Anteros
13 De Volta ao Lar!
Notas iniciais
- Hey Matt... – Mello sussurrou...
Estávamos na cozinha, mais exatamente sentados a mesa. Misa terminava de preparar os baurus de costas para nós na pia, eu estava com uma cara de bunda, com os braços na mesa, com a cabeça deitada sobre eles. Mello sentado ao meu lado do mesmo jeito, deitado sobre os braços, desta vez me encarando e cutucando meu braço pra tentar roubar minha atenção.
E conseguiu... Conseguiu meu olhar fulminantemente descarado sobre ele, que não disse nada, apenas fez sinal com a cabeça e com os olhos de que eu DEVIA falar alguma coisa.
Eu devia... Devia mesmo... Afinal, a garota nos pegou numa situação bem humilhante.
Mas antes de qualquer coisa, deixa o Matt contar o que aconteceu exatamente...
Matt Flashback ON ~
Misa ficava cada vez mais e mais e mais e mais e mais vermelha, até cair no chão.
Cara, ela desmaiou por descobrir que Mel é garoto ou por me ver fodendo ele?
Quem sabe?
Quem sabe?
QUEM SABE O CARALHO! –literalmente...
Imediatamente tirei Mello de cima de mim, que teve de levantar tão depressa que escorregou no chão empoçado de água e caiu feito uma jaca doce e madura. Claro, ele conseguiu um pequeno –ENORME- galo na cabeça...
E eu, obvio, me levantei cauteloso pra não repetir o que aconteceu com o coitado do Mello, e sem nem mesmo socorrer o ser, fui em direção a Misa, que TAMBÉM estava esparramada no chão aparentemente morta.
Não. Ela não havia morrido. Haha.
E também não tinha sido um desmaio, mas apenas um surto, ou um susto, ou um choque, tanto faz... Tudo está relacionado a uma terrível reação.
Misa, me perdoe por sujar sua inocência com a minha imagem taradona dando umas chapiscadas na Mel, ou nesse caso, nO Mello.
A garota piscava numa velocidade incrível, como aquelas pessoas que tentam recobrar a consciência e voltar a realidade, a garota estava completamente desnorteada.
- M-Misa... Você está bem? – Ela me encarou desentendida.
- Cadê a Mel? – É Mello, é O Mello...
- Acho que está morto. – Falei sério, levando um forte chute nas regiões baixas traseiras de um garoto loiro e nu que saiu do banheiro com a mão na cabeça. E claro! Eu rolei em carinhosas cambalhotas até o outro lado do quarto.
- Você devia ajudar sua puta a se levantar. – E com uma das mãos na cintura, ficou completamente, COMPLETAMENTE exposto para a mina ali caída, -claro, se referindo como puta para si mesmo, animal.
- Mel tem um... –
MATT FLASHBACK OFF!!!! ~
‘’... pintinho pequeninho’’... Foi isso que Misa disse... E é exatamente por isso que ela está com um galo tão grande quanto o de Mello que bateu o crânio no azulejo branco. É Misa, ele fica agressivo quando falamos da ‘masculinidade’ dele.
Mas ok, vamos voltar à cena anterior, aquela que envolve um Matt tentando se explicar para uma Misa... Por onde eu deveria começar?
~Olha Misa, é o seguinte, Mel é um homem, como você pôde ver quando ele estava sentado sobre mim gemendo... A prova física é aquela coisa grande que eu segurava, hmmmmm... Você entende não é?~
Qual é a probabilidade dela morrer de um ataque fulminantemente agonizante depois de ouvir isso?
- Olha só Misa, é o seguinte... Mel é um garoto, você viu com os seus próprios olhos quando estávamos no banheiro... A prova física disso é que... Ele tem aquilo que vocês meninas não tem... Você entende? – Será que consegui a proeza de não matá-la?
- Com ‘aquilo’ você quer dizer o pintinho pequenininho dele? – NEM É PEQUENININHO ASSIM... Me causou algumas horas de dor naquela vez do carro...
Já era de se esperar que Mello cuspiria todo o sanduíche e voaria no pescoço dela, mas não aconteceu... Foi algo bem menos deselegante e bem menos ‘Mello’.
- Vá rosquiar uma lâmpada no anus... – Chocólatra... Por favor com baixarias ok?! Mas meus parabéns pela criatividade.
- Aliás Matt, onde estão seus pais? – Perguntou a garota inocentemente, ignorando Mihael. Hmmm, em falar nos meus pais... Não acredito que tenham ido ao puteiro, será que me abandonaram? Eu... Eu realmente ficaria feliz... Mas infelizmente não, afinal, incorporou os pais decentes neles...
- Eu não sei... Talvez tenham morrido por ai. – E o loiro jogou o prato de plástico na minha cabeça, talvez pela minha indiferença... Af, eu não tenho culpa se você não tem pais! – Garoto babaca! – E outra vez jogou algo em mim, mas dessa vez foi o pedaço de pão que mastigava.
- Se eles não voltarem até amanhã cedo, vou levar você para a casa da Lana. – Se bem que seria ótimo.
- Mello... Não é bem assim. Tenho que cuidar da casa, você está sem carro, não posso sumir assim e voltar pra lá e... –
- Eu disse amanhã cedo. – Autoritário.
- Sim senhor. – E depois que limpei o pão mastigado do meu rosto, fomos os três dormir. E claro... Misa dormiu com a gente, mais exatamente agarrada ao meu pé.
Já no outro dia acordei com um barulho infernal, tipo... Um barulho de uma cabeça batendo forte no chão de madeira do meu quarto. E não é que era Mello batendo a testa da loira no assoalho tentando fazer ela soltar minha perna?
- MAS QUE PORRA É ESSA MELLO?! –
- Queria te acordar com o barulho oco dessa bosta aqui. – Apontou para Misa, que sorria. – E também queria arrancar ela da sua perna. – Dessa vez a puxou para o lado, rolando aquele corpo fedido de perto de mim.
OBS: é ela NÃO tomou banho pra dormir... OH! Meus dinossauros morreram!
- Aliás Matt... Seus pais não voltaram, vou te levar para a casa da Lana... –
- E MISA?!!! – A criatura de odor semelhante ao pântano brotou do chão e agarrou o pijama do garoto, chacoalhando com tanta força que me surpreende não ter vomitado.
- MISA VAI TOMAR NO CÚ BEM LONGE DAQUI! – Carinho level 100.
- Misa vai junto! – Repetiu.
- Misa vai pra puta que pariu! – Retrucou Mello.
- Misa vai junto!! – Repetiu mais uma vez.
- Misa vai pra casa do caralho!!! –
- Calem a boca... – Joguei meu travesseiro neles pra ver se aquele fogo na bunda passava. – É o seguinte Misa... Eu mal sei quem é você... Veio para a minha casa, deixei você ficar aqui comigo e com Mello... Não tem condições de você querer ir embora daqui com a gente! Ficou louca? – E ela pareceu se conformar.
Pra ser sincero, eu posso até ser um ruivo de inteligência medíocre, mas sei que sair por ai sustentando uma completa desconhecida é algo... Bem idiota.
- Tudo bem, Misa entende... –
- Que bom. Agora vamos Mello... Ainda precisamos encontrar um jeito de chegar lá sem seu carro. – E enquanto nos ajeitávamos e pegávamos nossas coisas pra partir, Ela ficou sentada no chão sobre o colchonete, parada.
- O que ela ainda está fazendo aqui? – Mello deu um leve chute na perna dela, o que mesmo assim não a tirou daquele transe.
- Hey Misa... – Chacoalhei seus ombros de leve, ‘acordando’ a menina. – Você precisa ir, já vamos embora. –
- Ok... – Se levantou, e sem tirar meu blusão nem nada, foi caminhando para fora. Parece que ela não se importa em mostrar uma pequena parcela da calcinha que aparecia por causa de só vestir a blusa. E eu, apenas encarei Mello, perplexo. – Misa vai pra algum lugar, e vai esperar até Matt voltar... Até Matt voltar homem. –
- Galinhazinha... – Grunhiu Mello, com aquele tom de ódio dele.
- A-até qualquer hora Misa! – Acenei para ela, que já saia pela porta da frente, caminhando pela calçada, sumindo da nossa vista com sua calcinha cor de rosa e meus dinossauros mortos. – Foi divertido... – Comentei com Mello.
- Cala a boca, você é gay... Agora vamos. – Trancamos a porta e partimos, pegando o primeiro taxi que vimos no ponto de taxi que não ficava longe de casa. Talvez uns três quarteirões dali, e partimos de volta para a casa da Lana...
Ah! Por mais que seja LANA, aquele ser medonho, estou feliz, afinal lá foi o melhor lugar que vivi até hoje. E já dentro do carro conversava com o loiro, que me contou algumas coisas sobre sua estadia na cadeia...
- Então você fugiu com o Beyond? Que bom que ele está bem... É um cara... – Eu até diria ‘gente boa’, mas sei que não é tudo isso... –... É um cara simpático. – Menos por me chamar de pirralho lá na ponte.
- Sim. Ele me disse que iria dar um jeito na vida. Imagino se neste exato momento não está comendo Near... – Só consegui ouvir o baixo riso do taxista, que parecia se divertir com o tom escandaloso do loiro.
E nesse ritmo nem percebemos quando chegamos naquela cidade, naquele bairro e rua, e paramos em frente àquela casa. Caramba, olhando assim, parece que não venho aqui há meses... Af.
Descemos do carro, vendo uma Lana seminua saindo pela porta da frente, cambaleando, com seu short preto e seu sutiã vermelho mal vestido.
- Matt! Você voltou pra titia! – E antes que chegasse até mim, que a esperava para um abraço, a coisa caiu dura encima nos sacos de lixo do lado do portãozinho.
- Bêbada maldita... – E claro, não podíamos esquecer o lindo comentário de Mello, que já foi entrando sem nem mesmo ajudar Lana.
- Aqui garoto... – Disse o taxista, tirando uma grande mala do porta-malas do carro... Calma ai, eu não me lembro de trazer mala alguma, somente uma mochila com alguns pertences.
Paguei a corrida, ainda meio confuso, e ele se foi, deixando aquela mala sabe-se-la-de-quem ali.
Mello havia entrado, Lana gemia desnorteadamente em meio ao lixo, eu encarava o meio fio meio abismado, e a mala se abria lentamente revelando uma criatura vestida apenas por um blusão com estampa de dinossauros.
- Olá Matt!!! – Gritou Misa. Só consegui observar que da porta da casa saiu Mello assustado, jogando um prato de plástico em nossa direção.
- ROSQUEADORA DE LAMPADAS NÃO! – E claro, o prato acertou a garota, que continuou sorrindo.
O QUE EU FAÇO?!
Notas finais
Obrigada por lerem e, leitores fantasmas, vamos lá! Não custa um comentário ♥
Até breve meus amores!
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