Another day in paradise

7 Capítulo 6 - No church in the wild


Notas iniciais
No comecinho da fic eu falei que a fanfic ia ser pelo ponto de vista do Naruto, mas que em alguns momentos ia trazer a narração focada em outros personagens, então hoje resolvi escrever pelo ponto de vista do Sasuke. Espero que não decepcione vocês. Ah, sim, os títulos dos capítulos não tem muito a ver com o capítulo, são apenas os nomes das músicas que eu escutei enquanto escrevia, então resolvi colocar como título se alguém quiser escutar :3

Human beings in a mob

Seres humanos em uma manifestação

What's a mob to a king?

O que é uma manifestação para um rei?

What's a king to a god?

O que é um rei para um deus?

What's a god to a non-believer?

O que é um deus para um descrente?

Who don't believe in anything

Que não aquedita em nada?

We make it out alive

Nós saímos vivos

Alright, alright

Certo, certo

No church in the wild

Não há igrejas na selva.

Ao termino da terceira aula, Sasuke esgueirou-se para fora da sala com a sensação de que aquele não seria um dia fácil. Na verdade, a semana parecia estar carregada de surpresas e não gostava de ser surpreendido, principalmente quando elas não eram nada agradáveis.

Sentiu seu estômago roncar de fome, mas ignorou. Havia problemas maiores aparecendo e tudo aquilo lhe cheirava a uma imensa confusão. Uma confusão tão grande que o fez ficar totalmente fora de foco durante toda a aula e mantivesse o olhar perdido em direção ao pátio da escola, apenas imaginando o tamanho da proporção que aquilo tomaria se continuasse.

Ainda tinha em mente o momento em que observara de longe Naruto quebrar sua promessa de não se aproximar de Hinata – não que tivesse ficado surpreso, pois já esperava por isso, ele era assim.

Observou a cena um tanto patética dele tentando se aproximar e a garota agindo como se Naruto fosse uma mosca que zumbia ao seu ouvido. Foram inúmeras as vezes em que teve vontade de rir da situação se ela não fosse tão trágica em seu contexto e não tivesse sua cota de participação ao não manter um pulso firme quando ambos estavam no shopping atrás daquele maldito lenço.

Naruto era um idiota e Sasuke sabia disso. Ele era um babaca que sempre adorava se meter em problema, embora na maioria das vezes fosse só por inocência – o que era irônico, afinal, “Naruto” e “inocência” eram duas palavras que não podiam ser colocadas na mesma frase sem serem acompanhadas por um “não”, mas, naquele caso, o loiro realmente estava agindo por pura inocência e curiosidade.

Então, por mais que ele não entendesse o porquê de ser amigo do loiro e o porquê de se incomodar tanto com aquela situação, não podia evitar a sensação de náusea e mal estar quando via a insistência de Naruto em tentar proximidade. Aquilo era tão... Tão... Doloroso? Angustiante? Não sabia definir, embora nada parecesse melhor.

Pensava naquilo, naquela sensação ruim dentro dele, quando ouviu um grito agudo e assustado que reconheceu como sendo de apenas uma pessoa.

– SASUKE-KUN! – voltou-se irritado dando de cara com uma Sakura vermelha e em pânico.

As mãos da rosada tremiam quando se aproximou dele e Sasuke ergueu uma sobrancelha.

– O que foi?

– Naruto e Menma – ela falou passando as mãos nervosamente pelos cabelos – estão brigando no banheiro perto do refeitório.

– Mas que merda! — xingou enquanto começava a correr pelos corredores.

Desceu a escadaria sendo seguido por Sakura, que ofegava logo atrás dele. Quando chegou ao refeitório, viu que alguns garotos saiam do banheiro assustados atracando. Abriu caminho inverso entre o fluxo de garotos e, ao conseguir chegar ao corredor, foi atingido por uma daquelas saboneteiras que ficavam presas a pia.

Soltou um palavrão, levando a mão até o braço dolorido e gritou:

– Que droga vocês estão fazendo aqui?

O banheiro estava parcialmente destruído. As portas dos boxes estavam escancaradas e uma pendia apenas por uma das junções. Havia papel higiênico espalhado no chão, uma das pias jorrava água inundando o chão e uma parte do enorme espelho sobre a pia estava trincado. Porém, não se prendeu muito a aparência destruída do banheiro, mas aos irmãos que se atracavam no chão com uma fúria quase selvagem.

Chapinhando na água acumulada, Sasuke agarrou Naruto e o tirou, a muito custo, de cima de Menma, que puxou o ar para dentro dos pulmões com urgência, virando-se para o lado e cuspindo sangue.

– ME SOLTA! – Gritava o loiro enquanto se sacudia violentamente na tentativa de voltar para cima do irmão.

– Você não va...

– DEIXA ELE, SASUKE! DEIXA ESSE IMBECIL TERMINAR O QUE COMEÇOU! NÃO É ISSO QUE VOCÊ QUER, NARUTO? NÃO É ISSO? – Interrompeu Menma que tentava sentar-se, com uma das mãos sobre o estômago e a outra limpando o sangue da boca.

Sasuke segurou o loiro com mais força enquanto ele tentava enlouquecidamente se soltar. Precisou fazer um esforço quase sobrenatural para não deixar com que o amigo avançasse novamente e agradeceu em alívio quando viu Gaara, Lee e Shikamaru adentrarem o banheiro.

– O que aconteceu aqui? – Perguntou Lee, enquanto corria em direção a Menma e se abaixava ao seu lado.

– Naruto é um idiota. É isso – respondeu tossindo violentamente.

– IDIOTA? – Gritou Naruto tomado de fúria. Gaara reforçou o aperto junto a Sasuke e disse:

– Naruto, a diretora está chegando e se você não manter a calma vai acabar sendo expulso.

Naruto olhou para ele enfurecido e cuspiu:

– Isso pouco me importa. Menma é um imbecil. VOCÊ É UM IMBECIL – gritou em direção ao irmão, dando um chute no ar.

Shikamaru caminhou vagarosamente até Menma e ajudou com que Lee o colocasse de pé.

– Vocês são dois imbecis – resmungou passando o braço do outro sobre seu pescoço. – Pode andar, Menma? — Ele fez que sim com a cabeça e os dois o levaram em direção a porta.

Sasuke e Gaara deram passagem para os três, ainda segurando um Naruto extremamente alterado. Quando os três sumiram de vista, Sasuke soltou o amigo e caminhou até a porta, trancando e apoiando as costas nela.

– Vamos, o que foi que aconteceu aqui? – Perguntou enquanto Gaara desfazia o aperto e Naruto quase perdeu o equilíbrio.

O loiro praguejou alto e limpou o sangue com as costas da mão. Já não tinha mais o curativo na cabeça e os cabelos dourados estavam semi-tingidos de vermelho. O paradeiro da gravata era desconhecido, mas a mancha de sangue que lhe cobria as costas informava que ele é quem havia sido lançado em direção ao espelho. Cuspiu sangue e desviou o olhar para o outro lado.

Sasuke insistiu:

– Naruto, para. Fale logo o que foi que aconteceu.

Ele fungou e voltou os olhos profundamente azuis para o Uchiha que o fitava com seriedade.

– A namorada de Menma está grávida – respondeu enquanto cuspia sangue.

– E daí? – perguntou Gaara que massageava os braços doídos pelo esforço de segurá-lo. – Você não tem nada a ver com os dois e, até onde eu sei, você nem gosta da Samui.

Naruto balançou a cabeça freneticamente, exasperado.

– Não é isso. Ele queria que eu o ajudasse a abortar. Ele queria abortar. – falou deixando o tom de horror pairar na última palavra.

Gaara continuou fitando o amigo com a expressão imparcial.

– E eu repito: E daí?

– Cara, você não entende... – e lançou um olhar indignado para Sasuke.

O moreno balançou a cabeça lentamente, aproximando-se do loiro e colocando uma das mãos em seu ombro. Naruto passou a mão limpando novamente o sangue da boca.

– Menma é um imbecil. Eu disse que não ia fazer isso. Que era problema dele. Que os dois iam ter que se virar com essa criança – começou a falar enquanto caminhava até a pia e se sentava lá -, então Menma começou a me xingar. Disse que eu... – ele respirou fundo e desviou o olhar para um ponto diferente dos amigos – Disse que eu tinha virado um imbecil desde a morte de nossos pais. Mandei ele calar a boca e ele não calou. Continuou falando um monte de merda e eu... Eu não aguentei, sabe? – disse voltando a olhar para os dois que se mantinham de braços cruzados, um em cada ponta, a sua frente. – Ele começou a xingar nossos pais também. Ele xingou Karin, tia Konan e o tio Nagato... Eu... Eu não aguentei.

Ao final, sua voz estava trêmula e Sasuke desconfiou que ele só não caiu no choro naquela hora por Gaara estar ali. Cansado, teve vontade de mandá-lo ser menos idiota e menos metido a durão, mas, no fundo, entendia sua relutância em não querer demonstrar fraqueza. Ele também não gostava.

– Naruto, acho melhor você limpar essa cara e ir a sala da diretora antes que ela venha atrás de você. Pode ser que se apiede e te der apenas uma suspensão e a conta do estrago que os dois babacões fizeram – disse por fim.

Naruto deu com os ombros e fitou as poças de água no chão, tingidas com o sangue dos dois Uzumaki.

– Sabe, acho que você deveria ouvir o que o Sasuke disse – falou Gaara aproximando-se e apoiando as duas mãos nos ombros do loiro, forçando-o a encará-lo. – Você já teve problemas demais por essa semana. Vai a sala da Tsunade-sama, diz o que aconteceu, vai pra casa, toma um banho e depois nos encontra na MariJane as nove.

Sasuke soltou um risinho pelo nariz.

– Hoje é quarta, Gaara. Ninguém que estuda e quer ser alguém na vida vai a uma boate na metade da semana.

Gaara olhou para o moreno com um sorrisinho nos lábios.

– Um pouco de distração hoje não mata ninguém, Sasuke, sabia? E o Naruto precisa – respondeu, voltando-se para o outro em uma indagação no olhar. – E aí? O que me diz?

Naruto pensou um pouco antes de responder hesitante:

– Eu não sei...

– Se não sabe, eu sei. Vamos ao MariJane e ponto final. Vou chamar o Shikamaru, o Lee, o Sai, o Neji e as garotas. Quem sabe você não deixa de ser mole e acaba finalmente desenrolando esse lance todo com a Sakura?

Ao ser mencionado o nome dela, Sasuke se deu conta de que ela ainda deveria estar fazendo plantão de frente ao banheiro. Respondendo com um “Tanto faz” ao ser perguntado se topava o programa, ele saiu do banheiro e foi de encontro a garota que o aguardava ansiosamente. Reparou que seus olhos verdes estavam carregados de preocupação, assim como de grossas lágrimas.

– Como ele esta? Ví Shikamaru e Lee carregando o Menma e Naruto não sai daí...

– Ele está bem. Gaara está conversando com ele – respondeu enfiando as mãos nos bolsos.

– Gaara? Mas Gaara não...

– Eu sei – interrompeu o moreno. –, mas ele está bem. Só precisa se acalmar.

– Se é assim – ela suspirou, porém a expressão preocupada em seu rosto não se desfez.

E Sasuke notou isso.

– Nani, Sakura? O que te preocupa agora?

A garota mordeu o lábio enquanto evitava olhar diretamente para Sasuke. Parecia envergonhada e algo mais que ele não sabia o que era.

– Sasuke-kun... – começou com a voz cheia de pesar – eu vi aquilo... Quando fui ao banheiro enquanto você e os outros estavam lá dentro com Naruto.

Sasuke ergueu a sobrancelha. Não conseguia entender o que ela estava dizendo.

– Eu vi a estranha no banheiro das garotas. Ela estava fazendo... Fazendo aquilo – disse ela com dificuldade.

Pela segunda vez naquele dia, ele teve vontade de rir da situação, se não fosse tão errado. Aos ouvidos de quem passava as palavras de Sakura teriam um conotação sexual, mas ele entendia o receio dela de falar o que vira.

– Primeiro, ela tem nome, Sakura. O nome dela é Hinata – disse começando a andar e indicando que Sakura devia acompanhá-lo. – Segundo, ela não faz aquilo. Aquilo acontece.

As bochechas dela ganharam um violento tom de vermelho. Ele não se importou.

– Eu sei, mas... Aquilo é terrível, Sasuke-kun. Eu vi e fiquei desesperada – confessou cansada.

Sasuke parou de andar e virou-se para a amiga. Finalmente conseguira distinguir a outra coisa nos olhos dela: culpa, pesar e arrependimento.

– E o que você fez?

– Ora, o que eu fiz! Eu sai de lá correndo. Fui atrás de Neji. Ele é primo dela. Deve saber o que fazer.

– Fez bem – respondeu dando um sorriso mínimo que poderia passar despercebido por qualquer um, mas não pela rosada. – Alguém mais percebeu?

Ela negou com a cabeça.

– Sasuke-kun, sinto muito – ela disse com o rosto ainda mais corado. – Eu sempre achei que só queria atenção... E quando você começou a conversar com ela, fiquei irritada. Eu fiquei com ciú...

– Não precisa se desculpar, Sakura – interrompeu, fazendo a garota olhá-lo surpresa.

Sasuke sabia dos sentimentos que nutria por ele e nunca se sentia confortável com as palavras de Sakura. Afinal, sabia também que Naruto sempre fora apaixonado por ela e não queria que aquilo virasse um problema maior do que os que já tinha. Com um suspiro, ergueu os dedos até a testa da garota e a tocou com suavidade. Ela fechou os olhos e sorriu.

– Ah, hoje o pessoal está querendo ir a MariJane. Avise as outras garotas.

– Hoje? Mas hoje é quarta! – falou incrédula.

Ele deu com os ombros.

– Eu vou estar lá – e virou-se voltando a andar.

Definitivamente, aquela semana estava carregada de surpresas que ele não gostava, mas, em meio a tudo aquilo, sabia que tanto ele quanto Naruto, mereciam um descanso.

Notas finais
Então, meuzamoris, o que acharam do capítulo? Ao contrário do que eu pensei, esse foi bem maior do que os que eu costumo escrever quando foco no Naruto kspskspsksp. Acho que narrar a vida do Sasuke-kun me deixa empolgada kpskpskpskpskpskpskpskps. Enfim, espero que esse capítulo seja um pouco esclarecedor, de modo que eu finalmente revelei que o Neji é primo da Hinata (oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooh, isso é sério? o.o num sabia) e expliquei pq a Sakura não gostava da coitada. Além do mais, acho que deu pra compreender um pouco o porque da Hinata ser tão problemática pro Narutin, ou não. Só sei que não gosto de manter suspense por muito tempo e descobrir esse problema dela é muito importante para que comecem a se aproximar. Como eu já falei para algumas pessoas nos comentários, não quero que a relação deles seja superficial e forçada. Em suma, espero realmente que tenham gostado e que continuem acompanhando. Creio que vou postar com mais frequencia, tendo em vista que estou aprovada na faculdade (fazendo a festa e sambando na cara de quem achou que eu iria reprovar nos cálculos kssksps), além do mais, não pretendo estender essa fic demais. Acho que em meados de janeiro estou postando o último capítulo. E é isso. Beijocas a todos.