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3 Bela Surpresa
Notas iniciais
Bela Surpresa
–O que você veio fazer aqui? –perguntei cismada.
- Oi para você também
- Oi, mas o que você está fazendo aqui?
- Já estava a caminho daqui, e liguei para a sua mãe para avisar, e ela disse que não estaria em casa, e falou para eu passar lá no Hospital para pegar as chaves com ela. Ela também avisou que você estaria sozinha, e eu queria fazer uma surpresa para você, então... Surpresa?!
Era só meu primo, que estava sempre vindo para a minha casa. Mas nunca aconteceu de ele vir sem avisar, ele quase me matou de susto. Bom, é uma longa história, mas já tive um “caso” com ele, escondido dos meus pais, mas não daria certo, então eu terminei com ele, e creio eu que ele nunca esqueceu isto, e que ele ainda gosta de mim. Mas infelizmente, não é a mesma coisa de antes, eu amadureci, não tenho mais treze anos, sem contar que naqueles tempos ele tinha dezesseis anos, seria bem pior para nossa família aceitar isso, eu ainda brincava de bonecas e ele...bem ele. Eu vi o quanto estava errada, não só pelo o fato de ele ser mais velho que eu e tudo mais, mas sim, por ele ser meu primo. Um tremendo gato, mas da mesma família que eu.
- É bom te ver depois de tanto tempo. – disse, com várias lembranças em mente.
- É ótimo te ver também. – disse Charlie.
Aquele silêncio chato durante uns dois minutos me corroía e eu percebi facilmente que ele também estava lembrando algo que havia acontecido entre nós. Eram lembranças intensas, carinhosas, felizes, mas também ao mesmo tempo era ruim, por escondermos de nossos pais e tudo mais. Ele sabia que eu sonhava em ter um relacionamento em que poderia apresentar a pessoa para o meus pais, chamar para almoços de domingo, poder realmente ficar junto não importa onde, e o tempo não nos atrapalhar, chama-lo para dormir na minha casa, fazer viagens nas férias de fim de ano, entre outras coisas que todas as típicas adolescentes apaixonadas gostariam de fazer, mas esta época já tinha passado, e precisávamos viver de modos diferentes.
- Está com fome, Charlie? — disse quebrando o silêncio
- Estou sim, se importa de descer comigo para prepararmos um sanduiche para mim? – perguntou olhando fixamente para os meus olhos
- Sem problemas, mas primeiro, que barulho foi aquele na cozinha?
- Ah, eu fui tomar água, e acabei derrubando o copo, me desculpa, prometo que junto a bagunça depois. – disse ele descendo as escadas.
- Não, está tudo bem, não se preocupe, mas você realmente me assustou, por que não ligou dizendo que viria?
- Queria que fosse surpresa para você.
- Parabéns. Você conseguiu, mas quase me matou de susto também.
- Desculpa?!
- Não se preocupa.
Descemos até a cozinha, peguei tudo o que precisava para fazer o sanduiche e coloquei em cima da mesa.
- Aqui está, fique a vontade.
- Obrigada. – disse ele pegando a fatia de pão.
- Qual o motivo de estar aqui?
- Estava com saudades de vocês depois de três anos sem vê-la, e como já acabei o colégio a dois anos e não tinha nada pra fazer, vim para cá.
- Entendi, quer ajuda para preparar o seu sanduíche?
- Não, obrigada.
Enquanto ele comia, eu subi para trocar de roupa, pois estava com um baby doll, e acho que naquela situação não seria muito apropriado. Já no meu quarto, troquei de roupa rapidamente, e desci de novo. Chegando na cozinha ele me deu uma rápida encarada dos pés a cabeça, balançou a cabeça, e continuou a comer. Ele com certeza percebeu o que eu tinha feito, mas não estou nem aí.
- Moletom bonito.
- Obrigada?!
- Por quê?
- Hãn?
- Por que trocou de roupa?
- Por nada, só fiquei com frio.
Quem eu queria enganar com isso? Com certeza ele não deve ter acreditado nisto.
- Vamos subir? – disse ele.
- Tudo bem. – disse, indo em direção das escadas.
Chegando lá em cima, fui direto para o quarto de hóspedes, checar se estava tudo em seu devido lugar para que ele possa dormir. Estendi um edredom na cama, dei uma arrumada no travesseiro e voltei para o corredor, onde ele estava me esperando na porta do meu quarto, escorado na parede com as mãos no bolso. Ele estava realmente lindo aquela noite. Ele vestia uma camiseta vermelha, com uma jaqueta de couro preta, uma calça jeans tradicional, e um tênis preto. Porque ele tinha que voltar justo agora, com dezenove anos e muito mais gato do que antes. O olhar dele estava intenso e sedutor. Tentei me controlar...
- Você está lindo. – quando percebi, já tinha falado.
Ele riu, aquele sorriso intimidador e lindo que só ele tinha.
- Bom, acho melhor irmos dormir, já está tarde. — Olhei para o relógio, já eram dez horas. – O quarto é no fim do corredor, já está tudo arrumado e...
Nesse momento ele me interrompeu com um beijo, e eu não sabia o que fazer, se eu deixava acontecer, ou se pedia para ele parar. Tenho que admitir que estava com saudades daquele beijo, que só ele sabia dar. Enquanto me beijava ele foi caminhando em direção a minha cama. Várias coisas se passavam pela minha cabeça, queria parar, mas ao mesmo tempo meus hormônios diziam para eu continuar, ele me jogou na cama, e deitou ao meu lado, acariciou o meu cabelo, e me beijou várias vezes, depois colocou a mão na minha cintura, e me puxou para mais perto dele. Eu realmente não sabia o que fazer, simplesmente me deixei levar. O corpo dele era perfeito, e ele me dizia coisas impróprias enquanto me acariciava.
- Estava morrendo de saudades disto. – disse ele sussurrando – Que bom que os seus pais não estão em casa, podemos fazer a bagunça que quisermos.
- Não podemos confiar muito, eles podem voltar a qualquer momento.
- Confia em mim?
- Bem...- essa seria nossa segunda vez, porque eu não confiaria nele, minha primeira vez foi com ele. – Seja gentil, já que eu não fiz com mais ninguém além de você mesmo.
O modo como ele tocava meu corpo era igualzinho o da ultima vez, só que muito melhor, ele estava sendo gentil, nossas mãos percorreram lugares novos e mais íntimos. Quanto mais peça de roupa minha ele tirava, mais nervosa e ansiosa eu ficava, as sensações perfeitas, a dor, ele suando, o cheiro dele, tudo aquilo me enlouquecia cada vez mais e mais, minhas pernas tremiam, nossos corpos colados um ao outro, como minha primeira vez, naquele momento eu estava sendo somente dele e ele somente meus. Foi tudo maravilhoso, a melhor noite de sempre, nos encaixamos como um perfeito quebra-cabeças, a sensação eram incríveis, ele era incrível, estava tudo ótimo, eu me sentia realmente bem, como nunca me sentiria com ninguém mais. No meio disto tudo, quando ainda estávamos no meu quarto, ouvimos um barulho na porta.
-Claire, Charlie? Vocês estão ai? – escutei a porta lá de baixo bater.
Era minha mãe, não sabíamos o que fazer. Então ele parou, se vestiu rapidamente, só colocando a cueca e a calça, jogou as roupas debaixo da minha cama e desceu. Porque ele foi descer só de calça e cuecas, ai que homem.
- Oi de novo tia! Tudo bem? E o tio, como está? – disse ele tentando distrair ela enquanto eu me vestia.
- Ele está bem, querido, não se preocupe... Cadê a Claire?
- Ah, a Claire... está lá em cima no quarto dela. – disse ele se enrolando com as palavras.
- Tudo bem, vou subir lá e ver como ela esta.
- Não tia, não precisa acho que ela já está dormindo. Você pode preparar um sanduiche para mim? Estou faminto.
- Você sabe onde ficam as coisas aqui, fique a vontade.
- Não tia, sério, acho que a Claire já está dormindo, ela disse que tinha uma prova amanhã e que precisava acordar cedo, então ela arrumou as coisas no meu quarto e foi deitar.
- Só vou checar, Charlie. Aconteceu algo?- disse ela enquanto subia as escadas.
- Não aconteceu nada, relaxa.
- Então por que não quer deixar eu ir até lá?
Ele correu até a porta do meu quarto e falou, viu, ela está dormindo. E fez um sinal com a cabeça para eu me deitar. Deitei rapidamente, peguei meu cobertor e me cobri, pois estava só com a parte de cima do pijama.
- Ela é um anjinho, né? – disse minha mãe, olhando pela a porta.
- É sim, tia. Eu disse que ela estaria dormindo. Pode confiar.
Minha mãe caminhou até ao meu lado na cama, me deu um beijo na cabeça e falou bem baixinho :
- Durma bem meu anjinho.
Ela saiu do quarto e fechou a porta, nesse momento, eu me sentei na cama, e me senti aliviada.
- O que eu fui fazer? – sussurrei.
Aquela noite com certeza seria inesquecível, não só por mim, mas por ele também. Não acredito que me deixei levar, mas foi uma experiência incrível. Enquanto isso escutei minha mãe conversar com Charlie.
- Bom, vou me deitar, estou cansada, e amanhã tenho que voltar para o hospital para ver o seu tio Ben, de novo. Boa Noite, querido.
- Tudo bem tia, boa Noite.
Escutei os passos da minha mãe pelo o corredor, indo diretamente para o quarto dela, em seguida a porta do meu quarto se abriu. Era o Charlie.
- Vou dormir também, sinta-se a vontade para ir lá. – disse isso caminhando até a minha direção, me deu um beijo. E logo em seguida saiu.
Me levantei, coloquei meu moletom, e voltei a deitar. Antes de dormir, fiquei pensando sobre como seria daqui para a frente. Me levantei, e caminhei até o quarto dele, minha mãe tinha o sono pesado, então não precisava me preocupar com isto, era só sermos silenciosos. Chegando na porta do quarto dele, abri a porta devagar, cheguei bem pertinho dele e sussurrei :
- Convite aceito.
Ele se virou rapidamente na cama, deu uma olhada pra mim e um sorrisinho de canto de boca e disse:
- Não sabia que você era assim...
- “Assim” como? – dei uma risadinha.
- Pensei que você não quisesse mais nada comigo, e que só tinha feito por impulso.
- Só não gosto de deixar algo incompleto.
Me deitei ao lado dele, e começou tudo de novo, até pegarmos no sono.
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