Another Chance For Love
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Três semanas depois.
A última semana havia sido conturbada e após o enterro da minha mãe Brian decidiu que a ajuda de um psicólogo ajudaria-me mas eu estava ciente de que não; era desnecessário. Meu padastro estava com a cabeça á mil como ele mesmo diz, passou a tomar conta do negócio da família sozinho e mal tinha tempo pra mim mantendo-se forte quando estava ao meu lado mas ele sabia, eu sabia que quando encontrava-se sozinho em seu quarto ele colocava tudo pra fora.
Eu não podia ajudar e choraria junto se tentasse, de um dia para o outro a nossa vida mudou completamente para pior e os dias sem minha mãe estavam apenas no começo. Eu não deixava de pensar em talvez se eu tivesse controlado a minha pressa de ir embora naquela noite minha mãe estaria aqui; ao meu lado ainda. Descartei a proposta de Brian em mudar-me para a casa dos meus avós em Grand Prairie, de um lado seria bom para mim mas é aqui que está minha melhor amiga e recomeçar a vida em outra cidade não acabaria com a dor da perda.
Hoje é o dia em que eu volto para a escola depois de duas semanas de repouso se bem que eu poderia nunca mais voltar para aquele maldito lugar onde a maioria das pessoas eram preconceituosas e depois de revelar quem eu realmente sou á um ano, eles fizeram as coisas serem difíceis pra mim. Os amigos falsos viraram-me as costas e a única pessoa que não rejeitou-me foi minha melhor amiga e foi primeiramente pra ela que contei que sou gay. Minha mãe sabia e levava isso como apenas uma fase de adolescente descobrindo-se, querendo experimentar coisas novas e curtir a vida mas não; eu sei quem sou e não sinto nem um pouco de atração pelo sexo masculino. Brian não sabe, ele está lá quando eu preciso mas não tem muito conhecimento da minha vida pessoal.
Vesti uma camisa xadrez roxa por cima da camiseta branca dobrando as mangas até o meio do braço e peguei minha bolsa, algumas partes do meu corpo ainda dói principalmente minha cabeça mas nada pra se preocupar, o corte profundo na minha testa estava cicatrizando, não era muito grande e eu disfarçava muito bem com meu cabelo. Entrei na cozinha encontrando Maria terminando de preparar meu café da manhã.
- Bom dia Maria — eu beijei sua bochecha sentando-me em uma das cadeiras da mesa média
- Bom dia querida, se sente melhor hoje? — ela perguntou colocando um pouco de suco de morango no meu copo
- Um pouco, Brian já foi? — perguntei antes de tomar um gole do suco gelado
- Faz meia hora, e deixou um bilhete — Maria andou até a geladeira retirando um papel pequeno preso com ímã
Se você não estiver se sentindo bem pode passar a escola hoje, te amo Sel — Brian
- Maria será que pode pegar a chave do meu carro enquanto eu termino o café? — perguntei mordendo um pedaço da torrada
- Você vai pra escola? — ela levantou as sobrancelhas surpresa — Se eu te conheço bem depois desse bilhete iria voltar para a cama agora, mesmo se estiver se sentindo ótima.
- Wow! — eu ri baixo — Eu sou uma ótima aluna você não sabia?
- Não, não tinha conhecimento desse fato antes..- ela balançou a cabeça divertida -.. ah Selly, eu já estava esquecendo; quero levar flores para senhora Mandy hoje.. você pode me acompanhar?
- Sim.. está bem.
Terminei meu café da manhã e despedi-me de Maria, era estranho e triste ir para a escola sem antes um beijo e abraço da minha mãe mas tinha que acostumar-me com sua ausência. Entrei no meu carro checando o corte da minha testa no retrovisor antes de começar a dirigir. Parei no estacionamento da escola particular que frequento á três anos e respirei fundo antes de descer do carro, a figura menos sorridente de Hayley veio ao meu encontro envolvendo-me em seus braços despertanto uma certa dor em meu corpo com a força do abraço.
- Desculpe não ter aparecido no velório..- ela sussurou com a voz chorosa -.. como você está? — perguntou afastando-se
- Um pouco melhor do que algumas semanas — dei de ombros enquanto começávamos a andar pelo corredor do colégio
- Me sinto uma amiga horrível por não ter ido te visitar no hospital, eu sinto muito Sel mas meus pais não permitiram.
- Tudo bem Hay, eu entendo. — eu sorri fraco tocando o ombro da minha amiga
- Bom dia Selena! — ouvi uma voz debochada atrás de mim -.. como foi o final de semana, comeu muitas bucetas? Creio que não! — o garoto loiro riu acompanhado dos seus colegas
- Vem Sel..- Hayley pegou-me pelo braço -.. vamos pra sala.
Eu já estava acostumada com as piadas de mal gosto daquele garoto e de todos desse lugar, por um motivo desconhecido ele me odeia mas não como as outras pessoas, seu ódio por mim era maior e nunca me deixava em paz, o melhor que tenho á fazer é ignorá-lo porque sabia mesmo se eu contasse para diretora ou aos seus pais sobre isso nada aconteceria com ele, seus pais tinham o que pode se chamar de ''poder'' sobre a escola e não se importam com os outros apenas com o filhinho que julgam perfeito. Sentei no meu lugar na sala de aula retirando meu caderno da bolsa; o dia estava apenas começando.
(...)
Todos os alunos da sala saíram apressados empurrando um aos outros quando ouviram o sinal da última aula tocar, guardei meus livros e caderno notando a Senhorita Lopez aproximar-se da minha mesa permanecendo em silêncio enquanto eu terminava de fechar o zíper da minha bolsa.
- Eu sinto muito pela sua mãe Selena, Senhora Mandy era uma mulher incrível.. tenho certeza que ela está em um lugar bem melhor agora — ela disse
- Obrigada..
Foi a única coisa que disse antes de avistar a garota de cabelo castanho parada na porta á minha espera assenando pra mim, despedi-me da Senhorita Lopez e saí da sala junto com Hayley. Conversamos coisas aleatórias enquanto andávamos para a saída do colégio e combinamos em ir ao cinema no fim de semana; seria bom tentar me divertir um pouco. Estranhei a presença da mulher de meia idade que conheço desde os meus 11 anos parada no estacionamento ao lado do meu carro, andei até ela após despedir-me de Hayley. Maria sorriu ao me ver.
- O que faz aqui? — perguntei confusa
- Não terei tempo para ir ao cemitério mais tarde então achei melhor encontrar você aqui após comprar as flores — ela respondeu mostrando-me as flores em sua mão
- Poderia ter esperado até que eu chegasse em casa aí não tinha que ter andado.
- Acha que me importo em caminhar alguns quilômetros mocinha? — ela ergueu as sobrancelhas
- É.. eu sei que não — eu disse rindo — Então vamos..
Eu não queria voltar para aquele lugar tão cedo sabendo que não iria conseguir segurar minhas lágrimas ao olhar para a lápide da minha mãe novamente mas não podia negar isso á Maria, eu a considero como uma segunda mãe e sou agradecida por ter ela na minha vida e sabia que sempre que eu precisa-se da sua ajuda ela estaria lá por mim a qualquer momento. Chegamos no cemitério depois de 15 minutos, senti um nó na minha garganta e a vontade de chorar invadiu-me, Maria abraçou-me beijando o topo da minha cabeça ao pararmos em frente onde minha mãe estava enterrada, comecei a chorar e ela abaixou-se pousando as flores ao lado de outras que haviam ali. Olhei em minha volta enquanto ela falava algo baixo alisando o nome da minha mãe cravado na pedra escura, a grama verde do enorme terreno parecia não ter um fim.
Pisquei os olhos e as lágrimas cortaram meu rosto, senti um vento forte bater levando meu cabelo para trás trazendo um perfume um pouco conhecido por mim mas não me lembrava de quem era no momento. Virei meu rosto para o lado onde á alguns passos de mim, uma moça levantou-se passando as mãos pelo cabelo escuro, ela estava de costas pra mim mas acho que eu reconheceria a mulher em qualquer lugar. Passei as mãos pelo meu rosto secando minhas lágrimas e andei até ela ainda de costas pra mim com seu olhar fixo na lápide na sua frente, ela não notou a minha presença quando parei ao seu lado ou apenas fingiu que não. Doutora Lovato usava um casaco preto por cima de uma camiseta branca e seus dedos não largavam o pingente do colar dourado que usava, seu rosto pálido estava molhado pelas lágrimas e seus olhos castanho escuro agora vermelhos pareciam tão tristes, senti uma vontade imensa de envolver aquela mulher em meus braços. Segui o seu olhar fixo na lápide; Miley Cyrus. 1988 — 2010.
- Doutora Lovato? — eu chamei com a voz baixa
- Selena — ela sorriu fraco passando as mãos pálidas pelo rosto claro secando as lágrimas
- Desculpe se te interrompi, eu só a vi de longe e não podia deixar de falar com você.. — fitei o pingente agora livre; mc. Olhei para as inicias do nome na lápide.
- Está bem, sem problemas..- ela cruzou seus braços sobre o peito -.. está aqui com quem? — perguntou
- Com Maria — apontei para a mulher ainda parada no mesmo lugar — ela trabalha em casa, é como uma segunda mãe pra mim — expliquei para a doutora e ela assentiu
- Bem... eu preciso ir..- seus olhos voltaram para a lápide por segundos -.. foi bom te ver novamente, Selena — ela sorriu pra mim
- Também é bom te ver — retribui o sorriso — Doutora Lovato eu pos..
- Me chame de Demi — ela cortou-me — Doutora Lovato é apenas no hospital, fora de lá eu sou apenas a Demi.
- Ok.. — sorri observando-a afastar uma mecha do cabelo negro que caiu sobre o olho -.. então Demi, eu posso perguntar algo?
- Claro.
- O que.. quem era ela? — perguntei olhando para a lápide — Não precisa responder se achar incômodo.
- Está bem. — ela hesitou pegando novamente o pingente — Miley era a minha mulher.
- Sinto muito.. — eu disse baixo já esperando aquela resposta mas mesmo assim estava um pouco surpresa
- Estávamos apaixonadas e..- ela sussurrou com o seu olhar distante -.. desculpe Selena, eu tenho que ir.
Demi não esperou nenhuma resposta minha e começou a andar rápido para a saída do cemitério, vê-la naquele estado deixou-me estranhamente triste e tudo o que eu queria era abraçá-la forte; reconfortá-la. Eu não sei como é perder uma pessoa que você ama do jeito que ela amava aquela mulher afinal eu nunca havia me apaixonado por alguém mas sabia que era tão difícil e dolorido quanto perder a mãe. Espero que Demi sinta-se melhor, ela é uma mulher tão boa e não merece aquela dor.
Confesso que ainda estava um pouco supresa, no hospital cheguei a pensar que ela tinha algo a mais com o Doutor Jonas mas depois de hoje creio que são apenas bons amigos. Nos dias em que estive internada desenvolvi uma pequena queda por ela e tentei imediatamente expulsar da minha cabeça a possibilidade de ter uma chance com Demi afinal isso era definitivamente incondicionalmente impossível. Quero dizer, olhe só pra mim; uma garota gay de 18 anos que nunca beijou uma menina na vida imaginando-se ao lado de uma linda doutora que tem seu coração quebrado. Bem como eu disse: impossível.
- Vamos pra casa, Sel? — a voz de Maria despertou-me
- Sim, vamos.
Notas finais
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