Antes De Partir
7 Cap. 6 - Ghost
Notas iniciais
Rachel P.O.V
Um fantasma. Era isso que eu via. Só podia ser. Ele pareceu não notar minha presença, indo sentar-se ao lado de Noah com três latinhas de cerveja. Deu uma ao amigo e outra a Blaine, abrindo a terceira.
_ Se divertiu querida? – ouvi minha mãe perguntar a Beth, que só conseguiu balançar a cabeça ainda rindo – Como vai Kurt? E você Blaine?
_ Bem Srta. Corcoran. – responderam ambos.
_ Por favor, apenas Shelby. – pediu ela, sentando-se ao lado de Quinn – Ela deu trabalho?
_ Nenhum. Dormimos metade da tarde. – contou Quinn.
_ Mamãe, eu ganhei uma barraca da Dora. – contou a pequena – E meu pai falou que a gente não vai reformar esse quarto, porque eles vão se mudar, mas que eu posso ter um quarto lá. Você deixa?
_ Claro que sim. – concordou minha mãe – Quando eles quiserem, vamos atrás das coisas está bem? Agora, vamos para casa?
_ Ah não... – reclamou ela – O tio Kurt e o tio Blaine só estão na cidade até amanhã, e o tio Finn também. Não podemos ficar aqui e jantar com eles?
_ Que tal assim: nós vamos para casa, tomamos um banho gostoso e colocamos uma roupa melhor e voltamos para cá mais tarde? – propôs minha mãe e Beth olhou a mãe biológica.
_ Melhor mesmo princesa. Você correu bastante, está toda suada. E eu e Puck precisamos nos trocar também.
A pequena assentiu, indo com Quinn buscar suas coisas no quarto de hospedes e logo elas voltaram. Beth abraçou minha amiga, antes de correr e pular sobre Puck, lhe dando um beijo no rosto. Depois foi até nossa mãe e lhe deu a mão, ambas saindo dali.
_ E você pequena princesa judia, nos acompanha no jantar? – ouvi Puck perguntar e virei-me em sua direção. Finn estava ao seu lado, mas continuava a me ignorar, mais interessado em mexer no celular.
_ Hã... Claro. – disse – Só preciso de um banho.
_ Eu vou com você. – se ofereceu Kurt, levantando em um pulo – Estou louco para ver seu apartamento... De novo.
Eu ri, dando um tchau rápido a todos e saindo com Kurt. Como eram apenas duas quadras, fomos a pé e em silêncio. Assim que entramos no apartamento, arremessei um vaso na parede, assustando meu melhor amigo.
_ QUE POHA É ESSA KURT? – gritei, arrancando o casaco – VOCÊ VEM PRA NOVA YORK, TRAZ O FINN PRA CÁ E NEM ME AVISA. PIOR, NEM ME AVISA QUE ELE VOLTOU DO EXERCITO! QUE MERDA É ESSA?
_ Se você prometer não quebrar mais nenhum vaso, eu explico. – disse ele, branco como cera. Eu assenti, me sentando e ele sentou-se a minha frente – Finn voltou há 10 dias. Mas ele veio direto para cá, para te ver. Acontece que, assim que ele chegou ao teatro onde sabia que você estaria, deu com você e o Theo se beijando. Ele então voltou para Lima arrasado e desde então, ele e Puck vem conversando todos os dias sobre algo. Quando eu disse que viria para cá com Blaine, ele quis vir junto. Ele diz que voltará conosco amanhã, mas não acredito nisso.
_ O que você quer dizer? – perguntei, sentindo tudo rodar.
_ Estou dizendo que eu acho que o Finn está vindo para cá para ficar Rachel. – disse ele e eu comecei a chorar – Rach, converse com ele. Vocês dois se amam.
_ Ele me deixou Kurt. – eu solucei.
_ Ele te libertou para viver seu sonho estrela... – disse meu melhor amigo, sentando ao meu lado e me abraçando – E veja tudo que você conseguiu! Você vai estrear na Broadway.
_ Sim, e eu estou namorando meu parceiro de cena. – lembrei-o e ele revirou os olhos.
_ Rachel, você e o Theo é só frescura, tá na cara que você não gosta dele. Na verdade, ninguém gosta. – ressaltou ele, me fazendo rir – Vamos Barbra...
_ Eu preciso de um tempo Kurt. – eu disse por fim – E um banho.
_ Verdade... Seu cheiro está muito forte. – brincou ele, franzindo o nariz. Eu ri, indo para meu quarto. Liguei a banheira enquanto me despia e logo, deitei-me, afundando a cabeça e querendo morrer afogada para não lidar com o que viria.
Uma hora depois, estávamos todos na casa dos Puckerman, tomando vinho, enquanto Beth ensinava a Blaine como jogar seu novo jogo. Finn continuava a me ignorar, mas contava a todos como havia sido seus anos no exercito.
_ Consegui mudar o status do meu pai para honroso. – contou ele, sorrindo emocionado – E ainda fui, eu mesmo, dispensado com honras.
_ Esse é meu melhor amigo. – gargalhou Puck, dando um tapa nas costas do meu ex e ambos sorriram cúmplices – Amigo e novo parceiro nos negócios.
_ Oh, então afinal descobriremos o segredo. – brincou Kurt e os dois riram em conjunto.
_ Me lancei como solo, mas é chato caminhar só. – explicou Puck – Então, eu e Finn vamos virar parceiros. E estamos conversando com Artie e Sam também, afinal, só um guitarrista e um baterista não daria certo.
_ Ai que tudo! – guinchou Kurt, pulando no lugar – E eles aceitaram?
_ Obvio. Ainda temos alguma coisa jurídica para tratar pelo nome, mas no geral, está tudo praticamente acertado. – respondeu Finn.
_ E qual vai ser o nome? – perguntei e Finn me ignorou, mas Puck respondeu.
_ New Directions. – respondeu ele, fazendo Kurt ter um ataque de vez.
Finn se levantou bruscamente, indo buscar mais vinho e todos me encararam, como que mandando eu segui-lo. Eu inspirei profundamente, antes de me levantar e ir atrás. Chegando a cozinha, ele estava de costas, se servindo, mas ele sabia que eu estava ali.
_ Finn... – eu chamei baixinho e ele me ignorou – Qual é Finn, deixa disso. Porque não me avisou que estava de volta?
_ Eu ia fazer uma surpresa. – disse ele, seco – Mas quando cheguei, surpresa: você estava com outro cara.
_ Tem dó vai. – retruquei nervosa – Você termina comigo, vai embora e volta quatro anos depois querendo que eu tenha permanecido esperando você quietinha? Chorando que nem eu chorei por tantas noites?
_ Eu escrevi para você. Mandei e-mails. – ele controlava a voz – Você não respondeu uma sequer. Eu poderia ter morrido, e você não teria se importado.
_ Claro que teria. – eu também controlava a voz – Que merda Finn, eu te amei todos os dias, desde que você se foi. Mas você fez uma escolha, você escolheu ir. Eu demorei a tentar seguir adiante, e você não pode me culpar. Eu nem sabia que você estava de volta.
_ Mas agora sabe. – rosnou ele, apoiando-se no balcão.
_ E o que você quer que eu faça? Volte correndo para os seus braços? – perguntei e ele baixou a cabeça. Ouvimos a campainha, mas achei que eram as pizzas. Continuei encarando Finn, que se preparava para falar algo, mas não conseguiu.
_ Ah, ai está ela. – ouvi Theo entrando na cozinha e Finn o olhou com raiva – Nataniel disse que você tinha saído com sua mãe hoje e quando fui apartamento dela, o porteiro disse que ela estaria aqui. Custava me avisar gata?
Eu olhei para Finn, tentando falar algo, mas ele já tinha dado as costas. Theo sorria encostado a porta e eu suspirei.
_ Eu sei que sou lindo, mas vamos lá, me apresente minha sogrinha. – disse meu namorado, me dando um beijo. E, suspirando novamente, foi o que eu fiz.
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