Ante Mortem / Post Mortem - Interativa

25 Capítulo 25 - Esperança Vadia


Notas iniciais
Hou hou hou (tosse moderada)... Eu sou Qui, O Gonn Noel e desejo um feliz natal aos cristãos, e bom feriado aos não cristãos! Eu sei que eu demorei bastante, na verdade eu estive em meio a um inferno durante esses dias e, além disso, também estava lendo as fichas recebidas... Prometo que o próximo saíra logo! Desculpem por toda essa espera!

As palavras ditas pelas então desconhecidas mulheres encheram o coração de Matt de esperança. Um estranho sentimento tomava conta de si, uma mistura de dor extrema e alívio, ele ainda estava sem chão pelo que ocorrera a sua sobrinha, porém se via um pouco mais otimista ao ver que aquelas pessoas se mostravam prestativas. A mulher mais velha foi a primeira a se deslocar até o grupo, visivelmente espantada com o horror do momento, ela arregalara os olhos ao se deparar com a criança ferida de forma brutal.

̶ Nós ouvimos um grande estrondo! Estávamos indo ver o que havia ocorrido quando... Deus! O que aconteceu com essa menina?! – Indaga a mulher bastante espantada.

̶ Batemos em uma barreira... – Emily começava a explicar o ocorrido quando fora interrompida por Matt aos berros:

̶ Caralho! Vocês podem ou não nos ajudar! – Suas palavras saíram em meio à saliva e lágrimas.

̶ Precisamos de suprimentos médicos... O que tiverem! – Exclama Benjamin.

̶ Selena, vai atrás do Brian, agora! – Exclama a mulher mais velha a outra que apenas observa ao largo.

A mulher correra do local onde estava, dirigindo-se rapidamente para os fundos do posto de gasolina onde se encontravam, em meio aos rápidos passos, ela gritava o nome do tão citado Brian.

Benjamin acompanhava a todos, todavia sem se manifestar, ainda estava sem conseguir acreditar em tudo o que se passara. Ainda tentava entender o que havia causado o acidente e porque havia aquela barreira de carros em plena interestadual. Mais recluso que ele somente Deschen, que ofegante, mantinha-se sem nada dizer, apenas tentando recuperar as forças após o escape da horda que os cercara há poucos instantes.

Assim que Selena partira em disparada, um homem começara a correr na direção deles, vindo justamente do posto de gasolina. Ele é alto, deve ter um metro e noventa, cerca de setenta anos e apesar da idade, mostra-se alguém forte, com postura ereta. Ele tem os cabelos brancos e longos, escondidos sob um chapéu branco estilo cowboy. O homem veste um casaco por cima de uma camisa de botões, uma calça presa com um cinto de fivela grande e botas.

̶ Mas o quê que foi mulher?! – Indaga tal homem assustado ao ouvir os gritos de Selena. Ele parece arrumar as calças, colocando a camisa por dentro e, além disso, tem um típico sotaque interiorano.

̶ Uma garotinha... Uma garotinha ferida! – Exclama Selena apontando para o grupo de Ben que se aproxima.

O homem olha para as pessoas correndo e no mesmo instante coloca a mão sobre o coldre que carrega preso a seu cinto.

̶ Quem são ocês?! – Suas feições são sérias.

̶ Tudo bem Brian... – Diz a mulher mais velha tentando evitar um conflito – Eles sofreram um acidente, não temos tempo... Precisamos ajudar essa menina!

̶ Ora Zöe, era só cê ter falado então! – Exclama Brian, que prossegue – Simbora entrar nesse posto... Tem uns material médico aí!

O homem velho partiu na frente, acompanhado por Selena, O’Donnell, Matt, Emily e é claro a pequena Lisa. Benjamin, Deschen e Zöe, a mulher mais velha, permaneceram do lado de fora do posto de gasolina.

̶ O que aconteceu com a menina? Ela perdeu a perna no acidente? – Pergunta Zöe a Benjamin.

Ben ainda olhava para o nada, parecia realmente ter se afetado com o que ocorrera, não pelo fato da menina ter se ferido gravemente, mas sim por mais um de seus planos ter sido interrompido. Ele pensara em tudo, planejara cada detalhe, mas tudo pareceu ruir. Com Lisa ferida, o grupo não poderia prosseguir, além disso, eles ainda encontraram mais pessoas, coisa que Benjamin não imaginava ou desejava. Ele só queria seguir em frente, tocar o grupo, mas parece que o destino resolveu traçar outra rota para ele, e isso era o que mais o deixava puto.

̶ Batemos em uma amontoado de carros na estrada... O caminho estava bloqueado! A menina acabou sendo mordida... – Responde Ben sem olhar para sua questionadora.

Zöe coloca a mão cobrindo a boca, exprimindo surpresa e em seguida diz:

̶ Deus... Então vocês...

̶ Já fizemos isso antes... Costuma dar certo! – Diz Ben novamente, ainda segurando a pequena Lillyan nos braços.

A mulher segue espantada, olha para Deschen que apesar de nada dizer, exprime um sorriso discreto enquanto ergue o seu coto, causando ainda mais espanto em Zöe.

̶ Eu me chamo Zöe... – Apresenta-se a mulher.

Ben segue fitando o posto de gasolina, e ainda sem olhar para a mulher, responde:

̶ Vocês três estão sobrevivendo juntos? – Ele prefere não dizer o seu nome e sim realizar uma indagação.

̶ Na verdade ainda há mais quatro de nós...

̶ E vocês vivem nesse posto? – Benjamin parece estar interessado nos detalhes do novo grupo.

̶ Não... Esse posto é mais uma rota... Bom, eu não conseguiria explicar...

̶ E quem conseguiria? – Pergunta Benjamin novamente mantendo a seriedade.

̶ O Angelo... – Responde Zöe, bastante intrigada com a atitude de Ben.

̶ E quem é Angelo?

̶ O cara que idealizou a barreira de carros...

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O’Donnell deitara Lisa no chão, enquanto Matt e Selena, de pé apenas observavam. Emily e Brian se abaixaram e ao mesmo tempo começaram a verificar o estado de saúde da pequena.

̶ Eu sou enfermeira vovô, é melhor se afastar! – Exclama Emily.

̶ Minha filha, eu já estive em guerra servindo a força aérea dos Estados Unidos, sei mais do que ninguém como atender uma pessoas desmembrada!

O velho homem afrouxa um pouco o torniquete, verificando o ferimento. O sangramento parece ter cessado, o que aparentemente se mostra como um ponto positivo, apesar da menina ainda estar desacordada.

̶ Selena meu bem, pegue para mim o kit que o Angelo guardou aqui! – Diz Brian.

A mulher se desloca rapidamente dentro do lugar, a loja de conveniências do posto no qual se encontravam. O lugar estava com as luzes acesas e parecia bem suprido, suas prateleiras estavam repletas de mantimentos de todos os tipos, além de produtos de higiene. Selena se dirige até um carrinho de supermercado, que se encontrava perto da porta que dá acesso a administração. Ela pega o carrinho e começa a empurrá-lo na direção de Brian. O mesmo está repleto de materiais médicos, que vão de simples medicamentos a cilindros de oxigênio, além de ataduras e gazes.

̶ Ocê me disse que é enfermeira... – Volta a dizer Brian se referindo a Emily – Então cê me ajuda a tirar esse torniquete e fazer uma bandagem decente, antes que o tecido entre em necrose!

Emily apenas balança a cabeça positivamente, parece aceitar que o velho Brian realmente sabe o que está fazendo, e se ele tiver mesmo experiência em medicina militar, é o mais indicado a cuidar de um ferimento tão sério como o de Lisa.

̶ Ela vai ficar bem? – Pergunta Matt. Ele ainda está trêmulo, mal consegue manter-se de pé.

Brian dá um sorriso e olhando para Matt responde:

̶ Vai sim filho... Você é pai dela?

̶ Sou tio, os pais dela faleceram...

̶ Fala a verdade velho! – Exalta-se O’Donnell interrompendo Matt – A menina vai ficar bem porra?!

̶ O torniquete foi bem feito... Tudo vai dar certo sim! Temos o material necessário para salvá-la!

Lance respirou fundo, apesar de não confiar nem um pouco no sorriso do velho, ouvir um “tudo vai ficar bem” já servia para reconfortá-lo um pouco. Ele olhava para Lisa, ali, vulnerável, multilada e desacordada, e passava a pensar nos efeitos que tal trauma pode vir a causar na pequena. Ele também conjectura o porquê disso estar acontecendo, justamente agora que as coisas pareciam estar no rumo, apesar dos pesares.

̶ Vocês tem cigarros? – Pergunta ele ainda ofegante.

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̶ Vocês tem comida? – Pergunta Zöe a Benjamin. Eles ainda permanecem do lado de fora observando toda a movimentação que ocorre dentro da loja de conveniências do posto.

̶ Tudo o que tínhamos estava no nosso trailer... Que por conta desse tal de Angelo que você citou, foi tomado... – Responde friamente Ben.

A mulher vira-se na direção de Ben e tocando em seu ombro explica-se:

̶ Não somos vilões... Só estamos sobrevivendo, e creio que grande parte disso se deve ao Angelo...

A conversa é interrompida por um singelo barulho ouvido há alguns metros de distância, o som de um pedalar que se aproxima dos três que ali se encontram. Duas pessoas pedalam em bicicletas, porém, estranhamente, as duas não se vestem de forma usual, parecem usar algo como proteção. Elas vestem um macacão azul de longas mangas, que cobre todo o braço, botas pretas até o meio da canela, luvas e máscaras de gás. As bicicletas se aproximam e param bruscamente, na frente dos três. Benjamin e Deschen olham sem entender para a bizarra cena.

̶ Zöe, quem são essas pessoas? – Pergunta um dos ciclistas com a voz abafada por conta da máscara de gás.

̶ Não se preocupe Aaron, eles sofreram um acidente ao tentar passarem pelos muros do Angelo, uma deles se feriu... O Brian e a Selena estão cuidando disso...

O homem que estava na bicicleta retira sua máscara revelando-se. Ele é bastante branco, porte físico normal para alguém com quarenta e dois anos, cerca de um metro e oitenta de altura, cabelos lisos e negros, na altura do ombro, seus olhos também são castanhos e um tanto pequenos.

A pessoa que se encontrava na outra bicicleta também retira a sua máscara. Ela é uma mulher, deve ter uns trinta e cinco anos e também é branca, seus cabelos são loiros e ondulados, presos em um rabo de cavalo desalinhado, seu corpo é curvilíneo e sem exageros. Ela é a primeira a se manifestar:

̶ Eu não sei Zöe... Não me parece uma boa ideia...

̶ Não se preocupe loirinha – Refuta Benjamin – Entenda isso como uma breve parada, não pretendemos ficar nesse lugar, iremos embora assim que a menina tiver condições! Por mim nem teríamos parado! – Completa ele.

̶ Olha, eu não quero causar uma má impressão... – Tenta corrigir-se a ciclista.

̶ Foda-se você e a suas impressões... Já faz tempo que boas ou más impressões não importam mais! – Rebate Benjamin sem deixar a moça concluir o pensamento.

̶ Calma! Calma! – Tenta apaziguar o homem levantando-se de sua bicicleta – Acabamos de nos conhecer! Não precisamos criar um problema em cima de outro que já existe... – Ele dá um passo na direção de Ben – Me chamo Aaron, a esquentada é a Evelyn e bom, acho que devem ter conhecido a Zöe...

Apesar de refutar de inicio, Benjamin aperta a mão de Aaron e também se apresenta:

̶ Eu sou Benjamin, essa é Deschen e a bebê é a Lillyan... Tem mais do meu grupo dentro da loja de conveniências!

Evelyn também desce de sua bicicleta e se aproxima ao reparar na criança nos braços de Ben, algo que havia passado em branco até então.

̶ Espera... Essa bebê tem quanto tempo de vida? – Seus olhos se arregalam ao se deparar com o rosto inocente de Lilly.

̶ Ela tem dias... Talvez uma semana... Já faz algum tempo que eu perdi a noção dos dias! – Responde Benjamin.

̶ Puxa! – Ela parece estar bastante surpresa – Como vocês conseguiram fazer o parto, quer dizer... Isso é muito impressionante!

Benjamin olha para a mulher por alto e volta a falar:

̶ Nos viramos muito bem durante todos esses meses... Apenas fizemos o que tínhamos que fazer!

Evelyn segue fitando Ben e a recém-nascida, ela se mostra bastante surpresa com a história contada pelo homem novo que surgira, para ela é muito impressionante o grupo ter conseguido realizar um parto em meio a todas as precariedades.

̶ Vamos voltar para “casa”... – Manifesta-se Aaron, é melhor todos entrarmos, principalmente você que está trazendo essa garotinha, ela ficará muito exposta nesse frio! – Ele repara que Benjamin ainda olha para o posto – Não se preocupe, a Selena e o velho Brian levarão o restante do seu pessoal até nós... – Ele dá um sorriso – Eles sabem muito bem o caminho!

̶ E o que vocês chamam de casa? – Pergunta Benjamin enquanto caminha seguindo Aaron e os outros.

̶ Estamos sobrevivendo dentro de um supermercado... Nos mantemos por lá, tem bastante comida, na verdade devem ter tonelada de mantimentos lá, todos com uma boa data de validade... O lugar era um mercado desses especializados em varejo, por isso a quantidade exorbitante de alimentos! Acho que podemos viver por lá por um bom tempo... É só nos mantermos quietos!

̶ E porque a roupa esquisita e a bicicleta? – Volta a questionar Benjamin.

̶ Estávamos fazendo uma coisa para o Angelo... Uma ideia que ele teve! – Responde Aaron. Benjamin volta a indagar:

̶ Então esse Angelo é o líder de vocês?

Evelyn sorri e olhando para Ben, responde:

̶ Líder? Não... Ele só é o nosso cérebro!

Todos seguem caminhando em linha reta pela rua, o local é mais uma cidade fantasma, igual a qualquer outra que o grupo de Ben já se deparara durante toda a sua trajetória. Casas e mais casas abandonadas, e alguns poucos carros estacionados nas calçadas. O lugar pacato não deveria ser muito diferente quando era habitado. Após dobrarem duas veze para a direita, o grupo de depara com uma rua mais larga, onde uma placa a nomeia: “London Street”. Além da placa, pode ser avistado o supermercado de porte médio citado por Aaron.

O lugar tem apenas um bloco, porém parece ser grande, com toda a certeza deve ser o maior estabelecimento da cidade. As grandes portas principais na frente do local estão completamente trancadas, inclusive com grossas correntes. Aaron passa então a sinalizar com as mãos que a entrada se encontra ao lado, em uma porta que antigamente se restringia aos funcionários. Todos então se deslocam até o lugar indicado por Aaron, caminhando até a dita porta, feita de ferro, pintada de branco e com uma corrente direcionada para o lado de dentro. Aaron sendo o primeiro a chegar, dá três batidas na porta de ferro e diz em seguida:

̶ Effy, somo nós! Já voltamos!

Sons de passos são ouvidos vindos do lado de dentro, em seguida uma voz feminina se manifesta:

̶ Qual é a senha?

̶ Não seja ridícula! – Irrita-se o homem.

̶ Você sabe que o Angelo me obriga a fazer essas merdas, então é melhor dizer logo! – Volta a dizer a voz feminina.

̶ ‘Ameaça Fantasma’! – Exclama Aaron a contragosto.

O cadeado que trancava a corrente começa a ser aberto pelo lado de dentro, após alguns segundos a porta é destrancada. Quem a abrira fora uma garota, possíveis dezessete anos, ela deve ter um e setenta de altura. De pele branca, seus cabelos são castanhos, volumosos e desarrumados, um pouco abaixo do ombro, seus olhos também são castanhos e ela se veste de forma usual, uma calça jeans e um casaco.

̶ Trouxeram gente nova? – Pergunta ela.

̶ Essa é a Effy! – Diz Evelyn – Eles sofreram um acidente... Longa história!

Todos adentram o lugar que começa a ser mapeado pela mente de Benjamin. As luzes estão funcionando, assim como os aquecedores, o que torna o lugar aparentemente aconchegante. O piso é limpo e os caixas de atendimento ainda se encontram intactos, parece que toda a merda ainda não havia chegado naquele lugar, Benjamin sentia-se como se tivesse voltado a sua antiga vida, onde tudo ainda funcionava e a morte não os rondava. Apesar de toda a organização, o que mais espantara Benjamin foram as prateleiras, exatamente como Aaron havia descrito, uma enormidade de suprimentos da entrada aos fundos do supermercado, tudo muito bem suprido, talvez houvesse realmente toneladas de mantimentos.

̶ Angelo! O Aaron e a Evelyn voltaram e trouxeram gente nova! – Exclama Effy.

Detrás de um dos corredores, a passos largos, surge um homem. Cabelos negros e arrepiados, ‘porcamente’ penteados para trás, olhos negros escondidos por detrás de um óculos grande de grau. Ele deve ser apenas alguns centímetros mais alto que Effy, usa uma camisa com mangas compridas e seu rosto de trinta anos aparenta estar assustado. Ele se aproxima com desconfiança, passando a palma da mão direita sobre o dorso da mão esquerda, e pergunta ainda ao longe olhando meio de lado para todos:

̶ Quem são essas pessoas?

Notas finais
Aguardo os comentários de vocês! A pedido do Saulo, direi quem são os criadores dos novos personagens: A Selena foi criada por Enrico Degan, a Zöe por Fanfic Vorazes (que mudou de nome recentemente), a Evelyn é da minha querida Pandora, a Effy pertence ao Will e o Aaron foi criado pelo Saulo... Os personagens Brian e Angelo são de minha autoria! Até o próximo pessoal!