Another Love
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Leonardo sabia o nome de todas elas, sempre era o primeiro a saber quando seu amigo vinha feliz em lhe contar, algumas vezes nem contava, apenas o fazia quando extremamente feliz. Como amigo, Leonardo deveria ficar feliz por seu amigo Ezio Auditore.
Não era isso que amigos faziam? Torciam para a felicidade da pessoa da qual mais amava? Leonardo queria acreditar nisso, deveria acreditar nisso com todas as forças.
Uma manhã comum de Outono, a rua acobertada de folhas alaranjadas, a brisa pouco fria e o sol costumeiro que passava pela cortina do pequeno apartamento de Leonardo. Um clima agradável, uma inspiração boa para poder se pegar num pincel e pincelar algo além de uma paisagem, um rosto talvez. Mas quando pensava em alguém, lhe vinha a cabeça o homem perigoso que era seu amigo.
Amigos não deveriam pensar tais trivialidades como aquela. Leonardo não deveria pensar coisas como aquela, pois tais sempre lhe deixavam para baixo, confuso com varias questões e filosofias pessoais. Não conseguia pintar, traduzir algum manuscrito da editora que trabalhava ou até mesmo se focar em seus poemas, mas a inspiração se gladiava e perdia para o bloqueio, maldito fosse. Sentimentos sempre lhe atrapalhavam, o incomodavam e o deixava desconfortável, mas o pior era a inveja.
O quadro em branco permanecia intocado, as latas de tinta nem foram abertas e Leo encarava pela janela a rua vazia, o laranja das folhas caídas, o estilo vintage daquela rua pequena de Roma, uma sorte ter uma vista do terceiro andar e não ter prédio exuberantes atrapalhando.
Seu cabelo loiro preso numa fita, mechas lhe caindo o rosto, mas não o incomodando. Mas em comparação ao seus pensamentos, a inveja era um dos sentimentos que mais lhe atormentava, o deixava feio por senti-lo de tal forma, mesmo que fraca.
Cristina, Rosa e Sofia. As mulheres da qual Leonardo apenas ouvira o nome se sentia incomodado, talvez por não estar no lugar delas, receber o carinho de Ezio, os braços do mesmo lhe envolvendo e lhe falando no genuíno italiano, mas Leo sempre se lembrava quando se notava perdido nesses pensamentos, que o Auditore era perigoso.
Um suspiro seu cortava o silencio assim como o toque do celular sobre a escrivaninha, brilhando com o número da qual sentia tristeza em ler, da pessoa que desejava com forças. Afastando-se da janela e tomando o aparelho em mãos, observando a mensagem que não parecia ser alegre, sem emoticons ou até mesmo piadas. Leonardo poderia deseja-lo feliz com outro amor, por sua felicidade desejava tudo, mesmo que fosse para longe de si, mas se depois daquela mensagem haveria uma chance, mesmo que mínima de conquista-lo, Leonardo não seria o outro amor, tentaria se manter na memória.
Correu para o espelho, observando a própria imagem, achando algum erro em si ou defeito que pudesse estragar suas chances, mas sorriu satisfeito e conteve sua felicidade, não deveria mostrar felicidade diante de um termino. Se desfez da fita que prendia seu cabelo e partiu em direção a porta do pequeno apartamento, descendo as escadas e apertando as mãos por conta da tremedeira.
Não o tinha visto da janela, mas ali estava ele. Virando-se e o encarando desolado, com a perda de outra mulher, outro abandono.
"Desculpe, acho... Acho que eu preciso de um amigo e você foi o único que me veio a cabeça Leonardo"
Ele não tinha coragem, não poderia cometer algo tão trágico do que se aproveitar da fraqueza da separação para ter o homem que amava, não poderia porque seria egoísta demais, torturante querer um amor que nunca poderia receber de volta. Leonardo não tinha coragem o suficiente. Mas ele sempre estaria lá, porque ele era seu amigo, mas seu amor também.
"Nunca peça desculpas, Ezio, você é meu amigo"
Como essas palavras doíam ao ser ditas, parecia tão fácil quando em pensamento, mas ao serem faladas eram torturantes, uma coisa amarga que poderia doer o que fosse, não tinha coragem o suficiente para fazer algo tão baixo.
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