Anos Incríveis

1 Capítulo 1: Uma Nova Rotina


Notas iniciais
Aproveitem :)

Aquele era um verão especial para um jovem inglês de 15 anos, ele estava na transição de garoto para homem e isso não poderia deixar sua mãe mais empolgada.

— Nem acredito que meu filhinho está indo para o ensino médio — dizia a mãe do garoto, com lágrimas quase saindo de seus olhos.

— Não fique assim querida, nosso rapazinho já está grande, não é, Erick ? — Retruca seu pai, que não tirava os olhos da estrada e as mãos do volante.

— Bem... Hum, acho que sim.

Após algumas horas de uma longa viagem eles chegam a cidadezinha de Buckingham, com aproximadamente doze mil habitante, ela não é uma cidade que se destaque na Inglaterra por causa de seu turismo e muito menos por ter os melhores preços ou algo do tipo, porém... Ela possui um dos colégios internos mais requisitados de toda a Europa, o Volpe. Um internato conhecido mundialmente pelo seu rígido e impecável ensino médio, que abriga cerca de 800 alunos entre os 15 e 18 anos, com um vasto campus equipado de quadras de basquete, campos de futebol, piscinas a nível olímpico e outras exclusividades.

Erick e seus pais avistam de longe o grande terreno no qual residiam os prédios da instituição, e após alguns minutos até um longa estrada de pedra, finalmente chegam ao colégio. Deixando o carro estacionado numa das poucas vagas por ser um dia posterior ao começo das aulas, eles se dirigiram para a sala da secretaria.

— São os Smith, certo ? — Pergunta uma das coordenadoras pedagógicas.

— Sim, e esse jovenzinho deve ser o Erick, correto ? — Pergunta ela para o garoto

— S- sim, sou eu.

Num troca troca de conversa entre a coordenadora e os pais de Erick, ele se sentia intimidado a passar a maior parte dos próximos anos de sua vida em uma escola, mas não havia outra escolha, ele sabia que essa experiência não seria como nos filmes, onde um garoto levado é levado para um colégio interno e lá ele sofre deverás punições até voltar para casa como um robô... O lugar era rígido, mas nem tanto.

— Meu querido, por quê você não procura o seu quarto, e deixa a mamãe e o papai conversarem a sós com a moça ? — Ele concorda, apesar de não gostar nem um pouco do jeito como a mãe o trata feito um bebê.

Haviam os dormitórios das garotas e dos garotos separadamente, o deles ficava ao leste e o delas ao oeste, seguindo na direção pela qual ele foi aconselhado, segue o jovem por longos salões de arquitetura que mesclam o clássico ao novo. Erick teve de perguntar mais de uma vez a alguns alunos como se chegava no seu quarto, foi difícil, mas depois de passar por uma porção de pessoas, ele consegue. Ao chegar ele vê duas camas, as paredes são pintadas de um vívido azul e o teto de branco, com moveis e cabeceiras para botar os objetos, em uma das camas há uma mala, então ele decidi deixar a suas coisas na cama ao lado, até que de repente...

— Ufa, eu estava precisando me aliviar, tantas hora de viajem me deixaram de bexiga cheia — Disse um garoto gordinho e de óculos enquanto saia do banheiro do quarto.

— Prazer, Erick Smith, acho que sou seu colega de quarto — O garoto sorri e responde.

— Eu sou Remy Legrand, espero que sejamos grandes amigos, ah e desculpe pelo meu sotaque francês, ainda não me acostumei totalmente com o inglês.

— Ah, sem problemas. — Diz Erick todo sorridente, pois não havia maior felicidade para um tímido garoto do que achar um possível grande companheiro.

Remy que já estava por dentro de como as coisas funcionam, explica (enquanto eles caminham para receberem as boas vindas da diretora) que as aulas são de segunda a sábado, o uniforme devera sempre estar completo durante o período de aula (que era composto por sapato preto, camisa, gravata, calça social, paletó e o brasão da escola com o símbolo de uma raposa colado abaixo do ombro esquerdo para os meninos). O garoto de sotaque francês também deixou bem nítido o quão "forte" era o ensino da Volpe, e que para passar por esses 3 anos seria necessário muitos horas sem dormir.

A conversa estava boa, porém era hora de fazer silêncio, eles chegaram no jardim central do colégio, cujo ficava no centro da instituição, você poderia ver o quão grande era o lugar e ver os diferentes dormitórios ao redor. Os novatos fazem fila e ficam quietos, a diretora aparece na frente para passar os comunicados, uma mulher de 50 anos que só pelo olhar já se via um pouco de extremismo por regras e rigidez.

— É um prazer enorme receber novos estudantes a essa singela instituição, que consigamos fazer grandes mentes para o futuro, talvez o próximo líder de uma grande empresa esteja entre nós, ou até mesmo alguma nova primeira dama. Bem, sou a senhorita Margot Colin, bem vindos a Volpe... Vamos fazer um tour pelo campus ?

Depois desse discurso, Erick cutuca Remy. — Eu é que não vou querer desobedecer as regras em colégio com uma diretora dessas, Sra. Colin me deixou com calafrios.

Os pais dos alunos poderiam escolher entre já se despedirem, ou esperar seus filhos apreciarem o tour. Os pais de Remy já foram, porem os de Erick decidiram que vão esperar para darem as despedidas com mais calma.

Eles começaram visitando o lado exterior da instituição, dando uma volta por todo o jardim central e vendo suas arvores esbanjando folhas de outono. Remy disse que que fica lindo na primavera, ótimo para pegar um livro, se acomodar numa sombra por perto... E aproveitar.

— Remy, desculpa parecer meio intrometido, pode não responder se quiser, mas como sabe tanto daqui ? — Pergunta Erick, com um ponto de interrogação no rosto.

— Bem, meu irmão mais velho se formou aqui, hoje ele é um grande advogado na Itália, ele me disse tudo que eu precisava saber, incluindo a promoção de nachos na cantina e também... — Erick o interrompe.

— Desculpa, mas olha aquela garota. — Ele apontou para uma das novatas que estava alguns passos a frente deles, ela era loira, tinha cabelos um pouco abaixo dos ombros, estava usando um vestindo jeans com babado, uma sapatilha azul e um arquinho preto na cabeça.

— Hum, vejamos... Ela parece ser meio nerd, não que eu seja o cara mais descolado do mundo, mas ela me parece meio fechada, tipo você. Quer que eu junte os dois pombinhos ?

— Esse é o tal jeitinho francês da sedução ? — Diz ele num tom sarcástico. — Sou tímido até o meu último fio de cabelo, nunca conseguiria falar com uma garota, nem com a minha mãe eu me solto.

— Nossa, você precisa resolver isso ai, meu amigo.

O passeio continua, eles passam um campo de baseball construído recentemente, quadra de Basquete ao ar livre e inclusive por uma das piscinas, que inclusive estava sendo limpara para receber o quanto antes os alunos. Os calouros em sua grande maioria, estavam em seus dormitórios se preparando para o começo do ano letivo, seja dormindo ou reestudando matérias passadas, os poucos que se via pelo campus naquele momento, só observavam seus novos colegas.

Após uma olhada do lado de fora, chegará a vez de olhar o interior... Volpe era sinônimo de qualidade, está é uma instituição com mais de um século, só de passar pelos corredores isso fica bem nítido, com portas feitas da mais nobre madeira do século 18, maçanetas de ouro, quadros dos diferentes diretores, das melhores turmas e das conquistas que esse colégio arrecadou durante todos esses anos, inúmeros troféus e faixas de primeiro lugar.

Os alunos receberam permissão para se despedirem dos pais que ainda estavam presentes, porém a Sra.Colin disse que detalharia mais sobre assuntos como notas e uniformes, contudo, Erick já tinha sua própria "enciclopédia" francesa, então ele decidiu procurar pelos pais. Voltando a secretaria, a responsável disse que eles foram na direção do dormitório das meninas, cujo ficava perto da quadra de basquete. Dito e feito, lá eles se encontravam.

— Mãe, Pai.. O quê acharam ?

— Olha, é tão bonito quanto é caro. — Brinca seu pai.

— O meu pequenininho vai ficar longe da mamãe. — Ela toda chorosa diz isso enquanto aperta fortemente as bochechas do pobre garoto.

— Para, mãe... Vai me envergonhar na frente de todos. — Retruca ele, bastante constrangido.

— Olha, vamos mandar cartas, dinheiro para os lanches que precisar, roupas caso a temperatura mude bruscamente... E POR FAVOR, anote bem os períodos em que poderá voltar pra cara, iremos vir na mesma hora. — Diz a Senhora Smith, ainda sem acreditar que está para ver seu único filho enfrentar as adversidades de forma independente a partir de agora.

Eles se abraçam, escorre um pouquinho de água nos olhos do jovenzinho, mas eles se despedem sem grandes problemas... Bem, a mãe nem tanto, mas ela teve que deixar o garoto ir no final das contas.

A despedida parecia ter durado horas, pois o sol já estava se pondo, então Erick corre para seu dormitório, corre para suas novas tarefas, sua diretora super exigente, seu novo possível melhor amigo e talvez uma nova garota em sua vida que não desse só beijo na bochecha, ele correu como se não houvesse amanhã, corria com um sentimento de que um turbilhão de emoções o atingiria, só que algo o atingiu antes... Alguém bota o pé na frente e ele acaba caindo de cara no chão, por sorte nada se quebrou, mas tinha doido um bocado, quando ele se levanta, vê a sua frente um garoto com um palito na boca ao melhor estilo galã da década passada, cabelo com corte militar e trajando as roupas do colégio, ele tira o palito e diz.

— Bem vindo ao meu colégio, seu babaca.

Continua....

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.