Ante Mortem / Post Mortem - Interativa

11 Capítulo 11 - Dias de Agonia II


Notas iniciais
Olá pessoal! Obrigado pelo apoio, os elogios e sugestões de vocês estão me ajudando muito a seguir em frente com essa fic, muito obrigado mesmo, a todos vocês que comentam e participam de AM/PM...

Benjamin adentra a floresta, na mão direita carrega sua pistola, na esquerda uma pequena lanterna para guiá-lo no meio da escuridão no matagal. Ele ainda bufa, carrega consigo um ódio que, com o passar do tempo, só tem se expandido, às vezes sentindo-se como se fosse explodir.

Enveredando-se pelo mato, ele ainda pensa sobre o que acabara de ouvir na cozinha e a possibilidade de perder mais um do grupo o afeta ainda mais. Além disso, ainda há Roxanne e Kate que ainda não retornaram, em sua mente ele já começa a pensar que perdera as duas também. Ben verifica se o pente de sua arma está carregado mais duas vezes, parece hesitar, mas não, não dessa vez.

Árvores e mais árvores vão sendo deixadas para trás, e com elas o galpão vai se tornando um porto cada vez mais distante. Benjamin está a poucos metros de seu objetivo, e um remorso precoce começa a tomar o seu interior. Ele se sente sujo, suas mãos estão um pouco trêmulas, mas o ódio e o sentimento de justiça passam a ser a maior onda desse mar de sentimentos incrustados em seu peito.

Ele chega até a árvore que marcara com um pano vermelho, um pequeno lenço sinalizando que ali era o local, que ali se encontrava o seu alvo. Benjamin dá três passos, levanta a lanterna e ilumina o homem que prossegue amarrado junto à árvore. Ao sentir a iluminação em seu rosto, mesmo que com o saco na cabeça, Rich começa a se mexer.

No fundo Ben já queria encontrá-lo morto, talvez o peso fosse menor se um mordedor o tivesse pego, todavia, não seria dessa vez que sentiria alivio, ou algo parecido. O homem que ali se encontra, de pé como um carrasco, não lembra nem a sombra do que fora outrora, e ele sabe que se fizer o que planeja, nunca mais voltará ao que era antes.

Ele respira e inspira de forma ininterrupta, contínua e alta. Sua respiração mais parece a de um animal, e é assim que ele se sente agora. O soldado do exército que outrora fora, o marido dedicado, o pai, tudo isso estaria sendo deixado para trás se o próximo passo fosse dado. Benjamin sabe que o mundo se esvaiu e certamente não se reconstruirá, pelo menos não da mesma maneira. Mas será que ele deveria se deixar levar e fazer parte desse novo mundo?

Seus passos na direção de Rich são dados com frieza, ele estica o seu braço e retira o saco da cabeça do homem. Ben apaga a lanterna, Rich não consegue ver quem ali se encontra, apenas ouve o som da pistola sendo preparada para o disparo.

̶ Não! Não! O que você vai fazer? – Exclama Rich em meio a um enorme desespero – Por favor! Não! Não fui eu! Eu não matei o Dave!

A respiração ofegante de Benjamin segue alta, seus olhos estão fixos em Rich e, apesar da escuridão, ele sabe muito bem onde ele se encontra. Benjamin ergue a pistola e encosta na testa de Rich, fazendo com que ele começasse a se debater e chorar. Na mente do homem prestes a se tornar um executor, milhares de coisas começam a ser imaginadas, e a única que perdura é a de que tal ato pode ser a fuga para todos os problemas.

̶ Não faz isso por favor! – As lágrimas escorrem com abundância pelo rosto de Rich.

Benjamin coloca o dedo sobre o gatilho, pressiona ainda mais a pistola sobre a testa de Rich, fecha os olhos e, mesmo com as mãos trêmulas, deixa o dedo deslizar e pressionar o gatilho, disparando um tiro na cabeça do homem que se postava amarrado diante dele.

A bala disparada a queima roupa, perfura e atravessa o crânio de Rich, sangue jorra pela árvore, pelo chão e pelas roupas de Benjamin. O som do disparo parece ecoar pela floresta e na cabeça de Ben, tal som se mistura com as súplicas do homem que ele acabara de matar, som esse crescente, quase ensurdecedor.

Suas mãos deixam a pistola cair sobre o solo, suas pernas se dobram e seus joelhos passam a encostar-se ao chão. Seus dedos repletos de sangue tocam mesmo que trêmulos o seu rosto que passa a um tom branco pálido. Ele olha para sua roupa, para sua pele, seus braços, todos manchados pelo sangue de Rich.

Benjamin tenta se limpar, em vão, há manchas que não nos deixam, sejam interna ou externamente. Ele olha para o rosto o homem morto, seus olhos abertos, sua expressão de medo, o buraco na testa. O saco é pego novamente e colocado por sobre a cabeça de Rich, em uma tentativa de amenizar a horrenda cena.

A atitude pensada, porém precitada, começa a trazer problemas que ele não imaginava ter. Como contar aos outros? O que fazer com o corpo? Um desespero começa a tomar conta de si, seus olhos se arregalam e sua mente viaja em mil e uma consequências não programadas. Um tapa é dado em seu rosto por ele próprio, uma forma de acordar e ver que esse mundo corrompido e cheio de escolhas macabras, é o mundo no qual ele terá que viver pelo resto de sua vida.

Não há pelo que se preocupar, não há motivos para se desesperar. Benjamin vem liderando o grupo desde que se encontraram e formaram um comboio na Rodovia Palace. Todas as suas decisões se mostraram ser para o bem e proteção do grupo, nenhuma delas trouxe malefícios, e não seria essa que quebraria esse paradigma. Talvez matar Rich possa ser visto como algo desmedido, mas Benjamin começa a racionalizar e pensar no bem comum. Matar um assassino pode ser sim considerado justiça.

Passos começam a ser ouvidos, em uma alta intensidade e se aproximando cada vez mais, Benjamin tateia o solo buscando sua arma e lanterna, enquanto o som se mostra estar a poucos metros de sua localidade. A lanterna é encontrada e acessa, seguida pela pistola, Benjamin ergue o corpo e empunhando a arma vira-se sem sobreaviso na direção da possível ameaça.

Ele se depara com Nae, extremamente assustado, sem ação, olhando para ele e para o corpo morto de Rich preso a árvore. Ben aponta a arma para ele enquanto ilumina o seu rosto. O pasmo garoto só consegue dizer:

̶ O que você fez...

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̶ Eu ainda não consigo acreditar que realmente conseguimos! – Exclama uma eufórica Kate – Eu cheguei realmente a pensar que... Achei que não fosse conseguir.

Kate olha brevemente para Roxanne, as duas estão no furgão, passando pela estradinha que deixa o condado e as leva para a interestadual. Roxanne, que se senta no banco do carona, dá um breve sorriso e responde:

̶ Eu também... Sabe, eu estava disposta realmente a morrer ali... Saber que você sairia com vida e levaria essas coisas para a Des... Acho que minha morte valeria a pena!

̶ Mas como se salvou? – Indaga Kate voltando o olhar para a estrada escura e abandonada.

̶ Depois que a munição acabou, tive que usar o rifle como um porrete, consegui eliminar alguns deles... Me desvencilhei... Foi meio que no automático, eu mesmo não entendo como sai daquele inferno sem ser mordida ou arranhada!

O carro segue cortando a estrada como um pássaro entre as nuvens, o tempo não corre a favor das duas, pelo contrário. A ampulheta da vida de Deschen está com cada vez menos areia.

̶ Só espero que ainda dê tempo... – Suspira Roxane – Depois da morte do Dave, uma segunda perda destruiria o grupo de vez...

̶ Nós não vamos perdê-la! – Afirma Kate com firmeza.

Uma brusca curva é executada pelo furgão, que deixa a autoestrada e começa a correr pela terra batida, o caminho que outrora fora clandestino e com o objetivo de desviar madeira, hoje serve como o trajeto para o galpão, o porto seguro daquele grupo.

O carro seguiu firme, o ronco do motor mostra a força do carro que Kate tem nas mãos, talvez se fosse outro tipo de veículo, as duas já tivessem ficado na mão. A estrada de terra começa a adentrar a floresta, o mato com cerca de dois metros de altura começa a cercar o veículo, o caminho que ambas já fizeram uma centena de vezes, é concluído e o veículo finalmente aporta em seu destino.

̶ Vamos! Vamos! – Kate freia bruscamente o veículo, toma nas mãos os cilindros de oxigênio e a mochila com os itens e adentra com rapidez o galpão.

Roxanne parte logo atrás, porém, antes de adentrar e se dirigir até onde Des se encontra, a mesma assusta-se com a imagem de Kanato, agachado ao solo, segurando os joelhos e com uma expressão fixa no rosto, de fronte a floresta.

Ela o olha, ele se vira na sua direção e começa a falar:

̶ Você viu ele? Você viu? Bum... – O garoto começa a rir de forma espantosa – Bum! Você viu ele?

Notas finais
Espero que tenham gostado... Quero saber a opinião de vocês sobre o ato de Ben e o que vai ocorrer daqui pra frente. Algum palpite? Nos vemos nos comentários!