Ela esperava ouvir qualquer outra coisa dele menos isso.

O que mais temia estava acontecendo segundo seu marido acabou de lhe dizer, se não tiver entendido errado.

—O que você disse?

Ela precisava ouvir de novo pra ter absoluta certeza de que realmente era aquilo.

—Minha memória tá voltando.

—Não! — Ela choramingou levando uma das mais a boca. O pensamento que teve mais cedo parece ter seu fundo de verdade. _Me diz que isso é uma brincadeira de péssimo gosto que está fazendo.... Como pode ter certeza de quê sua memória tá voltando?

—Aqui... — Arthur apontou a reportagem da revista. _Eu já estive nesse lugar, Sara. Tive um flash de lembrança de mim segundos atrás andando por esse museu situado em Los Angeles. É um lugar incrível!

Ele falou com tanta segurança que não deixava dúvidas quanto a certeza daquilo não ter a mínima chance de não ser verdade.

—E tem mais. No dia do show... Eu passei mal por conta de algumas lembranças que uma das músicas me fez recordar. Eu vi um homem cantando Unforgettable para um garoto, o mesmo garoto que salvou a menina no lago, depois eu tive um flash de mim dançando numa sala com... Uma mulher. E por fim eu "vi" meu acidente. Como ele aconteceu todo. E tenho quase certeza que o pesadelo de ontem, foi também outra lembrança.

Sara mal podia acreditar no que ouviu do marido. Seu maior pesadelo que consistia no retorno das lembranças dele, parece que havia chego. O momento que ela mais queria que não chegasse... Infelizmente... Chegou!

—Meu Deus! Isso só pode ser um pesadelo.

Ela sabia que não era, mas bem que podia ser. Com as mãos cobrindo o rosto a jovem começou a chorar. Sentiu imediatamente os braços de seu marido em torno dela.

—Eu queria tanto que fosse um pesadelo também isso, Sara. Não queria tá lembrando dessas coisas. Me perdoa, meu amor. — Ele pediu chorando junto com ela.

Se dependesse só dele pra evitar que esse momento viesse a acontecer, ele evitaria eternamente. Mas infelizmente não dependia. Sua memória resolveu começar a voltar justamente quando não devia.

—Eu não quero te esquecer, Sara. Não quero, meu amor. Você é a mulher da minha vida, a mãe do meu filho e eu não posso te esquecer e nem quero.

Por incontáveis minutos eles choraram juntos e abraçados naquele sofá. O passado dele estava vindo pra bagunçar o presente deles e ameaçar o futuro que poderiam ter.

Presa aos braços de seu marido, Sara sentia que sua história com aquele homem começava a estar com os dias contados. De um momento pra outro Arthur podia ter todas as lembranças de volta de uma vez e esquecer dela, talvez pra sempre. Deus queira que não!

—Eu tô com medo de ter você apagada da minha mente, Sara! — Ele confessou afastando-se um pouco da esposa e segurando seu rosto entre as mãos, fazendo sua mulher lhe fitar.

—Eu também tô com muito medo disso! Mas a gente sabia que essa situação podia vir a acontecer.

—Eu torcia tanto pra não acontecer.

Ela também não só torcia como rezou inúmeras vezes em silêncio por isso. Mas sua torcia e a de seu marido não deram certo, assim como, não deu certo suas orações.

—A mulher que você viu dançando com você... Deve ser bem a sua esposa. — Ela supôs com dor no coração. Era de se imaginar que um homem lindo, charmoso e gentil como ele tivesse alguém como ela sempre achou que tivesse.

—Não! Minha esposa é você, Sara.

Ele disse firme e aproximando seu rosto do rosto de sua mulher.

—É claro que um homem como você devia ter alguém e não ser solitário. E aposto que essas crianças que "viu" são... Seus filhos com ela. — Fechando os olhos Sara comentou com tristeza ignorando as palavras de Arthur.

Essa hipótese veio de imediato a cabeça de Sara muitos momentos atrás quando ele contou sobre o pesadelo e ficou lhe rondando desde então. E agora, depois de saber de Arthur essas coisas, ela achou que aquele pensamento que lhe ocorreu mais cedo poderia fazer muito sentido.

—Pára, Sara! Não diz essas coisas, por favor. — Ele pediu com lágrimas nos olhos colando sua testa na dela.

—Talvez o que eu esteja dizendo seja a mais pura verdade.

—Não, não é. Não pode ser. Abri os olhos e me olha, Sara. — Ele pediu e foi atendido pela esposa. _Eu não sou casado com outra e nem tenho filhos com ela. Com quem sou casado é com você, meu amor. E é com você que eu vou ter um filho.

Ela queria tanto crer naquilo de que ele não era casado e não tinha filhos, mas não conseguia. Ele se viu dançando com uma mulher. Uma mulher que certamente era algo pra ele.

—Eu acho que o nosso tempo juntos tá acabando. Acredito que logo, você vai me esquecer, Arthur.

Ela fechou os olhos novamente e dessa vez, lágrimas escorreram de seus olhos por seu rosto. Lágrimas que Arthur tratou de secar com beijos.

—Sara... Olha pra mim, por favor... Meu amor. — Ele suplicou com a voz embargada.

Sua súplica foi atendida poucos segundos depois quando sua esposa abriu os olhos mais uma vez e lhe fitou. Havia tristeza, medo, dor, angústia, tudo misturado e refletido naqueles olhos castanhos que ele tanto amava. E Arthur se odiou imensamente por ser o responsável por aquilo.

—Eu te amo!... E juro pra você que se dependesse só de mim, a gente não estaria passando por isso. Me desculpa, por estar te fazendo sofrer.

—Eu não tenho que te desculpar de nada, Arthur. Você não é culpado disso.

—Você prometeu que ia lutar por mim e que não ia desisti de mim. Você irá cumprir essa promessa, não irá Sara? Me diz que sim, pelo nosso filho.

Era óbvio que ela cumpriria, mas a questão era saber se ele ao recuperar a memória iria aceitar a aproximação dela e também acreditar nela.

—Eu irei cumprir, Arthur, claro que sim.

Ele a abraçou apertado e tudo que ele pedia agora, era pra esse tormento passar o quanto antes. E quando ele esquecesse dela, não demorasse muito pra recordar-se da esposa.

O resto daquele dia foi estranho pra eles. Cada um preso em seu silêncio, pensamento e imerso ao medo do que vinha pela frente.

As coisas iam tender a ficarem e serem bem difíceis daqui pra frente. Mas aquele amor deles certamente, devia ser forte o bastante pra não se deixar esmorecer e sofrer abalo. Pelo menos, era nisso que o casal pensava e se agarrava.

Notas finais
Repetindo o aviso que dei na outra fic: meninas essa semana eu vou ficar impossibilitada de fazer atualizações nas três estórias por questões de saúde. Desse modo, decidi soltar dois capítulos de cada fic pra vocês hoje. O primeiro agora pela parte da manhã e o segundo a noite. E depois desses post, vocês só terão atualizações no próximo sábado. OK? Fiquem no aguardo pelo próximo capítulo mais tarde.