Another Day
9 Capítulo Nove
Alguns caras a observavam enquanto ela seguia até a popular mesinha abaixo do velho carvalho.
Talvez, antes eles já olhavam e apreciavam as longas pernas leitosas, a cintura fina, o cabelo loiro alaranjado, os olhos azul piscina e o sorriso. Este, no entanto, brincava em seu rosto há pouco tempo. Fazia um dia e algumas horas, ela contava. Pepper Potts era muito melhor solteira, isso era fato.
– Bom dia gente! – ela cumprimentou o grupo.
Era por volta das oito e meia. Estava Clint sentando em um dos banquinhos, Steve com cara de zumbi, mas com um grosso livro em mãos, Gwen futucando seu celular e ela viu Peter se recostar na mesa, ele também tinha acabado de chegar.
– Bom dia, ruiva... – Steve devolveu e bocejou.
Ela recebeu um aceno de Barton e um abraço de lado de Gwen além de ter Peter puxando uma de suas orelhas.
– Ai! – ela exclamou e se afastou dele rindo. – seu babaca!
– Babaca? – ele inquiriu confuso.
– Ninguém usa mais isso! – Clint comentou e se virou para ela.
– Eu uso! – ela colocou a mão na cintura.
Clint, Peter e Steve viram Natasha chegar por trás de Pepper com um sorriso maligno, mas não comentaram nada.
– PEPPER! – Natasha gritou no ouvido da menina enquanto dava um cutucão nas costelas dela.
A ruiva natural deu um salto e um grito que chamou a atenção pra ela dos demais estudantes espalhados pela area.
– Cacete! – ela exclamou mal humorada. Enquanto isso os demais amigos riam. Clint segurava a barriga e Natasha tinha uma cara de debochada. – vai ter volta Srta. Romanoff!
– Quero só ver! – Natasha deu de ombros e foi cumprimentar os outros.
– Eu sei aonde você estaciona a sua moto tá? – ela deu a deixa e recebe um olhar mortal de Natasha.
– Não ouse encostar na Brunette!
– Bru... o quê?! – Steve inquiriu confuso, ele não era o único.
– A moto dela tem um nome galera! – Clint deu de ombros. – não aja como se a sua não tivesse Steve!
– Ah não! Até você?! – Pepper indagou encarando Rogers.
– A Marluce é o amor da minha vida, okay?
– Vocês têm down! – Peter comentou e recebeu um sinal positivo de Pepper.
– Bom dia seus gays! – Thor cumprimentou dando uma tapa nas costas de Peter que o tirou do lugar.
– Porra Thor! – Peter xingou e se afastou do recém chegado.
– Qual é a boa pra hoje?
– Tony disse que vai dar uma festa. – Steve comentou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– E o pai dele não encrencou? – Peter indagou. Ainda tentava massagear as costas, porém, não obteve sucesso.
– Ele disse que vão viajar – Steve falou enquanto ajeitava a mochila nas costas pra ir pra aula.
– Beleza! – Thor exclamou dando um soquinho no ar. As festas do Tony eram as melhores e com certeza, Jane estaria lá.
– Vocês vão? – Pepper quis saber, virando-se pra Gwen e Peter.
– Acho que nã... – Stacy foi cortada por Parker, que apoiou o braço nos ombros dela e completou a fala dela.
– Claro que sim! E você também! – ele disse sorrindo e recebeu um sorriso de volta de Pepper e um cutucão nas costelas por parte de Gwen.
– Legal! – a ruiva exclamou.
– Então eu passo pra buscar você Pepper! – Steve dizia enquanto ia se afastando de costas.
– Eu?
– Tem outra Pepper aqui? – ele riu.
– Ah não precisa, eu não uso, mas tenho um carro sabia? – ela sorriu.
– Ah okay, então! – ele deu de ombros e se virou, rumo ao prédio de Direito.
– Eu vou indo nessa também gente! – Gwen disse e pegou sua bolsa de cima da mesa e ajeitou de lado no corpo.
– Vou com você! – Pepper acrescentou e foi com ela.
– Vocês estão conversando de boas com a Potts agora? – Thor indagou confuso.
– Parece que ela terminou com o Killian... – Clint comentou e deu de ombros.
– Você tinha que ver Thor! Ela humilhou ele no restaurante! Foi hilário! – Parker comentou e puxou o loiro pra andar com ele até o prédio.
– Tá, pode me falar o que ‘tá pegando! – Natasha falou sentando-se na mesa e colocando as mãos fronte ao corpo. Clint estava sentado em um nos banquinhos de concreto.
– Não tem nada. – ele foi seco.
– Tem sim! E eu quero saber! – ela pousou uma mão no ombro dele.
– Nat... – ele ia começar. Tinha pensado e realmente achava que podia se abrir com a ruiva.
– Clint? – ambos ouviram alguém chamar, próximo à mesa.
– Hey Darcy... – Natasha comentou e sorriu forçado.
– Oi Natasha. – a morena comentou um pouco desconfortável. – posso falar com o Clint, ou vocês estão ocupados?
– Eu to indo pra aula, quero falar com você depois! – Natasha disse e pulou da mesa pro outro lado, saindo de perto do casal.
– Você ainda me diz que não têm nada... – Lewis comentou um pouco chateada.
– Mas, que droga! – Clint exclamou. – estávamos conversando, ou será que por que eu ‘to saindo com você nem isso eu posso fazer?!
– Não é isso... – ela tentou explicar.
– Olha Darcy... – ele iniciou se levantando do banco e colocando a mochila nas costas. – eu gosto muito de você! Gosto mesmo, eu estou tentando ter uma parada séria com uma garota pela primeira vez na minha vida e ‘tá sendo legal sabe, mas eu não sou cachorrinho de madame! – ele foi franco. – quando sua insegurança e ciuminho sem sentido der uma trégua, você vem falar comigo, okay? – ele disse e saiu.
Darcy ficou lá olhando o nada por alguns instantes, processando tudo e depois foi pra aula, nessas horas o melhor era enfiar a cara nos estudos, já que não tinha um trabalho.
***
Tony tinha decido somente ir à faculdade pra fazer uma prova que teria, depois iria direto pra casa, ligaria pro pessoal que organiza essas festas rápidas e regadas à bebida e música alta, assim, quando seus pais dobrassem a esquina do condomínio de luxo onde moravam, ele iria ter como organizar tudo a tempo.
Já estava perto de seu porche prata, o estacionamento estava vazio, ou pelo menos era o que ele pensava, mas ouviu uma discussão.
– Aldrich! – e uma espécie de bufo de raiva. – aceite! Eu não quero mais nada com você!
Era Pepper.
Com isso em mente ele se aproximou dos dois, mas sem se mostrar. Estava escondido atrás de uma SUV.
– Ginny...
– Não me chame assim!
– E como quer então, Pepper? – ele fez uma careta de desaprovação.
– Quero que você suma da minha vida! – ela exclamou chegando perto dele e apontando o dedo no peito do loiro.
– Isso não vai acontecer! – ele disse. – você vai me pedir pra voltar!
Tony ouviu ela rir alto. – isso nunca vai acontecer! Sabe por quê? Eu não gosto mais de você Killian! Eu acho que essa relação de aparências que tínhamos já deu! Eu acho não! Eu tenho certeza!
Stark ria e balançava uma das mãos do outro lado do carro. Se fode ai Killian!
– Você ‘tá com o Stark? – ele ouviu Aldrich perguntar.
– Se eu estivesse não seria da sua conta, mas não e nem pretendo. – ela mentiu sobre a última parte, mas ninguém precisava saber disso.
– Então é isso?
– Só finja que eu nunca existi! – ela disse. – não vai ser tão difícil, é só você fazer de conta que ainda sou aquela tonta de Portland que acreditava em você enquanto você visitava a cama das calouras!
O que se ouviu depois foi um estalo e o som de algo caindo do chão.
– Nunca mais fale assim comigo! – Aldrich gritou.
– Nunca mais vou falar com você seu estúpido! – ela gritou de volta e viu o loiro sair as pressas do estacionamento, do outro lado veio Tony que se abaixou perto dela.
– Você ‘tá legal Pepper? – ele inquiriu olhando pra ela, passando pelos braços, pernas, cabeça...
– To, to sim! – ela falou ainda um pouco atordoada. – foram só alguns arranhões por causa do asfalto e minhas Xerox acidentadas pela poeira. – ela riu leve.
Tony sorriu pra ela e recolheu as coisas dela do chão ajudando-a a levantar em seguida.
– Quer uma carona? – Stark inquiriu inda olhando nos olhos dela e com as mãos nos cotovelos dela.
– Não precisa, você já me ajudou aqui... – ela pausou. – você ouviu? – ela quis saber enquanto ele a guiava pro seu carro.
– Ouvi... – ele tentou não sorrir.
Ambos ficaram em silencio e ele abriu a porta do carro pra ela.
– Tony... – ela ia protestar sobre ele lhe dar uma carona. Ela podia muito bem esperar alguém ou pegar um táxi. Tudo obra do Sr. Maxssuall que tinha ficado doente a deixando com os últimos três horários vagos.
– Sério, eu te levo! – ele impôs e fechou a porta do carro quando ela entrou. Já dentro do porche, ele deu a partida e logo já seguia na extensa avenida.
– Tá, mas meu apartamento é pra lá! – ela sorriu e apontou uma placa de retorno.
– Okay, mas estamos indo pra minha casa! – ele segurou o volante com uma mão e ajeitou o topete com outra. Logo depois ele virou-se pra ela e sorriu abertamente, como ele costumava fazer pra ganhar alguém ou alguma coisa.
– Nem pensar! – Pepper exclamou perplexa. – olha meu estado! – ela apontou pra si. – estou arranhada nos braços e nas pernas, suja e fedendo! – ela exagerou. E ele rolou os olhos.
Enquanto mirava hora a estrada, hora ela ele falava: — nada a ver Pepper! São uns arranhões e nada, Jarvis pode cuidar disso e você pode tomar banho lá! – ele sugeriu.
Ela bufou. Nem o conhecia direito e já ia pra casa dele. Tudo bem, não seria a primeira vez, por causa da fogueira e tudo mais, mas aquilo foi uma festa era diferente!
– Tá e o que eu vou usar depois do banho? – ela inquiriu apoiando o cotovelo na janela do carro e a mão na testa.
– Não precisa usar nada! – ele comentou sorrindo cafajeste, mas a expressão logo sumiu quando ele recebeu um soco no ombro dado por ela. – ai! – ele tirou uma das mãos do volante pra passar no ombro. – isso doeu!
– Merecia mais! – ela comentou. – pra parar de ser safado! – ela dizia, mas segurava o riso.
Na velocidade que Tony dirigia eles não demoraram muito pra chegar até a mansão Stark.
– Jarvis?! – o moreno exclamou quando adentrou a porta da frente com Pepper em seu encalço. – alguém ainda em casa?
– Sr. Anthony. – o mordomo veio o receber.
– Anthony? – Pepper inquiriu confusa.
– O quê, achou que meu nome era Tony? – ele riu e a puxou pro lado dele. – essa é a Pepper, Jarvis, ela caiu no estacionamento e...
– Fui empurrada! – ela o corrigiu e sorriu pro mordomo.
– Tanto faz! – Tony rebateu. – enfim, você poderia ajudá-la a limpar esses arranhões?
– Espero que não tenha sido o Sr a causar-lhe tais transtornos Srta. – o homem mais velho comentou e foi com os dois até a cozinha. – sente-se, por favor. – ele pediu.
– Eu vou subir rapidinho e tomar banho, já desço! – Tony disse e correu pras escadas.
Pepper e Jarvis entraram numa conversa sobre tendências de louças. Como a mãe de Virginia era adepta a colecionar essas coisas ela entendia um pouco e um comentário que ela fez sobre o jogo que jazia sobre o balcão, deu inicio ao assunto.
– Edwin, por acaso o Tony já chagou? – uma mulher que parecia estar na casa dos 40 chegou na cozinha. Ela trajava um vestido preto de corte simples, mas ela era tão bonita e elegante que nem precisava das pérolas em seu pescoço e orelhas. – oh! – ela exclamou quando viu Pepper sentada uma banqueta da cozinha e Jarvis passando a gaze no braço dela. – Tony trouxe visita?
– Ah... – Pepper se levantou. – eu sou Pepper... Virginia! – ela sorriu e estendeu a mão. – Virginia Potts! – ela sentiu a mão macia da Sra. Stark apertar a dela, além de um sorriso sincero.
– Pep! – Tony exclamou vindo de trás da mãe. – Mãe! – ele exclamou novamente. – mãe essa é a Pepper, uma amiga da faculdade! – ele encarava as duas.
– Ela se apresentou – Maria comentou. – você é filha da Regina?
– Sim, sim! – ela comentou sorrindo.
– Oh! Que maravilha! – ela sentou-se numa outra banqueta, ao lado da que Pepper ocupava antes. – conheço sua mãe de um leilão da Chanel, eu e ela brigamos até o último lance por esse modelo que estou usando! – ela riu.
– Ela com certeza deve se lembrar de você! – Ginny comentou.
– Mãe! – Tony chamou a atenção pra ele. – preciso que empreste algo seu pra Pepper!
– O que?! – Pepper inquiriu perplexa. – não precisa! – ela sorriu pra Maria.
– Ou você prefere usar uma das minhas camisas de banda? – Tony pousou uma mão sob o ombro dela e ela desviou do toque dele e ainda sorria pra mão presente.
– Ah querida! Eu te empresto o que quiser vestir, embora pense que só os vestidos ficaram bons, sabe eu não tenho mais esse corpinho de vinte! – ela comentou levantando-se da banqueta e seguindo pras escadas. – venha, venha, deixe o Tony, ele não entende nada de moda!
– Mãe! – ele exclamou indignado. – eu me visto muito bem, okay? – ele dizia as olhando enquanto elas iam escada acima.
***
Lá pelas 15h foi quando Tony fechou a porta da frente da mansão. Tendo se despedido de Jarvis e de sua mãe. De seu pai ele não fez questão somente acenou.
– Enfim sós! – ele falou chegando à sala e vendo Pepper sentada no sofá. Pernas cruzadas, com o celular em mãos.
– Pare de ser bobo! – ela disse e assistiu ele sentar-se ao seu lado.
– O que vamos fazer agora? – ele quis saber.
– Você vai dar uma festa pelo que Steve falou... – ela disse. – embora, sua mãe não tenha falado nada sobre... – ela falava terminando de mandar a mensagem pra Gwen e o encarando. Tony tinha um sorriso travesso nos lábios. – a não ser que ela não saiba de nada! – Pepper exclamou e se levantou do sofá. – não acredito que você, velho desse jeito ainda dá festas escondido! – ela andava de um lado pro outro. Enquanto ele ria dela.
– Pep... – ele a chamou.
– Não venha com Pep! – ela disse brava. – sua mãe confia em você! – ela cruzou os braços fronte ao corpo.
Ele se levantou e ficou na frente dela a encarando. Azuis com castanhos.
Naquele momento Tony só podia conceber o quão belos eram os olhos dela. Ele tinha visitado muitos países, conhecia muitos mares, mas nenhum tinha a profundidade que tinham os olhos dela. Pepper era intensa e ele gostava disso. Gostava muito disso.
Ele se aproximou mais um pouco, invadindo o espaço pessoal dela. Pepper deveria ter protestado, mas não o fez. Ela sentiu a mão dele atrás de sua nuca e a respiração quente e mentolada dele bem próxima a sua boca, ainda se inclinou para alcançar os lábios dele e o teria feito se eles não tivessem sido interrompidos pelo som alto de AC/DC provindo do celular de Tony.
– Merda! – de repente eles tomaram consciência do que iam fazer e se afastaram. Pepper indo pra varanda próxima e Tony dando atenção ao seu smartphone. – Alô?! – ele atendeu um pouco raivoso.
***
Já passava das 23h e a festa parecia ter acabado de começar. As luzes coloridas estavam por todo lado. As portas de vidro que davam pras varandas estavam abertas, deixando o vento entrar, ou os casais saírem pra mais privacidade. O DJ mandava ver com os sons dançantes e de volume estridente. Enquanto alguns cantavam e dançavam junto com as batidas, outros somente iam até o bar montado e pediam suas bebidas aos bartenders.
Ainda havia muita gente chegando, alguns já mais pra um lado do que pro outro, outros gritando e bebendo, alguns já se agarrando. A festa estava uma loucura. Verdadeiro estilo Tony Stark. Tudo tinha que ser do bom e do melhor, do mais insano e divertido. Era assim que o herdeiro da maior fortuna armamentista do país gostava das coisas. Do seu jeito.
Recebia o cumprimento de algumas pessoas enquanto descia as escadas de sua mansão. Ele tinha subido pra trocar de roupa. Um idiota qualquer esbarrou nele e derrubou o que parecia ser uma batida nojenta de jaca com uva! Quem em sã consciência tomava aquela merda?! E como isso foi parar na sua festa?!
De qualquer forma, ele não se surpreendeu quando viu um dos amigos tomando aquilo.
– Por que você tá bebendo essa droga? – ele inquiriu chegando perto do grupo e gritando pra ser ouvido. Thor tomava daquela gororoba. – isso deve ter um efeito pior que o Crack! – ele comentou e ouviu as risadas dos outros.
– Vai pra merda seu cuzão! – Thor disse com sua voz de trovão.
Tony deu de ombros e passou o braço na cintura de Pepper que estava de pé ao seu lado. A ruiva usava um vestido de sua mãe, que ele nunca tinha visto-a usando, mas ficava muito bonito nela. Era roxo e tinha um devote em forma de coração, era apertado na cintura e a saia era meio rodada. Ela ainda usava um salto meia-pata preto. Ele não reparava muito nas roupas das garotas, já que pretendia apreciar o que ficava por baixo, mas com ela ele não era assim, simplesmente observava com carinho e adoração o que ela usava e como se encaixava perfeitamente nela.
– Tony! – Peter chegou pra ele do outro lado. – qual é essa de você e a Potts?
Tony o encarou e sorriu. Não um sorriso cafajeste, era um simpático, daqueles que sua mãe dava quando estava feliz. – estamos nos tornando amigos, eu acho! – ele deu de ombros e tomou seu Whisky.
Peter o olhou com uma cara de “seeeei”, mas não comentou mais nada.
Eles viram Darcy entrar na festa com sua amiga Jane, mas ambas passaram direto pelo grupo. O que não passou despercebido por Bruce que estava na rodinha, mas evitava manter contato com Thor. Alguma coisa tinha ali...
– Falem, qual é desse gelo? – Natasha inquiriu. Ela estava ao lado de Clint que bebia uma cerveja, enquanto a ruiva tomava uma batida.
– Eu nem sei do que vocês estão falando... – Gwen dizia e tomava algo de seu copo vermelho.
– Sobre Darcy e Jane terem passado direto! – Natasha falou.
– Ai Nat, — Tony começou. – elas só devem estar querendo beber alguma coisa, depois elas vêm aqui! – ele deu de ombros. – vem Pep, vamos dançar! – ele puxou a ruiva ao seu lado que largou o copo num canto qualquer e foi com Tony.
Quando o casal se retirou Natasha encarou Thor: — o que você fez?
– Por que acha que fiz alguma coisa? – o loiro inquiriu e continuou a beber.
– Talvez por que a encarada que a Jane deu pra você foi bem do tipo: “se você se aproximar, apanha”.
– E a que a Darcy deu pra você foi do tipo: “saia de perto do meu namorado”. – dito isso Odinson saiu de perto do grupo, mas não sem antes jogar o copo no chão, o que rendeu alguns cacos.
– Vem Gwen, vamos até a mesa de salgadinhos... – Peter chamou, já puxando o braço da loira, que não protestou.
***
As sirenes não soavam, mas as luzes vermelhas e azuis piscavam ofuscantes quando os dois carros de policia adentraram a propriedade Stark.
Steve viu a movimentação e saiu porta afora a fim de saber qual era a dos caras.
– Boa noite. – ele cumprimentou.
– Já é madrugada garoto. – policial gordo e mal encarado disse.
– Deixe isso comigo Joseph. – o outro homem magro e alto se fez presente. – você não é Tony Stark. – ele afirmou encarando Steve. – onde ele está?
– Se é por causa do horário, ninguém veio reclamar ainda! – Rogers argumentou.
– Só diga onde está Anthony Stark. – o alto voltou a pedir.
– Lá dentro... – ele apontou pra onde a festa acontecia ainda a todo vapor.
– Vá chamá-lo. – o gordo disse numa voz mal humorada.
– E se eu não quiser... – Steve falou numa voz arrastada. Não ia levar desaforo daquele cara, não importando se era um policial ou não.
– Pai? – Gwen saiu da festa e ficou ao lado do loiro. – ‘tá fazendo o que aqui? Não veio me buscar né? – ela encarou o progenitor com uma sobrancelha arqueada.
– Gwen, vá encontrar o Stark e...
– Eu to aqui! – ele falou chegando ao lado dos amigos. – o que querem? – ele indagou com sua usual cara de tédio. Estava cansado daqueles tiras barrando suas festas, mas isso não ia acontecer hoje.
– Sr. Stark... – o Sr. Stacy iniciou. – seus pais pegaram o jato particular até a Rússia nesta tarde...
– Eu sei disso, eles já devem ter aterrissado lá, ou quase isso. – ele deu de ombros. – o que a viagem deles tem a ver com a visita de vocês? – ele cruzou os braços.
– O avião deles... – o detetive pausou a fala, Gwen já tinha entendido e arregalou os olhos sem poder acreditar.
– O avião deles o quê? – Tony inquiriu. Talvez por estar um pouco alto com a bebida ele ao tinha compreendido a dimensão daquilo. Não era óbvio? Policiais, indo até a mansão de madrugada, pra dar a noticia...
– O jato deles caiu no mar Sr. Stark. Aos arredores do território Russo. – o pai de Gwen falou numa voz mais branda. – sentimos muito...
Num rompante Tony entrou pra festa. Chutando as luzes no chão, ainda assim o barulho da música era mais alto, então ele foi até a mesa do DJ e parou o som. Ele foi vaiado, mas não se importou.
Tinhas os olhos vermelhos, mas se recusava a chorar. Ele limpou a garganta e gritou: — A FESTA ACABOU! TODOS, FORA! – alguns já começaram a sair, mas outros agiam como se nada estivesse acontecendo, enquanto seus amigos o encaravam confusos. – SAIAM! – ele gritou mais uma vez e derrubou a mesa do DJ no chão. – VOCÊS ESTÃO OUVINDO! SAIAM DA MINHA CASA AGORA! – ele fazia força com os pulmões pra falar o mais alto que conseguia. Forçava sua garganta pra não cair em prantos e sentia o coração apertando no peito.
Os dois detetives lá fora entraram e guiaram todos pra fora. Em pouco tempo a casa estava vazia. O grupo de amigos entrou num acordo silencioso de deixá-lo sozinho, por enquanto.
O moreno desceu do pequeno palanque onde ficava a mesa do DJ que ele destruiu na raiva. Ele ouvia os carros acelerando saindo de sua propriedade, e via as luzes das sirenes ficando menos visíveis pelos vidros da casa. Ele olhou em volta. Sozinho. A bagunça era o sinal claro que alguém se divertiu e ele o fez, até determinado momento. Estranho como nessas festas ele nunca saia ileso. No fim da noite ele sempre estava ferido.
Ele olhou além do horizonte pelas imensas janelas da mansão e riu da própria desgraça.
Ele nunca foi ligado ao pai. Ou melhor, Howard nunca se importou com ele. Os poucos momentos que eles se entendiam eram aqueles na oficina. E de uns tempos pra cá eles eram quase inexistentes. A primeira lágrima desceu.
Jarvis era como o tio que ele nunca teve. Desde que ele se conhecia por gente o mordomo estava lá. Cuidado de seus machucados quando era criança... Tony estava de repente, cansado, eram muitas lembranças pra reviver numa noite só. Ele se sentou no chão, atrás do sofá e abaixou a cabeça até encostar-se aos joelhos flexionados.
Sua mãe... ele ainda poderia ver o sorriso dela claro, como que ao vivo, em sua mente. Ele não queria lembrar dos momentos com ela, por que sabia que iria doer muito mais e ele tinha tempo até o luto passar, por que embora demorasse, ele sabia que ia passar, mas até lá, as outras lágrimas vieram.
– Tony... – ele ouviu seu nome vindo do outro lado do sofá.
– Vá embora Pepper! – ele exclamou e limpou as lágrimas. Ele se levantou e arrumou a calça amassada.
Ela se aproximou dele perto das janelas. Ele tinha o rosto na direção das ondas quebrando na encosta. Não queria encará-la.
– Tony... – ela o chamou de novo. Pousou uma das mãos na bochecha dele, limpando o rastro de lágrimas. Ainda forçou um pouco o rosto dele, pra encará-la. Pepper passou as mãos no cabelo dele, tentando arrumar, inutilmente. Tal qual como sua mãe fazia. – você não precisa fingir... – ela deu-lhe um sorriso fraco. – não pra mim...
Só foi preciso isso pra que ele enterrasse o rosto na curva do pescoço alvo dela e chorasse. Feito uma criança ferida ele derramou aquelas lágrimas tão doloridas.
Ela passava as mãos pelas costas dele, porém não sussurrava nada. Ela sabia que uma hora tudo ia ficar bem, mas não queria forçar nada agora. Ela só ficou ali dando-lhe apoio e nada mais. Ela o guiou pelas escadas, mesmo assim ele ainda derramava algumas lágrimas e seus ombros tremiam, sinal claro de que ainda chorava. Eles entraram no quarto dele e a ruiva o ajudou a tirar os tênis e sentar-se na cama. ele segurou-se na fina cintura e deitou no colo dela. Pepper corria suas mãos pelos cabelos dele, descendo pros ombros e pras costas, ela também tinha algumas lágrimas, ela conheceu pouco Jarvis e Maria, só viu Howard quando eles deixaram a mansão naquela tarde, mas ainda assim ela sentia. Por ele, que estava ali, tão frágil.
Tony Stark naquela noite era uma criança indefesa e machucada. Ele tinha perdido quem lhe devia dar colo, porém não estava mais sozinho.
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