Another Me
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Estava lá, parada, encarando o portão da casa de David como uma tonta.
Eu não sabia exatamente o que fazer naquele momento.
Será que Ryan já está lá dentro? Ou ele já está chegando?
Esse é um daqueles momentos em que eu me esqueço de como é que se faz ações do dia-a-dia, tipo andar ou abrir a droga daquele portão ou tocar a campainha. Talvez, por ansiedade, não tinha certeza.
Depois de alguns minutos, suspirei, abrindo o portão.
Quase na porta, tive um pequeno vislumbre vindo da janela, de um certo par de olhos verde-escuros.
Ryan.
Um enorme sorriso se esboçou em meu rosto, por mais que eu tentasse disfarçar ele continuou ali.
Tirei da mochila a touca e a coloquei, escondendo a franja atrás da orelha.
Abri a porta, com um sorrisinho tosco, com o coração a mil. Por um momento desejei que a pessoa que aparecesse na minha frente fosse Ryan. Mas era David, me recebendo.
Sem deixar que eu pensasse em dizer algo, ele me segurou pelo ombro e deu um beijo em meu rosto.
– Parece que todos estão chegando mais cedo hoje. – riu.
– Todos já estão aqui? – passei os olhos pela sala. – Onde está o Tod?
Procurei Tod por todos os lados, na verdade, foi um disfarce para olhar para Ryan.
– Ele está fazendo um “bolo” com seus dons de cozinheiro. – soltou uma gargalhada.
Forcei um sorriso. Ele então me acompanhou até um dos sofás lotados de nerds e... Ryan.
Ryan e eu estávamos perto um do outro... Se não fosse pelo gordinho um tanto idiota, Josh. Parecia que ele estava ali somente para atrapalhar.
Ryan e eu começamos uma troca de olhares significativos por alguns minutos. Até que em um momento pensei que ia perder a paciência com a inconveniência de Josh, o gordo levantou, fazendo-me quase pular do sofá, arrastando todo aquele peso.
Ryan se aproximou e sorriu:
– Oi.
Aquela voz... Não sabia dizer exatamente o porquê, mas sempre me acalmava. Era como se eu pudesse sair da Terra, como se eu flutuasse. Toda vez em que eu o ouvia falar, algo me atingia. Uma sensação de... Paz. Como se estivesse tudo bem, mesmo que o mundo ao meu redor estivesse desmoronando.
– Oi... – abaixei a cabeça, vermelha.
Ele então levantou meu queixo, olhou fundo em meus olhos e apenas sorriu.
Conseguia sentir meu rosto queimando. Eu provavelmente estava parecendo uma tímida idiota. Não consegui esboçar sequer sorriso, minha face parecia estar congelada. Apesar disso, na minha cabeça eu estava tendo um ataque frenético de felicidade.
Desviei o olhar, que foi parar na porta do banheiro, onde a maçaneta girava bruscamente.
Ele tentou trazer meus olhos de volta aos dele, mas eu não deixei.
Senti uma forte pontada no estômago, um pressentimento horrível.
– Kate! – ele deixou um tom desesperado escapar.
Mas mesmo assim, eu não quis olhar para ele, até que a porta abrisse.
Era... Casey. Ela acabara de sair do banheiro.
Não... Isso não!, um sentimento de desespero se formava em meu peito.
Eu a encarei, assustada.
Casey esboçou um sorriso sádico. Um sorriso familiar... Vasculhava cada canto da minha mente, tentando encontrar o dono daquele sorriso. Vislumbres de desespero, dor... Uma enfermeira.
Eu voltei meus olhos lavados por lágrimas a Ryan.
Segurando meu rosto, ele disse preocupado:
– Kate? O que...
Eu levantei dali, peguei a mochila e saí correndo para o primeiro quarto que vi.
Preciso falar com a Jessica.
Quando pensei que já estava longe o suficiente, abri a porta do primeiro quarto que vi, sem pensar muito bem na minha escolha.
Acho que nunca fiquei tão envergonhada.
Na cama, estavam David e Tod, quase engolindo um ao outro num beijo.
Meu Deus!
– D-desculpe! – gaguejei, fechando a porta o mais rápido que consegui.
Quase roxa de vergonha resolvi ir ao banheiro, com aquelas imagens na minha cabeça de David e Tod que persistiam em não desaparecer.
No banheiro ninguém vai me atrapalhar.
Corri para lá e tranquei a porta.
Encostei-me de costas à porta, pingava suor de minha testa e eu estava quase sem fôlego.
Não sei o que aconteceu, mas tudo desabou em mim de repente. Não me controlei e simplesmente comecei a chorar.
Tentei me controlar, até porque seria ridículo aparecer com o rosto inchado e olhos vermelhos na frente de Ryan. Mas, simplesmente não deu.
Enxuguei os olhos. Agora eu já não estava somente triste, mas com ódio também.
Se Casey e Ryan estavam aqui antes de mim, o que será que os dois ficaram fazendo? Se amassando? Conversando sobre minha tão famosa esquisitice? Ou então o cômico “quase-beijo”?
Eu insisti em pensar que Ryan não era mais o que eu achava, mas... Aquele ódio sumiu subitamente e, meus olhos novamente se encheram de lágrimas.
Segurei mais um pouco a barra e levantei. Lavei o rosto na pia e vi que sob o pote de sabonete líquido se escondia um pedaço de papel.
Eu o abri, hesitando por uma fração de segundo, fiquei imaginando o que estaria ali.
Tarde demais para recuar. Eu já havia lido e, quase tendo um ataque eu o amassei.
Aquelas palavras ecoavam na minha mente, me torturando.
“Ryan é meu, Kate... Sempre foi.”
Eu saí enraivecida dali, quase quebrando tudo pela frente.
Então, quando olhei novamente para o sofá, vi Casey em cima de Ryan. Se agarrando de uma forma ridícula.
Meu mundo desabou naquele instante. Minhas pernas bambearam e eu não sabia o que fazer ou para onde ir.
Simplesmente saí pela porta da frente.
Com o coração apertado e uma dor de cabeça horrível, eu desejava morrer.
O sangue subiu em minha cabeça.
Eu tremia descontroladamente, com puro ódio nas veias. Senti que ia acontecer de novo.
Corri para o mais longe que consegui pensar, consumida por raiva.
Quanto mais eu imaginava aquela cena de Casey e Ryan, mais eu tremia, mais eu tinha vontade de... Matar qualquer um. Pensamentos de violência surgiram em minha mente, a cada passo que eu dava mais eu me familiarizava com isso. Era estranho, mas... Comum.
Eu já não ligava mais. Ou ligava. Minha mente estava uma confusão. Não sabia o que sentir. Raiva, ódio ou se eu simplesmente chorava.
Mas então aconteceu.
A imagem de Casey e Ryan se agarrando novamente apareceu diante de mim, e eu me descontrolei.
Eu estava consumida por uma coisa que há muito tempo não sentia mais.
Como ele... Pôde?!
Eu tremia. Raiva e ódio eram tudo que me passavam pela cabeça. Eu já não tinha mais controle sobre mim mesma.
Minha visão ofuscava lentamente...
E quando vi, estava naquele parque onde Ryan e eu quase nos beijamos.
Ryan..., mas isso já não era uma sensação de paz, tranquilidade. Eu podia sentir o sangue quente subindo rapidamente em meu rosto, minha visão ofuscando...
Sentei num banco na margem da lagoa, estava tonta e eu mal conseguia raciocinar.
Quase caindo, consegui manter o equilíbrio por mais alguns minutos.
Outro reflexo apareceu na lagoa.
Era Ryan.
– Kate... Eu posso explicar. Casey...
– Nem tente explicar. – interrompi.
Encarei-o enfurecida. Eu já não era mais eu.
– Kate...
– CALA A BOCA! – gritei, com os punhos cerrados.
Virei bruscamente para ficar frente a frente com Ryan. Ele parecia assustado, surpreso com minha reação. Eu ri.
Cheguei mais perto de seu rosto, com o ódio me cegando. Mas de alguma maneira aquilo me divertia.
Eu estava o amedrontando.
– Estava bom? O beijo... – indaguei.
Ryan não recuou, apenas abaixou a cabeça.
– Sabe, eu nunca esperei isso de você... – eu o rodeava, passando o dedo em seu queixo.
– Kate.
– Shh... – sorri, tampando sua boca.
Eu esperava que ele expressasse algo. Mas ele não moveu um músculo, não piscou ou saiu.
O que ele quer?
– Kate, a Casey pulou em cima de mim.
Aquela tentativa de se explicar me deixou mais irritada ainda.
– Eu mandei calar a merda da sua boca! – dando um murro em seu rosto.
Essa força não era minha. Esse ódio não era meu. Eu estava ali apenas como espectadora.
– Há quanto tempo, não?
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