Annabeth Chase - O Ladrão De Raios
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vocês já ouviram essa história. Mas agora vão conhecê-la do meu ponto de vista.
Meu nome é Annabeth Chase, acho que alguns já me conhecem. Se não conhecem, muito prazer. Sou uma semi-deusa, filha de Atena, deusa da sabedoria, sou loira de olhos cinzas (como todos os filhos de Atena) e quero ser arquiteta. O resto vocês irão descobrindo depois.
Acho que estou indo rápido demais, tenho que explicar algumas coisas antes. Primeiro, sabe aqueles deuses da mitologia grega que você aprendeu na escola? Então, eles são reais. E moram bem aqui, nos Estados Unidos, para ser mais exata, no 600º andar do Empire State. Segundo, eles ainda tem aquela velha mania de terem filhos com mortais. O problema é que alguns desses filhos, chamados de semi-deuses, são muito poderosos, e podem causar sérios problemas. A 2ª Guerra Mundial, por exemplo.
O único lugar seguro para nós é o Acampamento Meio-Sangue. Visto de fora, para mortais comuns, ele parece apenas uma plantação de morango, mas por dentro temos quadras de vôlei e basquete, estábulos, uma parede de escalada que solta lava, uma floresta cheia de monstros, uma área de treinar esgrima, um lago com náiades para treinar canoagem, um pátio para as refeições, um arsenal com espadas, uma forja... E os chalés onde dormimos, 12 construções gregas, cada uma simbolizando um deus, enfileiradas em forma de U em uma área grande com várias estátuas e colunas. O meu é o chalé 6.
Vou começar a contar a história a partir de quando Percy chegou no Acampamento Meio Sangue. Eu tinha 12 anos na época, e estava no acampamento desde meus 7 anos. Era um dia normal, ou tão normal quanto é possível ser em um acampamento de semi-deuses. Eu tinha acabado de sair da aula de vôo com pégasos, estava indo na direção da Casa Grande, precisava falar com Quíron, o centauro, nosso diretor de atividades. Quando ele não estava na forma de centauro, metade humano e metade corcel branco, ele era um professor de latim em uma cadeira de rodas. Eu ia pedir de novo pra ele deixar eu sair em alguma missão, afinal, não custava tentar. Mas ele sempre vinha com aquela história da "Grande Profecia". Ele sempre dizia que eu só iria sair em missão quando alguém especial chegasse. Esse 'alguém' deveria ser um filho dos Três Grandes: Zeus, Poseidon ou Hades. Além disso, também queria perguntar o que ele estava escondendo de mim. Havia dias que o tempo andava estranho. Na verdade, o tempo estava estranho desde que visitamos o Olimpo... como se os deuses estivessem brigando. A única coisa que eu sabia era que tinha alguma coisa a ver com o Solstício de Verão, pois ouvi alguns sátiros comentando sobre a data. Ele estava na varanda da casa grande, olhando a tempestade. Parecia preocupado.
— Quíron, preciso falar com você. — subi os degraus e me aproximei dele.
— Diga, minha criança. — ele se virou para mim, apoiando um braço na balaustrada.
— Eu quero saber o que você está escondendo de mim. O que está acontecendo? Eu sei que você sabe. — eu disse, cruzando os braços.
— Annabeth, eu gostaria de poder contar, mas se você souber demais vai ficar suspeito.
— Por favor Quíron! O que vai acontecer no Solstício? Por que o tempo está estranho? Parece que os deuses estão brigando...
Quíron suspirou, resignado:
— Está bem. Você vai acabar descobrindo mesmo... Mas só poderei contar que alguma coisa foi roubada.
—O que foi roubado? Como? Por quem? — franzi a testa, minha mente zumbindo com as possibilidades e problemas que as respostas poderiam trazer.
— É o que eu gostaria de saber...
Eu sabia que ele ainda estava escondendo alguma coisa, então decidi forçar mais um pouco:
— Se você me contar mais, eu podia ajudar. Eu podia sair em uma missão e procurar a tal coisa que foi roubada. — eu sorri.
— Annabeth... Nós já conversamos sobre isso... Você tinha concordado em esperar o momento certo. A profecia...
Rolei os olhos. — Tá, já sei... A grande profecia... Mas como vou saber que é o momento certo? Pelo menos você sabe como essa pessoa especial é? Sabe quando ela vai chegar? E aquele garoto que você estava vigiando?
— Annabeth...
Então nós ouvimos alguma coisa se aproximando. Me virei e vi um garoto carregando Grover, meu amigo sátiro, um garoto magro, moreno, de cabelo castanho cacheado. Ele parecia desacordado.
— É ele. Tem de ser. — eu afirmei.
— Silencio, Annabeth. Ele ainda está consciente. Traga-o para dentro. — Disse Quíron. Ele parecia preocupado.
Levamos ele para a enfermaria, pálido e desacordado. Os filhos de Apolo tinham um dom especial para medicina, com certeza cuidariam bem do garoto. No dia seguinte voltei lá para ver como ele estava e Quíron disse que eu podia sair, poies ele ainda estava se recuperando; mas talvez o garoto soubesse alguma coisa...então resolvi ficar por ali. Peguei um pouco de ambrosia, já que ela ajudava a curar semi-deuses, e comecei a dar para o garoto. Lentamente, a cor começou a voltar ao rosto dele. Finalmente ele abriu os olhos, que eram intensamente verdes. Olhou em volta, confuso. Antes que alguém percebesse, perguntei apressada:
— O que vai acontecer no solstício de verão?
— O quê? — Ele resmungou.
— O que está acontecendo? O que foi roubado? Nós só temos algumas semanas! — continuei em voz baixa.
— Desculpe, eu não... — ele começou a dizer, mas alguém bateu na porta e coquei mais uma colher de ambrosia na boca dele. Era Quíron dizendo que estava na hora da minha aula de esgrima. Ele também disse que ia levar o garoto, Percy Jackson, para varanda, para tomar um pouco de ar fresco. Fui correndo para aula, não gostava de chegar atrasada, ainda mais quando o professor era Luke. Não, não é meu namorado. Ele era meu amigo, tinha me ajudado quando fugi de casa os 7 anos. Eu, Luke, Grover e Thalia. Grover era o guardião de Thalia, filha de Zeus, mas ele nos encontrou e começou a nos ajudar também. A missão dele era guiar Thalia até o acampamento, porém tivemos vários imprevistos. Monstros nos atacaram durante todo o caminho, e quando estávamos quase alcançando o acampamento, havia tantos que não ia dar tempo de chegarmos. Então Thalia ficou para trás, se sacrificou para nos salvar. Zeus ficou com pena dela e a transformou em uma árvore magica, que acabou ajudando a proteger o acampamento.
Um jeito bem estranho de salvar uma pessoa, na minha opinião.
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