Antes De Panem

22 In The Right Hands


Notas iniciais
E foi postado no dia 11/07/13, tão vendo? Espero que gostem. E, Mileh, feliz aniversário!
Boa leitura! E LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Reyna despertou com a lateral da cabeça doendo e sangrando. No começo, não sabia o que estava fazendo ali. Mas ao ver os corpos de vários conhecidos, as lembranças invadiram sua mente como um filme de terror. Até que uma chamou sua atenção, assim como seu medo.

Correu os olhos pelos rostos sem vida. Viu Frank, Hazel, Kayla, Austin, e até Thalia. Dakota, sua irmã Hylla... todos mortos. Com sorte, Octavian teria conseguido levar as crianças de volta para o Distrito 13, mas do jeito que Octavian era, com certeza fizera um acordo com a Capital... idiota. Mas ela sabia de que Percy tinha algo a ver com isso. Parou em um par de olhos verdes ainda abertos, mas agora sem nenhum brilho, totalmente sem vida.

Disparou naquela direção. Ajoelhou-se ali, ao lado do corpo agora duro e rígido de seu amado, sem nada poder fazer para mudar o que via. Ela queria vê-lo sorrindo radiante, sentir seus braços fortes em volta dela, e ouvi-lo dizer que a ama. Mas ela não via isso, e ele não faria nada disso. Nunca mais.

O dedo da pretora percorreu as linhas e traços do rosto dele, o nariz, o queixo, as sobrancelhas, a cicatriz na mandíbula. Fechou os seus lindos olhos verdes, ciente de que eles nunca mais se abririam.

Reyna tirou do bolso aquele presente, o broche, que ganhara dele. Observou o pássaro de ouro enquanto lágrimas embaçavam sua visão, e se lembrava daquele momento antes da batalha:

– E se algo der errado? — Ela tinha perguntado. — Eu não suportaria te perder, Percy!

- Você não vai me perder. - Ele tinha dito antes de beijá-la. — Quando isso acabar, vamos ficar juntos. Juntos para sempre.

Juntos. Para sempre. Era tudo no que Reyna conseguia pensar. Isso, e o que mais a fazia chorar: Ele está morto. E, com um arrepio, ela entendeu. Eles nunca ficariam juntos. Não enquanto ela estivesse viva, e ele morto.

O anel..., ela pensou. Olhou para a própria mão, onde estava um lindo anel de ouro imperial, com uma pedra safira. Eles planejavam se casar depois da guerra, mas agora, Reyna viu que isso não iria acontecer.

Ela olhou em volta. Ficou alarmada ao perceber uma figura em pé a alguns metros. Mas logo reconheceu a cabeleira loira e os olhos cinza, agora cheios de lágrimas, a observando. Reyna caminhou até ela, e entregou-lhe o broche, sem dizer uma palavra.

Voltou para o lado de Percy, aconchegando-se nos braços musculosos, sem ligar para o sangue que sujava sua camisa.

Antes de sacar sua faca dourada, e atingir o próprio peito, prometendo a si mesma de que encontraria Percy no Mundo Inferior, onde quer que ele estivesse.



**********



Annabeth viu, aterrorizada, quando Reyna deitou-se junto ao corpo de Percy, e atingiu a si própria com sua adaga de ouro. Não conseguia aceitar a ideia de que... todos... estavam mortos. Thalia, Clarisse, Austin, Leo, Piper... Percy e Reyna. Todos. Todos mortos.

Não era isso que ela queria. Fora uma estúpida em acreditar que Snow cumpriria a promessa. Tudo o que ele fizera foi matar todos os amigos da jovem, sem mais nem menos. Rachel tinha razão. Menos em uma coisa: Annabeth não era ruim se fingindo de burra. Porque ela era boa em ser realmente burra, mesmo que fosse apenas para enganar a si mesma.

Ela olhou para o broche em sua mão, que Reyna havia lhe dado antes de morrer. Era bem bonito, circular e de ouro. Um pássaro, um daqueles que passava informações para a Capital, um gaio tagarela. Com o bico longo, ele segurava um flecha, como se a tivesse pegado no ar ao seu lado. Um presente de Percy para Reyna, uma lembrança.

Annabeth apertou-o fortemente contra o peito. Olhou em volta, para o grande cemitério cheio de corpos ainda não enterrados, e que talvez nunca viessem a ser. O lugar onde seus amigos, todos eles, estavam mortos.

Ela não voltou ao Distrito 13. Não queria chegar lá como a única sobrevivente, trazendo a óbvia notícia de que os outros estavam mortos... Não queria olhar no rosto infantil dos meio-sangues mais novos, e dizer que seus irmãos, seus heróis, não voltariam para ensiná-los a lutar com uma espada, ou segurar um arco. E também não queria olhar no rosto de Victor, Yasmim ou Ísis, dizendo que seus pais já não poderiam cuidar deles. Então foi embora, planejando nunca mais voltar.

Caminhou por dias. Até chegar ao bosque do Distrito 12. Todo o esforço de chegar lá, apenas para, em seguida, sentar em uma grande pedra e ficar lá.

Annabeth foi atormentada por lembranças. Lembranças boas, ela mergulhou no passado. Lembrou de todas as suas aventuras, de seus amigos, e Percy e Jason, aqueles que ela mais amara. Ficou sentada lá, até começar a alucinar. Viu a expressão raivosa de Percy quando a viu com Jason. De como ele a havia poupado na batalha no Acampamento. Tudo se passou como um flashback em sua mente.

Mas o pior, foi quando alucinou com uma escolha. Percy e Jason estavam na sua frente, estendendo a mão, como se quisessem que ela fosse com eles. Annabeth teria de escolher com que ir. Mas não foi rápida o suficiente. Reyna apareceu correndo, e puxou Percy pelo braço, levando-o embora. Quando a filha de Atena voltou seu olhar para Jason, só teve tempo de vê-lo se virar uma última vez, antes de adentrar no meio das árvores, desaparecendo para sempre.

Ela tinha perdido os dois.

E nunca se sentiu tão só em sua curta e miserável vida, que era assim por escolha dela.

Pensou em seu filho, e que obviamente ele não poderia nascer. Ele nunca veria o mundo. Mas era melhor assim. Annabeth se recusava a trazer uma criança para um mundo assim. Jamais. E Jason... ele e ela nunca teriam a chance de se casar, e construir uma família feliz, num mundo feliz, uma vida feliz. Sem monstros, sem deuses, apenas eles. Mas apesar de tudo, não seria possível.

Porque Jason está morto.

Finalmente, Annabeth arranjou forças para se levantar. Não demorou muito, depois de algumas horas, avistou uma cerca elétrica, desligada.

Baixou os olhos para a caixinha de madeira, onde havia guardado o broche de Reyna. Aquele lindo presente não terminaria em suas mãos, não terminaria no meio de uma floresta, para depois perder-se entre a lama. Não, não terminaria ali.

Achou um buraco na cerca, e atravessou-o. Andou por algumas ruas do distrito cinzento e pobre, e passou por algumas pessoas de pele pálida, que se viravam para observá-la, desviando os olhos cinza como os dela segundos depois.

Annabeth enfim achou a grande e bonita construção, que era a casa do prefeito. Bateu na porta, e uma mulher de cabelos loiros a atendeu. Estendeu-lhe a caixa, dizendo:

- Até alguns dias atrás, isso foi de uma amiga, e foi dado por quem ela amava. — A mulher ainda a observava, ouvindo com um misto de atenção e confusão, o que dizia. — Agora eles estão mortos. E isso não vai terminar em minhas mãos. Fique com ele.

A moça pegou a caixa, abrindo em seguida. O bonito broche de ouro brilhou a fraca luz do sol. Voltou seu olhar para a garota que havia lhe dado, mas ela não estava mais lá. Murmurou um "obrigada", e entrou de volta na casa.

A filha de Atena morreu alguns dias depois. Mal sabia ela que o broche, 75 anos depois, seria o símbolo de mais uma rebelião. E estaria, enfim, nas mãos certas: nas de Katniss Everdeen.


Fim...



**********



Rachel Elizebeth Dare se encontrava debruçada sobre uma escrivaninha, escrevendo, óbvio. Mas o que ela escrevia é importante. A pergunta é, o quê? Bem, é difícil responder.

"Fim...", ela escreveu. Então, largou a caneta de tinta vermelha... vermelha como sangue, e olhou para o nada. Lembrou-se de seus amigos, quando estavam vivos. Agora, estavam todos mortos. Sim, Octavian mandara algumas pessoas para a clareira. Precisavam recuperar os corpos, e dar-lhes um funeral adequado. Mas por alguma razão, não encontraram o corpo de Annabeth. Perguntaram, mas Rachel não abriu a boca, que antes costumava soltar todo tipo de coisa.

Depois disso, Octavian fizera um acordo ridículo com a Capital: o Distrito 13 fingia ter sido destruído, e a Capital os deixava em paz. Foi assim. Octavian tornou-se o presidente de um distrito independente. No começo, não foi fácil. Mas logo eles aprenderam a viver, sem a mínima ajuda dos outros distritos. Respeitavam o presidente Octavian Coin por tê-los salvado, mesmo que ele não fosse uma pessoa do tipo agradável.

Rachel se voltou para o livro. Escrevera toda a história, do início ao fim, nos mínimos detalhes. Que história?, a pergunta se repete. Isto aqui. Esta história, que você está lendo. Ou estava, há um tempo. Mas isso não acaba aqui.

Ninguém sabia, mas Raquel sempre observou. Ela previra tudo aquilo. Ela sabia que seus amigos morreriam, ela sabia sobre tudo. E ela sabia, que um deus sobrevivera, afinal, o Mundo Inferior precisa de um senhor. Os mortos precisam de um lar.

Ainda mais no futuro, dali a pouquíssimos dias, em que seria realizada a 1ª edição dos Jogos Vorazes.

Octavian não faria nada em relação a isso. Sendo quem era, daria origem a uma linhagem de traiçoeiros. Pode ter sido leal a Percy e Reyna, mas isso não mudava quem ele era. Percy e Reyna... eles estavam juntos novamente.

Rachel olhou para outra coisa em sua mesa. Era um boné. Com o símbolo dos Yankees. Annabeth o havia confiado à ruiva. Era hora de usá-lo.

O Oráculo levantou-se, e pegou o livro. Apertou-o com força junto ao peito e, com o boné na mão, foi até a porta. Parou na soleira, e virou-se. Fitou um de seus desenhos. O desenho de uma jovem garota, de cabelos negros e olhos cinzentos como o céu tempestuoso. Sua espressão era feroz, ela segurava um arco, e apontava para a tela em que se podia vê-la.

A ruiva acendeu um fósforo. Mirou, e o jogou. A base da imagem pegou fogo. A morena de olhos cinza estava cercada pelas chamas. Ela surgiu delas.

Então, o último Oráculo de Delfos, pôs o boné, e desapareceu.

Para sempre.

Notas finais
Hoje é o níver da Mileh Diamond, e o capítulo foi pra ela. Ah, e mais uma coisa: Terá Segunda Temporada, mas apenas se eu tiver 10 REVIEWS!
Beijos!