Notas iniciais
Grissom sendo um pouco fofo como o Arthur era.

Era impressão sua ou sentiu na voz de Grissom certa decepção quando disse que ficasse pra amanhã o encontro deles? Ela ficou com essa nítida sensação disso.

Não! Talvez tenha sido apenas impressão mesmo.— pensou Sara balançando a cabeça e devolvendo o telefone ao seu lugar.

Mas o que mal ela desconfiava é que o empresário realmente ficou decepcionado com isso. E antes do balde de água fria que foi pra ele saber que não se veriam naquela tarde, Grissom se encontrava numa ansiedade pura de vê-la.

E, agora, à caminho de sua construtora num táxi, o empresário involuntariamente se pegava pensando e tentando supor quem poderia ser esse conhecido com quem Sara sairia. Seria algum parente? Não! Pois ela teria dito. E ela se referiu a pessoa como sendo um conhecido e não um parente.

Então quem poderia ser o tal conhecido? Talvez um amigo ou um...

—Chegamos, senhor!

O anúncio do taxista despertou Grissom de suas suposições.

Pagando pela corrida, ele saiu do táxi e seguiu para dentro do prédio de sua construtora. Poucos instantes depois estava diante de Andrea lhe perguntando se a reunião já havia começado. Sua secretária o informou de que fazia poucos minutos que havia começado.

Ele assentiu e foi a sua sala guardar o presente que comprou. Logo em seguida já saía da mesma em direção a sala de reuniões. Dando duas batidas de leve na porta, Grissom entrou na sala pedindo desculpas por interromper a reunião e por chegar atrasado a mesma.

Os presentes ficaram sem entender bem sua presença ali, pois Catherine havia avisado minutos atrás que Grissom não participaria da reunião. Aí, ele aparece pra mesma. Até a irmã do empresário não entendeu sua presença ali. Não era pra ele estar com Sara agora?

Certamente houve algo que impossibilitou o encontro de seu irmão com a médica e por isso ele estava ali. Depois da reunião ela iria descobrir com ele.

—Acredito que não perdi muito da reunião. — Grissom disse se acomodando na cadeira situada na outra ponta da mesa. _Minha secretária me informou que faz poucos minutos que começou.

—Não perdeu mesmo, Gil. — Warrick foi quem informou ao amigo. _Liam estava prestes a nos mostrar os gráficos do balancente de verificação desse mês.

—Ótimo! Então em frente Liam. — Grissom disse ao contador da construtora e na sequência olhou para sua irmã mais adiante dele, no outro extremo da mesa oval. Catherine apenas lhe lançou um olhar desconfiado antes de recolocar seus óculos de grau pra ler os papéis em sua mão.

***

—Achei que tivesse um compromisso agora à tarde? O que houve?

—Sara ia sair com um conhecido. E pediu pra nos vermos só amanhã. — Grissom informou se acomodando em sua cadeira na sala dele.

O tom e o jeito com o qual Grissom informou Catherine disso, fez a irmã do empresário franzir o cenho e surgir uma leve desconfiança na loira.

—É impressão minha ou você parece levemente incomodado com isso?

—Por que eu estaria incomodado? — encarou a irmã.

—Ai, me dá uma raiva tão grande quando me responde com outra pergunta.

Ele não esboçou ou deixou transparecer qualquer resquício de reação. Apenas se limitou a ficar fitando de maneira impassível sua irmã que lhe encarava à espera de uma resposta que ele não fez questão alguma de lhe dar.

Vendo que Grissom não lhe dizia nada, Catherine também resolveu não insistir. Vai ver era melhor nem saber mesmo a resposta pra pergunta que lhe fez. Até porque, a irmã do empresário tinha uma leve desconfiança de qual fosse essa resposta.

—Comprou o presente para o bebê? — ela quis saber.

Ele assentiu e contou com um meio sorriso o que havia comprado.

No dia seguinte...

Era por volta das três e pouco, quase quatro da tarde, quando Grissom ligava pra Sara lhe perguntando se podiam se ver em meia hora.

—Tão cedo?

—É que já estarei livre do trabalho então achei que poderíamos nos ver mais cedo.

Na verdade ele queria esse encontro mais cedo, porque tinha tido a ideia de levá-la a um lugar que ela própria lhe mencionou que não ia há tempos. E como o lugar em questão ficava mais de meia hora afastado do centro de Los Angeles, Grissom achou melhor antecipar mais o encontro dele.

—Mas se não der pra você a gente pode se ver no horário habitual. — se apressou em dizer, torcendo pra ela poder no horário que ele disse.

—Não, tudo bem. Em meia hora a gente se vê então. Quando você estiver no saguão pede pra ligarem pro meu quarto avisando que eu desço.

—Okay! Até daqui a pouco, Sara.

—Até.

Ele encerrou a ligação com um discreto sorriso nos lábios e a sensação de que a voz de Sara não parecia transmitir a alegria de sempre.

Depositando o celular sobre a mesa o empresário cuidou de retomar seu trabalho de revisar uns papéis pra terminá-lo logo e assim poder ir encontrar Sara e enfim lhe entregar o presente que comprou ontem. Estava ansioso para fazer as duas coisas: vê-la e entregar o presente.

Algum tempo depois o empresário saía de sua sala com seu trabalho feito. Ao passar por Andrea, ele lhe informou que estava indo e não voltava mais a construtora naquele dia. Pediu que sua secretária avisasse a Catherine quando a mesma retornasse de um compromisso de trabalho, que ele já tinha ido.

—Eu avisarei. Até amanhã, doutor Grissom.

—Até Andrea. E caso alguém me procure, peça que me ligue. Estou com o celular ligado.

Andrea assentiu e Grissom partiu em direção ao elevador. Poucos minutos e já chegava ao subsolo do edifício da construtora onde ficava o estacionamento.

Com um balançar de cabeça cumprimentou Keaton, o segurança do estacionamento ao passar por ele e seguir até seu carro.

Entrou no veículo e colocou sua pasta sobre o banco do carona. Pelo espelho retrovisor enxergou o presente no banco de trás e sorriu. Hoje enfim iria entregar aquilo a Sara e esperava que ela gostasse do presente. Após pôr o cinto de segurança Grissom já ia ligar o carro pra partir dali em direção ao hotel pra encontrar Sara, quando o celular tocou no seu bolso. Puxou o aparelho e viu na tela que era uma ligação de sua noiva.

—Oi, Amanda!

—Oi, querido. Está ocupado?

—Um pouco. — mentiu e se odiou por isso, pois desde que retornou só fazia mentir ou omitir coisas da noiva e isso não era certo.

—Então serei rápida. Lorena acabou de nos convidar pra jantar com ela e o marido no restaurante dos pais do August. É aniversário dele e vai ter um pequeno jantar surpresa em comemoração. Será às nove. Você poderá ir?

—Sim. Eu busco você na casa dos seus pais e nós vamos.

—Okay. Então vou confirmar com ela a nossa ida.

—Faça isso.

—Mais tarde nos falamos, querido. Vou encerrar a chamada pra não te atrapalhar mais. Beijos e até à noite.

—Até. Beijo.

Assim que a chamada foi encerrada, Grissom ficou encarando o celular em sua mão. Que grande idiota estava sendo com Amanda lhe omitindo sobre sua traição e os encontros que andava tendo com Sara. Sua noiva certamente não lhe perdoaria se contasse depois do casamento. Foi então que ele se viu tomando ali a decisão de que 'abriria o jogo' com sua futura esposa antes do matrimônio deles. A mãe de sua filha tinha o direito e merecia saber a verdade antes de casarem. Amanhã ele falaria com ela e contaria sobre Sara, seu envolvimento com a mesma durante o tempo que passou desaparecido e o bebê que a morena esperava dele. Era o certo a fazer e era o que faria.

***

Ele já aguardava ali cerca de pouquíssimos minutos, mas inevitavelmente uma ansiedade já lhe corroía pra ver logo Sara surgir em seu campo de visão. Parecia mais que fazia semanas que não a via e não, apenas três dias.

À espera durou só mais um minuto apenas e então ele a viu entre as pessoa que saiam do elevador. Involuntariamente os lábios de Grissom se esticaram num discreto sorriso e seu coração pela primeira vez até bateu mais rápido tão logo o empresário avistou de longe Sara.

Ele tinha que reconhecer que sentiu falta de encontrá-la e que estava contente por estar ali pra se verem. E Grissom não deixou de notar o quão bonita a jovem se encontrava num vestido acinturado de cor azul, o qual proporcionou ao empresário perceber pela primeira vez que a barriga dela já podia ser notada.

Mas, de repente, o sorriso que o empresário ainda mantinha ao fitar Sara, desfez-se ao fixar seu olhar bem no rosto da morena que lhe procurava com os olhos pelo grande e movimentado saguão do hotel, e ver um leve Q de abatimento e até tristeza no mesmo.

A impressão sentida na voz dela ontem e hoje parecia refletir em seu rosto.

O que será que tinha acontecido a ela pra estar com aquela fisionomia?

Ele ergueu um braço sinalizando pra Sara que logo o avistou e veio a passos lentos em sua direção.

Mais certeza ele teve de quê algo não parecia bem com ela ao vê-la se aproximar e enfim tê-la diante dele. A expressão de quem parecia triste ficou mais ainda visível pra ele mesmo havendo um sorriso em seus lábios.

—Oi! Aconteceu alguma coisa com você? — não resistiu em saber.

Essa pergunta dele fez com que Sara descobrisse que sua tentativa de disfarçar a tristeza que ainda lhe assolada em virtude do encontro inesperado com a noiva de Grissom, não tinha sido bem feita como queria.

Por mais que tenha tentado superar aquele encontro, a lembrança do mesmo não lhe deixava fazer isso.

—Nada com o qual possa se preocupar. — se limitou em dizer, tentando forçar o sorriso e passar pra Grissom a impressão de que estava bem apesar de não estar totalmente já que o encontro com Amanda tinha mexido consideravelmente com Sara e ainda "repercutia" dolorosamente na jovem.

—Tem certeza? Não aconteceu nada com você ou o bebê que não está querendo me contar, Sara? O que quer que aconteceu, por favor, me conte.

Ele pediu, na verdade, implorou. Estava realmente preocupado com o que via refletir dos olhos castanhos dela. Aquela tristeza não podia estar ali em vão. Devia ter um motivo pra isso!

Foi um pequeno sopro de alegria nela ver no semblante de seu amado um resquício de profunda preocupação dele com ela e o bebê.

—Não aconteceu nada. "Nós" estamos bem, Grissom. Não precisa se preocupar.

Grissom não ficou tão satisfeito e convencido com essa resposta dela, mas também não ousou comentar isso e nem insistir por algo mais 'convincente'.

—Vamos? — ele indicou a Sara a porta de saída do hotel.

—Vamos!

Eles seguiram calados pra fora do edifício e logo já se encontravam dentro do carro de Grissom. Antes, porém, de ligar o veículo, o empresário fez questão de entregar logo o presente que comprou. Nunca um presente lhe pareceu tão oportuno como aquele.

—Sara quero te dar uma coisa antes de irmos. — ele anunciou antes de esticar o braço e apanhar do banco de trás a sacolinha com o presente. _Comprei ontem. Espero que goste. — esticou a sacolinha pra ela.

—O que é isso? — ela revezava seu olhar entre a sacola com temas infantis e o homem de olhos azuis que lhe sorria meio acanhado.

—Um presente!

—Comprou um presente... Pra mim?

—Na verdade é um presente... Para o... Nosso... filho!

Sara não soube precisar o que lhe fez mais feliz ali, se foi o fato dele ter comprado algo para o bebê ou se foi aquelas duas palavras: "nosso filho", que ele disse ao se referir ao bebê deles. Tinha sido a primeira vez que ouviu Grissom dizer aquilo. Seu coração bateu até mais acelerado por esse momento.

Aquele gesto dele e as palavras que disse, foi tão lindo que a fizeram naquele momento e por um instante deixar pra lá a tristeza por justamente, ele ainda não ter comprado algo para o bebê deles, e sim somente para o filho que a noiva esperava dele.

Ela então pegou o presente e com cuidado pra não estragar e danificar o embrulho bonito em que o presente estava, abriu aquilo e se encantou com o conteúdo assim que o viu após puxá-lo de dentro da sacolinha.

Seus olhos se encheram de lágrimas ante aquele 'mimo' tão lindo. Imaginou seu bebezinho usando aquilo e sorriu com aquela imaginação perfeito.

—É lindo, Grissom. Obrigada! — ela não conseguiu se conter e acabou pegando-o de surpresa ao abraçá-lo inesperadamente. Foi um gesto que fez tão bem a ambos. E na sequência, Sara mais uma vez pegou o empresário de surpresa ao lhe beijar o rosto, quase perto do canto de sua boca, algo que fez Grissom estremecer. _Muito obrigada mesmo. — ela repetiu o agradecimento acariciando o rosto do empresário. Aquele presente dele foi algo que alegrou seu dia tanto quanto ele ter chamado o bebê deles de "nosso filho".

—De nada! — Grissom disse meio sem jeito com o beijo inesperado que ganhou da jovem. No momento em que sua pele recebeu o toque macio dos lábios dela, parece que tudo a sua volta parou. Tinha sido bom e agradável sentir o beijo dela em seu rosto. _Eu me dei conta que não havia comprado nada para o nosso bebê e aproveitando que estava próximo a uma loja de artigos de bebê, eu entrei e comprei isso. Você gostou mesmo?

—Sim, muito. É lindo de verdade!

Ele sorriu tímido e muito contente por tê-la agradado como aparentava claramente no rosto dela.

Logo após isso, Grissom deu a partida no carro pra irem embora dali.

Notas finais
Mais parecia o Arthur que o Grissom, não acharam? E que lugar é esse que ele levará a Sara? Vocês saberão em breve. Beijos.