Ansiando
11 Bravamente resistente
Notas iniciais
Pela abertura da cortina era visível que chovia em Londres, o fluxo mudando de direção aleatoriamente por causa do vento, era uma chuva constante, foram necessários alguns instantes para ele sentir um peso suave em seu peito, baixou o rosto ligeiramente e percebeu a cabeleira dourada misturada aos seus próprios pelos, formando um agradável contraste, um braço o segurava pela cintura e havia também um joelho, postado perigosamente entre suas pernas.
Merlin abriu os olhos e observou distraído o relógio, ainda sentia o corpo relaxado, um sorriso estúpido formou-se rapidamente e não queria descolar do seu rosto, ele precisou de poucos instantes para notar duas coisas, a primeira: ele estava com fome, muita fome... e a segunda: ele estava excitado, vergonhosamente excitado. Ele puxou o braço que estava embaixo de Arthur, fazendo loiro se remexer e soltar um bufo contrariado.
Arthur chegara ao seu limite da exaustão, ele ergueu a cabeça e olhou rapidamente para o relógio notando que ainda nem havia chegado a noite.
— Vamos dormir um pouco... ainda é fim de tarde de sábado — ele disse, tirando a cabeça do peito de Merlin e ocupando o lugar ao lado do moreno.
Merlin estava remexendo em algo debaixo do travesseiro, hesitante, ele puxou uma peça de roupa conhecida, e observou-a de olhos arregalados.
— Arthur, isto é... minha cueca! Ela esteve todo tempo aqui? Eu não encontrei pela manhã, e... — Merlin olhava Arthur, um pouco envergonhado por ter sido tão relapso com suas roupas e isso ter gerado tamanha confusão.
— Estava debaixo da cama, eu coloquei aí antes de sair. — A voz de Arthur flutuou no quarto, abafada pelo travesseiro.
— Você guardou minha cueca debaixo do seu travesseiro? — Disse Merlin, esquecendo a vergonha de antes, encarando a nuca de Arthur, divertido e petulante.
— Cale a boca, Merlin. Agora volte a dormir... — Arthur disse, mas já mudando de tática, virou-se para Merlin, e o puxou para si. — Ou podemos fazer outras coisas... — Ele sugeriu mordendo o próprio lábio inferior, um olhar malicioso vasculhando as feições de Merlin.
— Deus, você é impossível... — Disse Merlin atordoado.
— Diz o cara ostentando uma ereção que está prestes a furar meu edredom.
Arthur se ergueu, sustentado pelo cotovelo, e encarou Merlin deliberadamente, as bochechas do moreno estavam vermelhas como morangos, e ele devolvia o olhar parecendo tão envergonhado como se tivesse acabado de ser flagrado pela mãe assistindo pornografia na internet.
— Eu estou com fome — ele choramingou, cruzou os braços sobre o peito e, fazendo beicinho, enfrentou Arthur — e é tudo sua culpa... vim correndo para cá e não tive tempo de comer nada, estou o dia todo só com uma maçã.
— Eu também não comi nada, seu idiota... estava planejando levar você para almoçar, mas acho que vamos ter que nos sustentar com a sua sopa de...
— Frango com legumes... deve estar fria e ruim, mas acho que podemos aquecer.
— Certo então, vamos lá... ainda temos algumas horas. — Arthur falou já levantando, majestosamente nu, e caminhando pelo quarto em direção ao armário, ali apanhou uma camiseta azul de mangas compridas e jogou para Merlin, apanhou uma vermelha e enfiou pela própria cabeça.
— Algumas horas para o quê? Arthur você não está pensando em sair, certo? Ainda chove lá fora... — Merlin esclareceu, apontando para a janela.
— Merlin... você é feito de açúcar?! Deus... é só uma chuvinha... Mas tudo bem, não vamos sair, de qualquer maneira... não hoje... hoje é sábado, santo Deus... — Os olhos de Arthur arregalaram comicamente, enquanto ele puxava a calça de pijama que estava caída no chão.
— Ceeeerto... — Merlin falou lentamente, estudando a expressão de Arthur — Você tem algum compromisso para hoje à noite? Porque se tiver está tudo bem, eu posso comer em casa, não se preocupe comigo.
Merlin descartou a camiseta que Arthur lhe entregou e começou a procurar suas próprias roupas, quando encontrou a calça, começou e colocar o pé para vesti-la, Arthur segurou o punho de Merlin com uma mão de aço.
— O que está fazendo? — Questionou Arthur prendendo o pulso de Merlin entre os dedos.
— Vou embora. Você tem um compromisso. — Merlin respondeu teimoso, magoado ele torcia o pulso para se livrar do aperto do loiro.
— Jesus, eu não... que ideia... é sábado... vamos assistir Doctor Who... no sofá da sala — ele declarou como se fosse óbvio, embora suas maçãs do rosto se apresentassem rosadas, e ele estivesse estupidamente surpreso pelo ataque de insegurança de Merlin, tinha esquecido o quanto o moreno poderia ser precipitado e tomar as piores conclusões. Respirando fundo, tomou as calças da mão de Merlin e atirou do outro lado do quarto, entregou a camiseta azul. — a oferta de servir sopa vestindo cueca está de pé?
— Doctor Who? Mas o show só retorna no outono…
— Mas para sua sorte, Mer-lin, eu tenho os boxes com todas as temporadas... e como meu convidado, vou deixar escolher qual Doutor vamos assistir!
Merlin mudou de expressão imediatamente, observando Arthur com semblante surpreso e atônito.
— Wow... eu não sei? O décimo? Doutor e Rose? Ahhh, não... Doutor e Donna, podemos assistir o episódio da biblioteca! É genial...
Arthur deu dois passos à frente e segurou Merlin, interrompendo a frase e o apertando em seus braços, o abraçando ternamente, distribuindo beijos por todo seu rosto, queria amar aquele homem agora mesmo, no meio do quarto, por ser tão perfeito.
— Você... gosta de Buffy também? — Ele perguntou sorrindo, com os lábios colados no ombro de Merlin.
— Sim... vou te mostrar meus DVDs — Merlin respondeu, a voz rouca rente aos lábios de Arthur, entregue aos beijos e carinhos dele, quando sentiu um desconforto no estômago — mas vamos comer agora, sim?
— Tudo bem.
Arthur deu um último beijo no pescoço de Merlin e se afastou para alcançar a cueca que jazia na cama. Merlin olhou da cueca para o rosto de Arthur e sorriu, começando a vestir-se.
Antes de sair do quarto, Merlin puxou um par de chinelos debaixo da cama de Arthur e fez com que o loiro os pusesse nos pés, pois não queria arriscar a sorte deixando Arthur andar no piso frio.
~*~*~*~*~*~*~*~*~
Quando chegaram à cozinha, Arthur apontou um banco alto, sinalizando para Merlin sentar. Ele foi até o fogão, pressionando alguns botões ligou a panela para reaquecer a sopa, depois se dirigiu a um armário, pegou um pão baguete e colocou na bancada sobre uma tábua de corte, foi até a geladeira e voltou munido de mais ingredientes. Rapidamente, preparou um complemento para a sopa, e colocou no formo para tostar. Depois voltou para a bancada, e começou a lavar o que sujara.
Merlin que observou tudo maravilhado, não se controlou. Se aproximando de Arthur o abraçou pelas costas, serpenteando os braços na cintura do loiro e beijando a nuca, enterrando o nariz ali e aspirando o cheiro de Arthur profundamente.
— Onde você esteve durante toda a minha vida?
— Vê como você é um inútil? Eu tenho que fazer tudo, inclusive encontrar você!
Arthur secou as mãos e girou entre os braços de Merlin, ficando de frente e sorrindo, Merlin o admirou, magnetizado pelos os olhos azuis zombeteiros que o espreitavam por baixo dos cílios caramelo. Os lábios se uniram em um beijo tranquilo, as mãos do loiro subindo pela barriga do moreno, fazendo carícias suaves e circulares. Merlin intensificava o beijo, pressionando os corpos juntos duramente, ele esfregava as virilhas enquanto bagunçava os cabelos sedosos do loiro, então começou e deslizar a mão direita através do cós da calça de pijama, Arthur o segurou, sorrindo, Merlin arquejou.
— Suas mãos são de aço, ou o quê? Meu pulso já está ficando dolorido, sabia? — Ele declarou um pouco frustrado, mas permitindo que o loiro beijasse seu pescoço, enquanto sentia a ereção de Arthur latejar em contato com a dele.
— Vamos comer... e assistir Doctor Who depois.
— Mandão!
Arthur se desvencilhou, indo em direção a um armário, ele apanhou uma sopeira, dois pratos fundos, e alguns talheres, e saiu levando tudo para a sala de jantar.
— Vai ficar aí parado ou vem ajudar, seu preguiçoso? — Ele se virou para Merlin, atirando um sorriso galanteador.
— Hey, eu fiz a sopa enquanto Vossa Majestade dormia!
— Cale a boca, Merlin. E traga a panela.
Merlin encarou as costas de Arthur, não acreditando no quanto o namorado era autoritário, ainda assim apanhou a panela de sopa e foi se juntar a Arthur, o loiro ainda passou por ele voltando para a cozinha, para buscar os pães que serviriam de acompanhamento.
Eles comeram a sopa, a qual Arthur fez comentários elogiosos, e sábios, sobre o uso dos temperos e a harmonia dos ingredientes, Merlin, sempre corando e bebendo enormes goles do seu suco de laranja para ganhar tempo, depois respondia que era apenas uma sopa de legumes e frango, nada mais, mas também elogiou apaixonadamente os pãezinhos de Arthur, declarando entusiasmado que nunca comera pães tão deliciosos.
Quando terminaram de comer, Merlin encarava Arthur, sentado de frente a ele, com olhos azuis cristalinos e expectantes, ele se sentia saciado por causa da comida, mas seu desejo por Arthur ainda estava longe de ser satisfeito. Percebendo e retribuindo o olhar, Arthur se pôs de pé e recolheu a louça suja da mesa, dando as costas para Merlin, ele foi até a cozinha.
— Termine de tirar a mesa... acho que há uma sobremesa na geladeira... — ele entregou tirando Merlin dos devaneios.
— O que tem na geladeira? — Merlin se afobou, já pegando panela e travessa, e quase correndo em direção à cozinha.
— Jesus, você parece uma criança... — Arthur respondeu já lavando os pratos, quando sentiu o hálito morno de Merlin na sua nuca.
— Eu sou louco por doces... o que tem na geladeira? — Merlin repetiu, já mordiscando o lóbulo da orelha de Arthur.
— Tem... hum... — Ele virou de frente e beijou Merlin, encaixando os dentes no lábio inferior do moreno, e recebendo um gemido grave em resposta, que repercutiu direto no seu pênis. — É mousse de chocolate... fiz para matar tempo ontem à noite...
— Arthur... ontem à noite? Mas... como você teve tempo para cozinhar? Quero dizer... eu cheguei em casa, tomei banho e troquei de roupa correndo...
— Acredito em você... e provavelmente estava relaxado e com os reflexos lentos, não é?
— Acho... acho que sim...
— Pois saiba que eu não! Cheguei em casa com toda a corda, e tinha ânimo até pra fazer um pavê de mil camadas, mas só o que eu tinha era chocolate e avelãs. Vamos levar tudo para a sala e... traga aqueles biscoitos, sim? Vamos comer tudo assistindo TV.
Arthur simplesmente deu um pequeno empurrão em Merlin, o afastando de si com cuidado, apontando para a geladeira e balançando a cabeça, ele apanhou um pano de prato e secou as mãos, em seguida foi para a sala, lançando um olhar cheio de promessas sobre os ombros.
Merlin encarava as costas de Arthur aparvalhado, ele se sentia tão surpreso e maravilhado que seus pensamentos estavam em constante reviravolta. Lógico que ele estava relaxado ontem à noite... Arthur irrompera na sua sala, dando a ele o melhor desfecho que uma semana estressante no escritório poderia almejar. Merlin sentiu o calor das bochechas se espalhando para o pescoço, mas ignorou. Descobrir tantas coisas maravilhosas sobre Arthur estava sendo incrível e eles estavam apenas começando.
O som da TV sacudiu seus pensamentos, e ele se apressou em apanhar o doce, colheres e duas taças que vira em um armário na peregrinação de mais cedo, quando fizera a sopa. Aproveitou e pegou um chantilly que encontrou por lá, nunca se sabe o que pode acontecer... pensou ele prudentemente.
Quando Merlin chegou na sala, Arthur estava começando a rodar o DVD, ele pressionou o pause e foi até o quarto, quando voltou, encontrou a sobremesa organizada sobre a mesinha de centro, e Merlin sentado no sofá, olhando para ele em expectativa.
— Trouxe um edredom e os biscoitos... vamos ver se valeu a pena assar biscoitos só de cueca. — O loiro disse com a sobrancelha arqueada, a expressão rabugenta.
— Ah, não Arthur... isso novamente... — Merlin gemeu contrariado.
Arthur descartou o embaraço de Merlin, se ajoelhou em frente à mesinha e começou a servir ambos, entregou para Merlin a taça com mousse até a borda, e uma camada espiralada de chantilly. Merlin, que se distraíra admirando as mãos de Arthur durante o processo, olhou impressionado para a montanha de chantilly, ficou assim alguns instantes, e quando se virou para ver Arthur, o loiro estava lambendo a colher e olhando fixamente a abertura clássica do show, as luzes refletindo no rosto de Arthur davam a ele um ar etéreo e exuberante.
Concentrado nos lábios do loiro, Merlin se aproximou fascinado e passou o polegar no lado esquerdo dos lábios de Arthur. Quando recebeu atenção, Merlin segurou Arthur firmemente pela nuca e o puxou para si, o gosto do chocolate explodiu em sua boca, e ele aprofundou o beijo em busca de mais daquele sabor. De repente, sentiu seus lábios abandonados, abriu os olhos e vislumbrou o sorriso arrogante de Arthur.
— Tenha um pouco de autocontrole, Merlin... vamos assistir esse episódio, ok? É aquele que você pediu... “Silêncio na Biblioteca”... mas eu mesmo prefiro “Meia-Noite”.
Merlin sentou amuado, puxou sua taça de sobremesa e enfiou uma enorme colherada na boca, enquanto lançava um olhar emburrado para Arthur.
~*~*~*~*~*~*~*~*~
Quando o episódio terminou, Merlin já beirava a loucura, teve todas as suas investidas refutadas por Arthur, que se limitou a beijar, e pedir para que ele se controlasse. Merlin já não se sentia tão fã assim do show.
Arthur se divertira, ele fora bravamente resistente, enfrentando sem sucumbir às tentativas ardentes de Merlin, mas mesmo ele já se sentia no limite, assim que subiram os créditos ele desligou a TV, proporcionando que a sala mergulhasse em uma suave escuridão, e se atirou sobre Merlin. Posicionou-se sobre o moreno, e beijou urgentemente a boca carnuda, afundou os dedos nos cabelos escuros e manipulou com as pontas dos dedos os mamilos já arrepiados. Impaciente, Merlin já tentava tirar a calça de pijama que Arthur teimosamente ainda vestia, como resposta, Arthur desceu os lábios em direção às pernas de Merlin, beijou e mordeu as coxas expostas, extraindo gemidos roucos e sussurros de incentivos do moreno. Merlin abriu as pernas instintivamente, para comportar Arthur adequadamente, o loiro ergueu a cabeça, encantado com a expressão de Merlin.
Arthur se ergueu em um pulo, e puxou Merlin pela mão, o moreno ficou desconcertado, mas aceitou o puxão, enquanto Arthur o levava em direção ao quarto, e ao chegar lá, enfiou Merlin dentro do banheiro, o pressionou contra os azulejos frios e o beijou com luxúria possessiva.
— Nós vamos tomar um banho... eu adoro banhos...
A voz de Arthur transbordava promessas, Merlin gemeu, à beira de perder os sentidos, e, ainda beijando o loiro, começou a tirar a maldita calça.
Fale com o autor