Another Chance For Love
14 Capítulo 14
A cada passo que dávamos no corredor do hotel luxuoso, o som da música eletrônica tocando por trás de umas das portas se intensificava. Continuava a acompanhar as duas pessoas falantes ao meu lado, a loira vestida em um curto vestido preto tomara que caia continuava a simples discussão sobre um jogo de baseball que havia se iniciado desde quando os encontrei na saída do hospital, me divertia assistindo o quanto Doutor Jonas gostava de provocar sua amiga. As provocações apenas cessaram quando adentramos o local da festa, vários rostos curiosos e desconhecidos vieram em minha direção, e mais adiante haviam pessoas dançando, Nicholas nos deixou seguindo um caminho até um grupo de homens conversando enquanto bebiam. A alguns passos de onde estávamos, avistei Doutora Belle que acenou em nossa direção, Taylor pegou-me pelo braço enquanto passávamos entre as pessoas até chegar no balcão onde Camilla estava sentada ao lado de uma mulher morena. Eu não conhecia mais ninguém ali dentro além das duas amigas, Nicholas e lógico; Demi, que parecia estar a caminho.
– Vocês demoraram, por quê? — Camilla perguntou ao beijar a bochecha de Taylor.
– Adivinha? Lovato e Stewart nos prenderam. — a loira sentou-se em um dos lugares vagos, ocupei o outro ao seu lado.
– Você não reclama tanto quando Demi faz isso, é ótimo pra você por sinal.
– Claro mas, Kristen é insuportável. — revirou os olhos azuis e chamou a atenção do barman que segundos depois lhe serviu uma taça com uma bebida de cor azul.
– E a senhorita? — o rapaz perguntou-me gentilmente.
– Ah, só um refrigerante. — pedi, notando-o franzir levemente a testa.
– Refrigerante? — a pergunta veio da mulher desconhecida por mim, sentada ao lado de Camilla. Os cabelos escuros e ondulados da morena caíam sobre os ombros bronzeados, olhei o rosto redondo que fitava-me com curiosidade.
– É... eu acho melhor. — respondi. Ela assentiu desviando os olhos castanhos para as pessoas movimentando-se no local.
– Então, cadê a senhorita competência? — perguntou Camilla em um tom debochado.
– Deve estar chegando a qualquer momento. — respondeu Taylor levantando-se do banco. — Vamos dançar, Selena! — chamou-me animada.
– Ah eu.. não estou muito afim agora, acho que vou ficar por aqui mesmo. — eu disse, notando a lata de refrigerante ser pousada no balcão a minha frente.
– Está bem então, vamos comigo Camilla! — puxou a morena de cabelos lisos pelo pulso, arrastando-a para a pista de dança.
Observei de longe as duas mulheres animadas dançando junto com dois rapazes estilosos, capturei o canudo da lata sugando o refrigerante gelado de limão, sentindo-o refrescar minha garganta. Olhei vagamente para a morena desconhecida ao pousar a lata novamente no balcão, ela continuava em seu mesmo lugar com uma das mãos segurando a taça enquanto os olhos corriam pelos cantos, acenava para um ou outro que a cumprimentava a distância. A música não muito alta continuava a tocar, parecia que a cada minuto que se passava da noite o lugar tornava-se mais cheio de pessoas, menos a que eu desejava ver no momento.
– Sou Vanessa. — ouvi a voz da mulher novamente, ela levantou-se ocupando o lugar vazio ao meu lado.
– Selena. — cumprimentei-a, apertando a mão que me foi estendida.
– Você parece tão nova Selena, imagino que não trabalha ao lado das garotas, não é?
– Não não, eu na verdade ainda estou no terceiro ano.
– Oh.. e como veio parar aqui essa noite? — tomou um gole do líquido verde fluorescente, umedecendo os lábios em seguida.
– Taylor me chamou. — respondi, olhando rapidamente para a loira extrovertida.
– E.. pelo o que estou vendo.. você está sozinha aqui.. — a mão livre da morena caiu sobre minha coxa coberta pela calça jeans, engoli seco. -.. certo?
– Errado. — estremeci ao ouvir a voz conhecida perto da minha orelha ao mesmo tempo em que os braços pálidos abraçaram minha cintura por trás.
– Ah, oi Demi. — Vanessa sorriu desconfortável.
Não houve nenhuma resposta da mulher que tinha os braços delicadamente apertados em minha cintura, a morena então levantou-se de onde estava, despedindo-se de nós. Meu coração batia aceleradamente dentro do peito pelo ato repentino, senti os braços de Demi abandonarem-me, ela sentou-se ao meu lado correndo os olhos pelo lugar.
– O que, o que foi isso? — perguntei, ganhando a atenção dos olhos perfeitos.
– Estava apenas te salvando. — respondeu simplesmente.
– Como assim? — franzi o cenho.
– Vanessa não é uma boa companhia pra você, ela se envolve com drogas, gostaria de cair nessa outra vez? — levantou as sobrancelhas, como se soubesse que tinha a razão.
– Eu não... bem.. acho que.. obrigada. — sentia-me decepcionada. Mas era apenas por isso? Me livrar da má companhia? E daquela forma? Não tinha algo a mais?
– Até que enfim você apareceu! — a voz animada de Taylor chamou nossa atenção. — Não sei como consegue suportar Kristen por tanto tempo.
– Taylor, essa raiva estúpida por ela já está se tornando infantil. — Demi disse seriamente. — Vou ali falar com Nicholas. — avisou depois de alguns segundos em silêncio.
– O que deu nela agora? — Taylor perguntou confusa quando Demi se distanciou, dei de ombros. Queria poder saber o que se passava em sua mente. — Então, o que foi isso o que aconteceu aqui com vocês?
– N-nada, eu... — gaguejei.
– Olhe Selena, eu sei o que você quer com ela. — engoli seco, estava tão na cara?
– Eu nã...
– Não ouse em negar. — interrompeu-me. — Demi é minha amiga e mesmo que ela tenha se tornado desse jeito; fria em relação a isso, ela me conta as coisas.. bem, a maioria delas. — riu, respirei fundo antes de dizer o que passava pela minha mente.
– Quando ela me abraçou a poucos minutos atrás, cheguei a pensar que...
– Estavam realmente juntas? — ela terminou, assenti. — Demi não quer se prender a mais ninguém depois que perdeu um das pessoas mais importantes de sua vida, mas com você Selena... acho que está confundindo a cabeça dura da minha amiga. — soltou um riso baixo.
Confundindo? Isso era algo que deveria me agradar? Franzi o cenho processando a informação, rapidamente o nome veio em minha mente; Miley.
– Por quê você não vai se divertir já que Demi te deixou de lado? — sugeriu, com um sorriso no canto dos lábios. Soltei um riso desanimado.
– Eu não sei...
– Vai se divertir um pouco, Selena! Eu falo com Demetria.
Hesitei por um momento, observando o lugar animado cheio de luzes de todas as cores. Os olhos maquiados de preto da morena sentada no outro lado do lugar não muito agitado rapidamente se encontraram com os meus. Poderia me divertir um pouco com Vanessa, por quê não? Provavelmente era o que iria acontecer se a mulher que desejava não tivesse nos interrompido, não estava acompanhada de ninguém e pelo o que houve a minutos atrás; tinha chance com ela. Andei alguns passos em direção á Vanessa, ocupando o lugar vazio do sofá de couro preto ao seu lado.
– Achei que você estivesse com a Lovato. — franziu levemente o cenho.
– É... mas estou sozinha.
– Bem... não mais. — levantou-se puxando-me pela mão. — Vem!
Não neguei, deixei a morena atraente levar-me para o meio das pessoas até começarmos a dançar ao som da música eletrônica. Não levou muito tempo para me soltar completamente, já sentia-me ofegante e o corpo se movimentando em minha frente aproximava-se ao passar dos minutos dançando, não me incomodei quando as mãos puxaram-me pela cintura, acabando com o mínimo espaço entre nossos corpos. Continuamos juntas curtindo a música, corri meus olhos pelo local parando no balcão próximo onde as duas mulheres estavam, a boca da loira não parava fechada enquanto a morena parecia não estar dando a mínima atenção para o que Taylor falava, os olhos escuros estavam fixados em minha direção, tinha as costas encostada no balcão e os braços cruzados sobre o peito.
Repentinamente senti meu rosto ser virado por uma das mãos segurando meu queixo, a morena dançando sensualmente sorriu com malícia, seu rosto começou a se aproximar lentamente do meu, Vanessa era realmente bonita e atraente, não tinha esse tipo de contato com mais nenhuma outra garota além de Demi; que deixava-me completamente confusa. A respiração ofegante da morena começou a se misturar com a minha, suas mãos pegaram as minhas, levando-as para sua cintura antes de aproximar nossas bocas.
– Com licença. — a dona da voz que nos interrompeu empurrou levemente o corpo da mulher em minha frente.
Não deu-me tempo para perguntar o que ela estava fazendo, ao mesmo tempo em que empurrou Vanessa para o lado, os lábios carnudos se chocaram contra os meus, senti as mãos quentes tocarem a pele do meu pescoço, puxando-me pela nuca enquanto deixava a língua adentrar minha boca, enroscando-se com a minha. Minhas mãos em sua cintura puxaram delicadamente o corpo perfeito para mais perto do meu, foi como se tudo que estava em nossa volta desaparecesse, meu coração batia rapidamente. Senti uns dos dedos presos em minha nuca acariciar vagarosamente minha pele, puxei o ar pelo nariz não querendo que aquele momento terminasse, nossas bocas juntas se moviam lentamente em um beijo calmo e doce, perfeito. Demi juntou nossas testas após separar seus lábios dos meus, eu respirava ofegante ainda de olhos fechados, sentindo sua respiração.
– Vamos sair daqui. — sussurrou contra meus lábios, o polegar acariciando minha bochecha. Assenti, juntando novamente nossas bocas em um rápido beijo.
(...)
A lua brilhante e os postes de luz iluminava o lugar deserto, apenas um ou dois carros passavam por nós, caminhávamos em passos lentos na beirada da rua, os dedos entrelaçados com os meus não deixavam-me formular nenhuma frase descente, sentia uma sensação inexplicável, uma felicidade jamais sentida antes, um calor e um frio no estômago, não conseguia tirar o sorriso do meu rosto. Olhei para a morena quieta caminhando ao meu lado, o vento fraco que fazia levavam alguns dos fios negros para trás, deixei um riso baixo escapar pelo nariz, o frio do começo da madrugada fez meu corpo tremer junto com um rápido arrepio.
– Frio? — os olhos castanhos fitaram-me.
– Um pouco. — minha voz saiu baixa.
– Vamos. — ela disse já virando-se. — Eu levo você pra casa.
– Espere. — pedi, lembrando-me do que aconteceu na festa. Demi olhou-me com atenção. — O que... por que me separou de Vanessa? — perguntei. Desviou seus olhos dos meus, fitando um ponto qualquer da rua.
– Achei que já tinha respondido isso.
– Demi...
– Não poderia deixar que terminasse a noite com ela, bem... você merece alguém melhor. — a mão soltou a minha delicadamente.
Alguém melhor? Senti satisfação ao ouvir aquelas palavras mesmo sentindo que não se referia a ela, feliz por não me querer com outra pessoa. Mas queria mais um resposta, apenas para acabar com minha dúvida.
– Você... você sentiu ciúmes? — perguntei, os olhos castanhos olharam-me rapidamente, parecia assustada.
– Não. — negou, franzindo o cenho. — Apenas acho que não deveria ser o próximo brinquedo de Vanessa.
– Por quê? E se eu quisesse?
– Você queria?
– Talvez, te incomôda?
– N-não, claro que não. — cruzou os braços sobre o peito.
Não continuamos a andar de volta nem falar sobre o assunto, permanecemos paradas e o silêncio caiu sobre nós. Observei as cores do semáforo no final da rua mudarem diversas vezes. Por quê Demi não assume uma coisa que pareceu tão óbvia? Havia algo que ainda deveria ser dito por mim.
– Demi... — quebrei o silêncio. — Eu gosto de você, eu realmente gosto. — confessei, queria dizer com todas as letras mesmo ela já sabendo, queria que ouvisse da minha boca.
– Eu... — os olhos deixaram meu rosto, meu coração batia freneticamente. — Eu não... me desculpe.
Engoli seco, sentindo uma pequena pontada em meu peito. No fundo tinha esperanças de que Demi sentisse alguma coisa por mim e suas palavras negando, fossem apenas um meio de fugir.
– Seria melhor se você não tivesse me tirado da festa. — senti meus olhos embaçarem. — O que, o que quer comigo, Demi? — procurei seu olhar mas ela evitava me olhar nos olhos.
– Eu não.. eu não sei, Selena. — respondeu com a voz alterada e virou-se, começando a caminhar de volta de onde viemos.
Assisti enquanto o corpo se distanciava de mim a cada passo que dava na rua, até que ela parou. Demi levou as mãos até a cabeça, abaixando-a, suspirei pesadamente fechando meus olhos com força e quando os abri novamente a morena a alguns passos de mim encontrava-se abaixada no meio do asfalto, as mãos ainda presas nos cabelos, franzi o cenho com a cena e comecei a andar até ela. Ao parar ao seu lado senti um forte aperto no coração ao notar que ela chorava, um choro baixo, doloroso. Agachei-me silenciosamente ao seu lado levando minha mão até suas costas, acariciando lentamente. As mãos pálidas que escondiam a face começaram a secar rapidamente os olhos minimamente vermelhos, molhados pelas lágrimas, Demi levantou-se e eu fiz o mesmo, os olhos castanhos tristes e lacrimejados fitaram-me, ela parecia tão frágil como no dia em que nos encontramos a primeira vez fora do hospital. Delicadamente retirei alguns fios de seu cabelo presos na bochecha úmida, colocando-os para trás da orelha.
– Não chore, por favor. — pedi com a voz baixa, acariciando a pele macia. Não tinha a certeza sobre o motivo do choro e doía em mim vê-la daquele jeito.
– Me desculpe. — abraçou-me fortemente. Apertei mais o corpo contra o meu, fechando os olhos.
Ficamos assim por bons longos minutos, Demi escondeu o rosto em meu pescoço, as lágrimas que ainda derramava molharam minha pele, sua respiração quente e descontrolada parecia voltar ao normal com o tempo que se passava. Afaguei o cabelo sedoso, sentindo o aperto em meu corpo afrouxar-se lentamente.
– Eu gosto de você. — sussurrou em meu ouvido com a voz levemente chorosa.
Meu coração disparou, era quase possível ouvir as batidas aceleradas, parecia que iria saltar pela minha boca ou rasgar meu peito. Apertei mais o corpo da mulher maravilhosa que tinha em meus braços, depositando um demorado beijo na lateral de sua cabeça, aspirando o perfume doce. Um frio e uma sensação gostosa apoderou-se do meu estômago, sorri de olhos fechados repetindo suas recentes palavras em minha mente.
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