Antes De Eu Partir!

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Esta é minha primeira Fanfic postada, espero que gostem... ela passou o dia martelando em minha mente, por isso tive de escrevê-la! Apesar de curta, ela possui sentimentos, se é que me entendem =)

Bem é isso, espero que curtam!

CAPITULO ÚNICO

“Como a vida podia ser traiçoeira!” pensou Naruto Uzumaki Uchiha.

Ele estava casado há seis anos com o seu melhor amigo desde... sempre. Os pais dele e de Sasuke, Minato Uzumaki e Fugako Uchiha, eram sócios numa empresa multibilionária e suas mães, Kushina Uzumaki e Mikoto Uchiha, eram muito amigas desde a adolescência. Foi normal, até mesmo esperado, que a amizade se transformasse em amor, e se casassem.

Quando tinham 17 anos Sasuke se declarou para ele em frente de toda escola e pediu para ser seu namorado. É obvio que aceitou. O namoro durou cinco anos, então veio o casamento... foi, talvez, o dia mais feliz da vida do loiro. Como todos os casamentos, este também teve seus altos e baixos, mas, o amor que sentiam sempre superou as dificuldades. Estavam até pensando em adotarem uma criança, no ano seguinte.

Infelizmente, em todo paraíso tinha uma serpente!

Há um mês Naruto havia se sentido mal, mas, não falou nada, nem ao marido e nem aos pais ou aos sogros. Quando voltou a se sentir mal, resolveu ir ao médico, porém, não queria ir só, então ligou para Sakura Haruno, para ir consigo. Depois de Sasuke, ela e Sayuri Uchiha eram suas melhores amigas. Esta última sendo prima de Sasuke, filha de Óbito Uchiha irmão mais novo de Fugako.

Só de lembrar a cara do médico quando recebeu seus resultados e pronunciou as palavras que mudariam sua vida irrevogavelmente, fazia lágrimas inundarem os olhos azuis do loirinho.

***flash back on***

Ao voltar no consultório médico, Naruto estava um pouco nervoso, porém, confiante. Nessa volta Sayuri acabou indo também, ela e a rosada ficaram esperando na recepção conversando sobre assuntos sem importância, enquanto esperavam o amigo.

O loiro seguiu até a sala do médico, quando a recepcionista indicou sua vez, deu uma leve batida e entrou. Um homem de cabelos cinzentos e olhos castanhos claros, que assumiram certa tristeza ao olhar para Naruto, fez sinal para que se sentasse. Após se acomodar na cadeira de frente para a mesa do médico, não pode mais segurar a ansiedade.

– E então doutor Hidan, qual o motivo de todo esse meu mal estar? – perguntou tentando parecer confiante.

– Senhor Uchiha... eu não sei como contar algo tão delicado de outra forma, então serei direto... os exames que foram realizados mostram que o senhor possui um tumor cerebral em estágio crônico. Infelizmente, devido o avanço e a localização não é possível removê-lo cirurgicamente. – concluiu dando um olhar solidário para com a situação.

– Quais minhas opções? – perguntou no automático. Sentia-se como se tudo aquilo fosso surreal.

– Bem, há a quimioterapia!

– Poderá curar-me? – perguntou com um brilho esperançoso no olhar, que logo teve uma morte súbita, quando o médico negou com a cabeça.

– Sinto muito, senhor Uchiha, com o estado avançado da doença o máximo que a quimioterapia conseguirá será conseguir um ano a mais de vida. – uma lágrima solitária desceu pelo rosto do loirinho, o médico pigarreou. – É sempre aconselhável fazê-la, senh...

– Quanto tempo eu tenho? – fez a pergunta que ninguém nunca deveria fazer.

– Um ano, talvez menos. Não se sabe ao certo quando se trata da vida de uma pessoa. Mas, se o senhor fizer a quimiot...

– O quê? Hum? Então poderei ter um ano a mais de sofrimento com os efeitos colaterais do tratamento? – praticamente rosnou. Não queria ser agradável, só queria ir para casa e fingir que nada disso aconteceu. Levantou-se e foi para a porta, parou e suspirou. – Obrigado por tudo, doutor. Não farei o tratamento, mas, obrigado por falar-me dele! E... poderia guardar meus exames em seus arquivos? Não quero levá-los comigo. – quando o médico assentiu, saiu fechando a porta atrás de si.

Encostou-se na parede do corredor por um momento, tomando respirações profundas. Não permitiria que o choro caísse, ainda não. Estampou um sorriso cheio de dentes nos lábios e foi até a recepção.

– E então, Naru? – Sakura perguntou assim que viu o amigo.

– É, o que o médico disse? – Sayuri indagou enquanto caminhavam para fora do consultório e direto ou carro da morena.

– Oh, nada de mais! É só uma virose! – mentiu descaradamente e entrou pela porta da frente do lado passageiro. Percebeu quando as amigas se encararam, claramente não acreditando no que o loiro disse, mas, não insistiram, sabiam que quando ele estivesse disposto falaria.

***flash back off***

Quando ele havia chegado a casa, ficou feliz pela primeira vez desde que se casou, que o marido estava na empresa da família e só chegaria à noite, então teria toda a tarde... para chorar! Chorou por tudo o que iria deixar, pelos sonhos não realizados, em especial o de ser pai, e por ter de deixar seu lindo moreno. De tudo isso, essa última parte não só o entristecia, mas, o preocupava, também. Tinha medo da reação do Sasuke. Ele tinha uma personalidade reservada, se não fosse pelo Naruto insistir, não sairia ou teria uma vida além do escritório. Como se uma luz se acendesse em cima da cabeça do loirinho, uma idéia começou a se formar. Não, não poderia... poderia?

Antes que perdesse a coragem foi até o computador, que ficava na biblioteca-escritório da grande casa que morava com o marido e começou a fazer algumas pesquisas.

O resto da tarde passou bem, a noite chegou, e Naruto havia ajudado o cozinheiro a preparar um jantar especial para o seu moreno.

– Naruto, cheguei!

– Oh, boa noite, amor! – cumprimentou dando um selinho nos lábios do moreno. – Vá tomar um banho, depois desça para jantar!

– Certo! – disse dando outro selinho e subindo para o quarto.

Trinta minutos depois ambos jantaram, com o moreno elogiando a comida, fazendo o loirinho corar ao dizer que ajudara a fazê-la. Demoraram um pouco na sala de mídia após o jantar, para Sasuke poder ver as notícias, mas, logo o interesse dele mudou para o corpo delgado aconchegado ao seu lado. Quando as coisas estavam esquentando, Sasuke ergueu o loirinho nos braços e o carregou para o quarto do casal. Passaram a noite se amando.

No dia seguinte, Naruto levantou-se pouco depois que o marido saiu. Tinha muito que fazer e pouco tempo para fazê-lo... literalmente.

Ligou para Sakura e Sayuri, pediu que fossem a sua casa. Sabia que o que iria pedir a elas extrapolava todos os níveis de amizade, mas, tinha de tentar... pelo bem de seu moreno, tinha de tentar.

Quando ouviu a campainha tocar, sentiu as mãos suarem rios. Os malditos enjôos já haviam passado um pouco depois de vomitar, mas, a dor de cabeça persistia irritante. Estava deitado no sofá da sala de mídia, quando ouviu a governanta entrar sendo acompanhada pelo barulho de dois outros calçados, salto-alto se não se enganava. Sentou-se com cuidado para não provocar o estomago rebelde e não piorar a dor de cabeça ou a leve tontura que estava começando. Sorriu fracamente para as amigas e esperou a senhora Mizuka sair.

– Oi!

– Vai nos dizer o que está realmente acontecendo, Naruto? – Sayuri perguntou com o cenho franzido. Expressão igual estava no rosto da rosada. Naruto suspirou e fez gestos para se acomodarem no sofá, em frente ao seu.

Após contar tudo o que aconteceu no consultório no dia anterior, as meninas primeiro ficaram surpresas, mas, logo suas expressões mudaram para choque e terror total. Ambas apenas abriam e fechavam a boca, como dois peixinhos. A rosada pigarreou um pouco para tirar o nó de lágrima que estava na garganta.

– Você... você já disse ao Sasuke?

– Não!

– Mas...

– Antes de contar isso para ele eu gostaria de falar uma coisa com vocês... na verdade gostaria de propor! – disse um pouco duvidoso.

– Você pode contar comigo para qualquer coisa, Naru! – Sayuri disse com uma voz determinada, embora seus olhos fossem chorosos.

– Comigo também!

– Vocês deveriam ouvir a proposta, antes de aceitarem. – disse com uma risadinha, amenizando um pouco da tensão na sala.

– Seja lá o que for nós estamos dentro! – Sakura disse e a morena concordou. Naruto bufou.

– Certo. Façamos assim, escutem o que tenho a dizer, então, e só então, dêem suas respostas! – quando as amigas concordaram com um movimento de cabeça, recomeçou a falar. – Ontem, depois que cheguei em casa, fiquei pensando na vida, no que eu deixaria quando... bem... – pigarreou. – Mas, o que realmente me preocupa é a reação do Sasuke. Eu tenho medo que ele se feche em si mesmo quando eu me for. – as amigas concordaram, também conheciam o jeito fechado do moreno. Sabiam que a preocupação do loiro era valida. – Então, pensei que se tivéssemos uma criança a qual ele iria se voltar para continuar com sua vida seria fantástico. Por isso, fiz uma pesquisa sobre adoção, mas, descobri que não concedem a guarda a casais onde um possui uma doença terminal. – as amigas assentiram, indicando que estavam acompanhando a conversa. – Então eu pensei em inseminação artificial. – disse com um tom de “tan-dan”.

– E onde nós duas entramos nessa história? – Sayuri questionou confusa. Se fosse uma delas para a inseminação até que entenderia, mas, as duas?

– Bem... – virou-se primeiro para a morena. – Eu gostaria que você me cedesse pelo menos dois óvulos para a inseminação, Sayu! – então virou-se para a rosada. – E que você aceitasse carregar e alimentar meu filho até seu nascimento, Saky!

– Porque dois óvulos?

– Porque às vezes uma primeira inseminação não dá certo! – respondeu calmamente e esperou que fizessem mais perguntas. Mas, apenas continuaram a encará-lo. – Não vão me perguntar mais nada?

– Quando iremos fazer a inseminação? – Sakura perguntou simplesmente. Fazendo o loiro arregalar os olhos em surpresa, mas, abrir um sorriso radiante em seguida. Levantou-se rapidamente do sofá para ir abraçá-las, porém, sentiu seu mundo girar. Só não caiu, porque suas amigas o seguraram.

– O mais rápido possível. Não tenho o luxo do “tempo”. – disse tentando fazer uma piada da situação enquanto era ajudado a se sentar novamente no sofá, mas, recebeu dois pares de olhos reprovadores em sua direção. Bufou.

– Quando você falará ao seu marido? – Sakura perguntou sentando-se de um lado de Naruto, enquanto Sayuri sentava-se do outro.

– Assim que a gravidez for confirmada! E gostaria que vocês respeitassem minha decisão. – após um momento de incerteza, ambas assentiram, embora a contragosto.

Um mês e meio havia se passado desde que Naruto soube de sua doença e da proposta feita às amigas. Ontem ficara sabendo que Sakura estava grávida. Foi um verdadeiro golpe de sorte... ou, então, foi o fato de ela ter mandado introduzirem os dois óvulos fecundados de uma vez, um deles havia vingado.

Esta noite teria de conversar com o seu moreno. Ele já havia notado que algo não estava bem, mas, sempre dava um jeito de desconversar.

– Cheguei! Amor? – Sasuke chamou quando entrou em casa. Naruto foi encontrá-lo à porta , como sempre fazia, ficou na ponta dos pés e deu um selinho nos lábios do amado. Afastou-se um pouco e tomou uma das mãos do moreno na sua levando-o a sala de estar. – O que aconteceu? – perguntou desconfiado com a atitude do menor.

– Precisamos conversar!

– Hum! – resmungou. Quando seu loirinho falava essas duas palavras, algo que ele não gostaria de ouvir seria dito. Sentou-se, mas, seu esposo sentou-se em uma poltrona de frente para si e não ao seu lado no sofá. Franziu o cenho, com certeza não iria gostar dessa conversa.

– Nós vamos ter um bebê!

– Oi?

– Eu pedi para Sayuri ceder o óvulo e Sakura aceitou gerar o bebê! Daqui a oito meses seremos pais! – disse batendo as mãos alegremente.

– Você pirou Naruto?! – esbravejou ficando de pé e andando nervosamente pela sala. – Tomar uma decisão dessas sem nem mesmo falar comigo, sem planejar! Já esqueceu que iríamos entrar com um pedido de adoção no ano que vem?

– Só que eu não tenho tempo para isso, Sasuke! – disse sem se alterar, ficando em pé também.

– Não? Oh, desculpe-me por esquecer que você é muito ocupado, afinal é muita preocupação ir ao cabeleireiro, fazer compras com suas amiguinhas...

– Não é a isso a que me refiro! – disse entre dentes, o moreno havia entendido errado o que disse.

– Então o que é, droga!

– EU ESTOU MORRENDO! – berrou, sem poder segurar as lágrimas. Voltou a se sentar, enterrando o rosto nas mãos.

– O quê? – perguntou num sussurro, que por algum milagre, Naruto ouviu. Ergueu os olhos para o marido que o encarava desnorteado.

– Eu fiz uns exames há pouco mais de um mês e descobri que tenho um tumor cerebral em fase avançada.

– Mas... mas e quanto a cirurgia, um tratamento! – disse quase desesperado.

– Está localizado numa região que não dá para operar. E quanto à quimioterapia, não irei fazer!

– O QUÊ!

– Entenda, por favor! – pediu suplicante, mas, sem se aproximar do moreno, que parecia enraizado no lugar. – A quimio me daria um ano a mais, entretanto, eu passaria o resto do tempo que tenho, juntamente a esse que me seria acrescido, em um hospital. Eu não quero isso, Sasuke! – pediu choroso.

– E quanto a mim, hum? Já parou para pensar nos meus sentimentos?

– Sasu... – mas, antes que o loiro pudesse falar qualquer coisa, o marido saiu intempestivamente da sala. Pouco depois, ouviu a porta da frente da casa bater fechada e o carro ser tirado da garagem.

Recostou-se na poltrona encarando o nada. Até ouvir a governanta entrar.

– Naruto-sama, o jantar já pode ser servido? Eu ouvi Sasuke-sama sair, ele voltará logo? – perguntou preocupada. Trabalhava para o jovem casal Uchiha há cinco anos. No inicio estranhou, pois eram dois homens, mas, logo o loirinho ganhou espaço em seu coração, com seu sorriso sincero, simpatia e bom coração. Ela até mesmo gostava do moreno, mas, o seu preferido era o loirinho.

– Não estou com fome, Mizuka-san! E quanto ao Sasuke não sei a onde foi! – disse com uma voz monótona.

– Aconteceu algo, senhor? – indagou se aproximando. O rapaz a olhou e começou a chorar, enquanto contava tudo o que havia acontecido nos últimos dois meses. A mulher esta transtornada. Não sabia o que falar. Então abraçou o jovem, enquanto lágrimas de sua própria autoria eram derramadas.

Depois de muito tempo e a muito custo, Naruto subiu para o quarto, tomou um banho quente no banheiro da suíte, vestiu apenas uma cueca Box branca. Pegou dois comprimidos que o doutor Hidan passara para amenizar as dores de cabeça e enjôos, tomou e foi se deitar. Seu marido ainda não havia voltado. Após chorar mais um pouco caiu num sono sem sonho.

Acordou-se sobressaltado ao sentir um braço ser envolvido entorno de si, pressionando-o contra um corpo nu atrás de si. Virou-se para ficar de frente para o seu moreno.

– Não me deixe, Naruto! – suplicou choroso. Naruto logo percebeu que o marido estava bêbado pelo hálito de uísque.

– Não irei a lugar algum, meu amor! – disse trazendo a cabeça de Sasuke para recostar em seu tórax, enquanto o moreno o abraçava firmemente pela cintura.

– Não por querer! – resmungou.

– Não por querer. – concordou suavemente. Após uma longa pausa, na qual Naruto achou que o marido estava dormindo o ouviu dizer.

– Não conseguirei ficar sem você, Naruto!

– Sim, você conseguirá! – disse categórico. – Por nosso filho ou filha, você conseguirá! – isso chamou a atenção do moreno que ergueu um pouco a cabeça do peito do amado.

– Eu nem tive a chance de dizer o quanto estou feliz pelo bebê. – disse com um sorriso frágil, porém, sincero que foi retribuído.

– Você terá essa chance amanhã. Agora descanse! – disse puxando-o de volta para si. Ambos dormiram assim, abraçados.

Dois meses se passaram, Sakura já estava de três meses e apesar de já ter começado a fazer o pré-natal, hoje seria a primeira vez que faria uma ultrassom para ouvir o coração e saber se tudo corria bem com o bebê.

Estávamos aguardando que a enfermeira nos chamasse. A sala de espera estava lotada, mas, não era de pacientes. Estávamos minha mãe e meu pai, minha sogra e meu sogro, Sayuri, Itachi, que é o meu cunhado, Sasuke, eu e Sakura, claro! Até parecia que era o dia do parto e não da primeira ultrassom.

– Sakura Haruno! – uma enfermeira morena de cabelos curtos chamou, lendo os papeis anexados em uma prancheta enquanto entrava na sala. Assustou-se quando viu o mundo de gente que se levantou.

– Vamos lá gente, eu prometo gravar e mandar a doutora imprimir um monte de imagens! – Naruto disse mostrando os DVDs que tinha na mão. Depois de alguns resmungos todos retrocederam, permitindo que apenas Naruto e Sasuke acompanhassem a rosada, que mal segurava o riso com toda aquela confusão.

– Sigam-me! – pediu mais aliviada.

A jovem levo-os até uma sala onde havia um aparelho de ultrasson ao lado de uma maca. Preparou a rosada e saiu dizendo que a médica logo estaria ali.

– Bom dia! Chamo-me Tsunade Senju. Sou a obstetra que assumirá sua gestação a partir de agora, senhorita Haruno. – disse uma loira que não aparentava ter mais de quarenta anos, enquanto se sentava no banco giratório ao lado da maca, pegando um bastão e um vidro de gel. Despejou o último na barriga da rosada e começou a esfregar com o bastão. – Quem é o pai?

– Nós dois! – Naruto respondeu animado, estava em êxtase com a expectativa de ouvir o coração de seu bebê. Riu ao notar a sobrancelha da médica erguida em questionamento. – O óvulo usado para fazer a inseminação foi da prima do Sasuke e o espermatozóide foi o meu.

– Ah, ok! – disse com um sorriso e voltou sua atenção ao monitor. Apertou alguns botões e um som de batida soou pela sala. Mas, o som era diferente do que o loiro imaginava, franziu o cenho.

– O som é diferente do que pensei. Há algo de errado?

– Não! – a doutora disse rindo. – O som é diferente, porque são dois corações batendo.

– Ah! – concordou, para logo arregalar os olhos quando entendeu as palavras da loira.

– Gêmeos? – Sasuke perguntou maravilhado.

– Eu vou ficar parecendo uma balei encalhada! Acho bom você me comprar um sorvete triplo de chocolate com calda de pêssego, Naruto! – disse dando um olhar faiscante ao loirinho, que apenas engoliu em seco e assentiu, escondendo-se um pouco atrás do marido. Não seria ele a dizer a rosada o quão contraditório era aquilo.

Depois de pedir a doutora Senju que fizesse inúmeras cópias de DVD e imprimisse várias imagens, o trio voltou à sala de espera sendo recepcionados por um sem fim de perguntas.

– Calma pessoal! Está tudo indo bem com a gravidez!

– E quanto ao meu neto? – perguntaram Fugako e Minato ao mesmo tempo.

– Ou neta? – completaram Kushina e Mikoto.

– Oh, os bebês estão bem! – Naruto disse na maior inocência.

– Bebês?! – Itachi disse fazendo todos arregalarem os olhos e abrirem um enorme sorriso.

Isso deixou o loirinho satisfeito. Desde que contara a família sobre a sua doença, eles não tinham muitos motivos para sorrirem. Sua mãe e sua sogra, praticamente, se mudaram para sua casa. Ele não podia espirrar que todos entravam em pânico. Embora, houvesse vezes em que não conseguia nem levantar da cama, fazia o seu melhor para não preocupá-los ainda mais.

– Vamos comemorar! – disse animadamente. E assim foram todos a um bom restaurante que servia todos os tipos de comida, e a melhor de todas, na humilde opinião do Naruto era o rámem. Sakura também conseguiu o seu sorvete.

Os meses foram passando, mas, como o doutor Hidan mesmo dissera “Não se sabe ao certo quando se trata da vida de uma pessoa.” Naruto não teria o ano que pensou que teria. Seu estado piorou e teve de ser internado. Ele sabia que não teria tempo para conhecer seus filhos, Sakura estava no oitavo mês, mas, sabia que seria um casal e já tinha escolhido os nomes. Preparou um quarto para eles com tudo o que um bebê poderia precisar, deu seu toque pessoal. Havia gravado em vídeo cada momento que passou com sua família, amigos e, em especial, seu moreno, para que mostrassem aos seus filhos quando crescessem.

Sasuke chorava silenciosamente na cadeira ao lado de sua cama hospitalar. Sua cabeça apoiada na mão do loiro que estava firme entre as suas.

– Prometa-me... Sasuke... – disse fracamente.

– O quê, meu amor? – perguntou erguendo a cabeça e encarando os olhos azuis que tanto amava.

– Prometa-me... que... cuidará... e amará... os nossos... filhos! E... que... não... se fechará... para o... mundo! – cada palavra era um esforço sobre-humano para o loirinho.

– Eu juro, Naruto! Daisuke e Yui serão muito amados e um dia contarei a eles do pai maravilhoso que infelizmente não conheceram, mas, que me deu o mundo antes de partir. – um sorriso fraco apareceu nos lábios ressecados no loiro.

– Eu te... amo... Sasuke! – a última palavra saiu quase como um sopro dos lábios do menor antes de todos os aparelhos começarem a apitar como loucos.

– Naruto? NARUTO?! – chamava desesperado pelo marido sem reposta. Correu até a porta. – ME AJUDEM! SOCORRO!

Enquanto uma onda de médicos e enfermeiras invadia o quarto Sasuke apoiou-se na parede de frente para o leito e deixou seu corpo escorregar até o chão. Suas lágrimas de desespero banhavam seu rosto, mas, não conseguia parar de olhar para seu loiro, que parecia dormir tranquilamente. Ouviu seu nome ser chamado e logo sentiu os braços de seu irmão entorno de si, mas, não tinha forças para esboçar qualquer reação. Até seu irmão segurar seu queixo e fazê-lo encará-lo.

– O Naruto não iria gostar de vê-lo assim, otouto! – disse e só então Sasuke percebeu as lágrimas que rolavam pelo rosto do irmão. Olhou além dele para ver Kushina em desespero nos braços de um Minato chocado e seus pais não estavam em melhor estado.

– Não, ele não gostaria! – disse enxugando as lágrimas que ainda desciam pelo rosto. Foi até a cama, onde as enfermeiras já retiravam os aparelhos de seu loirinho. Aproximou a boca do ouvido dele. – Eu te amo, Naruto! Sempre te amei, e sempre irei amar! Você viverá para sempre em minhas lembranças, em meu coração e em minha alma. E um dia, meu amor, estaremos juntos novamente, por agora tenho nossos filhos para cuidar, mas, um dia, Naruto, eu prometo! – concluiu dando um beijo de leve nos lábios imóveis do esposo.

O dia do enterro amanheceu nublado, o que para muitos que apenas conheciam o loirinho de vista, combinava com a ocasião. Mas, para quem realmente conheceu Naruto Uzumaki Uchiha, sabiam que ele odiaria ser enterrado em um dia assim.

No cemitério, quando todos estavam se despedindo pela última vez do jovem tão querido por todos, viram o sol brigar valentemente com as nuvens carregadas e por fim vencer, jorrando seus brilhantes e aquecidos raios sobre todos. Sasuke abriu um sorriso e sem se importar com o que as pessoas iriam falar, pôs uma mão na boca e mandou um beijo para o céu.

– Eu te amo Naruto!

Seis anos depois...

– Eu quero papai, compra, por favor, por favor, por favor! – uma garotinha loira de olhos azuis implorou apontando para vários potes de rámem, com os olhinhos brilhando.

– Eu não sei como você come isso, Yui! – um garotinho de cabelos negros e olhos tão azuis quanto os da irmã resmungou. Yui apenas fez uma careta para ele.

– Parem vocês dois! – Sasuke os repreendeu carinhosamente, porém, firme. Ser pai solteiro até que tem sido fácil, já que contava com a ajuda de um batalhão de familiares e amigos. Pegou os rámens que sua princesinha tanto queria. – Mas, você não irá comer só isso, ouviu bem Yui?

– Sim, senhor! – disse com um sorriso radiante... e Sasuke sabia que ela comeria só os rámens. Ela o tinha entorno de seus pequenos dedos, assim como tinha os avós, tios e tias, e o pior é que ela sabia disso. Além da aparência, sua filhinha havia herdado a personalidade de Naruto, também.

– Ela comerá! – Daisuke afirmou num tom monótono. Sasuke suspirou.

– Eu sei! – sua princesinha saltitante já estava escolhendo alguns doces mais a frente, enquanto seu filho andava calmamente ao seu lado, este havia herdado os cabelos negros e a pele alva dos Uchihas, mas, a personalidade, de alguma forma, era igual a do Sasuke.

Algumas vezes por mês, Sasuke decidia fazer um programa caseiro com os filhos, não precisavam fazer as compras da casa, afinal era responsabilidade do cozinheiro, mas, gostava de curtir a experiência com os pequenos e sempre perguntava se o cozinheiro precisava de algo. Quando não era isso, eles iam ao cinema ou a um teatro infantil. Mas, tinha dia que preferiam mesmo era ficar em casa, assistindo os novos filmes lançados pela Disney ou WB.

– Sasuke! – virou-se ao ouvir seu nome e sorriu ao reconhecer os cabelos rosa.

– Como vai, Sakura? – perguntou quando a amiga se aproximou.

– Bem. Oi meu anjo! Onde está Yui? – perguntou dando um beijo no topo da cabeça de Daisuke.

– Olá, madrinha! Ela está lá... ou estava! – disse encarando o lugar que a irmã estava há poucos instantes como se ela fosse reaparecer magicamente.

– YUI! – Sasuke tomou seu garotinho nos braços e saiu desesperado a procura da filha. Com uma Sakura ofegante logo atrás, embora sua barriga de seis meses não lhe permitisse tanta mobilidade quanto gostaria. Ela havia se casado há três anos com Gaara no Sabaku e já tinham um lindo filhinho de dois anos, essa nova gestação era uma menina.

– Papai, porque o senhor está correndo? Onde estão os meus rámens? – Yui gritou, fazendo ambos os adultos derraparem em uma parada. Quando olharam para a loirinha e a viram carregada com todos os tipos de doces, Sakura não pode segurar o riso, logo o amigo também estava rindo.

– Ela não nega ser filha do Naruto, e não só pela aparência! – disse entre uma respiração e outra.

– É verdade! – o moreno concordou. Falar do esposo não machucava mais, tanto quanto machucava no inicio. Sentia-se meio nostálgico e com saudades, mas, não ficava triste como antes. Foi até a filha, colocou o filho em pé ao seu lado e a encarou, ficando sério. – O que foi que eu disse sobre se afastar de mim?

– Que éramos para sempre ficarmos próximos do senhor para não nos perdermos. Mas, eu só estava no corredor ao lado.

– Sim, mas, eu não sabia disso, sabia? – ela fez que não com a cabeça e lágrimas se formaram em seus grandes olhos azuis.

– Desculpa papai! – pediu chorosa e Sasuke a abraçou, doce e tudo.

– Tudo bem, mas, não faça isso novamente. Meu coração ficou partido por pensar que poderia perder um de vocês.

– Nunca irá nos perder, papai! – afirmou o jovem Uchiha, fazendo com que um sorriso surgisse nos lábios do pai, que o puxou para o abraço.

“Obrigado, Meu amor, por me dar tanto, antes de parti”.

Notas finais
Espero em breve postar outras Fanfics, menos nostálgicas, rsrsrs... Obrigada e fui!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!