Quinn acordou naquela manhã de sábado e a primeira coisa que notou foi que o dia estava ensolarado e agradável. Esticou os braços para os lados e espreguiçou-se em silêncio, esboçando um pequeno sorriso no decorrer do gesto. Contemplou a janela ao seu lado, por onde a claridade do dia recém-nascido entrava, e deixou-se contaminar pela animação que o seu calor parecia transmitir. Voltou-se para o outro lado e apanhou o celular sobre a mesa de criado-mudo.

Dentre as poucas mensagens que o celular coletara naquela noite, as mais relevantes eram as de Rachel Berry, que indicava uma música nova para que Quinn escutasse, uma de Santana, que, irritada, digitara todo um texto sobre como Kurt era uma pessoa horrível provavelmente durante uma bebedeira (havia palavras em espanhol no meio da mensagem, e Santana não as usava em seu pleno controle mental), e uma de seu pai, dizendo que precisavam conversar. Sam ainda não enviara nenhuma mensagem naquela manhã. De novo.

Não respondeu nenhuma delas e se levantou. Sua primeira parada foi no banheiro, onde escovou os dentes em silêncio e passou uma água no rosto. Retornou ao quarto ao final disso para vestir uma roupa mais adequada do que um pijama. Voltou a apanhar o celular ao fazer isso. Não havia novas notificações ainda.

Desceu para a cozinha e a deparou vazia. A empregada da casa não apareceria naquele dia, segundo o que avisara alguns dias antes, mas nem isso encorajou sua mãe ou seu pai a aparecer por lá para preparar sua refeição matinal. Com a pia e a mesa limpas, não era como se alguém já tivesse feito o que precisava e então arrumado tudo com dedicação, mas como se ninguém tivesse sequer considerado a ideia de passar por ali. Quinn conseguia imaginar o pai apanhando o jornal à porta pela manhã e se enfiando em seu carro para ir até a padaria mais próxima onde, enfim, tomaria o seu café da manhã. A mãe talvez não se preocupasse com a primeira refeição do dia, mas, àquela altura, também deveria estar longe de casa, talvez até com uma amiga. As duas poderiam tomar um suco no shopping, só para mais tarde não dizerem que iriam almoçar de estômago vazio.

Quinn voltou a apanhar o celular e o verificou. Nenhuma mensagem nova. Abriu sua conversa com Sam e desejou-lhe um bom dia acompanhando de um emoji de sorriso. Releu a mensagem por alguns instantes antes de voltar a guardar o celular.

Encontrou o bilhete da mãe em cima da mesa da cozinha quando se pôs mais para dentro no local:

Quinnie,

Espero que esteja tendo um bom dia. Seu pai teve que sair cedo para resolver alguns problemas e não disse que horas volta, mas eu não o esperaria para o almoço. Aproveitei a carona para encontrar a Carah, aquela minha amiga, no clube. Não sei se volto para o almoço também. Se quiser pedir comida chinesa pelo telefone, deixei alguns trocados no potinho que fica perto do pote de açúcar.

Beijos,

Mãe

Quinn amassou o bilhete e o jogou fora, certa de que não precisava lê-lo de novo para decorar o seu conteúdo. O pai estava fora por “problemas” e a mãe aproveitara a deixa para ir ao clube. Apenas mais um dia normal.

E não era irônico como a mãe ainda se sujeitava a escrever bilhetes quando tinha um iPhone tão moderno?

Quinn ainda não se decidira sobre a comida chinesa, mas ainda tinha tempo de sobra para pensar nisso. Desprezou o café da manhã tradicional, que costumava ser preparado com tanto cuidado pela empregada da família, e apanhou uma maçã em uma fruteira. Não fazia ideia de há quanto tempo a fruta estivera por lá, mas não se importou em pensar no assunto. Dirigiu-se à sala de estar e ligou a televisão, hábito que não tinha e que nem teria chance de adquirir, uma vez que aquela TV só servia aos caprichos do pai e de mais ninguém. Mas hoje ele não estava ali.

Gastou algum tempo assistindo a desenhos animados, mas depois percebeu que estava velha demais para eles. Mudou para um canal da TV a cabo que focava em qualidade de vida para mulheres. Assistiu a um programa inteiro de decoração, fascinada com a transformação que um quarto tão comum pode sofrer quando está nas mãos da pessoa certa. Verificou o celular e seu desejo de bom dia para Sam ainda não fora respondido. No intervalo entre o programa de decoração e o próximo programa, que ela ainda não tivera oportunidade de descobrir qual era, encheu um copo com suco e o bebeu ali mesmo, na cozinha, antes de retornar à sala de estar. A abertura de um programa de competição de confeiteiros já estava em seu final quando Quinn se sentou no sofá.

Entrou em estado de hipnose durante todo o programa, fascinada com todas as sobremesas preparadas durante a competição. Não imaginava que houvesse gente que levava tão a sério o preparo de um bolo ou de um simples brownie. Nem sabia que havia mais de uma maneira de preparar um brownie. Acompanhou toda a hora em que durou o programa e nem viu o tempo passar. Por um momento, até se esqueceu de que Sam ainda não respondera sua mensagem de bom dia.

Deitou-se no sofá enquanto aguardava o início do próximo programa, uma outra competição culinária, só que dessa vez com o tema mais voltado para pratos requintados. O apresentador do programa explicava os ingredientes que os competidores teriam que usar no preparo da primeira refeição quando Quinn sentiu seu celular vibrar.

Abriu a mensagem recebida no mesmo instante:

Sam Evans: Bom dia

Uma mensagem de um segundo, quase como uma resposta involuntária, daquelas que se dá, por força do hábito, a qualquer um que lhe desejar um bom dia. Como quando se entra em um supermercado e a atendente de caixa lhe oferece um bom dia por educação e a pessoa o responde daquele jeito, “Bom dia”, sem ponto final, por reflexo. Dito por cortesia, sem intenção de se preocupar com a possibilidade de o interlocutor ter um bom dia ou não. Sam só respondera a mensagem, e tão tarde, porque achava educado responder a uma saudação como aquela, mesmo que enviada por mensagem de texto.

Quinn pensou se seria uma boa responder a mensagem tão rápido. Sam não tivera aquela preocupação, então por que ela deveria ter? Pareceria disponível demais, como alguém que não tem outras ocupações, além de esperar a resposta de uma mensagem de texto. Essa não estava tão distante de ser a realidade, especialmente naquela manhã bonita e monótona, mas Quinn não queria que o namorado soubesse disso. Se já não parecia lhe dar importância sem saber da importância que ela lhe dava em cada momento do seu dia, Quinn só podia imaginar como ele a trataria se soubesse da verdade.

Mas ela tinha que aproveitar que Sam ainda estava com o celular na mão para que pudesse ter respostas mais rápidas e, quem sabe?, segurá-lo em frente ao celular por algum tempo.

Eu: Td bem com vc?

Largou o celular sobre o peito enquanto acompanhava o trabalho rápido, tenso e dedicado dos cozinheiros no programa de televisão. Um deles não sabia como acrescentar cenouras a um filé de peixe de forma inovadora, e Quinn passou a pensar em maneiras de solucionar esse problema. Talvez funcionasse se ele separasse o preparo da cenoura e do peixe, cuidando da carne sem se preocupar com as cenouras. Talvez nem precisasse preparar as cenouras; Quinn adorava cenoura ralada e crua, porque quase não sentia seu gosto enquanto mastigava.

Pensou no dinheiro que a mãe lhe deixara na cozinha para a comida chinesa. E se ao invés de comprar comida feita por alguém ela preparasse o próprio almoço? Não era uma ideia tão ruim. Não havia ninguém em casa para atrapalhá-la – ou ajudá-la – e ela teria toda a liberdade do mundo para sujar o que precisasse para ter um almoço perfeito. E ainda limparia tudo depois, pois estava desocupada, mesmo.

Desligou a TV e ligou o rádio. Tinha boas músicas guardadas no celular e seria uma boa ter a casa inteira preenchida por elas durante seu ritual culinário.

Desbloqueou a tela do celular e, inconscientemente, abriu a pasta de mensagens de texto. Sua mensagem para Sam continuava lá, sem resposta. Sentiu um aperto no peito. Em seguida, procurou se lembrar do porquê de desbloquear a tela do celular, e se lembrou: música. Configurou o Bluetooth do aparelho para parear com o sistema de som que ficava na sala de estar e deu play em qualquer coisa da Alanis Morissette. Da cozinha, conseguia ouvir a música como se o aparelho de som estivesse lá.

Voltou a checar a tela de mensagens do celular e tentou atualizá-la, na esperança de que alguma mensagem perdida de Sam fosse recebida. Nem mesmo um SMS de propaganda da operadora surgiu após isso. Fechou a pasta de mensagens e abriu o navegador. Conhecia tão pouco a sua cozinha que não sabia dizer nem que ingredientes estavam ali guardados, mas sabia que alguma embalagem macarrão, por ser um alimento prático, estaria escondida em algum canto. Procurou por receitas com macarrão, portanto.

Os olhos brilhavam a cada nova receita encontrada, mas nenhuma a encorajava por causa da complexidade. Claro que adoraria ter um gosto tão refinado quanto o dos pais, e às vezes até tinha, mas, com pouca habilidade culinária além daquela ensinada no McKinley, não seria tão bem sucedida em sua primeira empreitada na cozinha. Escolheu qualquer receita de macarrão com queijo e separou os ingredientes sobre a mesa.

Sam ainda não respondera a sua mensagem.

Não era uma receita tão complexa; Quinn reconheceu a panela de cozinhar macarrão assim que a encontrou e jogou água e uma embalagem inteira de macarrão tipo espaguete em seu interior. Esperou e assistiu o momento em que o macarrão começou a amolecer e ganhar a forma com a qual ela estava acostumada. Com a parte fácil concluída, escorreu o macarrão e deixou a panela sobre o balcão. Alanis agora cantava Ironic.

E Sam ainda não respondera a sua mensagem.

Quinn vestiu um avental para aquela parte do preparo, pois vestia um vestido de que gostava muito e não queria sujá-lo, por mais que estivesse se divertindo com aquela atividade. Jogou o macarrão preparado em uma travessa e decidiu seguir a dica do dono da receita, que sugeria cubos de presunto. Cortou os cubos com preciosismo e os espalhou igualmente pelo macarrão. Espalhou uma camada de queijo sobre o macarrão e ligou o forno para pré-aquecer. Aguardou os dez minutos de pré-aquecimento que a receita pedia com os braços cruzados, esforçando-se para ignorar o celular, ajustou um timer e levou a travessa ao forno.

Bateu uma mão na outra e sorriu com satisfação. O macarrão ficaria assando por uma boa quantidade de tempo ainda, então Quinn decidiu que aquela era uma boa hora para começar a lavar a louça. Assim, quando o almoço estivesse pronto, a cozinha estaria limpa e confortável para o seu momento de refeição.

Quando limpou o último talher sujo, secou a mão em um pano de prato e apanhou o celular. Sam ainda não lhe respondera.

Que saco! – disse para ninguém em especial.

Estava frustrada. Encostada no balcão e aguardando o tempo necessário para o preparo total do macarrão com queijo, Quinn queria reclamar com alguém. Queria falar sobre como fora sortuda, entre os jovens da sua idade, por ter encontrado o único garoto na face da Terra que não checava o celular de minuto em minuto. Sam, ao que parecia, era o único adolescente que não dava tanta importância para as mensagens que poderia receber; gostava de viver como os adultos chatos que reclamavam de jovens ao celular, então. O único. Aquele que não sentia as pernas tremerem de ansiedade a cada notificação de mensagem recebida. Aquele que conseguia viver numa boa distante de todo tipo de tecnologia que fora criada para aproximar as pessoas.

— A quem estou querendo enganar?

Quinn não gostava de duvidar da legitimidade do seu namoro com Sam, e era muito bem sucedida em grande parte do tempo quanto a isso, mas em certos momentos, principalmente quando ficava sozinha e ociosa, não tinha como evitar. Sam não era do tipo que dava bom dia com frequência e tampouco parecia se importar com o seu estado de humor quando não estavam próximos. Mas Quinn se importava com ele e era sempre a primeira a enviar a mensagem. E ele sempre demorava a responder. Por que será?

Porque tinha coisas mais importantes para fazer? Porque, de fato, não era como os outros jovens e às vezes até se esquecia de que tinha um celular? Porque era tão estabanado que às vezes se esquecia de levar o celular consigo para os lugares para os quais ia? Ou será que era simplesmente porque ele não se importava com Quinn, sua namorada?

Quinn sentiu o queixo tremer e apertou o celular na mão.

Não conseguia entender por que as coisas aconteciam como aconteciam. Sam era um cara inigualável quando estavam juntos, sempre prestativo, sempre cheio de beijos para entregar e piadas para contar. Fazia com que Quinn se sentisse desejada, mesmo quando ela estava de mau humor. Seu toque, cada um, tinha uma importância e dedicação que só alguém com muito amor por outro alguém poderia transmitir. Namorar Sam era mágico, de um jeito que nenhum de seus outros namoros fora capaz de ser.

Mas por que ele não respondia suas mensagens de texto?

O timer vibrou sobre o forno e Quinn, por um instante, achou que fosse uma notificação do seu celular. Mas nenhuma mensagem fora recebida ainda. Largou-o sobre o balcão, pouco se importando em danificá-lo, e correu para o forno. Desativou o timer, calçou as luvas de forno, abriu-o e apanhou a travessa.

O queijo fumegava sobre o macarrão e algum dos seus ingredientes exalava um aroma delicioso de comida quente e bem preparada. Quinn ficou com água na boca. Preparou um forro sobre o balcão e pousou a tigela sobre ele, formando a imagem perfeita de um livro de receitas!

Pegou o celular, desbloqueou-o e abriu a pasta de mensagens. Nada. Tirou uma foto do macarrão com queijo e postou-a no Instagram.

Serviu-se de um pouco de macarrão e de um copo de suco. Alanis ainda fazia a trilha sonora da casa quando Quinn se sentou ao balcão e começou sua refeição.

Na primeira garfada, Quinn teve certeza de que fizera tudo certo. Na quarta, começava a duvidar se continuar com Sam era tão certo assim.

~//~

O pai foi o primeiro a aparecer, mas isso não quer dizer que chegou cedo em casa.

— Quinn? – chamou da porta de entrada. – Quinn, está em casa?

Quinn não se deu o trabalho de responder. Deitada no sofá da sala, ainda assistia ao mesmo canal de televisão, mesmo agora que o sol já não brilhava mais no céu. A noite chegara e, com ela, viera uma temperatura mais fresca que, durante todas as horas passadas em frente à televisão, fizera com que Quinn se levantasse uma única vez para apanhar um cobertor. Também usara o banheiro nesse momento. Começava a se perguntar se todos os seus fins de semana seriam assim a partir de agora.

Como suspeitara, o pai não foi atrás de uma resposta. Como se a tivesse recebido, no entanto, ele subiu para o quarto, gastou um tempo por lá e, instantes depois, Quinn ouviu a água do chuveiro que ficava no banheiro dos pais cair. Parou de prestar atenção nela quando o programa que agora assistia, um de competição de dança, exibiu uma rotina de dança contemporânea executada por um casal. A dança tinha uma espécie de roteiro, algo que envolvia a personagem da dançarina ter câncer e o dançarino, o seu marido, tentar ajudá-la durante o seu sofrimento. Houve mais explicação quando a dança chegou ao fim, mas Quinn já estava suficientemente emocionada, mesmo antes de entender um pouco mais da coreografia.

O pai só voltou a aparecer um bom tempo depois.

— Por que não me respondeu? – ele disse quando encontrou a filha na sala de estar. Estava vestido com roupas casuais, do tipo que se veste quando se tem certeza de que não há mais motivos para sair de casa.

— Acho que não te ouvi – mentiu.

— Vi que há louça suja na pia da cozinha. Você fez o seu almoço? – ele perguntou. Ainda não entrara totalmente na sala de estar, estava encostado no portal de braços cruzados, como alguém que espera uma explicação séria para uma pergunta séria.

— Eu fiz. Estava com tempo e fiz.

O pai dispensou um olhar para a cozinha e logo se voltou à filha:

— Eu preciso conversar com você.

Quinn aguardou que ele fizesse todo seu caminho até a única poltrona livre na sala. Não quis se levantar; estava deitada em uma posição perfeita que ela tinha certeza de que não conseguiria encontrar novamente se se mexesse. Fosse o que pai tivesse que falar, ela o ouviria assim: deitada e confortável.

Além do mais, no estado de apatia em que se encontrava, motivado pelo descaso de Sam, que ainda não considerara importante lhe responder a droga de uma pergunta simples, não imaginava que o pai tivesse algo tão importante para dizer que justificasse dedicar cem por cento da sua atenção.

— É sobre a sua tia. A minha irmã – o pai começou.

— O que tem ela?

— O câncer. Ele voltou.

— Mas ela já não tinha se curado...?

— Eu passei o dia com ela hoje. Levei-a ao hospital. Ela está em um quarto com todo o tipo de cuidado possível, e você precisa ver como ela está positiva. Acredita que estará de volta para a casa em poucos di...

Quinn parou de prestar atenção assim que o celular vibrou.

Jogou o cobertor para o lado e se pôs sentada. Desbloqueou a tela do celular com a certeza de que recebera uma mensagem de Sam. Se não fosse, não saberia mais o que fazer. Talvez enlouquecesse. Talvez enviasse outra dizendo que não fazia sentido continuarem namorando, se ele não fazia questão de saber como ela estava. Sua ausência de resposta não abrira espaço nem para ela perguntar se ele estava livre naquele fim de semana!

Abriu a mensagem recebida e só foi descobrir o seu remetente quando começou a lê-la:

Sam Evans: Quinn, preciso falar com vc e te esplicar uma coisa

O corpo de Quinn aqueceu, e não de uma boa maneira. Sua garganta amargou em um sintoma típico de alguém que subitamente compreende a verdade e não sabe como lidar com ela. Sentia-se amortecida.

— Quinn, pode prestar atenção em mim, por favor? – o pai pediu, e Quinn se voltou para ele, deixando o celular sobre o colo. – Será que nem em um momento tão difícil quanto esse você pode largar essa droga de celular para me ouvir?

O celular voltou a vibrar e logo em seguida vibrou de novo.

— Minha irmã está internada! Com câncer! Será que não sente compaixão por isso?

O celular vibrou mais uma vez.

— Sei que eu e você não somos muito próximos, mas achei que pelo menos uma preocupação em comum seria responsável por nos unir!

Ele está terminando comigo, Quinn pensava quando o celular voltou a vibrar.

— Você sabia que ela se importa com você, Quinn? Sabia?

Quinn perdera a conta das mensagens recebidas, mas chutaria ter recebido umas seis àquela altura. Talvez mais.

— Quando você ficou grávida daquele traste, trocamos diversos e-mails sobre possibilidades do que fazer!

Quinn só queria que o pai parasse de falar para que ela pudesse verificar as mensagens de uma vez por todas.

— Será que você não pode fazer essa droga de celular parar de vibrar?!

Quinn aproveitou a pausa que sucedeu a pergunta do pai para pegar o aparelho e ler as mensagens recebidas.

Sam Evans: Quinn, preciso falar com vc e te esplicar uma coisa

As coisas mudaram por aqui

Ñ posso mais ficar tanto tempo no selular quanto antes

A treinadora Beast fica uma phera

Qdo o time fica no celular durante o treino

E vc sabe como time do McKinley tem sido ruin

Ela tá sobre mta presão

Mas to bem e espero que vc tbm estega

Beijão

A última mensagem era assinada com um emoji mandando um beijo amoroso.

— Me procure quando estiver com tempo ou no mínimo interessada em saber sobre o estado da sua tia! – o pai finalizou e deixou a sala batendo os pés a cada pisada.

E Quinn se sentiu mais tranquila.

Não era como se ele não quisesse me responder, pensava enquanto lia e relia as mensagens recebidas. Ele só não tem mais oportunidade de ficar no celular o tempo inteiro. Por causa da treinadora Beist.

Quinn amava Sam mais do que tudo, talvez até com um amor mais forte do que o que o pai sentia pela irmã adoecida. Quinn tinha certeza de que, se fosse Sam em um quarto de hospital no momento, ela não estaria assistindo a uma competição de dança em sua sala de estar, mas estaria em seu leito com ele, melhorando o seu tempo, divertindo-o e transmitindo positividade. Amando-o, algo que o pai não parecia saber fazer. Nunca nem fizera isso com a própria filha.

— Eu só estava sendo paranoica – disse para a sala de estar e riu. – Céus, eu sou maluca!

Quinn se jogou deitada no sofá e riu para o teto da sala com o celular enfiado nas mãos. Quem a observasse naquele instante poderia pensar que ela, de fato, era tão maluca quanto dissera ser, mas não era como se Quinn risse sem motivo. Sam chamara sua treinadora Beist de Beast, e esse, de todos os erros que ele cometera em suas mensagens de texto, fora o mais hilário!

O pior fora o de não lhe dar uma explicação antes. Quinn ainda não sabia e só podia imaginar do que seria capaz se passasse mais uma horinha sequer sem uma resposta do namorado. Talvez cometesse um assassinato, quem poderia dizer?

Agora que Sam dera sinal de vida, no entanto, o alívio a fazia rir com sinceridade, como só alguém que ama, e que ama de verdade, é capaz de fazer.

Eu: Não tem problema. Eu já tinha até esquecido que tinha te mandado essa mensagem.

Notas finais
Quem nunca, né?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!