Anniele Parker: Uma garota para recordar
2 Capitulo 1 - Um começo não tão ruim
Anniele abre seus olhos e se vê num novo ambiente, era uma sala, pequena, ela estava deitada em uma cama e não havia muito ao redor, alguns aparelhos médicos, uma porta branca com uma placa escrito "Dr. Marco Junior" e um computador no canto, onde estava um homem.
Ela se levanta lentamente e se senta naquela cama, olhando para o homem que se levantava e vinha em sua direção.
Ele era ruivo e tinha os olhos azuis claros, seus cabelos eram curtos e se encontravam penteados para trás, tinha uma barba bem feita e não aparentava ter mais do que 25 anos, talvez a mesma idade dela.
— Olá senhorita... — Diz ele olhando para uma prancheta que carregava — Senhorita Parker, certo?
— É — Responde ela com uma das mãos na cabeça — Anniele Parker, eu acho.
— Aqui diz Melissa — Diz ele com os olhos semi-cerrados — Tem certeza de seu nome?
— Hihi — Ela dá uma risada, claramente nervosa, afinal acabara de ouvir uma pergunta que envolvia certeza e certamente não tinha certeza de muitas coisas no momento, por fim apenas responde com um "não"
— Bom, fico feliz que esteja acordada e bem — Diz ele entregando um casaco para ela — Seu amigo te espera lá fora Anniele, lembre-se apenas de tomar seu remédio e não teremos que nos ver tão cedo.
— Não que isso seja um problema — Responde ela olhando fixamente para ele — Marco Jr. certo?
— Isso, mas como sabe meu nome? — Diz ele, parecendo um pouco surpreso
— Está escrito na porta — Diz ela sorrindo
— Claro, claro — ele dá uma risada nervosa e a direciona para a saída — Se não se importar...
— Claro, desculpe — Anniele caminha até a porta, mas para alguns segundos antes de sair e se vira para ele séria — Doutor, nós... Nós nos conhecemos?
— Não, acho que não está na cidade a tempo o suficiente para nos conhecermos — responde ele sem se dar ao trabalho de olhar para ela
— Certo... — E sai.
Assim que sai da sala, um homem vem de encontro a Anniele, ele era alto,magro e moreno, aos seus pés, duas crianças parecidas com ele.
— Olá Anniele — Diz ele estendendo a mão — Como você está?
— Podia estar melhor — Diz ela cumprimentando-o — Não me lembro de muita coisa... Nós nos conhecemos?
— Não muito... — Diz ele — Devemos ter nos visto uma ou duas vezes durante sua vida por aqui, meu nome é Jefferson Ramires e estes são Jason e Grazielle — Diz ele mostrando as crianças que corriam de um canto ao outro — Vamos indo, posso tentar te explicar algumas coisas no caminho.
Após isto, ambos se dirigem a um carro e de lá pegam a avenida.
— Jefferson, não me lembro onde moro — diz ela um pouco preocupada quanto a que caminho eles pegariam
— Não se preocupe, somos vizinhos, assim que te vi caindo, vim da minha casa até a sua — Diz ele — A propósito, pode me chamar de Jeff.
— Entendi... Jeff — Diz ela um pouco mais confortável — Desculpe a pergunta... Mas a quanto tempo nos conhecemos?
— Faça quantas perguntas precisar — Diz ele — E até onde sei você chegou na cidade deve fazer duas semanas.
— Moro sozinha?
— Acho que sim, nunca vi mais ninguém lá.
— Nos conhecemos desde que cheguei?
— Pouco menos que isso, mas não nos falamos muito.
— Onde está minha família?
— Não sei
— Por que não me lembro de nada?
— Eu... Não sei
— Jeff, quem sou eu? — Pergunta Anniele quase gritando, ela queria ter perguntado isso desde o começo, na verdade deveria ter feito isso com Junior no consultório, antes mesmo de dizer seu nome e não foi a beleza dele que a impediu, mas si mesma, ela estava se impedindo de perguntar, mas após a liberdade que Jeff deu a ela, era a hora, ela precisava saber.
Jeff olha-a por alguns segundos antes de responder — Quem é você, Anniele?Essa pode ser uma pergunta difícil de responder...Permita-me lhe fazer uma pergunta antes.
— Annie, por favor — Diz ela quase se matando por não ter tido sua resposta, se acalmando e mesmo cabisbaixa, lhe permite perguntar — Pergunte...
— Do que se lembra?
Eu... — Annie se esforça para lembrar de qualquer coisa, isso fazia sua cabeça doer, mas era necessário. — Me lembro de acordar sem memória nessa manhã, sem saber quem sou, como sou e porquê não me lembrava de nada...
Ela fecha os olhos para se acalmar e tentar colocar os pensamentos no lugar.
Lembro de coisas vagas, de como é o sol e os carros, mas tudo que envolve minha pessoa... parece apagado, enevoado, não sei o nome nem a aparência de meus pais, se é que tenho pais, ou uma família sequer... Não sei onde moro, ou o que faço da vida, não sei do que eu gosto e do que não gosto... Eu...NÃO ME LEMBRO DE NADA! E... E isso é... frustrante, isso é horrível — Anniele se desestabiliza e abaixa a cabeça, começando a deixar escorrer lágrimas de seu rosto — E o pior de tudo... não sei como farei para me lembrar, não sei nem se isso é possível.
Jeff olhava perplexo para ela, ele não pretendia ajudá-la, mas assim que repara em que situação se encontrava, não havia outro jeito, ele teria que ajudá-la. Ele então para o carro e a abraça.
Vou te ajudar a recuperá-las, custe o que custar — Diz ele prestando compaixão a ela — E acho que sei quem pode te ajudar, se não me engano, já te vi algumas vezes com ela.
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