Antes De Morrer
28 Capítulo 28
Notas iniciais
KLAINE YAY
Meu coração dá pinotes.
— Eu posso fazer isso. — Não – diz Blaine. – Deixa que eu faço. Cada fivela recebe sua total atenção, e em seguida ele tira minhas botas e as põe lado a lado no chão. Desço com ele até o tapete. Desamarro seus cadarços, levo seus pés ao colo um de cada vez e tiro seu tênis. Acaricio seus tornozelos, subindo a mão por debaixo da calça. Estou tocando Blaine. Estou tocando os pêlos macios de suas pernas. Nunca soube que podia ser tão corajoso. Fazemos disso um jogo, parecido com strip pôquer, só que sem cartas nem dados. Abro o fecho ecler de sua jaqueta e deixo-a cair no chão. Ele desabotoa meu casaco e o faz deslizar pelos meus ombros. Encontra uma folha do jardim nos meus cabelos. Toco seus cachos escuros, entrelaço meus dedos nos fios grossos.
Nada parece pequeno com ele olhando, então demoro bastante para abrir os botões da sua camisa. O último se condensa sob nossos olhos e se transforma em um planeta: branco, leitoso, perfeitamente redondo. O fato de nós dois sabermos o que fazer é impressionante. Nem sequer tenho de pensar a respeito. Não estou sendo conduzido. Nada é calculado ou previsto. É como se tivéssemos descobrindo o caminho juntos.
Estico os braços por cima da cabeça como uma criança enquanto ele tira meu suéter. Meus cabelos, meus cabelos curtos que acabaram de nascer, ficam cheios de eletricidade estática e estalam no ar. Isso me faz rir. Me dá a sensação de que meu corpo e roliço e saudável.
As costas de seus dedos roçam nos meus peitos, e ele sabe, porque estamos olhando um para o outro, que não tem problema nenhum. Já fui tocado por tantas pessoas, cutucado e apertado, examinado e operado. Achei que meu corpo estivesse anestesiado, imune ao toque.
Tornamos a nos beijar. Durante vários minutos. Pequenos beijos em que ele morde de leve meu lábio superior, em que minha língua traça o contorno de sua boca. O quarto parece cheio de fantasmas, de árvores, de céu. Nossos beijos vão ficando mais profundos. Afundamos um no outro. É como na primeira vez em que nos beijamos: urgente, selvagem.
— Eu quero você – diz ele.
E eu o quero com a mesma intensidade.
Quero lhe mostrar meu corpo. Puxo-o na direção da cama. Continuamos a nos beijar: garganta, pescoço, boca. O quarto parece todo enfumaçado, com algo queimando entre nós dois. Deito-me na cama e arqueio os quadris. Preciso tirar os jeans. Quero me expor a ele, quero que ele me veja.
— Tem certeza disso? – pergunta ele.
— Absoluta.
É simples.
Ele abre minha calça. Desafivelo seu cinto com uma das mãos, como um truque de magia. Traço círculos em volta de seu umbigo com o dedo, e meu polegar encosta em sua cueca. A sensação da pele dele junto à minha, seu peso em cima de mim, seu calor penetrando meu corpo: eu não sabia que iria me sentir assim. Não tinha entendido que, quando você faz amor, você faz mesmo amor. Muda as coisas. Afeta um ao outro. O ar que expiro é puro deslumbramento. Ele o sorve com um arquejo. Sua mão desliza até debaixo dos meus quadris, cubro-o com a minha, nossos dedos se prendem. Não tenho certeza de que mão pertence a quem.
Eu sou Kurt.
Eu sou Blaine.
É lindo demais desconhecer as minhas próprias fronteiras.
A sensação de nós dois debaixo de nossos dedos. Nosso gosto em nossas línguas. E em nenhum momento deixamos de nos olhar, de nos certificar, feito música, feito uma dança. Olhos nos olhos. E essa dor entre nós dois vai crescendo, vai mudando e aumentando. Eu o quero. Quero-o mais perto. Não consigo chegar perto o suficiente. Envolvo suas pernas com as minhas, aliso suas costas com as mãos, tentando puxá-lo mais fundo para dentro de mim. É como se o meu coração desse um pulo e se unisse à minha alma, como se o meu corpo inteiro implodisse. Como uma pedra que cai dentro de um lago, círculos e mais círculos de amor se expandem dentro de mim.
Blaine grita de prazer.
Abraço-o e seguro-o bem apertado. Estou maravilhado com ele. Conosco. Com esse presente.
Ele acaricia minha cabeça, meu rosto, beija minhas lágrimas.
Estou vivo, abençoado por estar com ele nesta Terra, neste exato instante.
Notas finais
até segunda
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