Notas iniciais
OneShot bem pequena sobre Swan Queen, para começar a minha estadia aqui no site Nyah com o pé direito.
Espero que gostem, mina!

As folhas naquele outono enchiam os meus olhos com sua dança no ar. Eu e ela estávamos na varanda, sentadas lado a lado. Eu observava o dia ir embora aos poucos e ela tinha uma das mãos repousada sobre a minha e a outra segurava um livro. Com sua distração na leitura, eu pude observá-la sem nenhuma cerimônia. Apesar da idade, Regina ainda era majestosa, ainda tinha todo aquele ar superior. Os cabelos brancos denunciavam anos e anos de vivência. E a maior parte deles, foi vivida ao meu lado.

Era impressionante como o nosso amor nunca morreu depois de tanto tempo. E eu sempre me vangloriava disso. Afinal, ela me amava. E eu a amava de igual forma. Passamos por tantas coisas juntas, e o nosso amor ainda estava ali, sobrevivendo com o tempo, firme e forte. Inquebrável.

Quando finalmente levantou os olhos do livro, me pegou no flagra lhe admirando com um sorriso bobo no rosto.

-Swan, não cansa de olhar para esse rosto tão velho e cansado?-Riu, tirando os óculos e voltando a me olhar em seguida.

-Não canso de admirar a mulher que tanto amo.

-Eu amo você mais, querida.

-Duvido muito.- Provoquei-a. Ela sorriu.

-Swan... Lembra-se do nosso primeiro beijo?

Indagou.

Como eu poderia esquecer? Impossível esquecer.

Fecho meus olhos nesse momento, e me entrego às lembranças daquele dia.

Era uma tarde chuvosa, eu e ela estávamos no meu quarto, assistindo um filme de comédia. Ríamos muito, afinal, éramos duas adolescentes tão bobas e tão felizes. Regina e eu compartilhávamos uma felicidade enorme, pois tínhamos uma à outra e para nós, isso era o bastante.

Porém, eu não sabia, eu não tinha ideia do que ela sentia por mim. E foi naquele dia que ela me fizera enxergar seus sentimentos para comigo. Sentimentos que só depois eu descobriria serem recíprocos.

Quando ela levantou-se da cama, foi em direção à janela. Fiquei curiosa e me levantei também. Mas observei-a fitar as gotas de chuva que escorriam no vidro transparente. Fiquei bem pertinho dela e sorri.

-Hey, o que foi? A chuva é mais interessante do que nosso filme?

Ela nada disse. Virou-se para mim. Esticou o braço e pegou minha mão, levantou devagar e colocou-a em seu próprio rosto. Em seguida, ela fechou os olhos. Apreciando minha pele quente contra sua bochecha.

-Regina? O que houve?-Preocupei-me. Ela nunca tinha feito isso. Talvez nunca demoramos tanto num silêncio, quanto demoramos naquele que se estendia entre nós.

Quando ela abriu os olhos, vi um brilho tão diferente neles. Um brilho um tanto misterioso.

-Emma... –Ela levou minha mão até seus lábios e depositou-lhe um beijo, senti o coração bater velozmente no peito e prendi instintivamente a respiração. –Posso te contar um segredo?

-Er... pode, claro que pode.

-Então se aproxime. –Pediu ela e eu fiquei estranhamente nervosa com aquele pedido, mas resolvi obedecer.

Quando me aproximei o bastante, Regina aproximou os lábios de meu ouvido e sussurrou:

-Alguém finalmente roubou meu coração. –Ela riu. E eu afastei meu rosto de súbito. Confusa. Quem seria essa pessoa? Ela nunca havia me contado sobre a aproximação dela com ninguém. Por que aquilo tão der repente?

Senti um gosto amargo na boca. Talvez não fosse na boca, mas sim no coração.

Meus lábios estavam levemente retos, arqueei a sobrancelha, mal escondendo minha irritação.

-Como assim, Regina? Quem é? Por que nunca me contou a respeito dessa pessoa? Sou sua melhor amiga, não sou? Por que me privou de saber sobre isso?-Fiz estas várias perguntas, uma atrás da outra, sem nem ao menos respirar. A cada segundo que se passava, doía meu coração. Era como se alguém estivesse apertando ele, destroçando-o, até que ele romperia e eu sangraria até a morte.

-Mas estou lhe dizendo agora, Swan. Antes tarde do que nunca, não acha?

-Me diz. Quem é essa pessoa então? Quem é o felizardo?-A última pergunta foi de uma ironia tão grande, que provocou gargalhadas nela, me irritando mais ainda. Bufei de raiva e cruzei os braços, batendo o pé no chão, causando ataques frenéticos de risada nela.- E então, vai parar? Ou por acaso estou com um nariz redondo e vermelho de palhaço na minha cara?

-Oh, como é irritadinha essa Swan. –Ela riu mais um pouco e eu revirei os olhos. Logo se aproximou de mim, me desconcertando novamente.

Me olhou.

-Eu acho que estou louca para beijar esta pessoa. -Após falar isso, o brilho em seus olhos só aumentou. Ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e continuou me olhando, como se carregasse o segredo mais secreto do mundo.

-Me diz logo quem é. Aff, Regina, vai me deixar nessa curiosidade toda?

Ela suspirou. Seu sorriso sumiu e passou a ficar seria. Arqueei a sobrancelha, esperando sua resposta.

E esta finalmente veio.

você, Emma Swan.

Não sei dizer como eu me senti naquela hora. Foram tantas as sensações, que mal posso contá-las nos dedos. O chão parecia nem existir, a janela sumiu do meu campo de visão, o quarto todo pareceu virar pó, eu só via ela, só via Regina na minha frente. E a garota estava tão próxima a mim, que eu sentia sua respiração bater contra meu queixo. Ela ficou na ponta dos pés para alcançar meus lábios. Eu apenas fechei meus olhos, me entregando tão facilmente ao momento. Sentindo talvez, o que nos livros se descreve: aquelas borboletas voando e batendo contra o estomago.

Era engraçado isso. Mas as borboletas se multiplicavam cada vez mais. Sentia seu hálito quente contra minha boca. E, finalmente, tocou meus lábios com os seus.

Um beijo doce e macio. Se eu fosse comparar a macies, diria que seus lábios são como as nuvens branquinhas do céu, e se eu fosse comparar o sabor, diria que seus lábios possuem o sabor do chocolate mais doce e irresistível do mundo inteiro.

Aquele foi o primeiro beijo de nossas vidas. O nosso primeiro beijo.

-Se fecho meus olhos, ainda sinto seus lábios trêmulos nos meus. –Regina sorriu e eu abri meus olhos, encarando-a brava.

-Você estava trêmula também, Regina. –Fiz bico.

-Não mais que você, querida.

-Talvez o dia em que eu mais tremi, além daquele, foi no dia do nosso casamento.- Confessei.

-Ou talvez no dia em que eu estava dando a luz ao Henry.

-Anos depois, quando você teve a Lincy, eu não pareci tão nervosa, né?

-Claro que não. –Ela sorriu e eu me orgulhei de mim mesma. –Os não sei quantos litros de vinho te acalmaram bastante, querida.

-Ah. Me esqueci daquele mico terrível.

Bati em minha própria testa, demorando minha mão no rosto, envergonhada. Regina riu gostosamente e eu suspirei.

-Passamos por tantas coisas juntas, Regina...

-Sim, meu amor. Muitas coisas mesmo.

-Pois é...

Houve aquele silêncio gostoso, em que palavras silenciosas são ditas através de nossos olhares. Os sorrisos estavam daquele jeitinho apaixonado de sempre. E então, compartilhando sorrisos cumplices, olhares que faziam promessas e juras eternas de amor, seríamos para sempre aquele casal que começou de uma amizade infantil, e virou um amor inquebrável, que nem mesmo o tempo e muito menos a morte apagaria.

Apesar da idade, apesar de nossos rostos e corpos não serem mais os mesmos. Nossos corações permaneciam como anos atrás. Acelerados com apenas um beijo. Unidos como um só. Assim como se provava durante aquele momento ali, em que deixemos nos levar pela emoção e selamos nosso lindo amor com o toque dos lábios. Num beijo calmo e apaixonado. Juras eternas em um beijo. Anos dourados de amor.

-Mães!

-Vovós!

-Nós chegamos!

E uma união de anos e anos, que gerou uma família grande, feliz e linda...

Uma união perfeita e eterna, entre Regina Mills e Emma Swan.

Notas finais
E aí? Alguém apreciou esta pequena OneShot?
Espero que sim.
Comentem se caso gostarem. Comentem se não gostarem.
Dúvidas ou Críticas? Me digam nessa caixinha aí em baixo!

Arigatouuu mina!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!