Capítulo seis

– Pode falar Pepper. – a loira sorriu.

Jane havia lhe contado os acontecimentos da noite passada, quando se encontraram num dos corredores da faculdade. Stacy ficou um pouco chateada com a ruiva, mas a entendeu, e se colocou no lugar dela, no fim deu-se conta que faria o mesmo.

– Eles te contaram? – ela perguntou referindo-se aos fatos da noite passada. – Stark te contou?

– Achei que era Tony... – ela enfatizou o nome do garoto e sorriu pra amiga. Podia sentir ao longe alguma coisa entre os dois, nem que fosse pura provocação.

– Não tem porque o chamar pelo primeiro nome, nós não temos nenhuma intimidade. – a ruiva cruzou os braços, abaixo dos seios.

Ginny... – Gwen deu aquele sorriso singelo que só ela sabia dar. – diz pra mim o que ‘tá acontecendo?

– Eu não quero mais ficar assim sabe?

– Assim...

– Com Killian e todo o egocentrismo dele... – ela suspirou. – ele disse muitas verdades ontem à noite, mas também disse coisas que me magoaram muito.

– Então fale com ele! – Gwen disse colocando a mão no ombro da amiga. – sinceramente, eu acho que esse “romance” de vocês está com a validade vencida...

– Como se fosse fácil...

– E não é?

– Gwen...

– Ginny...

– Você não entenderia... – a ruiva disse suspirando.

– Pepper... sabe o que eu acho? – a loira esperou que a ruiva assentisse. – que você se sente segura com Aldrich. Você está a tanto tempo com ele que não sabe mais como seria sem ele, então prefere essa sensação de segurança, acontece que você achou outra pessoa mais interessante, que embora você não conheça muito, está disposta a tal!

– Você deveria fazer Psicologia e não Ciência da Computação. – ambas riram.

– Ginny... eu não sei pelo o quê você está passando, mas me escuta, você não quer esse relacionamento... então não sofra por ninguém! Tenho certeza que Killian está cansado dessa brincadeira de casal perfeito desde sei lá quando!

Virginia suspirou mais uma vez. Ela não tinha tanta certeza disso.

– Gwen, eu vou decidir as coisas, eu só precisava de falar com alguém, ouvir uma pessoa que não me olhasse torto pelo o que aconteceu ontem... – ela encarou o restaurante, Peter e Tony encaravam as duas. – pode voltar pra lá. – ela apontou com o queixo o estabelecimento.

– Se você quiser almoçar tudo bem, pego minha bolsa e vamos pra outro lugar, o que acha?

Embora Pepper precisasse daquilo, ela só balançou a cabeça negativamente. – Não precisa Gwen... – ela forçou um sorriso e a loira sabia disso. – vai lá, eu vou estudar algumas coisas, sabe como é né!

– Tudo bem... – ela se aproximou da amiga e a abraçou apertado. Sussurrando um “fique bem” no ouvido dela.

***

Depois do almoço o grupo seguia pelo Campus principal da UCLA, onde se encontravam a maioria dos cursos. Todos estavam meio cansados da noite passada. A situação ainda era estranha pra alguns.

Jane por exemplo, estava um pouco avulsa a tudo que acontecia a seu redor. Depois de acordar na cama de Thor, ainda de roupas, o que por incrível que pareça a deixou um pouco estranha, ela ficou atordoada e tudo o que eles viveram, mesmo que por pouco tempo, voltou à sua mente...

***

Ela tinha acabado de chegar na casa de um tio que nem conhecia direito, só viera passar férias mesmo nos EUA.

Seu primo Arthur morava num condomínio muito bem cuidado, onde só pessoas bem ricas moravam. Não que Jane fosse daquelas deslumbradas, mas na Inglaterra, onde morava e estudava tudo era muito simples. Tudo tinha seu glamour europeu por si só. E a moça morava numa rua familiar cheia daqueles prédios onde os tijolos aparecem. Falando neles, sentia falta agora que estava no meio daquelas mansões cheias de pompa.

Determinado dia, talvez o terceiro ou quarto daquela estadia, ela encontrou-se com um garoto muito lindo e loiro numa das praças do condomínio. Ele devia ter seus doze ou treze, como ela mesma. Seu nome era Thor e este estava fazendo papel de irmão mais velho, levando o mais novo, Loki pra interagir com as outras crianças, ou pelo menos com o cachorro deles.

Nas histórias que lhe eram contadas por sua mãe, dizia que quando se encontrasse o verdadeiro amor, os sinos de lugar nenhum tocariam, e essa seria a melodia indicando o garoto certo, seu príncipe pro resto da vida. E por incrível que pareça, o tal Thor tinha mesmo um nome da realeza, em homenagem a um deus Nórdico. Coincidência ou não, Jane ouvira sinos assim que ele lhe sorriu.

O relacionamento deles era fortalecido todas as vezes que Jane ia até a praça, depois começaram a se encontrar nos jardins da casa de Arthur ou de Thor. Era sempre algo inocente e até bonitinho de ser ver. Eles trocavam carinhos como verdadeiros namorados mesmo, até o dia em que Thor pediu a mão dela pro primo da mesma, que como era da idade deles, não viu nenhum problema.

Os olhos eram duas poças brilhantes e cristalinas. Os dois se gostavam a cada dia mais. O loiro chamara a namorada pra comer na casa dele num daqueles dias e foi então que Frigga conheceu a “nora”. Até mesmo o introvertido Loki, interagia com ela. Tudo ainda estava perfeito.

Porém, as férias não duram pra sempre, infelizmente os três meses mágicos chegavam ao fim e ao noticiar tal fato pra Thor, os dois discutiram e terminaram o que tinha durado tão pouco.

Os últimos três dias de Jane nos EUA, naquele ano, foram os piores, ela chorava por horas e sempre ia até a pracinha, no intuito de ver o “príncipe”, o que nunca aconteceu.

Eram só crianças e agiam como tal, não houve diálogo, tudo fora intenso e, eles que tinham subido tão alto, caíram feio deixando feridas não cicatrizadas até os dias de hoje.

***

Betty Ross

A morena não podia estar mais nervosa. Seus vós a prometeram que LA era calmo... conversa. Malibu – Los Angeles – Califórnia não poderia ser mais badalada e olha que ainda nem eram seis da tarde!

Ela tinha comprado um apartamento pequeno no centro com o dinheiro que ganhava como residente em um dos hospitais. Era um quarto/sala muito agradável, obrigada!

Agora, que tinha passado, por um milagre, na UCLA, faria sua especialização em Pediatria. Sempre gostara de crianças e agora que tina a chance de trabalhar com elas era como se fosse um sonho se realizando, e realmente, era.

Quando viera pra LA, isso há uns cinco anos, morara com os avós paternos, os quais ela respeitava muito e tinha admiração. Elizabeth, ou simplesmente, Betty como preferia ser chamada, vinha de uma cidade pequena no interior de Nevada e tinha cursado Medicina em Vegas, pois é, existem mais do que cassinos lá. Porém, com a morte de seu pai, ela veio com a mãe de mala e cuia para Los Angeles onde vivem os pais de seu pai.

Se você analisar, parecem aquelas histórias criadas por autoras bêbadas, mas essas coisas realmente acontecem, infelizmente, Betty fora a vítima.

Caminhava no campus por volta das 16h. ela sorria ao ver os adolescentes circulando pelo lugar. Não que ela fosse velha, mas com 23 ela já tinha passado por muita coisa e na época que começou sua faculdade, ela não tinha muito tempo e nem com quem se divertir.

***

Don’t surrender, surrender, surrender

Please, remember, remember, December

Demi Lovato com certeza era um dos ringtones favoritos de Betty. Ela abriu a bolsa enorme procurando o aparelho que tocava estridente, eram tantos bolsos que ela encontrou até uma bala velha, mas nada do celular. Quando sentiu o smartphone em suas mãos, alguém esbarrou nela e toda a papelada, bolsa e ela foram ao chão.

– Ai. Meu. Deus! – o moreno exclamou enquanto se recuperava do esbarrão que ocasionou sua quase queda. – me desculpe! Eu sou um desastrado!

A moça ainda tentava se levantar do chão e catar suas coisas ao mesmo tempo.

– Você não olha por onde anda não, é? – ela inquiriu, visivelmente nervosa, ainda recolhendo seus papeis do chão, porém com a ajuda do estranho agora.

– Desculpe-me okay? – o homem pediu enquanto pegava uma ficha do chão, a moça já tinha se levantado. – Elizabeth.

Ela rolou os olhos. Realmente não gostava do seu nome.

– Bruce! Vamos pra casa! – Darcy apareceu ali e tocou o ombro do amigo.

– Você precisa de ajuda? – ele indagou pra Betty. Que negou com a cabeça.

Darcy encarou o casal com uma carinha maliciosa.

– Eu posso ir com a Jane, se você tiver planos...

Betty encarou a morena ao lado do tal Bruce. Como ela poderia sugerir que os dois tinham alguma espécie de relacionamento?!

– Você quer uma carona, ou algo assim Elizabeth?

– Me chame de Betty e não precisa, meu carro ‘tá aqui perto.

– Okay, Betty, mas posso te ajudar com os papeis se quiser... – Banner ofereceu e Darcy rolou os olhos. Como seu amigo podia ser tão lerdo numa paquera?!

– Esse é o jeito mais idiota de conseguir algo com uma garota! – Betty disse e riu.

– O quê?! – Bruce exclamou perplexo. – eu não ‘tava tentando nada!

Mas, Betty já estava um pouco longe dali.

***

Tony realmente odiava quando seus pais planejavam uma viagem. Parecia uma criança mimada discutindo com os pais sobre ter que tomar conta de tudo novamente.

– Por que Obadiah não pode tomar conta de tudo como sempre fez?! – ele argumentou levantando-se da pomposa cadeira de couro do escritório de seu pai.

– Anthony...

– É Tony! – ele exclamou.

– Anthony... – seu pai insistiu no nome original. – não aja como uma criança filho, além do mais isso tudo vai ser seu um dia! tem que tomar conta desde agora!

– Pai! – ele riu sarcástico. – você está se ouvindo? – ele pegou um prêmio na prateleira e depois o colocou no lugar. – eu sou o filho irresponsável lembra?! Eu não sei tomar conta daquela empresa! Obadiah faz tudo melhor que eu! Ele é seu braço direito! Não eu! Eu não vou olhar por nada daquilo! Já te ajudo com os projetos e tudo mais! Só isso! Eu não quero e nem vou ter compromissos!

– Você deveria ser mais agradecido por tudo que eu e sua mãe fazemos por você!

– Não meta minha mãe nisso! – ele exclamou nervoso e foi até a frente da mesa onde o pai estava. – ela não teve culpa de ter se casado com um monstro como você!

– Este monstro é seu pai! E eu exijo respeito! – Howard gritou e bateu na mesa. Ele também já estava de pé. – pare de agir como um adolescente! Seja homem ao menos uma vez na sua vida!

– Como vou ser homem se meu exemplo é tão baixo?! Você não pode me dar lição de moral enquanto dorme no quarto da empregada! – Tony gritou.

O próximo som não foi de vozes altas, ou mais ofensas, pelo menos não verbais.

Howard tinha uma mão pesada. Fazia muito tempo que Tony não recebia uma tapa.

– A verdade dói, não é? – ele riu e esfregou o rosto. Pegou o copo de Whisky que tinha trazido consigo e saiu do escritório batendo fortemente a porta.

***

Gwen chegou em casa cedo naquele dia. Seu irmão Ethan estava em seu quarto. Ela sabia disso por que passou pela porta do aposento do irmão e escutou vozes dele e de um provável amigo, jogando PlayStation 3

A loira caminhou pro seu quarto, mas antes pode ouvir uma conversa estranha vindo do quarto dos pais.

– Eu já estou em casa... não, não! Eu vou ligar pro Parker amanhã e resolveremos tudo! Se ele não quiser? Se ele não quiser, sofrerá as mesmas consequências do anterior!

Gwen adentrou o aposento dos pais e viu seu pai se virar paraa porta e lhe sorrir forçadamente.

– Eu ligo amanhã!

– Com quem estava falando pai? – ela indagou sentando-se na estrutura fronte à cama dos pais.

– Com ninguém anjo! Pessoas do trabalho, coisa chata! – ele deu uma risadinha. – e como foi a faculdade? – ele sentou-se ao lado da filha.

– Está tudo correndo muito bem... – ela desconversou. – pai? Você estava falando sobre Parker... você os conhece?

O homem estagnou no lugar e arregalou levemente os olhos. O que não passou despercebido pela garota.

– Conheço alguns deles filha, por quê?

– Eu também conheço Peter Parker... ele é da faculdade sabe? – ela levantou de onde estava.

– Isso é bom... – ele passou as mãos sob a testa. – filha, você se importaria de me deixar descansar? Estou num caso complicado e preciso de paz...

– Claro pai... – ela já ia saindo do quarto quando o pai a parou.

– Saiba que te amo muito e não importa o que eu faça, é sempre pra você e pro seu irmão! Sempre! – dito isso ele beijou a testa da filha, que logo saiu do quarto.

Gwen sempre soube que nunca deveria se meter em assuntos que não lhe diziam respeito. Sempre fora alertada por sua mãe que nunca deveria mexer no que dizia respeito ao seu pai, afinal, ele era um detetive muito respeitado e sempre estava com grandes casos em mãos... mas, daquela vez Stacy não poderia deixar passar... ela sabia que tinha alguma coisa errada... o jeito com que seu pai falara com o homem... ainda citando Parker... sobre o que ela sabia, os pais de Peter eram advogados, coisa muito normal eles terem contato com detetives, mas...

Gwen bufou, odiava ficar com duvidas na cabeça. Mas, iria a fundo ao assunto outro dia. Tinha que ter uma boa noite de sono se quisesse aprender algo na universidade amanhã.

***

Por volta das 23h Tony Stark estacionava fronte à casa do amigo Rogers.

O moreno buzinou de seu Audi R8 e logo viu o loiro atravessar os portões da grande casa onde vivia.

– Onde você disse que era a festa mesmo? – Steve perguntou logo que Tony deu partida.

– Casa de uma putinha qualquer da faculdade! – o Stark deu de ombros e continuava dirigindo acima do limite de velocidade.

Steve assentiu e continuou: — Clint e Thor não vão?

– Thor tem aquela treta com o pai dele! E Clint está de rolo com alguma garota, ele não quis me dizer quem era! – Tony rolou os olhos. Não acreditava que Barton, seu melhor amigo, estava o trocando por um rabo de saia! – Peter não disse nada?

– Disse que só queria um pedaço de pizza e a cama! – ambos riram. – acho que ainda não se recuperou do porre da sua festa!

Franguinho! – eles riram e logo chegaram à tal festa.

***

Peggy Carter

A morena tinha acordado cedo na manhã depois de chegar à Malibu. Tinha que tratar de assuntos importantes com o Sr. Stane já que o Sr. Stark estava indisponível! Conversa!

Ela saiu de sua moto no estacionamento das Indústrias Stark e caminhou até a recepção.

– Bom dia. – ela falou polida e recebeu um cumprimento da secretária. – tenho uma hora marcada com o Sr. Stane.

– Seu nome?

– Peggy Carter. – tá, o nome dela não era Peggy, mas ela assinava assim e sempre passava esse nome, enfim. Ela esperou que a recepcionista fizesse uma ligação para sei lá aonde e virasse pra ela novamente.

– Sexto andar. Terá uma funcionaria à sua espera.

– Obrigada. – ela disse tirando o capacete do balcão e seguindo para o elevador.

Como dito antes, a secretária do Sr. Stane estava apostos para ajudá-la e logo indicou uma imensa porta de mogno escuro, cuja morena atravessou e viu o homem bebendo de uma taça. Parecia Chadonnay.

– Bom dia Srta. Carter. Em que posso ajudá-la? – ele perguntou e levantou-se da cadeia para apertar a mão de Peggy.

Como era sínico. Ele sabia muito bem o porquê da moça estar ali.

– Não se faça de bobo!

– Precisa de mais dinheiro?

– Não é isso!

– Então pra que é? – ele fez uma careta descontente. – não pode ficar aparecendo aqui! Você e Howard têm um contrato! Um tratado sabia?

– Então por que estou conversando esse assunto com você?

– O Sr. Stark não está na cidade hoje! E me pediu pra me livrar de você garota! – Obadiah disse contornando a mesa e ficando de frente pra ela. – diga logo de quanto precisa e vamos dar um fim nisso!

– Minha mãe ela... – a morena foi interrompida pelo velho.

– Não precisa continuar! – ele fez sinal de “pare” com a mão. – aquela velha história de “minha mãe morreu e eu sou menor de idade e não tenho com quem ficar” – ele a encarou raivoso. – pode ir parando por ai sua pirralha aproveitadora!

Embora o homem fosse mais alto que ela e tivesse muito mais poder e reconhecimento Peggy não tinha medo dele! Muito pelo contrário! Sempre fora independente, na medida do possível. Porém, sua mãe falecera e antes de morrer tinha lhe entregado uma carta onde estava toda a verdade de sua vida

Não que ela se importasse muito com isso, mas sua mãe fora tão insistente em lhe falar da carta e dizer pra correr atrás de tudo o que era dela! E Peggy tinha um sonho! Ela queria ser uma espiã, detetive, ela só queria saber de podres de gente como Obadiah Stane e logo depois arruinar a vida deles!

E sua única chance estava ali. Na carta que ela guardava na mochila e naquele homem desprezível que estava a sua frente.

– Certo! – ela disse e pegou um bloco de papel em cima da mesa do homem e escreveu um número. – deposite quanto você acha que meu silencio vale!

Dito isso ela saiu da sala apressada.

Notas finais
maoeeeeeee He hey galerassss Sei que esse capítulo foi beeeem chatinho, mas ele foi super necessário! Mesmo! Teve vários ganchos pro decorrer da história! Então fiquem ligados e até o próximo! P.S: Obrigada a todos que estão comentando, ou não! Eu e Lari agradecemos imensamente! *----*