quinze crianças com seus pais e mostraria a fábrica! Uma delas seria a sua herdeira.
– Não, não, não! Willy seu chocolate queimado! Como pode trazer tanta gente para a sua fábrica? E como vai coletar tanas crianças? – O maluco dono da fábrica discutia consigo. – Já sei! Vou espalhar convites dourados! Hum... Mas ficaria muito caro fazer...Posso fazer a mão! Ah, mas quinze é muita coisa! Já sei! Willy seu doce de coco caramelizado! Faça só cinco convites e coloque em cinco chocolates! Ai você vai ter menos trabalho!
O dono da fábrica olhou para o grande espelho que tinha em seu quarto e sorriu.
– Como você é lindo! E este corte está perfeito demais! — Apalpou as pontas dos fios.
Segunda faze: como selecionar?
Ele tinha decidido a data, a hora e o tempo que duraria o tão emocionante diaem que reabriria a fábrica. Além disso, já tinha colocado os bilhetes e enviado para as lojas.
Agora só faltava um detalhe: como fazer para escolher seu herdeiro?
Ele gostava de crianças, pois elas eram suas maiores clientes e era hiper-criativas. A única coisa que ele teria que fazer era atiçar toda a criatividade da cacholinha das crianças e fazer com que elas crescessem tão, ou mais, criativas do que ele– o que não seria tão difícil.
Ele pediria a guarda da criança e faria com que ela vivesse na fábrica, junto dele. Assim os pais delas não poderiam impedir a criatividade de florescer e poderiam se livrar do custo que era criar uma criança.
– É perfeito!– Exclamou.
Mas então ele percebeu que tinha se precipitado e que não sabia como selecionar a criança perfeita.Emburrado e agarrado com uma de suas almofadas, o dono da fantástica fábrica assistia um pouco de televisão.
Logo veio o desespero de conhecer o primeiro ganhador.
– Céus! Esse daí comeria todo o meu rio de chocolates em poucos segundos! – Gritou espantado ao ver um menino gordo comendo uma de sua barras. – Não, não! Prefiro ele como cliente do que herdeiro!
Quando Willy viu a segunda ganhadora, quis chorar. A menina era mimada e não parecia ser criativa. Ela, definitivamente ia querer um de seus esquilos treinados e raros – afinal, um Oompa Loompa conseguir treinar um esquilo sem ser comido era raro!
Ela estava fora de sua lista de possíveis herdeiros e pronto!
– Vou fazer com que eles queiram fugir de minha fábrica, sem pensar duas vezes! – Willy analisou seu plano. — O que quiser ficar vai ser o meu escolhido! Willy seu gênio!
Então ele calculou como tudo teria que ser. O garoto gordo comeria algo que faria mal – apesar de Willy ser maluco, ele sabia que aquele garoto era seu cliente perfeito e por isso não poderia fazer muito mal. – A garota mimadinha, iria ser jogada no lixão ao tentar pegar seus esquilos. – Na verdade, já estava previsto que os esquilos iriam trata-la como uma nós podre. – A mascadora de chicletes,terceira escolhida,viraria uma amora. – Ela não resistiria ao seu chiclete que ainda esta em teste.
Mais alguns dias se passaram e Willy viu que o penúltimo ganhador era um viciado em televisão.
– Sem cérebro! – Gritou para o rádio que anunciava o ganhador.
Naquela mesma hora o chocolateiro averiguava algo em seu sistema
– Opa! Invadiram meu sistema! – Ele escutou, novamente, o nome do quarto ganhador e exclamou: – Ah, esse moleque maldito vai ficar esticadinho!
Quando o último ganhador foi anunciado, Willy correu do banho que tomava e sentou em sua mesa para anotar seu plano de se livrar do garoto. Alguns tombos depois e o chocolateiro estava sentado — e dolorido – a escrever.
Mas pouco antes de abrir a fábrica uma noticia, marcante para o dono da fábrica, lhe impossibilitou de continuar a preparar a abertura perfeita para as crianças. O último bilhete era falso e o ganhador era um garotinho que tinha encontrado um dinheiro na neve e comprado três barras de chocolates Wonka.
– Que sortudo! Eu queria ter essa sorte! – Willy comentou antes de perceber algo: — Opa! Como vou me livrar dele? Charlie Bucket? Droga, ele é só um garoto sortudo!
E aquele último dia, tinha tirado completamente o sono de Willy Wonka. O próprio dono da fantástica fábrica sabia que o garotopobre tinha grandes chances de ser seu futuro herdeiro. Pois além de ter tido a sorte de ter encontrado o último bilhete, ele tinha a sorte de ser simples.
Como se livrar de uma criança que, obviamente, resistira as ofertas que recaíram sobre aquele bilhete dourado?
A última fase: Uma simplicidade criativa.
Willy corria pela fábrica e já começava a se perguntar se tinha sido esperto mesmo ao fazer algo tão grande e tão abaixo do solo.
– Charlie! Ah, ai está você! Oh, garoto te procurei por toda a fábrica! Não vê que já estou velho?
– Desculpa Willy, estava fazendo minha lição de casa.– O garoto respondeu enquanto girava o torax na direção do chocolateiro.
– Esquece isso! – Willy respirou fundo. — Perdi meu elevador!
– De novo? – o garoto riu ao ver Willy emburrar e chiar irritado. O dono da fábrica alegava que um elevador transparente era mais fácil de perder do que se pensava. – Já sei!
– Sabe o que? – Os olhos do chocolateiro brilhavam, assim como o de Charlie.
– Vamos pegar aquela tinta que você fez, e que não deu certo, e passar pela fábrica!
– Esta doido? – Era uma ideia simples, mas que tiraria a beleza de sua fábrica. – Não vou sujar minha fábrica!
– Willy! A tinta vai mostrar onde esta o elevador e depois vai evaporar!
– Charlie Bucket! – Gritou o maluco dono da fábrica. – Você é um gênio! – Sussurrou para que só o garoto ouvisse.
E pouco depois, os dois malucos corriam pela fábrica, com um pincel mergulhado em uma tinta que dera errado. Willy ria e gritava o quão divertido aquilo podia ser e Charlie se limitava a rir descontroladamente.
O garoto planejava algo que nem o próprio Willy esperava.
Em um movimento inimaginável, o herdeiro da fábrica virou-se bateu as cerdas do pincel que usava no rosto de Willy. Que com o suto pisou em uma poça de chocolate que estava a sua frente e deslizou gritando até o final do corredor.
A última coisa que Charlie ouviu foi Willy gritar:
– Ouch! – o dono da fábrica. – Charlie! Achei meu elevador! Agora chame um médico! Acho que quebrei alguns ossos!
E mesmo que fosse uma ideia temporária, só pela diversão, já havia feito a vida ser mais doce.
Fale com o autor