Another Day in Paradise
8 The afraid sightless our dreams
Notas iniciais
Ônibus (Quarta-Feira – 06:30 da manhã).
O vampiro estava sentado na aconchegante cadeira do automóvel para mais um dia na escola. Por enquanto encontrava-se sozinho, o ponto seguinte suas amigas entrariam e depois... O dele.
Marshall Lee passou uma noite tranquila após seu trabalho, não havia nada para se fazer em sua casa, podendo descansar a vontade.
Sorria de canto quando se lembrava dos lábios de Finn nos seus quando foi desafiado, não havia nada mais seleto. O moreno recordava novamente a cara que aquela vadia fez quando ele beijou o pequeno, uma expressão tão confusa e tão surpresa. Riu baixinho, adorava essas reações.
–Olá! — Marceline cumprimentou.
O irmão olhou para as duas que se sentavam em sua frente, nem as viu entrando, perdido em seus pensamentos.
–Bom dia. — Cumprimentou.
Logo, a rosada se virou para trás, ela aparentava séria.
–Marshall, tenho que te contar algo muito importante.
–O que foi? — O moreno perguntou confuso.
–Eu descobri sobre a Coca-Cola.
Nunca que palavras como estas causaram tanto impacto em sua vida. O vampiro ficou quieto por alguns segundos, boquiaberto. Logo voltou a ficar normal, com o coração acelerado.
–Me conte o que você descobriu. — Pediu o moreno ansioso.
A rosada organizava mentalmente o que iria falar, não seria fácil para o vampiro, depois de respirar fundo começou:
–Como você sabe, de manhã eu fui com a Marceline na biblioteca. De fato, encontrei o livro.
–O que estava escrito nele? — O outro perguntava, a ansiedade o estava matando.
–De acordo com o livro, o mundo mudou. — Jujuba explicava. — Antes só existiam os humanos, teorias dizem uma bomba nuclear aniquilaram todos, sorte dos que sobreviveram. Enfim, as moléculas se modificaram com a radiação, tanto que hoje existem vampiros, comidas falantes, animais falantes, tudo.
–Já ouvi falar disso. — Marshall relatou desconfortável, lembrava-se dessa bomba.
–Sim, todos já ouvimos falar. Marshall, o que comemos e o que bebemos é diferente do que os humanos costumavam ingerir. Atualmente, os raros humanos que encontramos por aí tem o organismo acostumado com isso, porém, o que eles não conseguem escapar é da Coca-Cola.
–O que aconteceu com esta?
–O xarope que coloca nela mudou e isso provoca efeitos colaterais nos humanos, mas cada um reage diferente.
–O Finn... — Murmurava o moreno, raciocinando. — Então esse refrigerante é como se fosse uma droga que excita ele.
–Sim. — Jujuba afirmou. — Marshall, sinto em lhe dizer isso. Mas você o drogou sem querer.
–Eu já deviria ter imaginado. — O vampiro disse desanimado.
Por poucos momentos de sua vida, realmente acreditou que o loiro estava gostando dele, por um momento achou que o seu amor seria correspondido... Mas sempre estava enganado...
–Sinto muito. — Jujuba lamentou.
–Não, tudo bem. — O moreno sorriu para a amiga. — Assim fica mais difícil, adoro quando é assim.
–Quando se ganha, a vitória é mais gloriosa. — Marceline completou sorrindo.
Jujuba sorriu para os dois, eles eram os irmãos mais perfeitos que existiam, até para dar sermão.
–Hey, mas o que eu vou dizer para o Finn? — Marshall perguntou.
–É melhor não falar nada. — Disse a morena. — Você não quer estragar tudo né?
Jujuba expirou desanimada.
–A gente vai mentir, mas é para o próprio bem dele.
–Obrigada duas. — Marshall sorriu.
O papo mudou de rumo, agora conversavam distraídos sobre a feira do dia anterior. Esta distração foi o pior erro que eles cometeram, pois uma garota de cabelos loiros, não muito longe dali, ouviu tudo.
Escola Ooo (Mesmo dia – 15:30 da tarde)
Após a aula extra de mecânica, Finn descansava no jardim da escola, deitado sob uma árvore. Ao mesmo tempo em que o vento refrescante acariciava seus cabelos, ele conseguia também ouvir a harmoniosa canção dos pássaros.
Alguns alunos se encontravam em seus clubes, outros na cantina. O loiro teria que esperar muito tempo até que seu de mangá começasse. Por enquanto, descansava e pensava sobre o ocorrido no dia anterior.
Flashback On
O pequeno colocou suas mãos tremulas no peito de Chiclete e o empurrou, fazendo com que os dois se separassem.
–Chiclete... — Ele murmurava, não acreditava no que estava acontecendo.
–Finn, eu te amo. — Se declarou para o humano, com o dedo indicador levantou o rosto do pequeno pelo queixo, assim os dois olhavam uns nos olhos do outro. — Eu gostaria muito que fossemos algo a mais.
O loiro pegou no pulso de Chiclete, retirando cuidadosamente as suas mãos do seu rosto.
–Eu... Eu... — Gaguejava, não sabendo o que dizer.
O outro sorriu diante da reação nervosa de seu amado.
–Não precisa dar a resposta agora, na verdade, pode falar quando você sentir que é o momento certo.
–O momento certo... — Repetia Finn.
–Sim, sem pressa. — Ele sorria, selando o trato com um beijo na testa de Finn.
Flashback Off
O loiro escondeu seu rosto com as mãos, Chiclete olhava para ele com tanta paixão, tanto amor... Igual ao moreno.
Seu coração acelerou quando se lembrou dele, teve muito mais experiências com o vampiro... Como aquilo...
Finn botou a mão em sua cintura, relembrando da sensação de ter o maior dentro de si. Ao mesmo tempo em que a relação fosse tão dolorosa era também tão prazerosa. Sentir o corpo dele em cima do seu, seu cheiro, seus lábios...
O pequeno corou quando recordou que ele havia pedido aquilo. Por falar, por que ele quis? Por que ele quis justo o sexo?
Finn havia sentindo um profundo desejo naquela hora que o vampiro o beijou, nunca havia sentido algo parecido antes. Aquilo que devia ser a excitação, aquilo que deve ser o desejo de algo mais.
Mas por que sentiu aquilo?
Lembrava-se de seu coração bater estranhamente acelerado depois do ocorrido. Botou a mão em seu peito, estava sentindo a mesma coisa de novo.
Por que ao recordar aquelas lembranças seu coração batia forte? Por que ao recordar de Marshall Lee seu coração batia forte?
–Oi Finn.
O pequeno acordou de seus pensamentos quando viu Jujuba na sua frente, estava sozinha e olhava curiosamente para ele.
–Algum problema? — Perguntou sorridente.
–Eu... Eu estou bem. — Gaguejou Finn.
A garota riu, sentando-se do seu lado.
–Não está não, dá para ver olhando em seu rosto. O que houve?
Finn engoliu a saliva, inseguro de dizer tudo para uma menina, e justo sua amiga. Sentiu a mão da rosada em cima da sua, em seguida olhou para os olhos dela.
–Pode me contar. — Ela pediu. — Não vou contar para ninguém.
–Nem... Para Marceline? — Ele perguntou inseguro.
–Nem para Marceline. — Repetiu ela, selando uma promessa.
O loiro expirou e começou a contar:
–Você já se sentiu confusa quando começaram a querer você?
–Sempre é difícil, tanto que temos que pensar muito no que iremos fazer depois.
–E... Você já se sentiu confusa por sentir coisas estranhas quando alguém do mesmo sexo toca em você?
–Finn, eu namoro a Marceline. — Ela disse. — E eu sinto sim coisas estranhas.
–Você gosta?
Ela corou levemente, com um sorriso no rosto.
–Eu gosto, me sinto querida e amada. E você?
Aquela pergunta fez o coração do pequeno acelerar.
–Sim... — Respondeu, escondendo o rosto corado da amiga.
–Finn, você poderia me contar tudo? Assim poderei entender o que está acontecendo e te ajudar.
O loiro respirou fundo.
–Marshall Lee demonstra que gosta de mim, ele sempre me beija, me abraça, me protege. Tanto que até... Ah, você sabe.
–Sim. — Jujuba confirmou sorrindo.
–Eu me sinto confuso com tudo isso, eu nunca gostei de garotos, mas eu pedi para que fizéssemos aquilo, Jujuba! O que aconteceu comigo?
A rosada engoliu um seco, não podia contar a verdade para o amigo.
–Eu não sei dizer Finn...
–E depois daquilo, meu coração bateu tão forte e senti uma sensação que nunca havia tido antes, acho que um sentimento.
Jujuba ficou boquiaberta.
–Finn, isso se chama amor.
–Amor?! — Perguntou indignado para a amiga.
–Quando o coração bate forte e você sente isso ao simplesmente lembrar-se de uma pessoa, significa que você está amando ela.
O coração do loiro começou a bater forte devido a resposta inesperada. Então ele estava gostando de Marshall.
–Então foi por isso que eu quis?
Jujuba olhou para ele séria.
–Essa eu não sei dizer.
O pequeno olhou para o horizonte, vendo um grupo de adolescentes caminhando felizes para a lanchonete.
–Jujuba.
–Oi?
–Você me promete que não vai contar esta para ninguém?
–Prometo.
Finn engoliu saliva e botou para fora:
–Ontem o Chiclete me beijou.
A rosada deu um pulo, surpreendida, olhando para o rosto vermelho de Finn.
–O Chiclete?!
–Ele... Ele confessou para mim também.
–Ui... — Ela soltou, o loiro estava realmente em uma situação muito difícil.
–Jujuba, eu não quero machucar ninguém, muito menos perder um dos dois. Eu gosto muito deles como amigo, o problema é que não sei se estou pronto para estas coisas.
–Finn, é melhor dizer para eles então que você ainda não está preparado para um namoro. Melhor dizer a verdade.
–Mas eu não estou gostando de Marshall?
–Eu sinto que você está inseguro ainda, acredito que é melhor se declarar para ele quando sentir que é o momento certo.
Estas palavras novamente...
–E Finn, você sente a mesma sensação pelo Chiclete?
O pequeno olhou para o gramado, se lembrando do rosado beijando ele, porém não sentia nada.
–Acho que eu fiquei mais assustado na hora. — Finn respondeu. — Não sei responder essa.
–Você também está pouco tempo com ele. — Jujuba concluiu. — Finn, é melhor você continuar pensando, porque infelizmente a resposta do seu destino não sairá de mim. E sim disso. — Ela completou botando a mão no peito do loiro.
–Meu coração irá dizer? — Ele perguntou.
–Sim, irá. — Jujuba afirmou sorrindo. — Não faça o que você não quiser Finn.
–Entendi. — O loiro falou sorrindo, em seguida abraçando a amiga. — Obrigado Jujuba.
A outra entrelaçou seus braços no corpo do pequeno, sorrindo.
–De nada Finn.
Assim que se separaram, Finn se levantou, dando a mão para a amiga.
–Vamos? Os clubes vão abrir.
–Vamos. — Confirmou Jujuba, segurando as mãos de Finn, se levantando.
Felizes, voltavam para a escola, conversando sobre assuntos aleatórios. Infelizmente, cometeram o mesmo erro novamente.
–Você ouviu Cake? — A loira perguntou.
–Ouvi... — Disse a gata assustada.
Fionna sorriu.
–É estranho como eles não se tocam se tem gente perto ou não.
–Isso não é importante agora! — A gata gritou, com o rabo arrepiado. — O Chiclete beijou o Finn e Marshall transou com ele!
–Eu sei. — Fionna falou, mordendo os lábios inferiores de raiva.
–O que você vai fazer? — Cake perguntou, sabendo dos sentimentos da loira.
–O que eu não entendo é que se ele é gay, por que ficou comigo um dia no ano passado?
A gata sentou no gramado, pensativa.
–É bissexual?
–Deve ser, isso é um jeito que se encaixa com o estilo bad boy de Marshall.
–Fionna, senta aí. — Pediu a gata, quando a amiga o fez, continuou. — Pergunto novamente: O que você vai fazer?
Fionna olhava para sua amiga, ela mesma não sabia o que fazer, mas tinha ideias.
–Vou ter essas informações escondidas por enquanto.
–Até de Chiclete?
–Até dele, você não o viu bravo no ônibus ontem? Ele já sabe.
–Verdade. — Confirmou a amiga, lembrando-se do ocorrido.
–Cake, vou usar essas informações ao meu favor. — Decidiu a loira, com um sorriso malvado.
O rabo da gata se arrepiou ainda mais, ficando enorme.
–O que você vai fazer?
–Por enquanto a situação ainda está ruim para nos mexermos, mas sei que uma hora a situação vai ficar quente, aí agimos.
–Qual o objetivo? — A gata perguntou.
–Não é óbvio? Eu gosto de Marshall, quero ele para mim.
–Eu sei! Mas pergunto qual é seu objetivo de não se mexer agora? Você sabe que Marshall Lee gosta de Finn e você sabe que ele vai fazer mais coisas com ele a cada dia que passa.
A loira fechou as mãos em punhos.
–Eu sei que ele vai agir ainda mais com o Finn, mas pense: Não seria melhor agir em um momento único em que a separação ficará para sempre do que agir agora por simples ciúmes e impaciência?
A gata ficou pensativa.
–Não sei como você aguenta, Fionna. Se Lorde ficasse com outras a não ser a mim, ficaria louca!
A loira sorriu.
–É só para o prêmio ser maior, Cake. Só para ele ficar comigo para sempre.
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Arquibancada da quadra (Mesmo dia – 17:40 da tarde)
Chiclete não tinha nada para fazer, seu clube de culinária já havia acabado dez minutos antes, assim que andou para a arquibancada da quadra, onde sabia que seu amado estaria jogado.
Ao se sentar lá, assistia Finn jogando vôlei, ele realmente era muito bom em esportes, o outro time estava perdendo feio.
Mas o rosado não estava concentrado no jogo, e sim em Finn, como sempre. Observava os cabelos do loiro voando no ar conforme mexia seu corpo, ou quando pulava para pegar a bola e sua camiseta também se levantava até o umbigo, mostrando um pouco de sua pele tão perfeita.
Podia até parecer cedo, mas Chiclete observava tanto o loiro que até já via um pouco de diferença quanto a sua massa muscular, parecia que com pouco treinamento alguns traços dos seus músculos já começavam a aparecer em sua pele. Finn entrou na escola semana passada, tão magrelo... Entretanto, como sempre, era impressão do rosado por sonhar tanto com Finn de corpo sarado que começava até ter ilusões, ele mesmo sabia disso, mas ignorava a razão por completo.
De repente, seus dedos das mãos começaram a formigar, seu coração começou a bater forte, uma vontade de dizer algo que ele mesmo não sabia explicar...
Pegou rapidamente seu caderno da escola e um lápis, estava inspirado a escrever um poema:
“Meu coração bate forte...”
Chiclete olhou aquela frase e apagou, era óbvio que seu coração batia forte, estava apaixonado. Um poema fala sem usar palavras, a graça é que o leitor tem que adivinhar.
Quando Finn se aproximava, seu coração batia forte, sua respiração se prendia.
Ar... Isso!
“Ar me falta”
Sim, mas não queria dizer sobre o seu amor, queria escrever no papel seu maior desejo com o pequeno, mas como falar aquilo sem ser inoportuno?
“Ar me falta
Nesta dança”
Chiclete sorriu satisfeito para o papel, perfeito.
“Ar me falta
Nesta dança
Em busca de contato
Corações batendo
Na ânsia de se unirem
“Tornar-lhe-emos um.”
Chiclete lia e relia o começo de sua obra, estava perfeito, aquilo descrevia completamente o seu desejo, sua ânsia... De se tornarem um.
–Escrevendo, Chiclete? Que poético.
O rosado se assustou, escondendo rapidamente o papel e olhando para o sujeito que menos queria ver em sua vida: Marshall Lee. Mas como? Como que não o viu chegando?
Olhou ao redor, a quadra estava vazio, o horário do clube havia acabado.
–Pois é, já terminou o jogo. Não percebeu?
Ele olhava surpreso para o vampiro, não sabendo o que dizer, a única coisa que mais desejava naquele momento era sair dali o mais rápido possível. O vampiro parecia estar sendo legal com ele, mas o rosado sabia muito bem que algo estava por vir.
–O que você quer? — Perguntou Chiclete, tentando parecer bravo.
Marshall riu, sentando-se do lado dele. O moreno tinha um pano em volta do pescoço, onde secava seu suor. Pegou o tecido e passou no cabelo.
–Vai dizer logo ou não? — Perguntou Chiclete impaciente.
–Eu não queria dizer isso, queria que já reconhecesse sua posição.– Gospiu, em seguida olhou nos olhos do inimigo. — Se afaste de Finn.
–E por que eu faria isso? — Chiclete perguntou irritado, sabendo agora das intensões do vampiro.
–Por que, como já disse, você deveria reconhecer a sua posição. Sabe muito bem quem está ganhando. — Olhou friamente para ele.
–Só por que você já teve relações com ele, não quer dizer que estou perdendo.
–E por que não? — Perguntou, sorrindo para o outro, achando aquilo muito irônico.
–É até bom que aconteça isso, por que quando for minha vez ele vai saber a diferença. — Provocou Chiclete, encarando o vampiro irritado. — O que? Com ciúmes?
Marshall Lee mordeu o lábio inferior, odiava ser tão ciumento. Mas em seguida sorriu.
–Se eu fosse você acordava para a realidade. Que diferença? Que eu sou melhor na cama? Tenho pena de você, já viu quantas garotas me querem? Devia ter visto ontem na pizzaria. Ah, por falar na pizzaria, me viu ganhando o desafio?
–Que desafio? Desculpa mas estava ocupado demais fazendo algo mais importante como uma pizza do que prestar atenção em vo...
–Uma vadia quis pegar o Finn, aí eu disse que ele já tinha dono. — Provocou ele, ainda sorrindo para o Chiclete, que estava cada vez mais irritado. — Ela desconfiou de mim, e sabe o que eu fiz? Beijei ele. Até o pequeno saiu ofegante daquilo.
Chiclete estava tão irritado, mas tão irritado que nem pensou em suas atitudes. Imediatamente fechou a mão em punhos e bateu no rosto do vampiro, fazendo com que o moreno virasse a cabeça com impacto.
Porém, se arrependeu do que fez ao ouvir a risada de Marshall Lee.
–Só isso?
Em seguida, apenas sentiu um grande impacto em seu olho direito. Antes que Chiclete pudesse reagir, o vampiro empurrou o inimigo, fazendo com que caísse no chão da arquibancada que estava antes sentado, depois prendeu seus pulsos para cima, ficando em cima do rosado.
–Marshall Lee... — Rugiu Chiclete, sentindo seu rosto latejar.
O moreno sorriu de cima, seus cabelos negros caídos para baixo e seus olhos profundos e vermelhos observando cada detalhe do ser debaixo de si fez o rosado ficar sem graça, mas queria apenas demonstrar sua raiva.
–Me solta! — Ordenou, tentando se soltar, mas era inútil.
–Ou o que? — Perguntou ainda sorrindo.
Chiclete mordeu os lábios inferiores de raiva.
–Voltando para nossa conversa... — Continuou Marshall. — Fique longe de Finn.
–Me obrigue. — Desafiou o rosado.
Após estas palavras, Chiclete gemeu de dor ao sentir seus pulsos sendo apertados com força.
–Para! — Gritou, se contorcendo com os olhos fechados de baixo do outro.
Mas o vampiro apenas apertava cada vez mais, fazendo com que o rosado contraísse seu corpo. Marshall Lee parou e depois chegou perto do rosto do rosado, ficando a centímetros um do outro.
–Fico muito irritado com você Chiclete, não sabe como...
–Por quê? — Perguntou irritando, encarando os olhos malvados do moreno.
–Porque você não desiste! — Gritou com raiva, fazendo até mesmo o rosado ficar com medo, fechando os seus olhos com força.
Ao ver essa reação de Chiclete, Marshall Lee sorriu. Mas logo em seguida seu coração começou a doer, fazendo-o respirar fundo.
–Por que será que aconteceu isso com a gente? Estava tudo tão bem antes...
Ao se lembrar do passado, Chiclete sentiu algumas lágrimas se formarem, virou o rosto para o lado, para que o vampiro não o visse daquele estado. Tentando se controlar para não desmanchar.
–Você também se sente assim, não? — Marshall perguntou, vendo a reação do pequeno. — Estou cansado de esconder o que houve do mundo, dizendo simplesmente que não gosto de você para explicar porque somos tão afastados, mas não quero que eles saibam para me fazer lembrar toda hora do que aconteceu.
Chiclete engoliu o choro, sentindo sua garganta doer com o peso. Ele também se sentia exatamente assim, queria tanto tirar aquele peso das costas, mas não queria que soubessem...
–Eu entendo você, não sabe o quanto. Você sabe que eu não te odeio Chiclete, não quero te machucar. Mas sabe que odeio perder, por isso farei qualquer coisa para conseguir ele.
–Difícil de acreditar que não me odeia... — Murmurou Chiclete, olhando para a quadra vazia, não queria manter contato visual.
–Aconteceu muita coisa, eu sei. — Marshall confirmou, se lembrando. — Mas eu realmente não te odeio. E você?
Aquela pergunta apertou o coração do rosado, fazendo com que as lágrimas que tanto lutou contra rolassem em suas bochechas sem que se desse conta.
O vampiro soltou um pulso do outro, o deixando enxugar suas lágrimas.
–Por que você... Faz isso comigo? — Perguntou Chiclete entre o choro. — O que eu fiz foi tão ruim assim? Para que você ainda me torture depois de tanto tempo...
O vampiro respirou fundo, odiava ver ele ficar assim.
–Desculpa, fui longe demais nessa conversa. — Disse, saindo de cima de Chiclete.
O rosado se sentou, enxugando a lágrima que escorria em sua bochecha esquerda. Não queria olhar para Marshall Lee, sentia-se tão envergonhado de mostrar o seu lado fraco para ele, mas ele tocou justo na sua ferida do seu coração...
–Desculpa. — Pediu o vampiro de novo. — Mas fique avisado, não chegue perto de Finn. Vou indo.
O moreno descia as escadas da arquibancada, sabia que sua ameaça havia sido um fracasso, sabia que Chiclete não é um cara que desiste, isso foi sempre uma característica que tanto admirava no outro.
A verdade é que o medo cega nossos sonhos, como se diz em uma canção que tanto gostava, mas Chiclete era uma prova viva que com poucas pessoas era diferente, pois estas batalhavam duro todos os dias, sem descanso, sem piedade.
Marshall se odiava por ter o feito chorar agora, sabia que não podia ter dito aquelas palavras para que recordasse do passado, mas sempre fazia tudo errado.
Ao chegar perto do vestiário, olhou para trás na direção de Chiclete. Ele estava encolhido, não mostrava seu rosto, pois estava acomodada entre os braços e as pernas.
O vampiro fechou os olhos, virando sua cabeça para a porta do vestiário. Era duro, mas tinha que continuar em frente, assim que entrou no local.
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