Notas iniciais
Outro cap :3 Continuo a postar com pelo menos quatro ou cinco comentários. Bjs.

— Tá tudo bem Jackson? — Josh perguntou com o sorriso torto, sexy e perigoso. — Você parece tensa.

— Estou ótima, É impressão sua.

— Sabe, a Anika me falou muito bem de você. Disse que você não gosta muito de sair, é mais familiar, que escuta muito indie rock. É verdade?

— Sim.

— Caramba, eu amo indie rock! — os olhos dele brilharam. — Sou baixista de uma banda chamada Black Dragons. Tocamos esse estilo. Se tiver interessada em assistir a um de nossos shows, posso conseguir ingressos exclusivos para você e Anika. — ele sorriu mostrando todos os dentes.

— Parece ser legal.

— Ei. — ele levantou meu queixo carinhosamente com o dedo para me fazer olhar diretamente para ele. Desviei. — Por que você se sente tão insegura comigo?

— Como assim?

— Não adianta fingir. Sei que não se sente confortável comigo.

Ah. Ele descobriu.

— Eu acho que ter conhecido você hoje já é um motivo suficiente.

— É, tem razão. — ele respondeu assentindo. — Desculpa se forcei ou fiz algo de errado. Anika às vezes exagera. Eu só quero conhecer você. — os olhos e o desenho dos lábios dele expressavam ternura. Ele me olhava fixamente.

— E por quê?

— Porque gostei de você. Você me interessou.

— Mas, por que eu?

— Você é diferente. Já que perguntou: é o tipo de garota que me atrai bem fácil.

— Nossa. Já descobriu isso tudo sobre mim em menos de cinco horas? — levantei uma sobrancelha.

— Sou bom observador. Há dias Anika me fala de você. Eu te observava na Bayside. Conheço você há mais tempo que pensa.

Um calafrio eriçou meus pelos da nuca.

— Andou me seguindo?

— Talvez. — ele adotou um olhar sério e frio. — Não precisa ter medo de mim. O que acha que eu posso fazer?

Não respondi e só desviei o olhar para o lado. Percebi que Josh adotou uma postura rígida e tensa, de alerta, e nem um segundo depois ele me pegou pela cintura e puxou meu corpo para muito próximo dele.

— O que você está fazendo? — perguntei tentando me soltar, mas ele era mais forte.

Josh me abraçou pelas costas e colou meu corpo ao dele, enquanto dançava lentamente. Eu estava suando. Não sabia se era de nervosismo e irritação ou por estar tão próxima do corpo quente dele. Sentia cheiro de roupa limpa, sabonete e água salgada. Era o cheiro do Josh.

— Shhh. — ele sussurrou no meu ouvido. — Tens uns caras aqui. Eles acham que eu fiz algum mal para eles, mas eu não fiz. Agora eles estão me procurando para me pegar.

Ele olhava fixo para um lado da festa, escondendo o rosto na curva do meu pescoço. A respiração quente dele ardia na minha pele me fazendo arrepiar e aquilo estava me incomodando. Não entendia o que ele queria dizer com “eles acham que eu fiz algum mal”. Tentei olhar para onde ele estava olhando, mas ele pegou meu rosto com as mãos e me virou para ele. Ele voltou o olhar para lá e ficou tenso de novo.

— Merda. — pude ouvi-lo xingar muito baixo.

Não me dando tempo nem de pensar o motivo de ele ter ficado assim, ele me beijou. Josh me segurou nos braços dele de um jeito forte, protetor, me puxando cada vez mais perto dele, eliminando qualquer distância que ainda poderia existir entre nós. Ele me beijou com tanta intensidade que não consegui fazer nada a não ser deixa-lo terminar. O toque quente dele na minha pele me fez arrepiar por todo o corpo. Meu coração batia descompassado. Pude sentir o gosto dele: hortelã e água. Água salgada.

Minha parte racional dizia para eu me afastar, mas ela estava fora do meu alcance. A parte emocional que me dominava. Na verdade, quem estava me dominando era Josh. De um jeito que me fazia ficar apavorada. Depois de um longo tempo, ele se distanciou e ficou olhando para mim. Ainda não tinha me largado. Consegui me distanciar.

— O que foi isso? — minha voz saiu de um jeito que eu não esperava. Quase como um grito desesperado.

— Desculpa. Eu... — mas ele não conseguiu terminar. Dois homens, altos e aparentemente mais velhos seguraram nós dois pelos braços nos levando para fora da festa.

Não conseguia entender o que era aquilo, apenas olhei apavorada para Josh e ele me olhou como se pedisse desculpas por aquilo. Eu queria gritar, mas a voz não saia.

Os dois homens nos colocaram dentro de um carro preto e aceleraram. Eu estava muito assustada. Não me lembro de ter ficado com tanto medo na minha vida. Olhei para Josh e via a raiva brotar dos olhos dele como fogo.

— Deixem ela fora disso. — a voz ele saiu dura e agressiva. — É a mim que vocês querem.

O homem no assento do passageiro deu uma gargalhada.

— Você acha que não vamos tirar proveito dessa história? Parece que não nos conhece Joshua. — falou o homem de forma fria e calculista.

— O que está acontecendo Josh? — sussurrei olhando para ele com a voz trêmula. — Quem são esses homens e o que eles querem de você?

— Fica tranquila. Enquanto eu estiver do seu lado não vou deixar nada de ruim acontecer com você.

— Ficar tranquila? Nós estamos sendo sequestrados!

— O casalzinho pode calar a boca, por favor? — falou o motorista de forma agressiva.

— Eu peço. Deixem-na ir. Ela não pode dar nada a vocês. O que vocês querem está comigo.

Os dois homens riram, mas não havia humor na risada.

— A menina fica. — falou duramente o motorista.

Olhei para Josh e ele correspondeu o olhar. Era quase como se ele estivesse sentindo uma grande pena por eu estar passando por tudo aquilo. As lágrimas surgiram, ofuscando minha visão. Ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás da minha orelha e alisou o meu queixo com o dedo.

— Vai ficar tudo bem. — ele sussurrou suavemente.

Os dois homens, finalmente, pararam o carro no acostamento. Eu não reconhecia o lugar, mas sei que era muito afastado dos bairros populosos e movimentados de Nova Iorque.

Antes de abrir a porta, o motorista ordenou que seu parceiro me tirasse do carro e que ele mesmo “cuidaria” do Josh. O motorista chamou o outro homem por Gareth. Gareth me pegou pelo braço e me tirou do veículo enquanto o motorista tirava Josh o prendendo com as mãos nas costas.

— Você poderia me largar? É meio óbvio que não tenho como fugir. — falei.

— Nada disso lindinha. — respondeu Gareth apertando ainda mais meu braço.

O motorista empurrou Josh fazendo-o cair no chão duro e empoeirado.

— Cadê a papelada? — perguntou o motorista calmamente.

— O que tem naquela droga? — perguntou Josh num tom alto e agressivo.

— Olha garoto, nós não queremos te machucar e nem machucar a sua garota. — ele apontou com o queixo na minha direção. — O patrão não iria gostar. Só quero que me diga: onde esta aqueles papéis?

Josh olhou para mim e disse:

— Por que o patrão de vocês não venho pegar aqueles papéis se são tão importantes assim para ele? O que tem de tão sigiloso e misterioso naquilo que ele tem que mandar os capangas maltratarem o próprio filho?

— Jules, esse garoto faz muitas perguntas. Esta me irritando. — grunhiu Gareth.

— Se você não quer ver o Gareth descontando a raiva dele na sua garota, você me dirá agora onde esta os arquivos. — disse Jules, deixando transparecer a sua impaciência.

Josh tirou do bolso um pacote dobrado de papel pardo e entregou para Jules. Jules abriu o pacote e verificou alguns papéis brancos lá de dentro, depois voltou seu olhar para Josh, que não tirava os olhos do pacote que acabara de entregar.

— Bom trabalho garoto. Agora que entregou o que queríamos, — Jules fez um sinal quase imperceptível para Gareth — precisa aprender que não deve se meter nos assuntos particulares do seu pai. Você sabe. Para não repetir o mesmo erro novamente.

— Qual é o seu nome, lindinha? — perguntou Gareth para mim. Como eu não respondi ele deu uma risada e exclamou para Jules:

— Ela é muda!

Josh não tirava os olhos de mim. Notei que o tempo todo ele agia de forma cautelosa e calculava todos os seus movimentos.

— O que vão fazer? — soltou Josh. Via uma fúria e uma frieza exalar dos olhos dele que me arrepiava. — Já fiz o que vocês queriam. Não sou do tipo que repete o mesmo erro. Se fizerem qualquer coisa, já sabem que meu pai ficará sabendo e vocês não serão perdoados. Podem ter certeza.

Jules soltou uma risada, mas sem humor.

— Você acha mesmo que seu pai se importará com isso?

Rapidamente, Jules pegou Josh pelos braços, os prendendo nas costas e apontou uma arma para a cabeça dele. Gareth me jogou violentamente no chão e subiu em cima de mim, prendendo meus braços acima da minha cabeça.

— Pare com isso! — gritei desesperadamente, fazendo o que podia e usando todas as minhas forças para me libertar dele, mas era em vão. Gareth era muito mais forte. Ele se divertia com o meu pavor e fazia brincadeirinhas. Fiz a única coisa que me tinha no momento: gritei.

— Ninguém irá te ouvir aqui lindinha. Agora é só eu e você.

Lembrei do meu celular. Eu estava com ele na mão, mas antes de me deixar sozinha com Josh, Anika o pegou e levou com ela. Maldita hora que não estava com o meu celular, pensei. Fiquei me perguntando se Josh não estava com o dele, porque não me lembro de Jules e Gareth terem o tirado. Meus pensamentos foram interrompidos com a voz rouca de Josh.

— Deixe-a em paz desgraçado!

— Cale a boca garoto. — ordenou Jules afundando ainda mais o gatilho da arma na pele do Josh.

— Josh! Josh! — gritei tentando me livrar do Gareth, mas ele estava com todo o peso em cima de mim. Ele não era gordo, mas era forte e grande, o dobro de massa que eu tinha.

Olhei para Josh. Ele fazia força para se libertar.

— Deixa ela!

De repente, o olhar de Josh ganhou um aspecto de frieza e violência. Tive a leve impressão que a cor dos olhos dele mudou para um tom mais escuro, bem mais escuro. Numa fração de segundos, Josh deu uma cabeçada no Jules o fazendo cambalear. Com isso, Josh bateu na mão dele com o revólver e o fez cair há metros de distância dos dois. Não se deixando por vencer,

Josh acertou um soco violento no rosto de Jules e ele tombou no chão com o choque. Enquanto isso, Gareth me levantou, pegou sua arma do bolso e a apontou na minha direção. Josh correu em direção ao revólver que tinha caído e o direcionou a Gareth.

— Você já sabe garoto. Se tentar alguma coisa, a garota morre. — avisou Gareth. — Então, largue a arma.

Jules se recuperou e tentava pegar Josh desprevenido por trás, mas eu percebi e gritei:

— Josh! O Jules!

Josh virou rapidamente para trás apontando a arma para ele.

— Calma, garoto. — falou Jules com as duas mãos para o alto em sinal de redenção. Ele se dirigiu para perto da onde eu e Gareth estávamos.

— Vamos lá Joshua. — disse Jules calmamente. — Não queremos que ninguém aqui se machuque. Abaixe essa arma.

De repente, ao longe, ouvia-se o som familiar de uma sirene. A polícia, pensei, não conseguindo conter a alegria e o alívio.

— Droga, você chamou a polícia? — perguntou Jules aparentemente descontrolado.

— Idiotas. Vocês nem sequer verificaram se eu não tinha um celular. — Josh tirou do bolso o celular e balançou no ar com um sorriso de satisfação.

— Seu cretino! — rugiu Jules.

Gareth tirou a arma da minha cabeça e me levou para dentro do carro. Jules também entrou e logo depois Josh, do meu lado. Jules ligou o carro rapidamente, engatou a marcha e pisou no acelerador saindo dali em segundos.

Olhei assustada para a arma na mão do Josh e depois para ele. Ele escondeu a arma do lado da perna e me abraçou. No conforto dos braços dele eu, pela primeira vez na noite, me senti protegida. Deixei escapar as lágrimas que ameaçavam cair desde o início daquela confusão. Josh não pareceu se importar com as minhas lágrimas encharcando a camisa dele e apenas encostou o rosto dele na minha cabeça, me abraçando forte.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.