Annabeth
1 Capítulo 1 Fogo
Notas iniciais
Boa leitura.....
Eles morreram. Meus pais estão mortos. Mortos. Mortos. Mortos. Mortos. Mortos...Eu ficava repetindo isso várias vezes a mim mesma, tentando me fazer acreditar. Não estava funcionando.
Ou talvez eu não quisesse acreditar. Não podia acreditar.
Eu os vi nesse mesmo dia, minha mãe me abraçou quando acordei, me sentei na mesa e tomei café da manhã ouvindo meu pai reclamar de um cliente de seu escritório. Antes de ir para o colégio, recebi um beijo na testa da mamãe. Vivos. Agora, mortos. Não é verdade. Não pode ser...
Busquei em minha mente uma imagem mais convincente: A casa em chamas.
Fogo. O jardim da frente estava destruído, as rosas vermelhas pareciam secas, sem cor, sem vida. Os girasois queimavam, não havia mais nada. A casa, o meu lar, queimava em chamas. Fumaça negra, eu fiquei parada vendo meu mundo se quebrar como um espelho rachado.
Era como estar assistindo á um filme em 3D, mas não era a um filme que eu estava vendo. Era a realidade. A mais cruel realidade. Diante dos meus olhos.
Meu corpo se tornou frio, uma corrente de ar passou por meu rosto richecoteando meus cabelos em minha face. Era um aviso para me lembrar que meus pais estavam lá dentro.
Eu corri, corri, corri em direção a casa fumegante, nem sequer pensei duas vezes. Eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro. Eles estão lá dentro...! Era tudo o que passava em minha mente naquele momento.
Havia pessoas em volta, ao redor do que era a minha casa. Como urubus. Fui empurrando algumas, tropeçando, mas, quando estava muito próxima de entrar finalmente na casa em chamas, alguém agarrou meu braço.
Era a senhorita Olivia Oliver, nossa vizinha, uma senhora de 53 anos.
Ela parecia preocupada.
– Querida! Deus, achei que estava aí dentro! — ela disse — O que pensa que está fazendo aqui? Venha, se afaste.- ela me puxou para o meio das pessoas.- Já chamamos os bombeiros, logo eles estarão aqui e...
– ME SOLTE! MEUS PAIS ESTÃO LÁ DENTRO!- Eu gritei, tentando me soltar de suas mãos.
– Oh querida, acalme-se! Me ajudem aqui!- Senhorita Oliver pediu e logo eu estava lutando com mais de quatro pessoas.
– Vocês não entendem! Eu preciso ajuda-los! Me soltem! Me soltem! Por favor...! Por favor! — eu implorava, chorando.
Eles não me ouviam, eu gritava, chorava e implorava, mas eles não me ouviam.
O fogo continuavam se alastrando, estava destruindo tudo, estava levando minha vida embora. Eu chorei, chorei, e chorei...
E então, mesmo com as lágrimas embaçando minha visão, eu consegui vê-lo.
Ele era alto, suas vestes negras,os cabelos eram tão alvos quanto a neve no inverno, mas seu rosto tão jovem, 17 anos, no máximo.
Eu vi seus olhos, nosso olhar se cruzou. Seus olhos eram vermelhos.
Sem nenhum brilho. Sem alma. Como sangue seco em um cadáver.
Aquele estranho estava muito próximo das chamas, ele estava indo para elas. Era como se fizesse parte delas...
Eu tentei avisar alguém para que o impedisse, mas ninguém parecia ve-lo, além de mim.
O que ele estava fazendo? Estaria tentando tirar meus pais de lá de dentro? Mesmo com a dor em meu peito eu sabia que eles já não teriam nenhuma chance de estar vivos.
Mas aquele estranho continuava a caminhar para as chamas, ele sorriu para mi. Não era um sorriso normal, era um sorriso que me fez sentir meu sangue gelar. Um sorriso de triunfo.
Oh, não! Meu coração congelou, minhas pernas tremeram, as lágrimas secaram em meus olhos, quando eu percebi: Foi ele.
Ele causou o incêndio. E tudo que vi depois daquele maligno rosto entrar na chamas, foi a escuridão me cegando
Não consegui salva-los,...não consegui salva-los...não consegui salva-los...
Notas finais
Beijos...
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