Antes De Panem

12 The House of Hades


Notas iniciais
Boa leitura!

Ninguém conseguia se mexer. Ficaram, simplesmente, paralisados. Ali estavam os deuses, aparecendo pessoalmente, para fazê-los parar. Largaram as armas, e se curvaram diante de seus pais.

– O que vocês pensam que estão fazendo? — Zeus disse. Ninguém respondeu. — Vocês esqueceram a verdadeira ameaça? Esqueceram-se de Gaia?!

A realidade bateu nos jovens como um tapa na cara. O que, em nome dos deuses, eles estavam fazendo? Aquela briga era totalmente sem fundamento, estavam lutando entre si, destruindo-se. Exatamente como Gaia queria.

Hera os observava com decepção. Ela tinha tido o trabalho de uni-los e, pouco tempo depois, eles quase se matavam. Semideuses...

– Vejam o que vocês fizeram. — Disse Hera.

Nesse instante, uma névoa esbranquiçada se formou diante dos meio-sangues. Ela começou a adquirir cor e formato, e imagens apareceram nela. Prédios destruídos, áreas inundadas, florestas pegando fogo... tudo, estava um desastre. E o pior, era saber que eles haviam provocado aquilo. Pobres mortais caminhavam pelas ruínas de suas cidades destruídas, com algumas crianças chorando. A maioria parecia ter sobrevivido, mas era possível ver alguns corpos no chão. Mortos, com total expressão de surpresa.

Hades olhou para os semideuses, com um olhar desgostoso.

– Vocês terão muito trabalho a fazer. — Disse. Então se virou para Hazel, que o olhava com assombro. — Aí está a utilidade de seus túneis e bases subterrâneas, minha filha. Vocês devem abrigar os mortais, enquanto Gaia está em ação. — Hades virou-se para Nico, e murmurou. — E eu que achava que você era honesto.

Nico abaixou a cabeça, envergonhado. Annabeth ficou confusa.

– Meu senhor?

O Senhor dos Mortos bufou.

– Você estava certa menina. — Disse. — Meu filho era o espião romano o tempo todo.

Os olhares de raiva lançados para Nico foram muitos, praticamente de todos os gregos. Os romanos permaneceram impassíveis, de cabeça baixa.

– É melhor vocês começarem. — Disse Atena. — Não será um trabalho nada fácil. E sejam rápidos!


*************



Depois daquele dia, os grupos se uniram. Claro, no começo, foi contra a sua vontade. Mas, logo começaram a interagir melhor entre si.

A cada dia, os pégasus, unicórnios e centauros, chegavam como mais e mais grupos de sobreviventes. As bases subterrâneas serviram para "hospedar" os mortais por um tempo, enquanto Gaia destruía a América do Norte. Suas viagens foram além dos Estados Unidos, alcançando o Canadá. Até os moradores da Nova Roma, na Califórnia, tiveram de ser trazida para a Casa de Hades, como era chamado o conjunto de bases.


E o tempo passou. Percy e Reyna começaram a namorar, e eram os líderes da Casa de Hades. Annebeth sofria ao vê-los juntos. Perguntava-se por que Percy não havia a matado. Não acreditava que odiasse mais a Jason do a ela. Tinha a impressão de que Percy já teria matado ao dois, se algo não impedisse. Annabeth queria saber o que era. Por mais que Percy a odiasse, ela tinha sido sua amiga, alguém de sua confiança. Ela o traiu, mas ele era leal. Leal demais. Ou talvez fosse por Reyna, o lembrando todos os dias, de que eles eram aliados agora.

Mesmo assim, isso não o impedia de lhe mandar olhares frios e duros. Quando a garota desabava, Jason tentava ajudá-la. Ainda sentia raiva dele, por ter provocado tudo aquilo. Se não fosse ele, Percy ainda a amaria, ainda seria seu amado Cabeça de Alga. Mas ela sabia que a culpa também era dela. Quando ele a beijou, ela deveria tê-lo afastado, batido nele, qualquer coisa! Mas não. Ela correspondeu o maldito beijo, ela gostou. E esse foi o maior erro de sua vida.

Quanto a Jason, ele ainda a amava, mesmo que ela o odiasse. Ele já estava acostumado aos olhares de ódio, mas... Ver os lindos olhos tempestuosos de Annabeth, com tanto ódio dirigido a ele... era terrível, excruciante. Ele se perguntava como pôde ser tão idiota. Ter feito a besteira de beijá-la, por mais que tenha sido bom, foi o maior erro da sua vida. Se não tivesse feito isso, ela não o odiaria agora. Eles ainda seriam amigos. E ainda estaria feliz, e não seria ao lado de Jason. Seria ao lado de Perseu Jackson, e o filho de Zeus jamais teria suportado isso.


Quanto mais sobreviventes chegavam, mais meio-sangues eram revelados, e reclamados. Entre eles, apareceram os gêmeos Rashid, Dylan e Evanlyn, filhos de Netuno. Dylan era louro e tinha olhos verde-mar. Evanlyn tinha cabelos castanhos e encantadores olhos azuis como as áreas rasas do mar. Os dois tinham sete anos. Eram adoráveis, e idolatravam Percy. Reyna os achava um amor, e eles viviam perto dela, brincando com seus galgos de metal.

Descobriram que, na batalha no Acampamento Meio-Sangue, apenas uma pessoa havia morrido. Um grego. Um filho de Atena. Malcolm, o subconselheiro do Chalé de Atena. Annabeth chorou por horas ao saber de sua morte. Segundo as informações recebidas, ele foi morto por um membro da Primeira Corte.

Annabeth estava lá, sentada sobre um dos grossos galhos de uma árvore, acima da entrada principal, chorando baixinho. Ela se tornara uma pessoa de choro fácil, acabou se acostumando ao fluxo e a umidade.

Chorou, pela morte de seu irmão, por não ter mais Percy ao seu lado, por vê-lo com Reyna... e por Jason. Quando ele vinha consolá-la, ela fingia odiá-lo. Mas ela sabia que logo não poderia mais fazer isso. Porque ela se sentia... atraída por ele. No começo, ela não conseguia entender o que sentia por ele, se era ódio ou... ou amor. No momento, ela ainda não tinha a resposta.

Estava tão distraída, que não percebeu quando o louro de seus pensamentos subiu na árvore, e sentou-se ao seu lado. Annabeth só foi notar sua presença, quando ele falou.

– Hey, Annie. — Ela se virou para ele. — Vamos entrar? Está frio aqui fora.

Ela desviou o olhar e...

– Vá você, se quiser. — Disse, ríspida.

Jason suspirou.

– Não dá para termos uma conversa sem brigar? — Perguntou.

Annabeth não respondeu.

– Annabeth, por favor, olhe para mim. — Hesitante, ela se virou para ele. — Agora, me responda: No que adianta ficar me odiando?

A filha de Atena ficou em silêncio por um tempo.

– Em nada, eu acho. — Respondeu, por fim. — Mas... — ela se interrompeu.

– Mas... — Jason incentivou.

Ela abraçou os joelhos, e escondeu o rosto neles.

– Mas eu te amo. — Completou, suas palavras eram quase inaudíveis. De repente, ela tinha certeza de que era exatamente isso que sentia por Jason. Este, quase explodia de felicidade.

E, inconscientemente, ele a beijou.

E ela correspondeu.

Os dois se separaram em busca de ar, o maldito ar. Teriam continuado, se uma voz abaixo deles, não os tivesse chamado:

– Queridos, Jason e Annabeth? — Era Sally Jackson, a mãe de Percy. Ela os olhava do pé da árvore, sorrindo divertida. — Se já terminaram, Percy me pediu para fazê-los entrar. Está vindo uma tempestade. — Ela continuava a sorrir divertida.

Eles coraram, mas desceram. Em seguida, entraram na Casa de Hades, acompanhados de Sally.

O lugar era enorme. A abundância de túneis, entradas e salões era grande, o que fazia Annabeth se lembrar do Labirinto de Dédalo. Mas a Casa de Hades era totalmente iluminada e, por mais que milhões de pessoas se abrigassem lá, era extremamente organizada.

Isso, porque todos ali sabiam a importância de cada centímetro de piso. A maioria dos americanos e canadenses haviam sido salvos, mas os seus bens e suprimentos haviam ficado para trás. Ficara muito difícil conseguir comida. Então, para cada pessoa, era dada comida e roupas suficientes para sua sobrevivência, de acordo com o tamanho, o peso e a idade, para não correr o risco de desperdício. E todos aceitavam isso de bom grado, pois sabiam que os líderes só queriam o seu bem.

Os compartimentos eram divididos em números, a capacidade era, no máximo, de uma dúzia de pessoas. O compartimento de Annabeth era 7, feito para os filhos de Atena. O de Jason era o 2, para os filhos de Zeus, para ele e suas irmãs de cinco e seis anos, Natalie e Sarah.

Porém, em nenhum momento, até que chegassem no compartimento 7, eles soltaram as mãos.

Annabeth sentiu que estava sendo observada. Varreu o corredor com os olhos. E encontrou um par de órbitas verde-mar, que olhavam para os olhos cinzentos da garota, e então desceu para sua mão.

E ao vê-la junto da de Jason, Percy fez algo que quase nunca fazia sem estar na companhia de Reyna.

Ele sorriu, feliz pela Sabidinha ter achado alguém. Porque, ao contrário do que ela achava, ele não a odiava.

Notas finais
Gostaram? Comentem!
Beijos!
P.s.: E a Srta. Diamond, minha cunhada, veja se posta logo o capítulo da sua história, tá? E Nico, antes de falar qualquer coisa, fica na sua!