Antes. Bem Antes.
3 O Local Divino
Notas iniciais
Durante a viagem, eu e Hermes mantemos um silencio mortal. Até que paramos em frente ao Empire State Building.
- Desça — disse ele fazendo o mesmo.
Eu apenas o segui. Por que estávamos no Empire State?
- Hermes, o que nós estamos fazendo aqui exatamente?
- Viemos ao Olimpo, certo?
- Viemos ao Olimpo — repeti. — No Empire State?
- Aqui é o Olimpo! Sabe, 600º andar.
- Isso não existe! — aí eu pensei: Há duas semanas e eu não acreditava no que via e eu estava com um deus.
Sim. Há vezes em que duvido de Hermes e procuro realmente saber se ele é quem diz ser. Experimentei acreditar nele e aqui estou.
Ele fez uma careta e seguiu em frente.
- Fique aqui — ele trocou algumas palavras com o balconista enquanto eu esperava de braços cruzados. O homem diante ao balcão fez algumas caras feias enquanto trocava palavras com Hermes. Então Hermes olhou para mim, exibindo um cartão com o número 600. Nos dirigimos até o elevador, ele inseriu o cartão e um botão novo surgiu, Hermes clicou nele e o elevador subiu, estava tocando uma música que não parecia nem de longe abençoada por nenhum deus sequer, em questão de segundos a porta se abriu.
Não acreditei no que vi. Era como as pessoas descreveriam o "paraíso", ou "céu" -embora eu saiba que isto não existe, pois Hermes me falou sobre o Mundo Inferior, isto então é mais parecido com os Campos Elísios-. Haviam ninfas (espíritos da natureza) por todos os lados e monumentos dedicados aos deuses, tudo irradiava poder, uma ida ao Olimpo podia cegar qualquer um, era realmente claro lá, talvez mais claro que Atenas que é a cidade mais clara do mundo. Hermes seguiu em frente e eu fui segui-lo quando dei um passo afora do elevador, senti uma pancada e caí no chão imediatamente. As ninfas soltaram risinho, mas foram censuradas por Hermes assim que ele lhes lançou um olhar ruim e elas se transformaram em árvores e arbustos.
- Ah, sim! — Hermes revirou os olhos. — May Castellan, eu lhe dou a...
- QUE PALHAÇADA É ESSA? — gritou um homem de três metros que usava um terno de tweed, risca de giz azul-marinho, calças idênticas e sapatos caros.
- Acalme-se, pai Zeus! — disse uma mulher com seus três metros também. Ela era bonita, cabelos castanhos encaracolados desciam seus ombros de um modo gracioso, olhos cinzentos e com aparência muito sábia.
Só então percebi que Zeus -o de sapatos caros- estava seguido por outros 10 seres com um tamanho impressionante e de aparência divina. Dez, Zeus e Hermes. Os Doze Olimpianos. Aquele era o Conselho Olimpiano.
- Por que estou vendo uma mortal no elevador, Hermes? — perguntou Zeus.
- Pai... — Hermes agora assumiu seu tamanho divino também. — Eu preciso ter uma conversa com todos vocês sobre ela.
- Se fossemos falar sobre todas as suas mulheres mortais... — falou uma garota (garota?) de cabelos ruivos e olhos de prata, como a Lua. Ela era realmente incrível. Achei que ela parecia um pouco nova para uma... PERAÍ! TODAS AS SUAS MULHERES MORTAIS?
- Quieta! — repreendeu uma outra, incomodando meus pensamentos. Ela tinha cabelos cor de areia, lisos que era lindos, seus olhos eram azuis. Azuis como os de Hermes. Mas assim que consegui concluir que achava aqui lindo, ela mudou sua aparência. Totalmente. Hermes mencionou ela. Afrodite, deusa do amor e da beleza.
A ruiva fez careta.
- Quem sabe não discutimos os amores de Hermes lá dentro? — ela perguntou.
- Ártemis, é provável que ele exigirá a presença dela — disse Zeus calmo, mas olhando para Hermes e depois para mim de modo desafiador.
- Não acho que será um incômodo — disse ela. — Desde que...
- A casa é minha! — gritou Zeus.
- Ah, Zeus... — disse uma mulher de cabelos negros e olhos multicolores que refletiam um pavão, ela usava um vestido branco, que realçava seus olhos, o que a tornava ainda mais divina. Pelos olhos e por estar agarrando o braço de Zeus, reconheci a Rainha dos Deuses: Hera.
- Todos para dentro — Hermes ficou, Hera também. — Qual o nome dela?
- May Castellan — respondeu Hermes.
- É provável que um mortal nunca tenha sido aceito no Olimpo — começou Zeus e eu sabia que lá vinha um discurso -, e esta será a última vez. Portanto, se algo de ruim acontecer lá dentro, o culpado será o deus o qual encaminhou a mortal até aqui — ele olhou para Hermes, que assentiu. — Hermes está responsabilizado pelos riscos da srta. Castellan — ele fez uma cara de quem pensa: "Será que é senhorita? Ou eles já tiveram um filho?" Bom, Zeus era um pai. Ele devia realmente se preocupar com estas coisas. — No entanto, May Castellan, eu lhe concedo a permissão de entrada no Olimpo. Apenas hoje.
Depois de tal discurso inspirador, dei um passo á frente e entrei no Olimpo. Foi desconfortável. Era, realmente, muita divindade para uma mortal e acima de tudo, acompanhada de três deuses de três metros.
Segui eles até o Olimpo. Chegamos na Sala dos Tronos, cada um se acomodou em um trono. Nunca me senti tão vívida e cheia de inspiração como agora. O Monte Olimpo pode te fazer delirar.
- Hermes, o que você gostaria de compartilhar sobre a mortal conosco? — perguntou Zeus.
Hermes explicou que meu caso era delicado. Eu podia enxergar através da Névoa, eu era capaz de ver monstros, deuses e as coisas em sua forma real. E que, ás vezes, eu tinha visões. A maioria acontecia. E que uma delas fora de uma Profecia. Mais tarde eu soube que a Profecia existia. Ela era o que os deuses chamavam de Grande Profecia. Ela se referia a um filho de um dos Três Grandes. Um herói. Os deuses já sabiam da profecia, é claro.
- Isto é verdade? — perguntou Zeus. — Você viu tudo isso?
Assenti.
- Ela poderia ser o nosso Oráculo! — disse um deus que era lindo, cabelos loiros, torno de dezesseis anos.
- Apolo, não! — disse Zeus.
- Acho melhor sim, pai Zeus! — disse Apolo, o deus lindo. — Se ela vê tudo isso é possível que seja o próximo Oráculo. O nosso está bem velhinho, não acha?
- Não, Apolo! É arriscado! — disse Hermes.
- Ela seria perfeita para o Oráculo! — insistiu Apolo, sorrindo para mim.
- Esperemos mais alguns meses. Ela parece jovem e precisa de sua vida fora de tudo isso. — disse Zeus, e acho que pela primeira vez, eu concordei com ele.
Desde esta sentença, eu me pego pensando, não importa onde, a hora ou o local, estou pensando que na verdade, Zeus está correto.
Eu queria ser o Oráculo, poderia ajudar muita gente. É um trabalho importante e aposto que não é qualquer um que pode ser um recitador do futuro. Mas eu teria que desistir de Hermes e ando pensando, desde que Zeus olhou para Hermes de esguelha pensando que já tínhamos tido um filho, no quão seria bom ter um filho metade humano, metade deus. Ele ou ela seriam uma glória para mim, seria o meu elo com Hermes. E eu não pretendia perder Hermes facilmente.
Um filho seria perfeito.
Notas finais
Ah, esse foi grande porque eu fiz um capítulo pequeno e chato antes...
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