Anna's Life

4 Brincadeiras


Notas iniciais
*-*

A semana passou rapidamente, ela não saiu mais a tarde, se empenhava nos estudos e em ajudar sua mãe com o seu irmão.
Sexta feira, depois das aulas, quando ela e Luigi estavam voltando para casa, como todos os outros dias, algo diferente aconteceu.
Uma criatura cor de rosa corria em direção a eles o mais rápido que seus saltos altos conseguiam, e parou o ofegante a poucos metros deles.
-Vocês... Não... Me ouviram? –ela vinha atrás deles desde a escola, gritado o nome de Luigi.
-Ah, desculpa Mellany. Estávamos entretidos. Essa é a Anna.
-Muito prazer Mellany.
-Está bom, tanto faz. Luigi, você foi convocado essa semana pra ir na nossa festinha amanhã. Sinta-se honrado!
Ele arqueou a sobrancelha.

-Não obrigado, tenho outro compromisso.
-Com ela? –Mellany apontou com cara de desdém para Anna que se encolheu nos próprios ombros.
-Ah... Sim, com ela. Algum problema?
-Ah... Não, tudo bem, divirtam-se então.
Ela saiu por onde chegou tentando parecer o mais elegante possível.
-Temos um compromisso juntos?
-Não. Mas definitivamente não irei em festa nenhuma dessa gente.
-Você parece popular.
-Infelizmente, talvez.
-Hm... Entendo. Não gostei do jeito como ela falou de mim...
-Ah, não se preocupe com isso, ela é assim com quase todo mundo, por isso não gosto dela.
-Ela é o smurf rosa de segunda feira?
-Ela mesma. – E ele riu de novo.

Quando chegaram ouviram um estrondo enorme vindo da casa dela. Anna arregalou os olhos e em seguida ouviu sua mãe gritando desesperada. Correu até lá com Luigi a seguindo. E encontrou sua mãe, com Ryan, o irmão mais novo nos braços em frente a escada. Com uma caixas derrubadas. As caixas eram usadas para impedir que Ryan fosse para a escada, e funcionavam na antiga casa, mas dessa vez, parece que não funcionou.
Anna correu até o telefone e discou o número da emergência. Luigi fez a mãe de Anna deitar Ryan no chão, evitando que ela mexesse nele o que poderia acarretar um problema maior.
-A ambulância está vindo mãe. O que aconteceu?
-Eu estava limpando o quarto dele, arrumando as roupinhas, e Ryan estava desenhando do meu lado, quando vi ele havia sumido e ouvi o barulho, então... Ele sumiu do nada... E....

-Calma mãe, ele vai ficar bem. –Anna tentava acalmar sua mãe, mas o tom de preocupação na sua voz era intenso, seu irmão parecia inconsciente, mas a respiração era extremamente fraca. Ouviram ao longe o som das sirenes.
-Ligue pro seu pai e o espere aqui Anna.
-Certo. –ela se dirigiu novamente para o telefone e a ambulância chegou, enquanto falava com o seu pai os paramédicos já tiravam Ryan de dentro da casa.

Anna desligou o telefone, muda. Luigi a olhava preocupado. Ela foi para a frente da casa e sentou na calçada junto de Luigi que num gesto surpreendente passou os braços em volta dos ombros dela.

-Vai ficar tudo bem Anna.

-Espero que sim...

Uma hora depois o pai dela chegou, com os olhos arregalados de temor.
-Anna, o que aconteceu?
-O Ryan caiu da escada, mamãe tirou os olhos dele por alguns segundos e ele sumiu... Foram pro hospital de ambulância.
-Eu vou para lá agora.

Ele nem deu chance de Anna falar que queria ir também, entrou no carro e partiu o mais rápido que pode.
-O que eu faço agora?
-Acho melhor você descansar, eles vão voltar aqui pra te buscar.
-Não vão não... –Anna suspirou, seus olhos não marejaram nenhuma vez, não que ela não se importasse com o irmão, mas... Era mais forte do que parecia.
-Quer ficar comigo Anna? Lá em casa? Minha mãe também não trabalha, deve estar lá bobeando.
Ela assentiu olhando pra ele. Levantou e o puxou pra dentro de sua própria casa, havia um filete de sangue em frente a escada que eles subiram cautelosos. Havia uma caixa no meio da escada, com alguns desenhos. Ele tentou desenhar na caixa, com o peso, a estrutura se desmanchou e ele caiu. Entraram no quarto dela e ele hesitou um pouco, não sabia no que ela estava pensando.
-Eu... Quero trocar de roupa. Você não se importa de esperar aqui né? Não quero ficar sozinha nessa casa... Por enquanto.
Ele assentiu. Anna pegou uma muda de roupas do armário e se dirigiu ao banheiro.
Pouco tempo depois ela saiu, havia chorado um pouco no banho, mas era imperceptível. Ele levantou e a levou para sua casa, assim que entraram a mãe de Luigi que parecia um pouco preocupada a abraçou. Ela devia ter visto a cena.
-Você está bem Anna, querida?
-Sim...

-Vai dar tudo certo, você vai ver!

Anna forçou um sorriso. E Luigi não estava lá, provavelmente foi tomar banho e trocar de roupa assim como ela havia feito. As duas se sentaram no sofá da sala de estar e conversaram sobre banalidades, pra tentar distrai-la um pouco. Luigi voltou e a levou para o quarto dele.
Fechou a porta.
-Acho que minha mãe adora falar asneiras.
-Um pouco, mas é divertida. –Anna sentou na cama dele e Luigi sentou na escrivaninha.
-Quer fazer alguma coisa Anna? Ligar pra Nicole, sei lá.
-Ah... A não ser que você queira se livrar de mim.
-Não quero –ele riu. É que vocês são amigas, e meninas se entendem. Não sou uma companhia muito agradável por falar nisso.
-Eu não acho isso! Gosto de ficar com você.
Ele arqueou a sobrancelha e levantou, em seguida sentou ao lado dela, mais próximo do que eles costumavam ficar, tirando a ocasião de compaixão que ele a “abraçou”. Dessa vez ele realmente a abraçou, e puxou seu corpo de encontro ao dele. Encostando a boca nos cabelos dela. Os dois respiravam lentamente, e assim ficaram até o celular de Anna tocar. Ela atendeu rápido e era seu pai.
-Ele está bem Anna, quebrou o braço mas foi só isso. Em um ou dois dias ele e a sua mãe voltaram para casa, se importa de ficar sozinha um pouco?
-Um pouco...
-Onde você está? Tentei ligar para casa e ninguém atendeu.
-Estou na casa dos Miller, com o Luigi e a mãe dele.
-Ah, tudo bem.
-Pai, posso chamar algumas amigas pra passarem os dias comigo? Lá em casa, pra eu não ficar sozinha.
-Claro querida. Mas nada de meninos!
-Eu sei, Tchau pai.
-Tchau querida.

Luigi a olhou com uma certa expectativa.
-Ele está bem só quebrou o braço. Voltam em um ou dois dias, vou ligar pra Nicole e pra Taxa.
Ele assentiu e Anna discou o número de Nicole no celular.
-Oi, Nicole, vai fazer alguma coisa esse fim de semana a noite?
-Não Anna, por que?
-Quer passar o fim de semana comigo? Meus pais estão no hospital com o meu irmão, ele caiu da escada, mas felizmente só quebrou o braço.
-Claro que quero, vou ligar pra Taxa.
-Certo. Ia pedir pra você fazer isso porque não tenho o número dela.
-Daqui a pouco estaremos ai!
-Ah, estou na casa do Luigi, me chamem aqui.
-Hm.... Moça, na casa do Luigi fazendo o que?!
-Nada! Para com isso Nicole!
-Sei... Quando chegarmos você vai explicar essa história direitinho.
-Certo, como quiser.
-Bye!
-Até.

Ela desligou o telefone e olhou de relance para ele, que ouvindo a conversa já deveria ter imaginado do que elas falavam. Ele sorria malicioso, o que deixou Anna vermelha.
-Essas meninas são bobas em... –sorriu forçada, se sentindo um pouco constrangida.
-Claro. –ele adquiriu um tom mais sedutor a voz o que a fez estremecer.
-Pois é né...
-Você está visivelmente constrangida Anna, não se preocupe que não vou fazer nada com você.
-Não pensei que faria algo!
-Não mesmo?
Ela negou com movimentos rápidos e constantes com a cabeça.
-Quem pensou foi a Nicole então?
-Foi ela!
-O que você acha que ela pensou Anna?
-Por que você está jogando comigo Luigi?
-Não estou fazendo nada, você que está nervosa por nada.
-Por nada? Olha a sua cara!
Ele sorriu maliciosamente pra ela que recuou e se levantou na cama num pulo. Fazendo-o gargalhar e cair deitado na cama, suspirando.
-Você é muito boba Anna.
-Eu não sou boba! Você que é, fazendo gracinha com a voz e essas coisas só pra me deixar desconfortável.
-Me desculpa, mas não resisti.
-E por que não?
-Por causa da sua cara, não é obvio? Você é ingênua, e não tinha visto maldade nenhuma em mim até a Nicole falar alguma coisa e fazer a sua ficha cair.
-Então você só está brincando com a minha cara Luigi? –o tom de brincadeira dela sumiu. Substituído por uma certa magoa e raiva misturadas.
Ele ficou sem palavras por alguns segundos, com a boca entreaberta.
-Não Anna... Não precisa levar tão a sério...
-ANNA!! –era Nicole, gritando do lado de fora.
Ela continuava séria, deu as costas pra ele e saiu do quarto. Se despediu da mãe dele e saiu da casa, encontrando as meninas. Que a abraçaram juntas enquanto eram observadas discretamente pelos olhos cinzentos de um certo rapaz.

Notas finais
comentem u.u