Ano Novo No Olimpo
2 2: Travis - Cuidado, elevador temperamental
Notas iniciais
Cuidado, elevador temperamental, não aceita ofensas.
Travis Stoll
Connor é um irmão muito legal, só que não. Quer dizer, só quando ele tá a fim, e hoje ele não está.
Primeiro, a criatura me acorda com uma buzinada no meu ouvido, o que me fez dar um pulo da cama e cair com o meu lindo maravilhoso rosto no chão. O idiota ainda ficou rindo, com o celular na mão, filmando tudo.
— Ha. Ha. Ha. Muito engraçado, Connor. Morre — resmunguei.
Me levantei do chão, estranhando o fato de só estar eu e ele no chalé. Geralmente esse é lugar mais cheio do acampamento. Digamos que é o único chalé em que outros campistas podem dormir. Sem contar que aqui é o QGDZ (Quartel General Da Zoeira para os leigos).
Parecendo que lia meus pensamentos, como sempre, meu irmãozinho falou, delicado e amoroso, como sempre:
— Seu imbecil. Hoje é o dia de ir para o Olimpo, lerdo — Como ele me ama — só que já tá todo mundo lá fora, esperando pessoas como você —
Revirei os olhos e suspirei.
— Já to indo, cara de pudim. Só vou tomar banho e me trocar — falei.
Ele assentiu, arrumando a mochila com coisas para pregarmos peças nos outros. Corda, ovos, tripé para a câmera, a câmera, bombinhas, chocolates falsos e várias outras coisas. A mochila, claro, era mágica, cabia o que quiséssemos.
Peguei a primeira calça e blusa que eu vi dentro da minha parte do armário. E fui direto para o banheiro do chalé.
[…]
Agora, o segundo fato.
Aquele filhote de ciclope me obrigou a ir na mesma van que a Katie. Meu santo Hermes das zoeiras eternas, eu mereço. Aquela garota me odeia, principalmente depois que eu beijei ela no natal. Já eu, bom, eu sentia alguma coisa por ela, só não sabia ao certo.
Quando chegamos na estrada, que fica lá em baixo da colina meio-sangue, Quíton gritou:
— Andem semideuses, tenho uma vaga nessa van, quem irá? —
Connor deu uma espiada em quem estava dentro dela e na outra, e a Katie estava na última. Ele me olhou para mim, e depois para aquela garota de novo.
Ai, essa não.
Ele me deu um empurrão, que me desequilibrou, e correu para a van que tinha uma vaga. Acabei ficando um pouquinho pra trás e ele entrou primeiro, me dando língua.
— Se ferrou, Travisti! — gritou — vai ter que aguentar a Katiarro —
Só de lembrar do antigo apelido dela, fiz careta. Connor tinha começado a chamar ela assim a 5 anos atrás, quando tínhamos 12 e ele, 11. Tudo por causa de uma vez que Katie estava resfriada e espirrou, sujando o rosto todo de catarro. Eca.
— Traidor! — respondi e comecei a me arrastar para a van da tortura.
Eu não posso acreditar que o meu irmão vez isso comigo. Só digo, vai ter troco.
Como esperado, ela está lá, sentada (não Travis, ela ta deitada) e me lançou um olhar mortal quando entrei. Sentei o mais longe possível dela.
Pra minha sorte, logo depois, Leo entrou também,
— Fala ai cara — ele disse, animado.
Fizemos o cumprimento típico dos membros do CDZNA (Clube dos zoeiros não-anonimos): Um hi-five, depois um tapinha com as mãos abertas, batendo uma na outra, soquinho de frente, soquinho em baixo, soquinho em cima, mais um tapa, dessa vez, com as costas das mãos. Para finalizar, jogamos as mãos para trás, no alto, balançando os dedos e falando:
— Tra la la la — E rimos.
Katie revirou os olhos e riu.
— Copiando Operação Big Hero, sério isso? —
— Não se mete, trigo ambulante — Leo falou e ela fechou a cara.
Valdez e eu ficamos conversando, enquanto Katie lia um livro que não me dei ao trabalho de ver qual era. Alguns minutos depois, Quiron apareceu na janela.
— Só irão vocês três nessa van, tudo bem? As vans vão voltar para pegar os atrasados depois — falou e nós concordamos com a cabeça.
Assim que ele saiu, o motorista, que eu não sabia quem era, deu partida e começou a dirigir pelas ruas de Nova York.
A viagem foi tranquila, continuei o papo com Leo. Quando chegamos, fui o primeiro a sair. Parei na porta no Empire State, esperando eles saírem da van também, o que estava demorando muito mais do que eu esperava.
— Andem, vamos entrar logo naquela geringonça de elevador — gritei para os dois.
A mochila de Leo estava numa guerra com a tranca da porta, a alça tinha prendido ali, atrapalhando a saída dele e de Katie.
— Ah, cala essa boca, infeliz — ela gritou de volta — anda fósforo, não temos o dia toda. Preciso pegar um quarto legal, longe da Annabeth, Percy e esses casalsinhos. Não sou obrigada a ouvir certas coisas —
Franzi as sobrancelhas.
Ela empurrou Leo, que caiu sentado dentro da van. Katie segurou a alça da mochila e, com cuidado, tirou da trava da porta.
— O que aconteceu no natal? — perguntei. “Além de nós dois termos nos beijado”, completei mentalemente
Ela revirou os olhos, descendo da van.
— O quarto do Percy e do Jason ficou do meu lado esquerdo. Digamos que quando não tinha ninguém por perto, um dos dois levava a namorada pra lá. Pena que eles esqueceram que eu tava mal e fiquei a maior parte do tempo no quarto — respondeu.
Me segurei para não rir, mas juro que fiquei com um pouco de pena. Ninguém merece ouvir certas coisas.
Entramos no Empire State e Leo pegou o cartão com o cara da recepção. Logo entramos no elevador, o lugar estava vazio, então só tinha nós três mesmo.
— Coloca esse cartão nessa joça logo — falei, brincado e Katie me encarou de um jeito feio.
— Cala a boca — disse — para de falar merda —
Leo colocou o cartão no lugar e o botão vermelho, escrito "500°" apareceu. Ele apertou e o elevador deu um tranco, as luzes piscaram algumas vezes e apagaram.
— Opa — Leo sussurrou — acho que temos um problema aqui —
— PORQUE HADES VOCÊ FOI CHAMAR ELE DE GERINGONÇA? — Katie gritou no meu ouvido, literalmente.
É, Leo estava certo, temos um problema, quer dizer, dois. E eu to muito ferrado, e meio surdo depois dessa.
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