Ansiando

16 Observando obsessivamente


Notas iniciais
Não tenho nem cara de pedir desculpas pelo atraso... mas... BOA LEITURA!!

A tarde em Londres se apresentou com um frio intenso, mas dentro do coração de Merlin acontecia o pior inverno de todos, a cada cinco segundos ele lançava olhares agoniados para o telefone, e uma sensação de vazio o consumia indefinidamente. Desde que se despedira de Gwen e Lance, sua mente foi tomada por pensamentos apavorantes, várias vezes ele precisou respirar fundo e tentar controlar as emoções.

— Por Deus! Ainda com esta cara? Elyan disse para aguardar, não é? Ele vai ligar, Merlin... pare de se descabelar.

Merlin foi arrancado de seus pensamentos pela voz grave de Gwaine, ele ergueu o rosto cansado e vislumbrou o amigo, que avançou pela porta e se atirou no sofá, onde antes estivera com Morgana horas antes.

— Como está Morgana? — Questionou Merlin sem pensar.

— Um pouco melhor... deixei ela com Mordred. Parece que o pirralho foi capaz de acalmar ela mais do que eu, veja só... — Gwaine respondeu desgostoso, Merlin pela primeira vez desde que recebeu a notícia do sumiço de Arthur, sorriu verdadeiramente.

— Parece que eu senti um tom de ciúme na sua declaração. — Ele disse, sentindo o coração mais leve por um momento.

— Ciúme de um pirralho? Nem brincando. E pare de me olhar deste jeito! Jesus, você parece o Arthur! — Gwaine respondeu malcriado, fechando a cara para Merlin.

Merlin se preparou para uma réplica humorada, mas quando ergueu os olhos deu de cara com o velho Kilgharrah, do almoxarifado, parado na porta, observando-os.

— Olá jovens... venho me perguntando quanto tempo mais vocês vão perder aqui, esperando que alguém faça algo? — Ele falou, a voz calma oscilando entre divertida e apreensiva.

Merlin olhou para Gwaine em busca de apoio, mas o moreno observava o recém-chegado como se visse uma assombração.

— Ah, olá... nós... bem, não sabemos exatamente do que está falando... — Merlin respondeu pálido.

— Sabem sim. Eu lhe avisei, Merlin, você é quem vai ajudar Arthur a construir um império, e tem uma imensa importância na vida do jovem Pendragon, porém, não creio que aqui parado consiga algo. — Ele se virou para Gwaine, o amigo mantinha a mesma face assustada. — E você, vai ficar alheio, não vai agir? Diga-me também o que aquele advogado está fazendo senão lutando pela justiça? Apressem-se. Liguem para o outro e vão logo. As coisas podem ficar muito ruins.

Kilgharrah saiu pela porta, a deixando semiaberta, por alguns instantes o som de seus passos foram a trilha sonora dos pensamentos mais terríveis de Merlin.

Ele e Gwaine trocaram um olhar, e ambos se puseram de pé quase que instantaneamente, Merlin pegou o casaco e a pasta enquanto Gwaine saia na frente, em direção a sua própria sala.

Merlin saiu do prédio, e bateu de frente com ninguém menos que Elyan.

— Aonde vai tão apressado, Merlin? — Ele falou, analisando detidamente o rosto de Merlin.

— Eu... eu ia ligar para você, para saber notícias. — Ele falou quase desesperado.

— Bem, você gosta de aventuras e emboscadas? — Elyan observou a reação de Merlin.

— Se for para ajudar, eu gostaria até de ser queimado em uma figueira. — Merlin respondeu, o fervor das suas palavras agradaram Elyan, o detetive sorriu largamente.

— Eu vejo agora porque minha irmã gosta tanto de você.

Merlin relaxou todos os músculos, e em um instante ouviu uma voz familiar.

— Não queimamos mais bruxos, mas se precisarem de uma Ordem de Cavaleiros, nenhum de nós se incomodaria em ajudar.

Gwaine surgiu na calçada, ladeado por Lancelot e Percyval.

— Bem, não posso negar, estou mesmo precisando. — Elyan falou empolgado.

~*~*~*~*~*~*~

Algumas horas se passaram, o ar da sala estava pesado com a angústia, que oscilava, por vezes se tornando esperança, outras, ansiedade. Merlin encarou a janela, mirando o céu nublado e pesado de Londres, e descobriu que já anoitecera.

Gwaine estava animado como poucas vezes Merlin vira, ele e Percyval montaram um esquema impressionante de campana em frente ao local onde achavam que Arthur poderia estar. Tristan, o parceiro de Elyan, fazia anotações compulsivamente — Merlin descobriu que estes caras gostavam de anotar tudo, até meso pequenas considerações, como clima e tipo de calçada — eles haviam acabado de fazer contato com a detetive Isolde, que daria o apoio necessário na operação, que Gwaine teimara em salvar de “Resgate da Princesa”, a detetive já havia feito um trabalho de ronda e busca e levantara alguns endereços onde suspeitava que Arthur pudesse estar, ela não chegou a ver o loiro, mas algumas testemunhas que ela conseguiu interrogar, haviam reconhecido as fotos de Arthur e Sophia.

— Tenho quase certeza que nós daremos conta, eu sei que os rapazes não são especializados, mas é tudo uma questão de sutileza e discrição.

A voz de Percy ecoou na sala, Merlin viu quando Lancelot olhou atravessado no momento que Percy falara que eles não eram especializados. Mas era a verdade, por diversos motivos Merlin achava que era tudo uma grande loucura, mas uma coisa ficou clara, quem quer que esteja agindo, poderia certamente dar um fim em Arthur se a polícia fosse envolvida, sem contar o escândalo, algo que traria uma evidência negativa para o nome Pendragon.

— A sutileza que vá pra porra. Eu vou entrar lá metendo o pé na porta, e se pegar os pilantras que fizeram isso... se eu colocar as minhas mãos neles...

Gwaine socou a mesa, a cada ideia insensata ou perigosa que ele tinha, Elyan tinha que lembrá-lo que precisavam agir com cautela, isso foi minando o humor de Gwaine.

— Acalme-se homem, todos nós queremos resolver isso e voltar para nossas vidas, e como disse o Percy, é uma questão de sutileza.

Lancelot falou, calmo com sempre, mesmo que Merlin pudesse sentir a tensão nas palavras dele.

— Ainda vamos demorar a pegar o avião?

Merlin estava começando a ficar agitado, ele não conseguia se manter em contato com os planejamentos dos outros, só queria ir para sabe-se lá onde e resolver tudo, mesmo que fosse por conta própria.

— Não, na verdade vamos sair agora, eu fretei para daqui meia hora.

Elyan pegou sua pequena mala e se dirigiu para a saída da sala, os outros o seguiram, um a um, com bagagens pequenas. Um jatinho tinha sido fretado, e, para todos os efeitos, era como se todos estivessem indo a uma conferência de negócios.

~*~*~*~*~*~*~

Em um café charmoso de uma cidade no interior da França, dois homens conversavam aos sussurros.

— Mas afinal, fomos contratados para o quê? — O primeiro homem era alto com cabelos ondulados e claros, ele ergueu o rosto e a luz fraca destacou cada sulco e saliência da cicatriz assustadora, que cobria toda a lateral do rosto dele.

— Você é um químico, Edwin! Tudo o que tinha a fazer era colocar sua mágica naquelas garrafas que a garota está fazendo o riquinho beber! Eu preciso voltar para o hotel, minha função é ficar de olho na garota, o chefe já havia falado que ela era inconstante e pode fazer algo impossível de ser consertado. — O segundo homem era alto e tinha a pele escura, seus grandes olhos negros não escondiam que ele tinha certo desejo por ver pessoas morrendo, em suas próprias mãos.

— Myror, eu adoraria prejudicar aquela família, mas acho que estão mordendo mais do que podem mastigar.

— Também penso assim, mas deixe comigo, se tudo perder o controle, eu apenas torço alguns pescoços e tudo ficará bem.

— Francamente, se as coisas complicarem eu tenho um remédio que cura todos os males, e garanto a você, vou resolver.

Os olhos do homem da cicatriz brilharam malevolamente.

Edwin encarou o sorriso cruel que se desenrolou no rosto moreno de Myror, ambos odiavam os Pendragons, perderam seus empregos e visibilidade profissional com o absurdo sucesso que Uther, e agora Arthur, geriam a Corporação. Os Pendragons tinham muitos inimigos, e por algum motivo alguém ainda pior uniu alguns deles.

~*~*~*~*~*~*~

Merlin abriu os olhos e moveu-se consciente de que cada parte de seu corpo estava dolorido, eles chegaram faziam algumas horas em um hotel no interior da França, entraram sorrateiros pela entrada de funcionários e conversaram por algumas horas com Tristan e Isolde, e no fim Merlin acabou desmaiando de exaustão no sofá mesmo.

Um copo de café expresso surgiu debaixo do nariz dele e o cheiro o acordou por completo, do outro lado da Borba, o sorriso tranquilo de Lancelot brilhou.

— Então, acordado e pronto para a aventura? Admito que estou bastante animado.

— Acho tudo uma loucura, mas quem me ouve? Vocês parecem crianças brincando de detetives. — Merlin pontuou massageando as têmporas.

— Cavaleiros da Idade Média, por favor, não me rebaixe a detetive! — Lance disse fingindo ofensa.

— Okay, Sir Lancelot, pegue seu cavalo branco e sua espada e vamos resgatar a princesa! — Gwaine falou arrumando os cabelos dentro de um capuz preto que cobria os olhos.

— Você parece mais um ninja do que um Cavaleiro, se quer saber. — Percy surgiu cruzando os braços em frente ao peito e sorrindo com ironia.

Elyan apareceu na sala, todos estavam prontos para saírem, exceto Merlin e Gwaine que ficaram escalados para manterem plantão na “base”, como era chamado os dois quartos que eles dividiram.

— Ainda não me conformo com isso, Elyan. Por que eu tenho que ficar e o Lance e Percy foram destacados para acompanhar na pesquisa de campo? — Gwaine falou emburrado.

— Eu já lhe expliquei... Sophia não apenas o conhece, como também você é muito impulsivo. E Percy é especializado, inclusive se precisar segurar uma arma, tentaremos não usar, mas em todo o caso... — Elyan sacudiu a mão demitindo as lamúrias de Gwaine, explicando como se fosse pela milionésima vez.

— Você vai me substituir depois, Gwaine, prometo! — Lance falou, achando graça no beiço infantil que surgia na face barbuda de Gwaine.

— Blah, blah, blah! Você tem é medo que eu roube a cena, isso sim. — Gwaine rosnou, mas sem ter como rebater, sentou amuado ao lado de Merlin.

Alguém bateu na porta, duas batidas, seguida de uma pequena pausa e mais três batidas. Era Tristan.

— Todos prontos? Vamos logo. — Tristan falou assim que Elyan abriu a porta.

Todos se foram, Lance ainda ostentava uma feição preocupada, e Gwaine ainda estava carrancudo.

Tristan e Isolde foram com Lancelot para uma rua movimentada, eles observaram os transeuntes sem chamar a atenção, o firo era intenso e isso os ajudou a serem discretos, mais tarde se separaram, enquanto Tristan e Isolde foram até um pequeno pub, Lancelot se dirigiu a um café muito charmoso, porém com ambiente obscuro.

Assim que entrou, Lance fez o pedido.

— Wow, você é britânico? — A moça perguntou completamente admirada.

— Ah, sim. — Lance respondeu um pouco desconfiado.

— Nossa, eu não podia imaginar, quer dizer, sua aparência é tão latina! — A atendente automaticamente o elogiou.

— Entendo, eu tenho descendência de espanhóis e também venezuelanos. — Lance falou sorrindo, de repende uma ideia surgiu. — Estou procurando alguns amigos, a senhorita talvez tenha visto alguém diferente frequentando o local...

— Ora... me chame de Amalie... — Ela respondeu muito corada, seu pequeno sorriso era a deixa que Lance precisava.

— Oh... Perdão minha extrema indelicadeza. Mademoiselle Amalie, seria possível que tenha visto algumas pessoas de fora nos últimos dois dias? — Lancelot falou com a voz mansa e a olhando intensamente, os cílios escuros moveram lentamente e a moça corou ainda mais.

— Não que eu tenha prestado atenção, mas ontem à noite, haviam dois homens muito diferentes, e de fato eles falavam em inglês, um deles tinha uma cicatriz, e o outro era afrodescendente. Seriam estes seus amigos? — Ela falou tão próxima de Lancelot que ele se encolheu levemente.

— Provavelmente sejam eles mesmo! A senhorita poderia me falar mais sobre eles?

— Ah... sinto muito... foi tudo o que eu notei... — Ela respondeu infeliz. Lance sorriu amplamente, para encorajá-la.

— Você ajudou muito! Obrigado! — Ele falou deixando, uma nota alta de euro sobre a mesa. — Fique com o troco como gorjeta.

— Mas... moço... eu nem sei o seu nome...

Ele saiu pela porta a fim de encontrar os outros, por tudo o que descobriram, britânicos não eram tão comuns nesta cidade.

Já Percy e Elyan, ficaram sentados em um pequeno restaurante, algumas ruas próximas ao hotel onde eles estavam. Percy olhava para todos os lados o tempo todo, ele havia seguido uma pista, que indicava que haviam turistas hospedados no hotel onde eles montaram campana em frente.

O restaurante ficava na rua detrás do hotel onde eles mesmo havia se hospedado, e Isolde usara apenas sua intuição ao reservar aquele local, pois até ali eles não sabiam quantas pessoas estavam envolvidas, ou se de fato, eles estavam com Arthur, tudo o que se sabia era que haviam turistas.

Conforme as horas foram passando, Merlin foi ficando mais ansioso, Gwaine tinha uma luneta e observava obsessivamente uma rua atrás do hotel, havia um prédio de luxo mais baixo do que o prédio onde eles estavam hospedados. Merlin tivera que ficar olhando quando Gwaine foi beber água, e depois quando ele foi ao banheiro, e apenas uma vez, Merlin pensou ter visto um homem ridiculamente familiar, mas ele achou que estava muito cansado, e não disse nada para Gwaine, ou isso o deixaria ainda mais irrequieto.

Enquanto Gwaine se agarrava à luneta, grudado à janela, Merlin observava o telefone como se a força do seu olhar fizesse o aparelho tocar com alguma informação nova, o dia já estava escurecendo e ninguém apareceu, ninguém nem ao menos fizera contato.

— BINGO!! Eu sabia, porra!! Eu já tinha visto aquela bota!! — Gwaine gritou e Merlin quase bateu a cabeça na quina da mesa com o susto.

— Por Deus, Gwaine, como consegue ficar olhando botas! — Merlin disse horrorizado.

— Não são simples botas, Merlin, é um par de Chanel, e eu sei quem é a dona! Vamos lá. — Ele apanhou o casaco e abriu a porta, empurrando um casaco para Merlin.

— De jeito nenhum! Eu só saio daqui pra voltar com Arthur, está louco! — Merlin quase gritou, a inconsequência de Gwaine estava ultrapassando os limites.

— Então vamos, porque foi Sophia que acabou de entrar naquele hotel.

— O... que você disse.

— Quer resgatar a Princesa ou não?

Notas finais
~continua~ Oiee galera, quanto tempo!! Amanhã vou responder aos comentários que havia recebido do capítulo anterior! Desculpem por isso, mas estou com esse cap pronto há dois dias, e queria postar o quanto antes! Então, não estou me desculpando, mas as férias são o pior momento para mim, e como se não bastasse tenho me envolvido em coisas demais '-' daí uma coisa soma a outra e dá nesse atraso absurdo! Enfim... :( Bem, espero que tenham gostado do cap, ninguém acreditava que o Gwaine ficaria sentadinho num quarto de hotel né... não mesmo!! E agora ele e Merlin vão partir em resgate... *--* Reconheceram os vilões?Se não lembram deles basta colocar os nomes no google images! Todos vocês que leram, deixem um comentário, é importante para mim, esta é minha fic mais visualizada, então eu sei que há muita gente lendo, não deixem de dizer o que acham, sim?! Mil Bjs, Vivi