Annabelly

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Preparem os lencinhos... vamo lá!

Mikey era como um irmão pra mim. Talvez por nós dois termos da mesma idade, isso pode ter influenciado nossa grande amizade. Ele se sentia extremamente feliz em saber que seria tio em breve. Um grande sorriso brotou em seu rosto quando eu pus sua mão em minha barriga e meu filho deu um animado chute.

Era bom saber que pelo menos alguém da família estava feliz por ele existir.

- e aí, como vai meu sobrinho?

- você já pensou que pode ser uma sobrinha? – eu brinquei.

- não tem problema. Eu adoro meninas. – ele piscou pra mim com um sorriso maroto no rosto.

- eu ainda não sei o sexo. Minha mãe diz que é um menino, mas eu vou esperar pra ter uma surpresa. – ele sorriu e começou a subir as escadas. Eu continuei parada no mesmo lugar. Era impossível subir escadas com aquela barriga. – ah, me desculpe. Fique aqui na sala. Eu não demoro.

Ele seguiu pro segundo andar da casa e eu fiquei ali, olhando em volta e lembrando da última vez que estive ali. Não foi uma lembrança muito boa, o chá envenenado ainda ocupava uma grande parte das minhas memórias tristes. Mas também foi naquele dia que descobri minha gravidez. Um ponto a favor nisso tudo.

As fotos em cima da estante continuavam as mesmas. Os quadros nas paredes me faziam lembrar de como Gerard era um artista e o quanto ele era talentoso. Era não, ele ainda é. Eu não podia apenas fingir que ele não existia mais, isso era impossível.

Mikey não demorou muito e logo estava de volta segurando uma caixinha, que ele fez questão que eu pegasse com minhas próprias mãos antes de abri-la.

- toma. Eu acho que você deve ver isso.

- o que é?

- abre. Você também faz parte disso.

Vencida pela curiosidade, eu peguei a caixinha com cuidado e me sentei no sofá. Apoiei o embrulho sob minha barriga enorme e passei os dedos suavemente sobre a tampa. Meu coração batia depressa com medo do que eu viria ali dentro. Mas eu confiava em Mikey, ele não me faria sofrer ainda mais, faria?

- pode abrir. – ele continuou de pé. – você vai entender melhor quando vir com os próprios olhos.

Eu não me segurei mais. Tirei a tampa e encontrei várias coisas diferentes. Logo em cima, havia um par de sapatinhos de bebê na cor azul. Meus olhos se encheram de lágrimas e meus dedos tremeram.

- ele espera que seja um menino. – Mikey riu meio bobo.

Embaixo dos sapatinhos, vários papéis. Uma foto de nós dois em nosso antigo apartamento, juntos e sorridentes. A foto que eu mais gostava. Embaixo dela, alguns bilhetes que trocávamos com juras eternas de amor. E o que me deixou sem fala: uma carta.

- vá em frente. Pode ler. – eu não discuti com ele. Abri a carta e comecei a ler.

“Querida Anny,

Eu escrevi esta carta para poder desabafar. Não tenho certeza se algum dia eu terei coragem de enviá-la a você, pois apesar de parecer forte eu sou um grande covarde. Sim, eu me odeio por tudo o que fiz você passar longe de mim. Eu sei que não existe desculpa para o que eu fiz, e nem eu me desculpo por isso. Não sei mais o que é certo ou errado, eu ouço tantas coisas... Mas apesar de tudo, a coisa mais estranha, é que meu coração diz para não te esquecer. Diz para eu te amar pra sempre e te trazer de volta pra mim o quanto antes. Eu tentei fazer isso quando fui até a sua casa de braços abertos sem ter noção do quanto eu realmente tinha te machucado. Mas infelizmente a conseqüência dos meus atos impensados foi pior do que eu pensava... Você me fez pensar que não me amava mais, que nosso amor tinha morrido. Talvez ele tenha, por você, e eu não tiro sua razão. Eu não mereço o seu amor.

Eu rezo todos os dias para que você fique bem, fique segura e nosso filho nasça com saúde. Por mais que você não acredite, eu me preocupo com nosso filho. Ou filha. Vocês dois são minha vida agora. E eu faria de tudo pra poder ter vocês perto de mim neste momento. Eu desistiria de tudo, do casamento, da mulher que não amo, simplesmente se você me dissesse “Sim”. Isso é tudo o que eu preciso.

Me desculpe por tudo. Ou me odeie mais por ser tão covarde.

Eu te amo mais do que minha própria vida.

Gerard.”

Ao fim da carta eu já estava aos prantos. Meu vestido estava encharcado de lágrimas que beiravam o desespero. Ele me amava. Era tudo o que eu precisava saber.

Me levantei do sofá num pulo e logo eu já estava frente à porta.

- onde você vai, Anny?? – Mikey disse preocupado.

- eu vou atrás da minha última chance.

*~*
Notas finais
Já tá perto do final. =/