Anna Prior - Em Busca de um Passado Esquecido

27 Capítulo 26 - Vocês duas tem a mesma coragem e altruísmo


Notas iniciais
VOLTEEEEEEI Foi muito, muito, muito mal pela demora! M desculpem, eu esqueci completamente que hoje era sábado! Queria agradecer muuuuuuuito a todo o mundo que está lendo essa fic, sério gente, é por causa de vocês que ela existe S2 Enfim: Boa Leitura!!

Eu senti como se tivesse levado um soco no estômago. Um soco forte, daqueles que te faz perder o equilíbrio enquanto um choque atravessa todo o seu corpo. Minha mente estava confusa, tentando processar tudo. Meu corpo não conseguia se mexer. Pisquei. Eu tinha a estranha consciência que um véu havia sido tirado de meus olhos.

– O que? – murmurei, extasiada. Minha voz parecia um ruído distante produzido por uma garganta arranhada e vindo de uma mente incrédula. Respirei fundo, obrigando meu coração desamparado a engolir tudo – O que? – repeti, dessa vez com mais convicção.

– Anna – Matthew parecia conter um sorriso – Eu estava lá. Eu te trouxe ao mundo Anna. Quer dizer, seus pais te trouxeram, eu apenas ajudei. – declarou, parecendo tão surpreso quanto eu. Por me ver depois de tanto tempo? Eu nem conhecia aquele homem!

– Como? O que aconteceu? Minha mãe... – comecei, respirando apressadamente pela boca. Olhei suavemente para o lado. FZ e Julia continuavam lá, não era um sonho.

Meu olhar deve ter parecido desamparado, pois segundos depois eu senti uma mão quente contra a minha. Com um certo alívio, entrelacei minha meus dedos nos seus. Eu apertei, bem forte, descarregando tudo que eu não podia dizer com palavras. Nossas mãos suadas se seguraram uma na outra, como se ele fosse o meu porto seguro e eu, o dele.

– A história é longa Anna, sugiro que se sentem – Matthew declarou, apontando para as cadeiras. – Meu Deus, você cresceu tanto! Da última vez que eu te vi você era desse tamanho! – completou, abaixando a mão até o seu joelho para ilustrar frase.

– Espere! – FZ disse, confuso – Como você conhece a Anna?

– A, e você deve ser filho do Zeke – o cientista respondeu, chegando mais perto de FZ para analisa-lo com mais precisão – E de Shauna, obviamente. Conheci seus pais, e a sua irmã também – completou, apontando para Julia, que sorriu.

– Não se preocupe FZ, ele é legal – Julia esclareceu, diante da expressão confusa do irmão.

Eu ainda não havia entendido tudo e estava mastigando o lábio inferior. O mais prudente seria sentar naquela cadeira e ouvir tudo atentamente. Satisfazer meu objetivo inicial. Mas eu surpreendi a mim mesma pensando que os meus objetivos mudaram. Nós não tínhamos horas.

Sem que eu percebesse, uma conversa havia se desenrolado entre Matthew, FZ e Julia, sobre quem-é-filho-de-quem. Pisquei, confusa. O que importava se alguém tinha tido um filho ou não? Senti a mão de FZ apetar a minha, como se ele estivesse avisando que estava ali.

– Anna, você está bem? – o olhar de FZ era carinhoso e preocupado ao mesmo tempo. Balancei a cabeça, confusa, e ele explicou – Parece meio pálida.

– Não é nada, tudo bem – eu disse, abrindo um sorriso fraco. Todos na sala pareciam estar olhando apenas para mim, como se eu devesse fazer alguma coisa.

– Anna? – Matthew perguntou, após alguns segundos naquele silêncio devastador. O que? Ele havia me feito alguma pergunta? Lancei um olhar confuso a ele – Perguntei se você quer sentar.

Balancei a cabeça. Não havia tempo para sentar e tomar chá! Eles não haviam entendido ainda? Respirei fundo, eu tinha que informar Matthew sobre o bombardeamento. Tinha que...Fazer tudo, menos sentar.

–Não, não temos tempo Matthew! – eu disse, me segurando para não gritar. Apertei a mão de FZ quando todos me lançaram um olhar confuso. Tomei o ar para mim todo de uma vez – Vocês querem sentar e tomar chá enquanto ele bombardeiam Chicago? – eu disse, tentando, em vão, manter a voz calma – Querem deixar que eles destruam a cidade inteira enquanto todos nós tomamos esquecemos de tudo com a porra de um soro?

Meu coração dava pulos no peito, reclamando, dizendo que eu não podia ficar parada, que eu tinha que agir. E, em contrapartida, minha mente suplicava para que a razão voltasse a me dominar, para que eu parasse de me comportar como uma maluca e deixasse tudo nas mãos de Matthew.

E eles travaram uma briga feia, com unhas e dentes, enquanto todos na sala me olhavam como se eu fosse uma maluca e eu apertava a mão de FZ até que ela ficasse marcada.

– Anna? FZ? O que? – Julia parecia a segunda pessoa mais confusa naquela sala, enquanto a primeira era eu. Ela olhou para mim, depois para FZ e então para Matthew. Ele não parecia chocado, como eu pensei que ficaria, na verdade, ele estava quase mais pálido do que eu e com os lábios reduzidos a uma linha fina.

– Então... – Matthew começou e, de repente, perdeu o equilíbrio e se apoiou em uma cadeira, puxando-a para se sentar. Ele ficou em silêncio durante vários segundos, tentando aquietar a sua mente. Depois ergueu o rosto para mim e perguntou – O que você disse Anna?

– Matthew... – comecei, respirando fundo. Ele parecia saber do que se tratava, mas não que fosse verdade. – Você já...Eu vi, ouvi e confirmei Matthew – comecei, confusa, e soltei – Um bombardeamento em Chicago.

Ele pareceu em choque por longos segundos. Sua respiração ficou pesada e seus lábios se comprimam. Eu quase podia ver as possibilidades assustadores passando pela sua mente. Pude sentir aquela sensação de desconforto no fundo do estômago e a garganta seca de preocupação.

– Então é verdade... – Matthew disse, mas para ele mesmo do que para nós. Uma luz pareceu se acender dentro de mim, ele sabia? Como assim ele sabia? FZ pareceu ler a minha mente quando ele perguntou.

– Matthew? O que você sabe? – sua voz estava milagrosamente firme. Mesmo quando Matthew parecia desesperado, quando eu estava sem chão e Julia era a confusão viva. A voz de FZ estava firme e calma quando ele chegou perto para perguntar.

– Rumores... – Matthew sussurrou e em seguida balançou a cabeça, como se estivesse acordando de um pesadelo. Ele se levantou de súbito, como se tivesse engolido tudo de uma vez e estivesse pronto para continuar – Apenas rumores...Não pensei que fossem verdadeiros. Esperem, vocês tem certeza absoluta?

– Certeza absoluta!? – explodi, ele não acreditava em mim? Minha voz estava alta de mais, mas eu não me importava. Eu podia citar nossas “certezas absolutas” de trás para frente. – Será que o fato de termos ouvido uma conversa, conseguido um relatório, ido a uma reunião do grupo e conseguido mais um terminal, não é o bastante para “certeza absoluta”?

Ele estava pronto para se justificar quando uma voz impaciente interrompeu a sala. Cortando a minha ansiedade, a incredulidade de FZ e as palavras de Matthew.

– Alguém pode, por favor, me explicar de que raios vocês estão falando? Como assim um bombardeamento? – Julia cruzou os braços, encarando todos, principalmente FZ. Apesar de alta para a idade, ela mal batia no peito do irmão, criando uma cena estranha, sobre quem-estava-perguntando-a-quem.

– Julia...É só... – FZ começou, confuso – Vamos ficar bem, não se preocupe – Vamos ficar bem. Era a última coisa que eu pensaria, naquela hora. E eu estava pronta para lançar um olhar a FZ, quando percebi que ele também sabia que não íamos ficar bem. Que eram nossas famílias lá, na “linha de fogo”. Mas que preocupar Julia não ajudaria em nada.

Ela franziu as sobrancelhas e mordeu o lábio. Parecia prestes a perguntar mais, mas logo percebeu que eu estava prestes a explicar tudo para Matthew e ficou quieta. Respirei fundo, tentando conter o meu senso de urgência.

– Eu preciso que nos ajude... – disse a Matthew, pegando o terminal da mochila e alcançando para ele. Por um momento, pensei como seria melhor para todos colocar tudo nas mãos dele. Deixar pra lá e simplesmente ir para casa. Balancei a cabeça enquanto ele observava o aparelho com uma ruguinha entre as sobrancelhas.

Vi seus dedos firmes apetarem o botão, assim como o vi morder o lábio ao ler o título. Enquanto Matthew analisava o terminal, senti FZ soltar a minha mão e, quando virei para protestar, o vi se abaixando para conversar com Julia. Seu tom era protetor e fraternal ao mesmo tempo, explicando tudo com calma, minimizando os detalhes perturbadores e salientando a frase “Vamos ficar bem”. Mas, a julgar pelo jeito pelo jeito que Matthew olhava para o terminal era difícil de acreditar nisso.

– Matthew? – chamei, depois que o tempo que levaria para ler o arquivo passou. Ele continuava em choque, olhando para o nada com a expressão vazia – Que tal se impedíssemos isso assim...Antes que aconteça? – minha voz pareceu tê-lo despertado, porém, ao invés de falar, ele apenas mordeu o lábio.

Vi o alarde no rosto de FZ, o medo camuflado na expressão de Julia e respirei fundo. Eu tinha que...

– Anna... – meus pensamentos foram interrompidos por um sussurro de Matthew. Virei o rosto em sua direção, colocando as mãos nos bolsos para disfarçar que eu estava tremendo. – Me desculpe...Não temos provas o suficiente – ele disse, em um tom pesaroso, me olhando nos olhos – Estou de mãos atadas, desculpe.

Senti meu estômago borbulhar, como se uma colmeia estivesse ali dentro. Inspirei. Expirei. Inspirei. Expirei. Estranhamente, eu não tive sentimentos extremamente profundos. Aquilo não parecia passar de um fato. E eu estava respirando.

De repente, uma sirene tocou dentro de mim. Meu corpo inteiro pareceu voltar a vida. Eu tinha que fazer alguma coisa. Eu iria fazer alguma coisa: Parar aquele ataque. Com a ajuda de Matthew ou não.

Olhei para FZ, balançando a cabeça e uma simples troca de olhares foi o suficiente para que ele entendesse o que eu iria fazer. Respirei fundo e tomei o terminal das mãos de Matthew, guardando-o na mochila. Em seguida cheguei, mais perto dele, com o olhar determinado cravado em seus olhos.

– Eu vou impedir esse bombardeamento – disse, com a voz potente e o coração aos pulos. Vi sua expressão impotente e só me senti mais decidida – Nem que eu tenha que colocar fogo no Departamento.

Não esperei parar ver a sua reação, apenas me virei, depois de fazer um sinal para FZ, e corri até a porta. Ambas tinham maçanetas por dentro e eu não me importei: as abri em dois segundos e, em mais cinco, já estávamos fora do escritório. Rumo ao elevador.

Não olhei para trás, mas juro que, enquanto empunhava a arma, o ouvi dizendo:

– Você é muito parecida com ela Anna. Vocês duas tem a mesma coragem e altruísmo. É inacreditável.

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Notas finais
E aí, gostaram? Aí vai um trechinho do cap 27... "– Me promete que vai tentar – FZ estava tão perto que eu conseguia sentir o seu bafo de barrinha de cereal e chiclete de hortelã. Sua respiração estava sincronizada com a minha e, naquele momento, tudo o que eu queria era permanecer em seus braços. Mas eu não podia. – Por mim Anna, por mim. (...) Julia fingindo que vomitava me trouxe de volta a realidade. Nos distanciamos centímetros enquanto ela reclamava. Eu tentei, mas não conseguia sair de perto dele. Depois de mais alguns segundos fitando seus olhos de chocolate e tomei coragem para sussurrar, com a voz mais confiante que encontrei. – Prometo. " Sim, eu tirei um pedaço, se não o trecho ficava muito grande. Não fez sentido? Só pra matar vocês de curiosidade muararara To brincando, semana q vem vai fazer todo o sentido! Beijos e nos vemos nos comentários!!!