Annabeth Chase - O Ladrão De Raios
5 Capítulo 5
No dia seguinte acordei irritada, e haviam vários motivos para isso. Primeiro havia o pesadelo... Uma voz em um buraco muito escuro, rindo. O riso era frio, assustador, e senti como se o que quer que estivesse lá embaixo pudesse olhar através de mim. E em segundo... Espero há anos por uma missão, e agora que posso conseguir uma terei que dividí-la com um filho de Poseidon, um dos únicos deuses com quem Atena tem uma rivalidade. Tecnicamente, Percy nem devia estar ali! Os Três Grandes não deviam ter mais filhos! E ainda tinha aquele cão... como ele tinha entrado no acampamento? Será que tinha alguma coisa a ver com tudo o que estava acontecendo? Ou talvez o sentimento de que tudo estava conectado de alguma forma era coisa da minha cabeça? E o solstício já estava próximo... Tudo bem, eu precisava me acalmar e por as idéias em ordem. Precisava de um plano. Concentre-se, Annabeth!
No final daquela semana, coincidentemente no dia em que tive outro pesadelo com aquele abismo assustador, ouvi Quíron dizendo a Grover que precisava falar com Percy. Devia ser alguma coisa importante, Grover estava agitado. Decidi ficar por ali e descobrir o que era, então coloquei meu boné e esperei na varanda ao lado do sr. D, enquanto observava Quíron. Ele estava pensativo, olhando para o céu que ficava cada vez mais escuro, o que me fez lembrar da voz em meu sonho. Senti um frio na espinha e olhei para o céu mais uma vez. Uma tempestade enorme estava se formando, mas porque ele estaria preocupado? Não podia chover no acampamento sem permissão, certo? Dei uma olhada ao redor da Casa Grande. Parecia um dia normal, todos ainda cuidavam de suas respectivas atividades e havia campistas jogando nas quadras, mas de alguma maneira, algo parecia...errado. Dava para sentir uma certa tensão no ar, e alguns sátiros olhavam nervosamente para o céu.
Percy apareceu alguns minutos depois, seguindo Grover. Quíron agora estava sentado na mesa jogando pinochle na mesa contra o sr. D e duas mãos invisíveis. Quando o filho de Poseidon se aproximou, Dionisio começou imediatamente a demonstrar seu desgosto pelos campistas, especialmente por ele que era filho do 'velho Barbas de Craca', segundo suas palavras. Elas foram imediatamente seguidas por um trovão ameaçador. Mais irritado ainda, sr. D pegou seu passe para o Olimpo, dizendo que ia a uma reunião de emergência, e desapareceu no ar. Quíron sorriu para Percy e Grover, pedindo para que os dois se sentassem nas cadeiras vazias, e perguntou ao semideus sobre o cão infernal. Percy estremeceu:
— Ele me apavorou. Se vocês não o tivessem acertado, eu estaria morto.
— Você vai enfrentar coisas piores, Percy. Muito piores, antes de terminar. — Quíron disse, olhando os garotos atentamente. Opa. Terminar? Então era hoje que ele receberia a missão. Finalmente!
— Terminar...o quê? — Percy franziu a testa, confuso. Como alguém podia ter o raciocínio tão lento?
— Sua missão, é claro. Você vai aceitá-lá? — Quíron ergueu uma sombrancelha enquanto Grover cruzava os dedos. Ele também andava procurando uma missão, já que a sua antiga havia falhado. Grover queria outra chance, assim como eu queria a minha primeira.
— Ahn, senhor, ainda não me contou qual será. — Percy respondeu.
— Bem, essa é a parte difícil, os detalhes. — Quíron disse, fazendo uma careta.
— Poseidon e Zeus. Eles estão lutando por algo valioso...algo que foi roubado, não estão? — Percy arriscou.
— Como você sabe disso? — Quíron franziu as sombrancelhas.
— Desde o Natal o tempo esta esquisito, como se o mar e o céu estivesse brigando. Então falei com Annabeth, e ela tinha ouvido alguma coisa sobre um roubo. E... também andei sonhando umas coisas.
Um roubo...algo entre Poseidon e Zeus... O que poderia ser? Virando a cabeça para cima, eu podia deduzir que era alguma coisa grave... O céu estava completamente carregado de nuvens escuras, e olhando para a praia, não se conseguia mais identificar onde acabava o céu e começava o mar. Raios faiscavam entre os dois. Grover, que estava quieto até agora, virou-se para Percy sorrindo:
— Eu sabia.
— Quieto, sátiro. — ordenou Quíron.
— Mas essa é a missão dele! Tem de ser! — o menino-bode exclamou, visivelmente animado.
— Só o Oráculo pode determinar. No entanto Percy, você está correto. Seu pai e Zeus estão tendo sua pior disputa em séculos. Estão lutando por uma coisa valiosa que foi roubada. Pra ser preciso: um relâmpago.
Quando Quíron disse aquilo, eu congelei, percebendo que a coisa era bem mais grave do que eu pensava. Um relâmpago? Só podia ser o símbolo do poder de Zeus, o poderoso e lendário Raio Mestre. Eu já havia lido sobre ele, seu poder de destruição nas mãos do deus eram devastadores. Quão devastadores? Imagine a bomba de Hiroshima. Agora multiplique o poder de explosão e a força da radiação espalhada por dez mil. Ele havia mandado Cronos para o fundo do Tártaro com aquilo. Além disso, ele servia de molde para todos os outros raios. Útil, não? Mas deuses eram proibidos pelas antigas lei divinas de roubar os símbolos um dos outros, então precisam mandar outra pessoa para realizar a tarefa. Geralmente eles usam semideuses, somos praticamente peões dos Olimpianos. E Quíron disse que como Poseidon tinha reclamado Percy como filho agora, Zeus achava que ele tinha roubado o Raio... Ele estava realmente encrencado. Se o Raio Mestre não fosse devolvido até o Solstício de Verão, Zeus declararia guerra contra Poseidon, e uma guerra entre os dois poderosos do Olimpo com certeza devastaria a Terra. Quando saí de meus devaneios sobre o problema todo, Percy já tinha aceitado a missão e subia as escadas do sótão para ver o Oráculo, uma múmia velha que abrigava o espírito de Delfos. Eu sei, é um pouco bizarro. Me sentei na cadeira onde Percy estava à alguns momentos atrás e retirei o boné da minha cabeça, fazendo o ar tremeluzir e eu aparecer.
— Béééé! — Grover baliu, quase caindo para trás de susto. Eu sorri e Quíron suspirou:
— Eu devia saber que você estava por aqui, minha criança. E então?
— Eu me voluntario para a missão. — eu disse, imediatamente.
— Sim, é claro. Supondo que Percy volte do Oráculo, eu permito a sua entrada na missão. — ele assentiu, enquanto Grover distraidamente mastigava uma latinha que estava sobre a mesa. — Mas eu devo avisá-la, Annabeth, os perigos que vocês encontrarão serão muito maiores do que alguns filhos de Ares na Caçada a Bandeira ou uma escalada sobre as paredes de lava.
— Ela fai ficar fem, Quíron. — Grover disse, me dando cobertura. Só não sei se deu para levá-lo a sério com a boca cheia de pedaços de lata.
— Eu sinceramente desejo que você esteja certo. — ele franziu a testa, preocupado. Quíron me conhecia desde que eu cheguei ao acampamento, com sete anos de idade. Imaginei como ele deveria se sentir, tentando proteger todos os semideuses contra um mundo cheio de monstros querendo nos devorar, e deuses vingativos querendo nos transformar em objetos inanimados ou animais. Ele era como um pai para muitos campistas. — Percy não teve muito tempo para treinar, e eu espero que todo seu treinamento valha para a segurança de vocês.
— Eu vou fazer o meu melhor, Quíron. Para achar o Raio, e para nos proteger. — me levantei e caminhei até ele sorrindo, confiante. — Eu prometo.
Enquanto esperávamos o dono da missão, coloquei meu boné novamente e me sentei na balaustrada de madeira, observando os campistas, que não tinham idéia de como o mundo estava ameaçado.
Percy voltou alguns minutos depois, pálido, e desabou sobre uma das cadeiras. Ele contou que deveria encontrar o que foi roubado, o veria devolvido em segurança, e encontraria o deus que se tornou desleal no oeste. O único deus que eu sabia que morava no oeste era Hades, deus do Mundo Inferior. Isso fazia sentido... Se Zeus e Poseidon brigassem, Hades poderia tomar o poder. Desci da balaustrada enquanto Percy, Grover e Quíron discutiam detalhes da missão.
— Então deixe-me entender direito. Preciso ir para o Mundo Inferior e confrontar o Senhor dos Mortos. Para encontrar a arma mais poderosa do universo. E levá-la de volta ao Olimpo antes do solstício de verão, daqui a dez dias. — Percy enumerou as tarefas, enquanto Quíron ia confirmando. Bom, essa seria uma missão bem complicada... Grover estava nervoso, devorando as cartas de pinochle como se sua vida dependesse daquilo, mas como Percy tinha salvado a vida dele, o sátiro também aceitou a missão.
— Certo. — disse Quíron — Dois parceiros poderão acompanhá-lo. Grover é um. O outro já se apresentou como voluntário, se você aceitar a ajuda dela.
— Puxa — Percy exclamou, sarcasticamente. — Quem mais seria bastante estúpido para se apresentar para uma missão como essa?
Tirei meu boné de invisibilidade dos Yankees e guardei ele no meu bolso:
— Eu estou esperando há muito tempo por uma missão, Cabeça de Alga. Atena não é fã de Poseidon, mas se você vai salvar o mundo, sou a melhor pessoa para impedir que você estrague tudo. — eu sorri. Não sei quando comecei a chamá-lo assim, mas me pareceu um ótimo apelido para ele.
— Se é você quem diz. Tem algum plano, sabidinha?
Sabidinha? Vou mostrar a ele quem é sabidinha...
— Você quer a minha ajuda ou não?
— Um trio. — ele assentiu, parecendo aliviado. — Isso vai dar certo.
Assim que Quíron nos disse que poderíamos pegar uma carona até um terminal de ônibus em Manhattan, a chuva caiu sobre o acampamento com um relâmpago. Olhei para o céu, agora completamente negro, enquanto Quíron nos mandou arrumar as malas. Senti um nó no estômago.
Era oficial. Eu tinha uma missão.
E se falhasse, causaríamos a Terceira Guerra Mundial.
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