Anomalia
1 I'm a creep
Notas iniciais
Minha vida acabou desde que pus os pés aqui ,não faço nada além de dormir e tomar remédios e mais remédios .Tudo isso por ser considerada um demônio ,um erro de laboratório .Nunca fui humana, eu sei ,mas eles queriam me tornar uma agente perfeita pra lutar contra outros da minha especie com esperança de eu acabar com todos eles ,a ciência apenas me deixou pior .Agora luto contra convulsões ,crises de bipolaridade e sangramentos ,dentre outros sintomas aleatórios causados pela ciência .
Eu não sou a única,a ciência também transformou alguns humanos que eram considerados “inúteis” (prostitutas ,drogados e mendigos) em uma especie quase robô e os faz de escravos ,mas assim como eu eles também foram concertados mas continuaram com defeitos ,alguns não conseguem falar e outros não tem sentimentos mas ainda sim eles são humanos ,mas também são robôs .
Era escuro ,como nos pesadelos de quando criança mas o pior é que é real e pior do que qualquer pesadelo que uma criança comum poderia ter . Meu nome aqui é Kalya Piper tenho 17 anos sou baixa e tenho cabelos loiros claros quase brancos e olhos castanhos que podem mudar de cor ,vivo no DAFCS há 10 anos ,não me lembro da minha vida antes de vir para cá mas com certeza era muito melhor do que agora .
Estava sentada na minha cama com os meus braços ao redor dos joelhos e olhando pela pequena janela que ficava ao meu lado ,era assim que eu passava boa parte de meus dias ,não tinha colega de quarto pois achavam que eu poderia machucar eles como eu me machucava ou fazer das suas vidas um inferno ,talvez eu fique melhor sozinha o escuro as vezes é bom ,nos faz imaginar coisas que sabemos que não é real ,nos faz sair de onde estamos e de nossa realidade para ir para um lugar onde queríamos estar um lugar surreal …
Estava perdida nos meus pensamentos quando de repente abriram a porta deixando a luz dos corredores invadir meu quarto escuro ,de lá saiu uma mulher alta , magra ,com os cabelos pretos presos em um coque no topo da cabeça e vestia uma roupa branca ,era Justine a minha enfermeira ela trouxe meu jantar e ficou olhando para mim sorrindo .
–Tenho boas notícias para você – eu encarei ela esperando que ela continuasse ,Justine era a única de lá que eu gostava pois era a única que nunca ameaçou colocar uma camisa de força em mim e aparentemente não tinha medo de mim – seus pais vão vir lhe buscar ,você vai sair daqui .
–O quê? agora eles passaram a se importar comigo ,é isso?
–Eles vão ficar com você um mês ,depois você volta para cá para não ter risco de ter uma recaída .
–Agora está explicado ,como tem tanta certeza que eu fico melhor aqui ?
–Aqui você tem psicólogos que podem te ajudar a qualquer hora e muitas outras coisas que não teria em casa.
–Eu conheço uma ótima psicóloga .
–Ah é? quem ?
–Eu .Não há ninguém que possa me entender melhor do que eu mesma ,posso resolver meus problemas não preciso passar duas horas falando sobre a minha vida para um completo estranho – ela olhou para mim com pena e então voltou a atenção a porta .
–Bem era isso que eu tinha para te falar ,eles vão vir te buscar amanhã cedo ,seu jantar está aqui e seu comprimido pra dormir ,coma um pouco – e então bateu a porta do meu quarto .
Olhei pra comida ,era um sanduíche e café em um copo de plástico ,com uma bandeja de plástico ,nenhum vidro ,nenhuma maneira de eu me machucar .Parecia bom mas eu não estava com apetite nem mesmo se fosse uma pizza ,apenas queria vomitar pensando em como vai ser ter que olhar para os rostos daqueles que um dia foram especiais pra mim ,sem vontade de fazer qualquer outra coisa apenas peguei o meu comprimido e o tomei .
Acordei de repente sentindo como se alguém estivesse me sufocando ,pulei da cama e já comecei a sentir meu corpo ficar arrepiado e minhas unhas e dentes crescendo com o implante que fizeram ,me levantei rápido e olhei pelo quarto inteiro ,não tinha ninguém ,mas eu não estava satisfeita ,aquela sensação já tinha tomado conta de mim .
–O que eles fizeram comigo ? – eu sentia como se quisesse machucar alguém mesmo se esse alguém fosse eu mesma .
Já ia fazer cortes no meu próprio pescoço quando senti alguém indo para a porta ,peguei a minha bandeja de comida e coloquei na cama ,deitei por cima da bandeja e fingi que estava dormindo ,eu estava sagaz o bastante ,conseguiria sair dalí .
A porta abriu e pude ouvir seus passos e sentir ela se aproximando da minha cama ,essa era a minha chance ,ela parecia estar andando bem lentamente pois o tempo parecia não parar até que eu senti ,ela estava tentando puxar devagar a bandeja de baixo de um dos meus braços.
Rapidamente segurei seu braço com uma mão ,tampei a boca dela e a puxei ,as câmeras do meu quarto não pegavam mais graças a mim mas poderiam ouvir algum barulho do corredor . O braço da enfermeira agora sangrava e ela chorava sabendo que iria ser o seu fim ,mas havia um porém ,as enfermeiras daqui eram treinadas pra coisas deste tipo .
Olhei nos olhos da senhora e percebi ,era a Justine ,ela provavelmente não queria me machucar então simplesmente não tentou nada ,não podia correr o risco de soltar ela e ela correr pra chamar ajuda então apertei o seu pescoço até ela ficar inconsciente ,deixei ela no canto do quarto e peguei seu jaleco ,uma das mascaras plásticas que tinha no bolso de sua calça e o seu prendedor de cabelo.
Já com meu cabelo preso e pronta pra sair olhei pra Justine novamente ,ela continuava inconsciente e com arranhados por todo o rosto e braço ,me senti mal por isso mas tinha sido minha única escolha ,espero que ela também pense assim .
Abri a porta e pra minha sorte tinha apenas um guarda no corredor ,já tinha se passado 10 anos que eu estava aqui ,não teria razão pra eles pensarem que eu tentaria fugir novamente principalmente quando meus pais iriam me buscar .
Provavelmente deveriam pensar que o que fiz foi loucura afinal não sei nada sobre o mundo afora porém também não sei nada sobre minha família ,o mundo parece ser mais justo do que eles que me deixaram aqui pra morrer .
...
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