Another Lifes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ameeei escrever essa historia, e espero que vocês gostem o tanto quanto eu! Não tive tempo para betar, então me desculpem qualquer erro!
Boa leitura!
O metrô da pequena cidade de Konoha, no Japão, estava extremamente cheio. Sakura, nem ao menos reparou a mulher de cabelos curtos e negros que a encarava de longe, analisando cada passo, como se a qualquer momento um raio fosse cair na cabeça da garota de cabelos róseos. Estava tão atrasada que nem ao menos se deu conta que o celular tocava, até que esbarrou em alguém e o sentiu vibrar na bolsa que levava os pertences da faculdade. Pegou o aparelho e viu o nome de sua amiga no visor.
— Oi, Hina.
— Sakura-chan, onde você está?- a voz meiga da garota soou do outro lado da linha.
— ‘To no metrô, daqui a pouco chego.- respondeu, andando mais rapidamente.- Avisa a Tsunade que já já eu to aí.
— Hai. Sayonara, Sakura-chan.- e o telefone ficou mudo.
A menina guardou o celular de volta na bolsa, e continuou andando rapidamente. Precisava chegar na faculdade a tempo, precisava apresentar seu trabalho, precisava daquela bolsa de estudos, e para tê-la, precisava dos pontos de conceito que ganharia. Cursava medicina, na universidade de sua cidade, estava no meio de seu curso, e por sua inteligência havia conseguido uma bolsa. Sem precisar pagar os estudos, tinha mais dinheiro para cuidar de sua mãe, que sofria de um câncer terminal. Trabalhava a noite e estudava de dia, administrava seus horários apertadamente, pois a única hora que tinha para estudar era na madrugada, quando não tinha que fazer turno extra na lanchonete que trabalhava. Por sua sorte, seu patrão era uma ótima pessoa.
Nunca tivera uma vida fácil. Aos seus 21 anos, já carregava uma responsabilidade sobre si, que muitos não aguentariam. Comprava os remédios de sua mãe e a levava ao médico. Ela sabia da realidade. Sabia que num futuro não muito distante, sua mãe a deixaria, mas trabalhava para adiar ao máximo este futuro. Só tinha a mãe como familia, o pai havia morrido quando ainda era muito pequena, em um assalto à mão armada, ele havia reagido para protegê-las. A doença de sua mãe veio quando a garota tinha 19 anos, e desde então trabalhava arduamente para tentar salvá-la de algum modo, mas sabia que não era possível. Os médicos já haviam lhe avisado.
Andava ainda mais rápido, esbarrando em muitos, mas não parando para se desculpar. O trem que a levaria para a faculdade estava chegando, se o perdesse era menos 10 pontos no curso. Não, perder este trem não era uma opção.
A mulher de negros cabelos que a observava, viu outro indo para o mesmo caminho, e se apressou.
Aproveitou sua altura superior à garota de cabelos rosa, e se postou em frente a esta dentro do trem. Ficou estática quando escutou a respiração masculina atrás de si. E ainda mais quando viu os grandes olhos verdes da garota a encararem. Sorriu amarelo, e desviou os olhos. Sakura deu de ombros e se virou para frente, ignorando a adulta atrás de si.
Shizune suspirou aliviada. Havia conseguido evitar o encontro dos dois, pelo menos por enquanto. Estava entre os dois, impedindo que um visse o outro, agradeceu mentalmente por ser alta. É bom que você também colabore, Kakashi, pensou, se lembrando do homem de cabelos totalmente brancos, que a ajudaria a evitar o reencontro.
(...)
Sakura desceu do trem apressada, quase correndo para não chegar ainda mais atrasada, saiu do metrô e avistou os portões da Universidade de Konoha, correu e passou pelos mesmos. Adentrou no prédio em que estudava e seguiu para a sala em que apresentaria o trabalho. Abriu a porta ao escutar a voz tão conhecida de sua professora preferida: Tsunade Senju. Esta, que era neta do primeiro reitor que a universidade tivera: Hashirama Senju. Era uma mulher loira de cinqüenta anos, mas com um corpo de dar inveja a muitas de vinte, inclusive a Sakura.
Abriu a porta, chamando a atenção de todos os presentes.
Até que enfim, Sakura.- disse a professora.- Pensei que não viria.
Analisou a sala e viu Gaara, seu melhor amigo a encarando, com um sorriso maroto nos lábios, ele piscou para ela, fazendo esta sorrir minimamente.
— Podemos começar?- perguntou a loira, olhando para a rosada.
— Ah sim, claro.- disse, tirando computador da mochila e começando a explicar seu trabalho.
(...)
Quando percebeu que o homem atrás de si estava prestes a ir para o mesmo caminho que Sakura, Shizune logo se prontificou a fingir um tropeço e cair em cima do moreno, derrubando suas coisas, e o atrasando.
— Oh, me desculpe, que desastrada que sou. Sinto muito, deixe-me ajudá-lo.- disse, fingindo estar envergonhada, se abaixando para pegar as coisas do rapaz moreno.
— Err…sem problemas…- a voz do homem era rouca e sedutora, durante um instante, Shizune sentiu inveja de Sakura. O rapaz era lindo.
Tinha os cabelos negros, espetados atrás, e lisos na frente, seus olhos eram um cor de ônix lindos, e provocou a Shizune uma vontade imensa de ficar olhando-os durante horas. Tinha um sorriso de canto que dava a sensação de querer saber mais sobre ele. Era musculoso, tinha os braços grandes, e usava uma camisa social azul claro, calças jeans e um tênis branco, carregava uma mochila preta nos ombros.
— Nossa, me desculpe mesmo…- se desculpou falsamente de novo, após recolher tudo o que havia derrubado.
— Problema nenhum, foi um acidente, eu só me atrasei mais do que pensei que ia.- ele disse, recolocando sua mochila.- Bom, adeus.
— Tchau…- a mulher observou o garoto se virar e seguir distraidamente o mesmo caminho que alguns minutos antes, Sakura havia seguido. E rezou para que, lá dentro, Kakashi fizesse sua parte no acordo.
(...)
— Muito bem, Sakura.- Tsunade disse após a garota terminar de falar.- Como sempre.
A menina sorriu, e colocou uma mecha do cabelo rosa atrás da orelha.
Obrigada, Tsunade-sama.- respondeu o elogio sorrindo.
Agora, sentem-se, temos muita coisa a fazer.- a mulher disse firme, e em segundos, todos já estavam sentados.
Gaara se sentou ao lado da amiga, e a cutucou no ombro.
— Mas dez minutos e você perdia os pontos- disse, sorrindo de canto.
— Graças a Deus eu cheguei a tempo, foi você que disse para Hinata me ligar?- perguntou, arqueando as sobrancelhas.
— Eu mesmo.- sorriu orgulhoso.
— E aí?
— O quê?!
— E a Ino?- perguntou marota se divertindo com a vermelhidão do amigo.- Ah qual é! Ainda não chamou ela pra sair?
— Não é tão fácil assim Coisa Rosada.- respondeu, emburrado.
— É só você chamar ela pra sair cabeça de fósforo!- rebateu em tom mais baixo.
— Não se esqueça que eu tenho concorrentes…
— O Sai não é um concorrente.- disse Sakura, rindo.
-É claro que é! Acha que eu não vejo o quanto os dois conversam?!- Gaara retrucou, com os olhos baixos.
— Gaara.
— Eu sei que ela é afim dele…
— Gaara.
— Que chance eu tenho? Ela é linda e eu…sou eu.
— Gaara.
— Acho melhor eu não me aproximar…
— Gaara Sabaku da pra você olhar pra cá?- Sakura se controlou para não gritar com o amigo na sala, sabia que Tsunade não gostaria.
— O que é, praga rosa?- respondeu, irritado.
— O Sai é gay.
— Gay?!
— Gay.
— Sério?
— Sério.
— Então…
— Ahan.
— Eu tenho…
— Sim.
— EU TENHO CHANCE!- gritou ele, fazendo Tsunade parar de falar no meio de uma frase e olhá-lo com raiva.
— Algum problema, Sabaku?- perguntou, os olhos faiscando.
— N-n-não Tsunade.- Sakura se controlou para não cair na gargalhada ali mesmo.
— Sim, você tem.- sussurrou para o ruivo, que sorriu esperançoso.
— Você podia me ajudar…
— Lá vem.
— Tipo, você é a melhor amiga dela, e tudo...poderia falar com ela de mim…
— Ta bom, Gaara, eu falo, agora cala a boca.
— Fala mesmo?
— Sim.
— Jura??
— Juro.
— Já disse que eu te amo, Coisa Rosada?!
— Hoje ainda não.- respondeu, rindo.
— Pois eu te amo!- sussurrou, fazendo Sakura sorrir.
(...)
Após a hora do almoço chegar, todos estavam no refeitório da universidade. Sakura estava sentada na mesa com Ino, Hinata, Gaara, e Sai, que era observado por Gaara a cada dois minutos.
— Você perdeu alguma coisa na minha pele maravilhosa?- perguntou o garoto pálido, olhando Gaara com as sobrancelhas arqueadas , Sakura suprimiu o riso.
— Ele descobriu hoje que você é gay, Sai.- disse a garota.
— Nossa Ino, é esse ser lerdo que você ‘ta afim?!- perguntou à loira, que pela primeira vez na vida, corou.
Gaara a olhou com um brilho no olhar, com as bochechas se avermelhando levemente, Ino desviou os olhos azuis, olhando para baixo.
— Cala a boca, lombriga…- disse ela, não olhando para Gaara, mas sim para a porta do refeitório, por onde um homem adulto de cabelos brancos e rosto bonito entrava.- Quem é aquele?
— Professor novo.- Hinata respondeu.- Vai dar aula no curso de engenharia elétrica.
— Vou fazer transferência agora mesmo!- disse a loira, analisando o homem minuciosamente. Sakura lhe chutou por debaixo da mesa, indicando Gaara com o olhar, que estava extremamente irritado.
— Uuuuuhh meu Deus, acabei de decidir minha profissão.- disse Sai, fazendo uma pose que, na mente do rapaz, deveria ser sexy.- Qual o nome do deus grego?
— Kakashi. Kakashi Hatake.- Hinata respondeu, mordendo sua maçã.
— Ta sabendo muito em Hyuuga.- Ino provocou.
— E-ele é-é m-meu vizinho I-Ino- rebateu, gaguejando.
— Uhuuuum sei.
Sakura riu da vermelhidão da amiga. Hinata fazia psicologia, era morena e tinha os olhos claros, da cor de pérolas. Era realmente linda.
Ino mordia seu sanduíche tranquilamente, enquanto observava o novo professor, ela cursava design de moda, e sonhava em ter uma boutique de grande sucesso em Paris. Era considerada uma das mais bonitas da faculdade, tinha os cabelos loiros e longos, os olhos eram de um tom azul céu extremamente bonitos. Fora Miss Konoha aos 19 anos, possuía um corpo escultural, que fazia vários homens caírem aos seus pés.
Gaara era o único que cursava medicina, junto de Sakura. Era louco pela loira desde os 20 anos, e não ficava para trás no quesito beleza. Era ruivo, e tinha olhos verdes água, musculoso, com um sorriso que chamava atenção por onde passava. As mulheres da faculdade o veneravam, porém não chegavam perto, por medo da ex ciumenta do mesmo, Matsuri. A garota ameaçava a todas que chegavam perto do rapaz.
— Ei gente, acho que o Kakashi não é o único novato.- disse Ino.- Olhem aquele garoto loiro ali. Parece calouro.
Sakura o reconheceu no momento em que o viu. Era Naruto Uzumaki, o afilhado de seu patrão, Jiraiya. Naruto costumava estudar em Tóquio, capital do país, mas parece que havia voltado. Sakura lembrou-se de tê-lo visto poucas vezes no estabelecimento em que trabalha, quando o conheceu. Lembrou-se de um comentário do chefe, dizendo que a familia estava voltando. Ele era loiro de olhos ainda mais azuis que os de Ino, e passava tranquilidade, seu sorriso era contagiante, e ele conseguia fazer qualquer um se sentir bem.
— Aquele é Naruto. Ele é afilhado do Jiraiya.- explicou aos outros.- Está voltando de Tóquio com a família.
— A Hina interessou.- disse Sai, observando a Hyuuga, que não desviou os olhos do homem, olhos estes, que brilhavam. Ao perceber o comentário de Sai, corou violentamente, e olhou para baixo.
Sakura olhou para Sai, o reprimindo silenciosamente. O loiro a avistou, e esta sorriu docemente.
— Sakura-chan!- disse sorridente, a puxando para um abraço, o que a surpreendeu um pouco.
— Oi, Naruto…
— Quanto tempo, Sakura-chan!- ele disse se separando dela.
— Pois é…- colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha, uma mania.
— Er...Sakura-chan, eu estou meio perdido, será que você poderia me ajudar?- ele disse, coçando a nuca.
— Então, Naruto, eu to meio ocupada hoje, mas a Hina pode te ajudar.- ela disse fazendo a amiga se levantar. Ele sorriu abertamente.
— M-m-meu n-n-nome é Hinata Hyuuga…- ela disse, corada, olhando para os lados.
— Prazer Hinata, sou Naruto Uzumaki!- ele a puxou para um abraço, a fazendo corar ainda mais.- Por onde começamos?
— Venha c-c-comigo.- e juntos, saíram para conhecer o campus, não antes de Hinata mandar um olhar mortal a Sakura, ato este, que Naruto mal percebeu.
— Você é horrível, Sakura.- Sai disse, rindo.
— Sai! Eu preciso falar com você, venha!- disse a rosada indicando os outros dois presentes na mesa.
— Mas eu nem terminei de comer…
— Vamos Sai.- disse o olhando mortalmente.
— Já vou.
E saíram do local, deixando Ino e Gaara sozinhos.
(...)
O rapaz andava pelos corredores da nova universidade, procurando a sala do reitor, Hiruzen Sarutobi. Encontrou um homem de cabelos brancos e alto. Não parecia ser velho, apesar da cor do cabelo.
— Ahn…com licença? Você é professor?- perguntou.
— Sou sim, posso aju…- Kakashi parou de falar ao reconhecer o homem a sua frente. Ele era uma das razões por estar ali.-...posso ajudar?!
— Eu ‘to procurando a sala do reitor…sou transferido de Tóquio, vou cursar engenharia elétrica… Preciso entregar meus documentos…
— Ah sim, por aqui…?
— Sasuke. Sasuke Uchiha.
— Por aqui, Sasuke.- disse, sorrindo amigavelmente.
(...)
— Você é trouxa ou o quê?!- Sakura perguntou, dando um tapa no braço de Sai.
— Eu tava com fome, ué!- respondeu, esfregando o local acertado pela rosada.
— ...sou transferido de Tóquio, vou cursar engenharia elétrica…- escutaram uma voz rouca masculina, que definitivamente não era de Naruto.
— Mais gente de Tóquio?! Vem Algodão Doce, vamos descobrir o novo estudante.- seus amigos realmente eram criativos em relação aos apelidos da garota.
— Mas…
— Sem “mas” vamos!- e puxou a mão da rosada.
— Sai! Me solta sua lombriga anoréxica!- disse rindo, enquanto era puxada em direção à voz.
Kakashi tremeu ao escutar a voz da garota tão perto dos dois. Alguém definitivamente queria o encontro das duas almas novamente. Se se encontrassem, depois de tantas vidas sofrendo pelo amor, Shizune com certeza o mataria, só que de verdade.
— Bom Sasuke, vamos por aqui.- disse se apressando, mas o único caminho que tinham, era na direção da garota.
— Anda logo praga!- Sai disse, e não demorou muito para sua face pálida aparecer no campo de visão do Hatake. Um instante depois, ouviu a risada contagiante da garota, e viu alguns fios do cabelo rosa da mesma.
— To indo, to indo, cheguei!- ela disse esbarrando nele, que estava parado observando Sasuke com uma sobrancelha arqueada.
Kakashi ficou estático ao perceber o quão perto estavam, Sasuke não tinha visto Sakura devido a baixa estatura da garota.
— Oi, novato!- o rapaz pálido disse, se apresentando para o Uchiha.- Meu nome é Sai e essa é Sak…
— Desculpe mas temos que ir.- Kakashi se apressou. Sai bufou indignado. Sakura estava saindo de trás do mesmo, faltava pouco para se verem, o homem se via sem saída.- Vamos Uchiha.
Deu meia volta e saiu andando para a direção oposta de onde deveria ir, teria que fazer uma volta extremamente grande, mas era melhor do que provocar uma vida apaixonada, mas cheia de sofrimento aos dois. Ele e Shizune não estavam ali para deixar tudo acontecer novamente.
Através dos séculos os dois haviam se encontrado. Mas nunca, em vida alguma, puderam ser felizes juntos, pois em todos os anos, as mesmas duas outras almas os impediram de alcançar a felicidade. Seu “chefe” havia decretado que em cada vida, cada encarnação, eles se apaixonariam de novo, com um amor tão forte, que continuaria renascendo, até que pudessem ser felizes.
Mas Kakashi e Shizune não conseguiam mais aguentar assistir a todas as tragédias que eram impelidas aos dois. Era sempre a mesma coisa. Amor, paixão, sofrimento, alegria, esperança, e, no final, morte. Morte pelas duas almas que os perseguiam. E ambos sabiam que as mesmas também se encontravam naquela vida.
— Por que não os deixou terminar de falar?- perguntou o Uchiha, olhando para trás e avistando o rapaz parado, com alguém atrás dele, que não conseguira ver o rosto.
— Por que estamos atrasados, e o reitor é um homem extremamente ocupado.
Sasuke deu de ombros. E seguiu o homem a sua frente. Seria melhor eu ter ido com o Naruto, pelo ao menos estaria acompanhado de uma garota, pensou. Seu amigo Naruto havia ido à procura de uma amiga, Sasuke não se lembrou do nome mas sabia que era algo como “Saku”, agora, o loiro deveria estar por aí, conhecendo o campus com a mesma. Que ele havia descrito como extremamente bonita.
Desviou os pensamentos da garota que nem ao menos conhecia e continuou seguindo o seu possível futuro professor.
(...)
— Aff, aquele tal de Kakashi nem me deixou conhecer o novo boy.- Sai reclamava, irritado por não ter conhecido o novo estudante.- Você devia ter visto, Sá, ele é maravilhoso. Sem exagero!
Todo mundo é “maravilhoso” pra você, Sai.- respondeu a rosada, risonha.
— Ai Sá, eu gosto de variedade hahaha!- riu ele.
— Vamos Sai, as aulas ainda não acabaram.
— Essa morte ta lenta demais, Senhor!
(...)
O resto do dia passou rápido, depois do ocorrido com o calouro, Sakura foi assistir o resto de suas aulas. Quando a última aula acabou, Sakura seguiu para sua casa. Ela avistou Naruto conversando com um rapaz moreno de cabelo espetado, mas não deu muita confiança, estava tão cansada que passou reto ao loiro, queria chegar em casa e ver como sua mãe estava. Colocou o capuz do moletom que usava, escondendo os cabelos róseos chamativos. Passou ao lado de ambos de cabeça baixa, e os fones de ouvido no volume máximo. Sentiu um olhar inquisidor em sua nuca, mas ignorou.
Seguiu seu caminho para o ponto de ônibus mais próximo, pois àquela hora, o metrô estava extremamente cheio, e só a atrasaria.
Chegou em cima da hora, quando sua carona já estava quase saindo. Entrou apressada e sentou-se em um lugar vazio. Seu fone estava tão alto que mal percebeu que havia alguém falando com ela.
— Com licença? Tem alguém sentado aqui?- perguntava um homem ruivo e bonito.
— Ah não, pode sentar.- ela sorriu, e ele se sentou ao seu lado.
— Prazer meu nome é Sasori Akasuna.
— Sakura Haruno.
— Se mal lhe pergunte…seu cabelo é natural?- ele disse apontando as madeixas rosadas da garota.
— Sim, é sim. É uma anomalia genética, ninguém nunca entendeu. Meu antigo professor de biologia acha que é por que meu pai era ruivo, e minha mãe é loira.- respondeu, se entristecendo ao se lembrar do pai.
— Era?- ela olhou para ele, a boca crispada.- Ah, me desculpe, não queria me intrometer.
— Tudo bem, só me surpreendi um pouco.- ela respondeu, e sorriu de canto.- Meu pai morreu quando eu tinha 7 anos. Estávamos voltando do aniversario de uma amiga, e fomos assaltados. Ele reagiu para tentar proteger a mim e a minha mãe, e foi baleado no peito.- sentiu os olhos arderem ao lembrar-se do dia fatídico.
— Nossa, eu sinto muito.
— Eu também.
Continuaram conversando o resto do trajeto, e Sakura sentiu que havia conhecido um novo amigo.
— Bom te conhecer, Sakura. Depois eu te ligo para marcarmos alguma coisa.- ele disse, ao ônibus parar em seu destino.
— Bom te conhecer também, Sasori. E pode ligar!- ele acenou e desceu do ônibus.
Sakura sorriu o resto do trajeto. Sentiu-se bem, perto de Sasori, ele passava uma tranquilidade que ela gostava de sentir. Gostou de conversar com ele, e soube que ele seria um bom amigo.
É uma pena que estivesse errada em relação ao homem.
Chegou em casa, e escutou a voz de Kurenai, a enfermeira que contratara para cuidar de sua mãe quando não podia.
Foi até o quarto em que a mulher se encontrava. Mebuki Haruno já fora uma mulher bonita, esbelta. Mas perdeu a vontade de viver quando viu o marido tão amado ser morto a sangue frio, na frente dela, e de sua criança. Entrou em depressão depois disso, mas continuou firme na criação de sua princesinha. Foi o ponto de a menina crescer, que adoeceu. Ela sabia que não teria muito tempo até reencontrar seu marido.
— Oi mãe…- disse a garota, sentando-se na cama, e abraçando a mulher doente. Depositou um beijo em sua bochecha.
— Oi, minha criança…- ela fechou os olhos e adormeceu, o efeito dos remédios era esse, a fazia sentir-se sonolenta.
— Sakura, eu posso falar com você?- perguntou Kurenai, apontando a cozinha.
— Claro, vamos.- seguiram para a cozinha e se sentaram, Sakura observou Kurenai, a incentivando a continuar.
— Pois bem. Eu tenho uma coisa para contar…
— Diga.
— Eu...eu estou grávida.
— Kurenai que maravilha! Meus parabéns! A você e ao Asuma!- a menina se levantou e abraçou a mulher a sua frente.
— É sobre isso o que quero falar. Eu não poderei ficar aqui, Sakura. Nós iremos nos mudar. Para Tóquio, assim minha família poderá ajudar na gestação. Terei que sair. Eu sinto muito, Sakura.- as palavras foram um choque para ela. Fazia anos que Kurenai estava com elas. Onde Sakura arrumaria enfermeira tão boa como ela?
— Mas...mas o que eu vou fazer agora?- a garota começou a se desesperar.
— Calma Sakura. Eu arrumei alguém para por no meu lugar.- ela disse, pegando as mãos da garota.
— Arrumou?
— Sim. Hoje no metrô, eu conheci uma mulher. Seu nome é Shizune. Ela é enfermeira, é uma grande amiga de Tsunade, e está precisando de um emprego. Ela é renomada, Sakura. Cuidará melhor de Mebuki do que eu.- ela disse, tirando um cartão da bolsa e entregando à garota.- Acho melhor você ligar. Se não confia em mim pode perguntar a Tsunade.
— Quando você vai?
— Na sexta.
— Okay. Obrigada, Kurenai, por tudo. Você nos ajudou muito.- se levantou e abraçou a morena.- Já falou com minha mãe?
— Sim.
— Bom, quanto eu te devo?- perguntou já fazendo as contas de quantas horas a mais teria que trabalhar para pagar a enfermeira.
— Oh não, não, não. Não me deve nada querida.
— Mas…
— Sem mas. Você não me deve nada.- Sakura novamente abraçou a morena. Sua gratidão por ela era inestimável.
— Eu, eu preciso ligar para…
— Shizune.
— Isso. Shizune.
Se levantou e seguiu para seu quarto, pegando o celular na bolsa e ligando para a nova enfermeira de sua mãe.
O telefone chamou três vezes antes de ela atender.
- Alô?- a voz soou.
Oi. Meu nome é Sakura Haruno, e me disseram que você é enfermeira e ta precisando de um emprego…- Sakura não percebeu a surpresa da mulher ao escutar seu nome.
- Ah sim… pois não?
— A minha mãe er…ela ta muito doente. Um câncer pra ser mais especifica. E eu estudo de dia, mas trabalho a noite, e não tenho o tempo que gostaria para cuidar dela, e a minha enfermeira vai sair...eu queria saber se você aceita…
— Mas é claro! Eu aceito o emprego!
- Mas olha, o salário não é muito, por que a maioria dos meus ganhos vai para os remédios, então sobra pouco para…
— Não se preocupe, querida, eu não ligo para isso, só ligo para fazer o bem! Você é aluna da Tsunade não é?
— Sim, eu sou sim.
— Ela fala muito de você! Sabe, eu também fui aluna dela.
— Ah bom…que legal…
— Bom, quando eu começo?
— Você poderia vir aqui amanhã a tarde? Para conversarmos melhor…
— Claro! Amanhã as 14:00 estarei aí!
— Combinado então. Até amanhã, Shizune.
— Até, Sakura.
E desligou o telefone. Sakura suspirou pesadamente. Olhou no relógio e viu que já eram 17:00 foi se trocar para ir ao trabalho.
Colocou seu uniforme vermelho e branco na bolsa, e foi para o metrô.
— Tchau Kurenai! Tchau, mãe!- gritou antes de bater a porta.
Andou rapidamente até o metrô, e o encontro vazio. Entrou no trem que havia acabado de chegar e seguiu para o local de trabalho.
Entrou pelas portas da frente e encontrou seu tão adorado patrão.
— Oi seu Jiraiya!
— “Seu” não Sakura! Eu ainda sou jovem!- ele respondeu, mandando uma piscadela para a garota. Ela riu e foi se trocar no banheiro.
Se trocou e prendeu o longo cabelo em um alto rabo de cavalo. Foi para o caixa cumprimentar sua amiga Temari, que trabalhava nessa área.
— Sakura a mesa 7 ta pedindo uma salada!- gritou Tenten, sua outra amiga.
Temari era irmã de Gaara, ela cursava engenharia florestal na universidade. Era loira e tinha olhos verdes, seu temperamento era extremamente explosivo, diferentemente de seu irmão. Sakura estranhou o fato de não tê-la visto na escola, e nem a Tenten.
Tenten já era completamente diferente de Temari. Tinha os cabelos longos e castanhos, os olhos achocolatados, era ainda mais baixa que Sakura, mas era uma feminista de gênio forte. Ela cursava mesmo curso que Temari.
— Já vou!- Sakura respondeu e pegou o pedido com Ichiraku, o cozinheiro do local.
Pegou a bandeja que continha uma salada, um iogurte de morango, e um copo de 400ml de suco de laranja.
— Aqui está o seu…- perdeu a fala ao ver quem estava atendendo. Adquiriu uma expressão dura.- Karin.
O desgosto era visível na voz da rosada ao ter que servir a tão odiada colega.
— Ah, você.- disse fazendo uma careta.- Ande logo, não tenho todo o tempo do mundo.
Sakura cerrou o maxilar, e colocou o pedido na mesa.
— Mas alguma coisa?- perguntou, fingindo educação.
— Não, pode ir. E se estiver ruim, dê adeus ao seu emprego.
Ela odiava aquela ruiva. Karin abusava do dinheiro que sua família possuía, e abusava ainda mais na lanchonete por ser “meio parente” de Jiraiya. Se virou e seguiu em direção à uma mesa recém habitada.
— Posso ajudar… Shikamaru!- puxou o rapaz sentado na mesa para um abraço, ao reconhecer seu amigo.
— Problemática como sempre, Sakura?- ele disse, correspondendo o abraço.
— Tóquio inteira veio para Konoha, hoje?- perguntou, se lembrando de Naruto e do rapaz cujo somente escutara a voz.
— Já conheceu Naruto e Sasuke?- ele perguntou.
— O Naruto eu já conheço pelo Jiraiya-sama. Agora, não faço a mínima ideia de quem seja Sasuke.
— Ele também é novo. Pensei que tinham se visto, ele foi transferido para a UPK* hoje.- Sakura lembrou-se da voz, e do rapaz que vira conversando com Naruto.- Estou esperando-os aqui. Vão trazer um outro amigo, o Neji. Compramos um apartamento na cidade. E o gay do Gaara, como está?
— Ta bem. Da ultima vez que o vi tava conversando com a Ino.- ela disse, ignorando o fato de que iria conhecer o novato que Sai dissera ser maravilhoso.- Vai querer alguma coisa?
— Um suco, por favor.
— Shikamaru.
— Eu?
— Tem vários sabores de suco.- falou Sakura, soltando una gargalhada logo depois.
— Pode ser de morango.
— Okay.- Sakura saiu para preparar o suco.- Choji, arruma um suco de morango pra mim, por favor!?
— É pra já, Sakura-chan!- ele disse, e começou a preparar o suco.- Aqui está!
Ela se dirigiu ao balcão, e colocou o suco na bandeja. Mal percebeu que alguém atrás de si estava passando bem no momento em que se virou, o que resultou no tombo de ambos, e em uma mancha na blusa da pessoa.
— Mas o que…
— Ah meu Deus! Me desculpe, realmente me desculpe. Minha nossa Senhora, perdão, não foi minha intenção, eu…- foi interrompida quando levantou os olhos e encarou quem estava no chão à sua frente.- Oi…
— Sakura!- disse Sasori, enquanto ajudava a garota à se levantar.
— Mil desculpas, Sasori, eu não vi você, e…
— Não se preocupe, Sakura, depois eu lavo.- ele disse, e sorriu.- Você trabalha aqui?
— Sim…
— Que coincidência maravilhosa!
— Pois é…- e novamente, Sakura colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Caham.- Shikamaru pigarreou, Sakura se lembrou que o suco era dele.
— Ah! Me desculpe, Shikamaru vou pegar outro!- se virou e viu Choji colocando outro copo em cima do balcão, ela sorriu em agradecimento, e ele piscou.- Aqui está.
— Obrigado.
— Bom, Sakura, eu já vou indo. Até mais!- Sasori disse, dando meia volta e saindo do estabelecimento.
— Me desculpe! De novo…
— Não foi nada Rosinha!- Rosinha? A garota sorriu com o novo apelido, acenou para ele, que retribuiu e saiu andando pelas ruas de Konoha.
— Que cena hein?- Shikamaru provocou.
— Cala a boca, Nara.-
— Você ta louco, Naruto, é claro que os Yankees vão ganhar a temporada nos Estados Unidos.- o sino da porta soou, e Sakura escutou a mesma voz que ouvira no corredor com Sai.
— Você que está louco, Sasuke. Eles não vão ganhar.
A garota se virou ao escutar alguém chamando seu nome perto da porta. Virou-se tão rápido que bateu com uma parede. Mas...não tinha uma parede ali. Demorou alguns segundos para se tocar que havia colidido com um tórax masculino extremamente musculoso, e que as mãos do dono deste tórax estavam em sua cintura, a impedindo de cair.
— Nossa, que situação embaraçosa...me desculpe…- novamente não terminou a frase ao levantar seus olhos.
A cena que se passou foi extremamente esquisita para ambos. Uma sensação de reconhecimento transpassou os olhos de Sakura ao encarar os olhos ônix que encaravam os seus. Seu coração falhou por um instante, e o ar lhe faltou. Mas, como era possível reconhecer o homem a sua frente, se nunca o havia visto? Ela não sabia a resposta desta pergunta. Só sabia que sentia como se o conhecesse durante anos, mais anos do que tinha de vida. Um arrepio percorreu sua espinha. Ele lhe era tão familiar, mas ao mesmo tempo tão estranho.
Sasuke não sentiu nada diferente que a rosada. O toque de suas mãos na cintura da garota lhe era tão familiar, tão confortável. Sentiu seu coração aumentar consideravelmente os batimentos, os pelos de sua nuca se arrepiaram ao escutar a voz doce da garota. Seus olhos verdes como esmeraldas o encaravam curiosos. Ele sentia como se a conhecesse durante séculos. Aquilo realmente era estranho.
Kakashi e Shizune escancararam a porta da lanchonete e se depararam com a cena que mais queriam evitar. Viram Sakura e Sasuke frente a frente. E perceberam que não importasse o que fizessem, eles iriam se reencontrar.
— Tanto trabalho pra nada.- Shizune se lamentou.
— Tsunade-sama havia nos avisado que o destino deles já estava traçado, Shizune.- Kakashi disse- Agora é só esperar o sofrimento começar. Nós falhamos.
- Tantas almas daquele século, o século em que tudo começou. Os amantes de 1357 se reuniram novamente. Todos eles.
Ambos sentiram um palpitar no peito, como se algo estivesse nascendo.
E estavam certos.
Naquela noite. Na lanchonete Sannin’s. Quando aquela pessoa chamou Sakura, quando Sasuke entrou pelas portas da lanchonete. Uma chama antiga foi reacendida no peito de ambos. No tempo atual, não se conheciam. Mas suas almas sabiam o que um era para o outro. Naquela noite, no Japão, um sentimento antigo saiu de seu esconderijo, após séculos escondido. Uma chama reacendeu após séculos apagada. E um amor renasceu, após séculos reprimido.
Notas finais
Um beijo!
P.S: Deem uma olhada na minha outra fic:
https://fanfiction.com.br/historia/634794/HoldMe/
Bye bye!!
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