Antagônicos

9 Quando tudo começou a mudar


Acordei e já eram onze da manhã. Virei-me devagar na cama e cocei os olhos, abri com pesar, incomodada com a luz forte, pois alguém havia deixado a cortina aberta. Permaneci de olho fechado e passei o braço do lado esquerdo da cama, onde Friedrich deveria estar, mas não estava.

Respirei fundo antes de ficar sentada na minha cama e penteei meus cabelos com os dedos. Espirrei três vezes seguidas e sorri lembrando-me do que tinha acontecido.

A porta abriu num estrondo e eu arregalei os olhos assustada.

— Não pode assustar uma grávida, sua lerda! — Duda gritou pra Jane. — Trouxemos café da manhã pra vocês.

“Vocês”. Eu iria ouvir muito aquilo e era bom, porque tinha momentos que eu esquecia que tinha um serzinho na minha barriga.

— E... Lembrar que você precisa falar sobre isso com seus pais. — disse Violet com uma mini-mesa em mãos cheia de ovos, bacon, bolachas, leite quente, maçã, melancia.

— Quando começar a aparecer mais a barriga eu conto, sem pressa.

— De jeito nenhum. Você terá de contá-lo, se for contar depois que esta grávida e de Friedrich, seu pai terá um treco.

Jane estava certa, eu precisava contar quanto antes. Até porque eu não conseguiria esconder dele, falar com ele e não contá-lo sobre. Minha mãe sem noção acharia ótimo saber que iria ter um neto. Wax com vinte e nove anos não tinha arrumado nem uma namorada, quanto mais ter um filho. E eu estava na idade, só precisava ter um noivo são e morar com ele, o que não tinha acontecido, para o futuro desprazer de meu pai.

Comi as frutas e tomei o leite. Não quis comer o bacon, já estava começando a cuidar da saúde do meu filho e não gostava de ovos.

Eu até que estava mais tranqüila quanto a tudo, não sabia como seria com o Friedrich, mas esperava que começássemos a nos tratar melhor.

— Toc toc. — falando nele... — Trouxe uma coisinha.

— Me responde... — Duda disse encarando-o seriamente sem piscar os olhos. — Onde você dormiu?

Engasguei e comecei a tossir. Elas riram.

— Oras... — ele se enrolava em qualquer frase que tentasse começar. Eu ri também junto delas. — Com a mãe do meu filho.

— Nossa! — Violet quase gritou — Quem são vocês e o que fizeram com meus amigos?

— Silêncio e deixa-me mostrar uma coisa.

Não era possível que ele ia tentar me matar novamente com algum bombom de amendoim. Fiz cara de tédio e me encolhi na cama. Ele tinha em mãos uma caixa, fez um drama pra poder abri-la, pediu para que tentássemos adivinhar o que era, deu dicas e nós já estávamos cansadas de tentar adivinhar qual era o doce que ele tinha comprado dessa vez.

Até que, enfim, ele mostrou.

Era uma roupa de bebê. Um conjunto azul, todo lindo de lã. Abri a boca pra falar algo, mas não conseguir emitir nenhum som, assim como as meninas. Quem sonharia em Friedrich sendo um pai babão?

— E se for menina? — questionei. Ele me fuzilou com o olhar.

— Espero não ter gastado minhas economias em vão. — ele falou apontando pra a barriga.

O desafio agora, era contar para meu pai. Primeiro, teríamos que ficar uma semana fingindo sermos um casal feliz e apaixonado e avisar para meu pai que estávamos namorando, logo depois, noivos. Então, eu já poderia me sentir preparada para dizê-lo.

A semana passou com Friedrich vindo me visitar depois das sete e ia embora ás nove. Nada de sexo, ou de brigas (algumas discussões, obvio, porém, nada drástico), mas também, nenhuma longa conversa. Apenas sobre nomes, escolas, línguas que o bebê iria aprender, países que iria visitar, que cor de cabelo teria e afins. E nunca estávamos sozinhos, sempre com os outros cinco. Eu tinha avisado a meu pai que estava namorando Friedrich e a reação dele foi a seguinte:

— FRIEDRICH? EU SABIA. Tinha que ter algo por trás desse ódio todo, então quer dizer que agora vocês se dão muitíssimo bem? Quero que venham todos os sete passar o Natal comigo para que eu possa mostrar a Friedrich com quem ele está se metendo. Espero vocês, faltam apenas quatro dias.

Iríamos passar a véspera de Natal e o Natal na fazenda de meu pai. Ou seja, eu e Friedrich teríamos de passar dois dias 1) dormindo no mesmo quarto, 2) eu teria de chamá-lo de “amorzinho”, “bem”, “querido”, 3) não podíamos provocar um ao outro, não iríamos brigar. 4 e último) andaríamos de mãos dadas, nos beijaríamos sempre e... Ah! Teríamos de saber tudo um sobre o outro. E só tínhamos quatro dias para falarmos desde o dia que nascemos até os nossos 26/27 anos

Aí, ele se mudou para nossa casa e para o meu quarto.

Notas finais
Já vou postar o outro, dez minutos para respiração, O.K? Mantenham a calma