Ano Novo
1 One-shot
Notas iniciais
Como disse nos avisos essa fanfic também está postada a algum tempo no AS. Apenas algumas alterações pequenas foram feitas como pontuação e palavras erradas.
Dedicado para minha linda Corujinha *-*
Boa leitura :).
Ano Novo
Por Myuky
One-shot
Eu aprendi sem a gramática que saudade não tem tradução.
Ouvi uma vez em uma canção que saudade não tem tradução, isso é a mais pura verdade, o pior não é a saudade, e sim o tipo dela. Você deve se perguntar, existem tipos de saudades? Eu acredito que sim, a primeira é aquela que sentimos quando alguém parte para além do céu azul, já a segunda é quando sabemos que a pessoa está em algum lugar e mesmo assim não podemos vê-la, essa é a pior saudade que pode existir e nossa querida Haruno Sakura, ou Saky, se assim me permitem chama-la, sabe exatamente como é.
Konoha, País do Fogo.
População 100.000 habitantes
31 de dezembro de 2012
É apenas mais um dia comum, nessa bela cidade, com índice de criminalidade mínimo, onde os pássaros cantam, as crianças brincam, as pessoas vivem suas vidas sem grandes problemas, com um ótimo sistema político, alianças com países que vivem em paz uns com os outros. Espera um pouco, acho que pulei alguma coisa, a sim, sei o que é, hoje não é um dia comum, como devem ter observado é a tão esperada data, na qual os sonhos se renovam, promessas são feitas e novas expectativas são criadas.
Enquanto todos perambulam fazendo os preparativos para comemoração, a garota de cabelos rosas só tem uma única coisa em mente “Virar a noite de plantão”, quem a conhece sabe que nesses últimos cinco anos sua vida estava sendo dessa forma, passar a noite de ano novo assim, essa foi a forma que encontrou de fugir, fugir do que? Das memórias, dos sentimentos que remetem essa data.
- Yo testa de marquise, como está? – Indagou a loira alta, dando um abraço na mulher que acabara de abrir a porta.
- Bem. – Respondeu com a voz fraca, pigarreou com intuito de limpar a garganta.
- Yo tia Saky! – Com o sorriso mais lindo que se pode dar, quando se está na famosa fase das janelinhas, a pequena Mayumi, por volta dos seus quatro anos, olhos verdes, cabelos negros, apareceu em frente sua tia postiça.
- Yo, May! – Deu um abraço na pequena, que retribuiu extremamente feliz. – Tema-chan, pensei que iriam viajar. – Falou ao ver a amiga em pé na soleira da porta.
- Não tia, nós não vamos. – A menina tentou explicar.
- Exatamente, não vamos e sim a família Uzumaki. – A mulher de cabelos rosas sorriu, acabara de lembrar que os amigos falaram sobre a viagem. – May, filha, solte sua tia. – Pediu a loira de coques, já que a garota ainda estava agarrada a moça, a pequena obedeceu sem hesitar.
- Tem biscoitos na cozinha. – Avisou assim que a garotinha entrou no apartamento, desaparecendo quando ouviu aquelas palavras.
- Como você está amiga? – Indagou à senhora Nara, enquanto abraçava a rosada.
- Você sabe. – Mais uma vez sua voz saiu fraca.
- Ainda bem que vocês estão na porta! – A morena que surpreendentemente estava com os cabelos soltos, apareceu vindo do elevador, ao seu lado um pequeno garoto caminhava sério.
- Já disse que a ele é a cara do pai Ten-chan? – A loira dos coques falou divertida.
- Sim, disse! – Respondeu sorrindo – Dê “oi” para elas Koruto. – Pediu carinhosamente.
- Yo tia Saky e tia Tema! – O menino de cabelos castanhos cumpridos e olhos perolados, falou timidamente, esboçando um pequeno sorriso, enquanto olhava com curiosidade para dentro do apartamento.
- May, está na cozinha comendo biscoitos. – Não deu outra, o pequeno entrou sem ao menos olhar para trás. Mentalmente Sakura sabia que teria de ir até lá, se certificar de que o cômodo estava inteiro, ou melhor, que os pequenos estavam bem.
- Não vou perguntar. – Gesticulou Tenten, a rosada suspirou aliviada, deu passagem para as amigas entrar, fechando a porta atrás de si.
Antes de juntar-se as outras no sofá, seguiu para cozinha, onde para sua surpresa as crianças comiam quietas, passou os biscoitos da forma para dois refratários entregando um a May pedindo que eles fossem brincar na varanda, saiu logo atrás, mas seu foco era as amigas que aguardavam na sala.
- Reunião de emergência? – Indagou tentando ineficazmente parecer divertida.
- Ora Sakura o de sempre. – Explicou Ino, a Haruno suspirou.
- É óbvio, “o de sempre”, não devia estar surpresa não é mesmo? – Se jogou no sofá.
- Não devia ter aceitado o plantão! – Temari falou com a voz mais suave possível.
- Como se isso fosse fazer diferença. – Estava na defensiva, já que elas provavelmente a atacariam.
“Já faz tanto tempo, mas não consigo te esquecer. Acho que o amor é assim, alguns podem tê-lo ‘Até que a morte os separem’ e outros não”.
- Sakura, te vejo você nesse mesmo ritual há anos, sabe? Anos! – Enfatizou a última palavra. – Ficar no plantão é seu ponto de escape para fugir da realidade, mas o primeiro passou é a aceitação. – Explicou Tenten. Mas não é fácil, não para ela. Aceitar o que? Aceitar que ele não vai voltar.
- Tudo bem, mas se eu aceitar? Desistir do plantão? Farei o que então? – Indagou impaciente com a voz alterada.
- Você pode comemorar conosco. – Ino animou-se achado que a rosada finalmente estava acordando. – Faremos uma festa badalada, terá muitos gatos, todos para você é claro! – tratou de explicar, antes que Temari viesse com o papo do irmão, era sempre o mesmo discurso “Você é casada com meu irmão, nada de flertar com outros caras”. Ela não flertava, mas olhar não arranca pedaço, nunca arrancou e bem que a loira dos coques fazia o mesmo, por mais que não admitisse.
- Olha eu não vou, sinto muito!
“Sigo minha vida como você fez, aprendi a respeitar e cuidar, mas isso não bastou, ele se foi e não doeu, não como no dia em que você partiu.”
A Haruno, nesses últimos anos evitou relacionamentos, na verdade quando tentou algo, acabou por espantar o rapaz, que apesar de paciente perdeu o interesse, já que a garota não parecia corresponder aos seus sentimentos. Com outros não foi diferente, mas antes de iniciar algo os espantou de primeira.
- Certo Sakura, é isso mesmo? Mas, se ele voltasse, estaria disposta a aceita-lo? Não ficaria brava? – A fase calma de Temari acabara agora suas palavras soavam duras. E aquilo um choque para ela, que não pensava nisso, apenas o queria ali, ao seu lado.
- Eu não sei. – Disse encolhida, olhando os afilhados brincar. Perguntava-se porque sua vida não podia ser assim? Simples, como a deles era? Amizade, carinho e... Amor, puro e inocente, por mais novos que fossem do seu ponto de vista eles eram um potencial casal, já que Koruto sempre quieto, perto de May tornava-se outra criança. Talvez fosse sua imaginação, mas e se fosse verdade? O pequeno Hyuuga teria que enfrentar o gigante Nara. Saky esboçou um pequeno sorriso, ao imaginar a cena, mas claro que isso ainda levaria tempo, no entanto, se acontecesse apoiaria com toda certeza.
- Sakura! – Falou chamando sua atenção. – Infelizmente ele não vai voltar, você sabe ele... – Tenten disse mansamente.
- Eu sei... Foi casar com aquela mulher, a troco de quê? – Tinha raiva de imaginar seu amor casado com uma mulherzinha qualquer.
- Se ele não tivesse falado você estaria se lamentando? – Dessa vez Ino tomou a palavra.
- Talvez... – Rolou os olhos sobre as mulheres.
- No fundo Saky, você sabe que se ele não tivesse falado a verdade, estaria o amaldiçoando. – Temari tentava manter a voz mansa. A rosada sabia que as amigas estavam certas, por isso sua dificuldade, mas não pretendia admitir, iria para o plantão passaria a noite lá e pala manhã voltaria para casa.
“Odeio o fato delas terem razão, não sei qual seria minha reação se ele aparecesse, mas viver sem tê-lo é pior que tudo, meu coração dói de saudade. Não sei se o pior é saber o motivo de sua partida, ou se Temari tem razão, eu o amaldiçoaria se não fizesse a menor ideia, mas ele fora sincero explicando. Não! Não quero pensar nisso, melhor prestar atenção onde meus pés estão me levando”.
A jovem Haruno andava, com um milhão de coisas na mente, estava indo para o hospital, decidira que pegaria uma condução, já que seu carro quebrara dois dias antes. Uma ambulância passou apressada na rua, fazendo os carros parar dando passagem.
“Faz sete anos que aconteceu, esse dia deveria ser bom para ele, mas não foi, o socorro chegou, no entanto tarde demais. Eu estava no estágio, sai em uma ambulância igual a essa, passamos por várias pessoas que comemoravam nas ruas. Olha que ainda faltavam vinte minutos para meia noite. Chegamos ao local da ocorrência, ele estava atônito, mas bem, apenas alguns arranhões. Corremos ao outro rapaz, mas o médio chefe da equipe pediu que eu e o enfermeiro fossemos ver o outro jovem. Tentei conversar, mas não respondeu, observava o homem estirado no chão. Quando o ouvi pronunciar algo inaudível ele chorava silenciosamente, virei a cabeça para ver o que ele olhava, vi o médico balançar a cabeça, então entendi o outro rapaz morrera ali. Pensei em dizer algo, mas não o fiz, porém ele fez, me abraçou. Confesso que fiquei sem reação, mas sabia que naquele momento tudo o que precisava era de um abraço e retribui, mesmo sabendo que talvez fosse repreendida por meu superior”.
Ela agora, sentada em um banco no ônibus observava a rua, limpou uma lágrima que corria solitária em sua face. Ao contrário do que imaginou naquele dia, ela não recebeu bronca do médico e também soube que o rapaz morto era o irmão mais velho do outro, aliás, seu nome é Sasuke, Uchiha Sasuke, foi assim que se apresentou mais tarde. O jovem que morrera era Itachi, quatro anos mais velho.
Por mais que não quisesse se envolver, envolveu. Ia todos os dias em que o jovem passou em observação para vê-lo, ali iniciou o breve relacionamento, que apesar de curto, durou tempo suficiente para fazê-la feliz. Apesar daquele fatídico dia, Sakura sempre ouvia de Sasuke o quanto conhece-la transformara sua vida por completo.
“Você também transformou minha vida, aquele foi meu melhor ano”.
Um ano foi o que bastou para aflorar em ambos o belo sentimento chamado amor. O que a rosada não imaginava era que sua faze de contos de fada, estava prestes a virar um conto de terror. Acabara de chegar a sua casa, para sua surpresa Sasuke estava ali, havia lhe dado uma chave do apartamento, mas dificilmente ele aparecia, ficou feliz ao vê-lo, no entanto o olhar triste do moço, fez o coração da mulher sentir que algo muito ruim iria acontecer.
“Ele casou, mas a troco do que? Do benefício que o pai teria? Sim, tudo para manter a herança Uchiha! Era isso, apenas aparência, ele sabia disso, mas estava entre o amor e a honra da família, se não fizesse seria deserdado e ser o responsável pela desgraça estava fora de cogitação. Mas fora de cogitação para ele, por mim nada disso importava, viveríamos nossa vida. No entanto, ele era orgulhoso demais e acabou por aceitar. Como isso doeu, doeu demais, sinto falta do seu calor, seu sorriso, seus beijos, dos cafés da manhã que preparava, das brigas por coisas mínimas, dos sonhos, dos planos, sinto sua falta. Hoje me pergunto onde você está? Como está? Ainda pensa em mim? Pois eu ainda penso em você, nunca consegui te esquecer...”
Sakura transitava pelo corredor distraída, não havia muitas emergências, foram poucas até aquele momento, apesar de suas tentativas de concentração não conseguia, os flashs de suas lembranças invadiam constantes em sua mente e ficavam mais fortes a cada momento. Passou pela ala da recepção, observou o relógio que marcava vinte para meia noite, iria fazer o de sempre, entrar no pequeno restaurante dos médicos, comeria algo enquanto os ponteiros avançavam para tão esperada hora, passou por alguém, sentiu algo que reconheceria em qualquer lugar.
“E inconscientemente ao sentir seu perfume tento te procurar, mas depois me lembro que você não está lá e não vai voltar”.
Ela realmente procurou, o cheiro que sentiu era o mesmo perfume do seu amado, que sempre ao abraça-lo ficava impregnado em suas roupas, mas Sasuke não estava ali. Continuou seu caminho.
Comia sozinha, a essa altura as pessoas que não estavam ocupadas subiam ao terraço, onde é possível ver a queima de fogos celebrando a chegada do novo ano, mas ela não ligava, queria permanecer sentada, quieta.
- Doutora Sakura? – Uma voz suave a chamou.
- Oi, Shizune! – Respondeu levantando a cabeça para encarar a mulher, que era a enfermeira chefe do hospital.
- Tem um homem reclamando de fortes dores nas costelas, ele alega ter caído, nós íamos indicar um médico, mas ele insistiu em ser atendido pela doutora Saky, como ouvi seus afilhados a chamar assim imaginei que fosse você. – Sakura deu um salto da cadeira, talvez fosse um de seus amigos que se machucara.
- Estou indo. – Avisou, a mulher retirou-se e logo em seguida a seguiu, pegou o celular que estava desligado dentro do bolso do jaleco, ligou vendo se havia mensagens ou ligações não atendidas de algum dos seus amigos, mas não encontrou nada, dava passos largos, seu coração acelerava, suas mãos estavam frias, tremiam e suavam. Chegou à porta de seu consultório, respirou fundo talvez não fosse nada demais, virou a maçaneta e deparou-se com um homem sentado na maca, que estava distraído, mas agora fitava a mulher. Sakura fechou os olhos.
O homem sentado, não sabia o que falar, ficou a observar a rosada em pé ao lado da porta, analisou cada detalhe, o nariz fino, a boca pequena e rosa, a pele branca, os cabelos longos e sempre bem cuidados, as mãos pequenas, o corpo com suas curvas acentuadas, ela continuava a mesma, a mesma Haruno Sakura de anos atrás.
Sakura não acreditava pensou que fosse uma ilusão, a mente gosta de pregar peças, talvez aquela fosse outra, fechou os olhos com força e mentalmente pedia que a imagem fosse embora, abriu vagarosamente os olhos e ele continuava lá, lágrimas correram descontroladas em sua face, correu para cima do homem com os punhos fechados.
Ele sorriu ao ver que ela abrira os olhos verdes encantadores e que agora o encarava, mas sentiu-se triste ao ver que ela chorava, não teve muito tempo de assimilar o que acontecia ela veio em sua direção, desferindo golpes fortes em seu peito, não reagiu apenas sentiu as mãos da rosada atingir seu corpo.
Ela chorava incessantemente, precisava acabar com aquela ilusão, batia com toda força que tinha, mas ele não sumia, permanecia sólido e imóvel, aos poucos suas forças esvaíram, fechou os olhos aos soluços, seu corpo foi envolvido pelos braços fortes do rapaz.
Não pretendia reagir, se fosse ele no lugar dela talvez fizesse o mesmo, ao até saísse dali sem ao menos olhar para trás, não podia julga-la seria a última coisa que precisava fazer, aos poucos os golpes no seu peito foram diminuindo, viu a mulher fechar os olhos ainda aos soluços e fez o que sempre fazia quando sabia que ela estava triste, envolveu-a em um abraço.
Aos poucos o choro foi sessando, mas não era só ela, ele também chorava. A rosada desvencilhou dos braços do homem, enxugando as lágrimas, ele fez o mesmo e riu fracamente ao ver a forma como ela fazia aquilo, parecia até uma criança. Sakura fitou os orbes ônix sentiu que poderia se perder na imensidão daquela escuridão, desviou o olhar para o chão, enquanto suas bochechas ficavam quentes.
- O... O que faz aqui Sasuke? – Indagou hesitante.
- Eu queria te ver! – Explicou sorrindo, Sakura elevou a cabeça na direção do rapaz, seus olhos estavam surpresos.
- Ma... Mas por quê? – Seu amor estava ali, mas ela não entendia, não conseguia compreender o que ele queria.
- Por que, sou um idiota, que não deveria ter te deixado e agora quero pedir perdão, perdão por ter partido, por ter te feito sofrer e por desperdiçar esses anos em que deveria ter passado com você. Sakura você pode me perdoar? – As lágrimas voltavam a tomar seus olhos, o que achava impossível estava acontecendo.
- Mas agora? Só agora? – As palavras saíram atropeladas, ainda não tinha certeza sobre o que ouvia muito menos que ele estava ali.
- Teria vindo antes, mas o divórcio demorou a sair e não foi nada amigável, por mais que quisesse vir antes me aconselharam a resolver tudo antes de viajar, por isso demorei se pudesse teria vindo há um ano atrás, mas me contentei que te veria assim que fosse possível. – A Haruno ouviu atentamente aquelas palavras, ainda com lágrimas escorrendo por sua face.
- Se eu disser que não acredito? Que para mim isso é apenas um sonho? E que irei acordar na minha cama chorando, dizendo que sinto sua falta, você acreditaria? – Indagava esticando a mão tremula para tocar a face do rapaz.
Sasuke por um momento ficou com medo de que ela o rejeitasse. Mas, entendia o que ela dizia, sentiu um arrepio percorrer a espinha ao sentir a mão tocar seu rosto, sua prioridade naquele momento era fazê-la ver que ele estava ali.
- Se eu disser que não sou um sonho o que acontece? – Ele perguntou colocando sua mão sobre a dela.
- Eu diria que te amo e que te perdoo! – Respondeu chorosa – Mas, isso é apenas uma hipótese, você é um sonho e eu vou acordar. – Fechou os olhos suspirou tentado conter as lágrimas insistentes.
- Vou provar que não sou um sonho Haruno, nem que para isso eu tenha que te conquistar novamente todos os dias, eu vou provar que não sou um sonho, que me arrependo e que te amo. – Agora ele tinha as lágrimas nos olhos a cada palavra que dizia, era a verdade, a mais pura verdade, faria de tudo.
A rosada continuou a não acreditar no que ouvia, balançava a cabeça negativamente é apenas um lindo sonho, um lindo e perfeito sonho, foi o que pensou, esboçou um sorriso. Ouviu novamente o riso do homem que ali estava, talvez estivesse feliz em vê-la sorrir, não tinha certeza. Mas, como modificar a ilusão e transforma-la em verdade, era impossível, pois tudo não passava de um sonho, feito em sua mente e causado pela saudade forte e aguda que sentia.
O jovem Uchiha riu ao vê-la sorrir, mas não sabia ao certo se era por saber que tudo o que falara era verdade ou por ainda sentir-se em um sonho. Em um ímpeto puxou a mulher de cabelos rosas pela cintura, o toque fez com que abrisse seus olhos o fitando surpresa.
“Negros e intensos, acho que são até capazes de ver a minha alma, mas o que adianta sonhos são sonhos, é apenas saudade”.
Tocou o peitoral do homem, sem desviar o olhar, se era um sonho ela iria até o fim agora. Calmamente o homem roçou seus lábios nos pequenos lábios da rosada, um choque passou pelo corpo da mulher que fechou os olhos novamente, subindo os braços em volta do pescoço do rapaz. Ao senti-la fazer aquilo não teve dúvidas, fechou os olhos e a beijou finalmente, sentindo o mesmo que sentiu ao beija-la a primeira vez, que aquilo seria para sempre.
Sentir os lábios de seu amado, a fez perceber que de fato que não estava sonhando, ele estava ali para ela e agora estava disposta a fazer o que disse, tudo seria esquecido e uma nova história escrita, mas agora beija-lo era o que importava. Do lado de fora, os fogos de artifício queimavam a todo vapor, anunciando que o novo ano se iniciara e que era o momento de mudanças.
Ainda na sala, o casal ofegante se encarava.
- Você não é um sonho... – Disse em um sussurro. – Nem fruto da minha saudade. – Falou rindo e o abraçando.
- Não e estou longe de ser. – Ele sorriu.
- Senti sua falta. – Sua voz saiu embargada.
- Eu também senti, mas não precisar chorar. – Ela o fitou.
- Não vou chorar! – Respondeu esboçando um sorriso.
- Feliz ano novo Saky, eu te amo. – Ela riu ao ouvir o apelido que na maior parte do tempo seus sobrinhos usavam, era estranho o ouvir pronunciar ele e se recompôs.
- Feliz ano novo Sasu-kun, também te amo! Agora o que acha de irmos lá fora, ver os fogos? Ainda tenho um tempo.
- Claro, com você irei a qualquer lugar, não vou te deixar, uma única experiência basta. – Ela deu uma risada alta e gostosa aos ouvidos do rapaz, que também não se conteve, enquanto seguiu arrastado pelo prédio com as mãos entrelaçadas a da mulher que tanto amava.
Saudade não tem traduçãoe nunca terá, estejamos onde estivermos ela nos acompanhará, mas com o tempo temos a sorte de conhecer pessoas capazes de fazer com que ela se torne menos dolorida, ou até mesmo reencontraremos aqueles de quem sentimos falta bateremos papo antes que chegue um novo adeus, mas é possível que eles também voltem para ficar e quando isso acontece, todo esse sentimento irá simplesmente desaparecer.
Notas finais
Aproveito para avisar que a frase em itálico no começo e negrito no fim, pertencem a música "Apenas uma canção de amor" da Banda Rosa de Saron, procurem a letra na íntegra, ela é linda ^^.
Obrigada por ler e até a próxima, beijos Myu.
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