Another Chance For Love
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Pov Demi.
- Você tá ficando velho, Mike. — zombei do meu cunhado ofegante após acertar com facilidade a bola laranja na cesta de basquete. O boné preto virado para trás escondia metade dos cabelos castanhos, limpou rapidamente o suor da testa, apoiando as mãos nos joelhos em seguida, respirando com dificuldade.
- E você continua a mesma, baixinha irritante. — rebateu brincalhão, peguei a bola do chão, quicando-a algumas vezes antes de atirá-la em sua direção, as mãos grossas seguraram firmemente.
- Vamos lá, Manning. Tente não perder muito feio.
Ao nosso lado, na parte de fora da garagem onde jogávamos, o rapaz magro com os cabelos castanhos e bagunçados, encostado na lateral do carro prata estacionado em frente da minha antiga casa, não deixou de vaiar. Segurei o riso desviando meus olhos do meu velho amigo, posicionando-me na frente de Mike, observando-o atentamente quicar a bola por entre as pernas antes de começar a driblar em direção a cesta, protegendo a bola com o corpo enquanto impedia-o de progredir.
- Acabe com isso, Dem. — ouvi Nolan gritar de onde estava.
Em um movimento rápido Mike avançou, atirando a bola em direção á cesta que para o seu azar, não atravessou o aro. Rapidamente peguei o rebote, o corpo forte e cansado veio para cima de mim, driblei-o sem muito esforço, arremessando a bola na cesta em seguida.
- 18 á 3! — Nolan gargalhou.
- Você não está facilitando, está Mike? — arqueei uma sobrancelha, fitando os olhos claros que minha irmã mais velha tanto amava.
- Acredite se quiser, estou dando o máximo de mim mas parece que você só melhorou, quando foi a última vez em que ganhei? Cinco anos atrás?
- Espere.. você nunca ganhou, Mike. — ri, brincando com a bola em minhas mãos.
- Por pena D, não queria ferir o corpo frágil da minha querida cunhada. — disse em uma piscadela.
- Cale a boca. — atirei a bola no perdedor.
- Hey vocês dois! — a voz da pré-adolescente nos chamou atenção.
A garota madura pra sua idade aproximou-se de nós, os belos cabelos escuros e lisos terminavam no meio das costas. Madison não aparentava de maneira alguma ter apenas dez anos de idade, minha irmãzinha estava quase do meu tamanho e absolutamente linda.
- Dallas está lá dentro furiosa, mamãe chega daqui á pouco e ao invéz de vocês estarem ajudando, estão aqui fora jogando basquete. — levou as mãos para a cintura, olhando-nos seriamente. Deixei um riso escapar observando a postura da garota.
- Já estamos indo, Maddie. — disse Mike. — Dá próxima vez, acabo com você. — ele avisou-me sério, gargalhei.
- Vai sonhando, Manning! — soquei de leve o braço forte. — Além de perder pra mim terá que acalmar a sua mulher.
- Dallas não vai gostar nem um pouco de te ver nesse estado. — Maddie apontou para a camisa do Lakers de Mike, úmida de suor. Ele não perdeu tempo e largou a bola de lado, dirigindo-se para dentro de casa.
- E a baixinha ganhou outra vez. — riu Nolan, parando ao meu lado com um sorriso no rosto.
- Mike que é um banana. — dei de ombros, abaixando meu olhar para a meia-calça preta que Madison usava. — Desde quando usa esse tipo de roupa? — perguntei.
- Desde quando cresci. — respondeu, analizando as unhas pintadas de preto.
- Ohh... claro, esqueci que minha princesinha está se tornando uma adolescente.
- E tem até um namorado. — Nolan comentou baixo, olhei-o rapidamente voltando meu olhar para a garota em minha frente.
- Como é que é? — ela revirou os olhos.
- Okay, vou deixar as duas irmãs discutir o assunto á sós. — Nolan bagunçou os cabelos de Maddie antes de correr em direção á porta.
- Não vai imitar o papai e pedir todas as informações de Derek, não é? — cruzou os braços.
- Hum... então esse é o nome do pivete. — estreitei os olhos em sua direção, Maddie bufou fazendo-me rir. — Relaxa pequena, só acho que você é muito nova para ter um namorado, tem a adolescência inteira para isso.
- Dallas disse a mesma coisa. — suspirou.
- Viu? Temos razão. Agora vamos entrar se não Dona Dianna chega e nós estamos aqui fora. — peguei a mão de minha irmã enquanto andávamos até a porta.
- Ela vai ficar mais feliz com sua presença do que com a surpresa. — riu, abraçando-me de lado.
- Estou até vendo a cara que ela irá fazer...
(...)
Vesti o roupão macio ao sair do banho, limpei o espelho embaçado, fitando meu reflexo por um momento. Estava feliz por estar em minha casa, onde morei por toda minha infância e adolescência, agradecida por estar ao lado da minha família depois de um bom tempo longe. Deixei um sorriso brotar em meus lábios, sem conseguir impedir de relembrar o dia anterior, aquela garota simplesmente conseguia abalar todas as barreiras que construí á dois anos, não havia mais como impedir, seu olhar sincero e seu toque delicado fazia meu coração pulsar assustadoramente, sentia uma sensação completamente esquecida. A voz em minha mente continuava a ordenar para destruir o que sentia mas não obedecia mais, não queria.
Saí do banheiro, dirigindo-me para a mala aberta em cima da minha cama, revirei as roupas jogando algumas para fora, atrás de uma camiseta simples e calça jeans. Por vontade de minha mãe meu quarto encontrava-se exatamente do mesmo jeito em que deixei, ela tinha esperanças de que eu voltasse pra casa algum dia, nem os posters das bandas antigas que gosto haviam sido retirados da única parede roxa, ao lado da janela o quadro grande de fotos permanecia intácto com as imagens do passado, cada uma delas registravam um momento especial dos meus dezeseis e dezesete anos; melhor época da minha vida.
Ouvia os chamados repetitivos de minha irmã mais velha enquanto descia a escada em direção á sala de estar, a voz que tanto irritou-me em todas as nossas brigas entre irmãs, misturava-se com as das poucas pessoas presentes ali, meus avós, tios e alguns velhos amigos dos meus pais, todos esperando pela chegada de minha mãe que não tinha a mínima idéia do que acontecia em sua casa no momento. Os olhos alegres cor de mel, fitaram-me ao descer o último degrau, os cabelos castanhos claro de minha irmã estavam mais longos, a pele que costumava ser bem bronzeada estava mais clara agora, Dallas estava linda; como sempre foi.
- Então, está legal? — ela perguntou animada, referindo-se ao quadro retangular pousado próximo á nós.
Aproximei-me da simples surpresa, observando cada foto antiga e recente presas no quadro sustentado por um suporte, as bordas estavam decoradas de dourado, com ''Feliz aniversário, mamãe'' desenhado acima com a mesma cor. Sabíamos o quanto Senhora De La Garza amava presentes feito a mão e a idéia genial havia vindo da mente brilhante de Madison; ela pediu para Eddie tirar mamãe de casa antes de minha chegada pela manhã, permanecemos mais de uma hora dentro do quarto de casal, sentadas na cama grande, escolhendo as melhores fotos que espalhamos pelo colchão. Ainda não havia visto o resultado, e estava incrível.
- Está perfeito, Dallas. — sorri, observando uma das fotos; minha mãe adolescente vestida em um uniforme de líder de torcida.
- Obrigada por estar aqui hoje, Dem. — senti a mão delicada tocar minhas costas. — Ela sente muito sua falta.
- Eu sei. — virei-me, encontrado seu olhar. — Não poderia perder novamente, desejar mais um parabéns por telefone.
- Ela só não faz as malas e vai até você porque Eddie a impede. — riu fraco. — Eu acho que mamãe nunca vai se acostumar com você longe. — suspirei, sabia o quanto ela queria suas três filhas por perto.
- Hey minha Dallas Leigh Lovato Manning. — minha irmã sorriu apaixonada quando os braços fortes a braçaram por trás.
- Fala, meu amor. — beijou a bochecha de Mike. Sorri assistindo o belo casal em minha frente. — O carro do seu pai acabou de estacionar na garagem.
Madison rapidamente pegou o quadro, tirando-o de vista. Bateu a mão no interruptor escurecendo a sala decorada com alguns balões dourados. Por alguns minutos voltei para minha infância, relembrando minhas festas de aniversário. Do sofá era possível ouvir alguns cochichos, pisquei os olhos em direção da porta, sentindo um corpo maior que o meu parar ao meu lado, Nolan comentou sobre algo em meu ouvido porém não prestei atenção, estava ansiosa para minha mãe entrar por aquela porta. Ouvimos o barulho da maçaneta e em seguida a porta foi aberta.
- Por que está tud...
- SURPRESA! — todos gritaram ao mesmo tempo em que as luzes acenderam.
A loira bonita levou a mão até a boca aberta, tapando-a, completamente surpresa com o que via, alguns familiares logo foram cumprimentá-la, desejando parabéns enquanto os olhos castanhos corriam por toda a sala passando rapidamente por mim sem notar-me entre Dallas e Maddie, não durou meio segundo para voltar o olhar em minha direção, o sorriso em meu rosto estendeu-se.
- Demetria! — ela disse ainda mais surpresa, largando sua bolsa com Eddie e vindo rapidamente até mim.
- Oi mãe. — abraçei o corpo pequeno, afagando os cabelos loiros e cheirosos. — Feliz aniversário.
- Meu Deus, não acredito que está aqui, filha. — as mãos macias tocaram todas as partes do meu rosto, puxando-me novamente para seus braços. — Sinto tanta a sua falta.
- Eu também, mãe. Eu também.
Após minha mãe esquecer completamente do resto das pessoas presentes enquanto matávamos toda a saudade, ela deixou-me e foi cumprimentar seus amigos e parentes, agradecendo aos presentes que ganhava, afirmando que não esperava pela surpresa. Uma música calma tocava na sala movimentada, Dallas e Mike trocavam carinho próximos a escada, minha irmã mais nova falava sorridente no celular. Algumas das pessoas vinham até mim, perguntar sobre meu tempo sumida e como estava a minha vida em Los Angeles, apenas mentia para os rostos conhecidos, alguns deles já completamente esquecidos. Tomei mais um gole do vinho, sentindo meu celular começar a vibrar no bolso junto com a música, repousei a taça na estante de fotos, pegando o aparelho, suspirei cansada ao ler o nome, deixei tocar até que parasse.
- Não vai atender? — virei-me assustada ao ouvir a voz próxima ao meu ouvido. Nolan riu, mordendo um pedaço do petisco que comia.
- Não, quero um pouco de sossego. E você, não me assuste mais assim.
- Desculpe. — riu. A música começou a tocar novamente. — Quem é Victoria? — ele perguntou, olhando para a tela em minha mão.
- Só uma garota que conheço, nada demais. — respondi, desligando completamente meu celular.
- Hum... — sorriu com malícia.
- Pare. — empurrei levemente seu ombro.
Começamos mais uma de nossas conversas malucas, que tiravam-me gargalhadas. Sentia falta dos meus velhos amigos, conhecia Nolan desde o jardim de infância, considerava Nardecchia meu irmão, o irmão homem que não tenho. Do outro lado da sala, Maddie chamou por mim e Dallas, esperamos ficar somente em família para presentear nossa mãe com o quadro de fotos, Eddie sorria o tempo todo deixando a loira em sua frente confusa, ele estava ciente de tudo o que fizemos.
- O que estão aprontando agora? — minha mãe perguntou desconfiada.
- A senhora já vai saber. — disse Dallas. — Maddie, vá buscar.
Não demorou muito para Madison aparecer novamente na sala, carregando o presente feito a mão. Minha mãe aproximou-se de nós, com os olhos brilhando.
- Vocês fizeram isso? — perguntou, olhando para suas fotos, nossas, de nossa família.
- Sim, e a idéia foi totalmente minha. — Madison afirmou, nos fazendo rir.
- Eu tenho as melhores e mais lindas filhas do mundo. — os olhos lacrimejados fitaram cada uma de nós. Abraçamos a mulher linda e incrível. — Eu amo vocês, minhas meninas.
- E nós amamos a senhora! — beijei sua bochecha.
(...)
Andei em passos silenciosos pelo corredor do andar de cima, com a caixa preta de veludo em minhas mãos, as luzes fracas acezas impediam o espaço de tonar-se completamente escuro. Parei em frente a porta entreaberta do quarto, empurrei levemente a madeira provocando um pequeno barulho, a mulher sentada na cama, usando um óculos de leitura enquanto lia um livro olhou rapidamente em minha direção, um sorriso formou-se no rosto bonito. Minha mãe pousou o livro aberto no colchão ao seu lado.
- Tudo bem, filha? — perguntou. Assenti.
- Tenho uma coisa pra senhora. — eu disse, adentrando o quarto.
- O que é isso? — sorriu, olhando para o objeto em minha mão.
- Seu presente. — sentei-me ao seu lado na cama, entregando a caixa para ela.
Sorri assistindo-a abrir a caixa preta revelando o lindo colar, a expressão surpresa outra vez presente em seu rosto. Passou delicadamente os dedos pelo colar de ouro com diamantes, os olhos brilhavam, estava encantada.
- Demetria isso... é muito lindo filha, mas parece muito caro.
- É o mínimo que a senhora merece, e nem pense em negar.
- Eu te amo, Demetria. — puxou-me para seus braços. — Minha menina.
- Também te amo mãe, muito. — Deus, como sentia falta desses momentos. — Eu... tem tempo pra uma conversa antes de dormir? — perguntei, afastando-me de minha mãe.
- É claro, filha. Sobre o que quer conversar? — perguntou, fechando seu presente, pousando-o no criado mudo. — Vem cá. — bateu as mãos sobre as próprias coxas, sorri relaxando minha cabeça em seu colo. — E então?
- Eu... eu estou gostando de alguém. — confessei, sentindo a mão delicada passear pelo meu cabelo.
- Isso é maravilhoso. — ela alegrou-se. — Quem é ela? — perguntou.
- Selena. — respondi após alguns minutos em silêncio. — Ela foi minha paciente. — completei.
- Lindo nome, e será que a dona dele também é? — assenti, deixando escapar um riso baixo. — Estou me sentindo como se estivesse á nove anos atrás. — comentou com um suspiro.
- Eu sei, estou parecendo uma adolescente agora. — o sorriso em meus lábios foi morrendo aos poucos, com as lembranças vindo em minha mente, eu e minha mãe nessa mesma posição enquanto confessava meus sentimentos por Miley. — Estou com medo... sei o que quero mas não tenho certeza se consigo.
- Lembra do seu aniversário de quinze anos? — assenti, fitando o rosto sereno. — Você estava irritada, triste e não queria saber de mais ninguém apenas da sua namorada que iria viajar com os pais no mesmo dia, não queria passar a data longe dela e nada mais te importava. — meus olhos rapidamente lacrimejaram. — E o que aconteceu no final?
- Ela apareceu. — sussurrei, deixando as lágrimas caírem. — Disse que não poderia perder, Miles brigou com os pais deixando de viajar tudo para me ver feliz.
- E o que acha que ela quer agora, querida? Ver a garota, mulher que amou sofrendo e sozinha? — fechei os olhos com força, sentindo a mão secar delicadamente as lágrimas que escorriam em minha bochecha.
- N-não. — solucei, abraçando minha mãe. Permitindo que o resto das lágrimas caíssem facilmente.
''O que eu mais quero na vida é sempre te ver feliz.'' A frase que sempre me fez sorrir, amá-la cada vez mais, repetiu-se em minha mente, junto com a voz doce da mulher que sempre foi minha vida, meu tudo.
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