Anna Marie e Kitty Pryde: Mutant Love

1 Um Bordeaux para Duas Mutantes ( e um babado na adega).


Ao atravessar a parede do quarto de sua melhor amiga e companheira de equipe, Anna Marie, vulgo Vampira, usando seu poder de intangibilidade, Kitty Pryde encontrou a amiga chorando desesperadamente, as mãos cobrindo o rosto, sentada na cama.

A cena era triste e melancólica: a ruiva gótica soluçava baixinho, cercada por sombras e maquiagem borrada. Com o coração apertado, Kitty se aproximou lentamente, sentou-se ao lado dela e a abraçou com cuidado — evitando encostar na pele exposta da amiga.

— Ei... por que está chorando, minha amiga? O que aconteceu? — perguntou com doçura.

— Não é justo! — exclamou Anna Marie, batendo as mãos nas pernas, furiosa. — Não é justo mesmo! Que droga!

— O que não é justo, Anne? — perguntou Kitty, com um meio sorriso. — Pode botar os bofes pra fora, a casa é nossa.

A ruiva respirou fundo, olhou para a amiga e explodiu:

— Quer saber a verdade? Eu quero é ficar com alguém! Nesta escola, todo mundo vive se pegando e eu aqui... a cabaça da turma, amaldiçoada por esse meu poder!

— Calma, minha amiga... — tentou consolar Kitty, segurando as mãos enluvadas dela. — Eu estou aqui. E vou te ajudar. Eu me importo muito com você, meu amor.

Anna Marie, com a maquiagem borrada, olhou desconfiada:

— E como, exatamente, você vai me ajudar?

O olhar de Kitty deslizou pelas curvas da amiga — cada detalhe, cada sombra gótica e sensual que parecia exalar uma energia irresistível. Aquilo a fazia desejar Anne de um jeito que mal conseguia disfarçar. Percebendo o olhar malicioso, a Vampira arqueou uma sobrancelha e perguntou, com voz baixa e sedutora:

— No que você está pensando, Kitty?

— Preciso confessar uma coisa... — disse a morena, respirando fundo. — Desde que te vi pela primeira vez, ainda na Irmandade dos Mutantes, linda, poderosa e trevosa... eu me apaixonei por você. Quando decidiu vir morar aqui, foi o dia mais feliz da minha vida. Você ao meu lado, vivendo, lutando, sendo minha amiga... Mas agora, Anne, eu quero mais. Eu quero você.

Anna Marie ficou em silêncio por um instante. Respirou fundo e respondeu, emocionada:

— Eu também preciso confessar algo. Desde que te vi lutando ao lado do Logan contra mim e aqueles idiotas da Irmandade, eu percebi duas coisas: primeiro, que eu estava do lado errado. E segundo, que o meu coração já era seu. Foi por isso que mudei pro Instituto. Eu precisava estar perto de você, minha amada.

As duas trocaram um olhar intenso — metade confissão, metade promessa.

— Então agora eu sei como te ajudar, meu amor... — disse Kitty, sorrindo com uma pontinha de malícia.

— Como, minha amada? — perguntou Anne, devolvendo o mesmo sorriso provocante.

— Espera só um pouquinho. Preciso preparar tudo para a nossa primeira noite especial. Enquanto isso, vai retocando sua maquiagem gótica e vestindo aquela roupa trevosa que eu amo.

— Tá ótimo! — respondeu Anne, mordendo o lábio. — Vou ficar sexy e sombria pra você, do jeitinho que gosta.

— Já volto, tá? — disse Kitty, piscando e atravessando a parede.

Assim que a amiga sumiu, Anna Marie ergueu as mãos para o alto num gesto de gratidão, deu três pulinhos de pura alegria e correu até o armário. Lá, escolheu seu visual: uma saia vermelha com babados, um corselete preto, luvas compridas, gargantilha ornamentada, brincos em forma de cruz de cemitério e botas góticas com detalhes rubros.

Vestiu-se, maquiou-se novamente, perfumou-se e arrumou o cabelo — transformando-se numa verdadeira vampira gótica sensual, pronta para encantar a mulher que amava.

Enquanto isso, Kitty atravessava as paredes da Mansão Xavier, rumo ao próprio quarto. Abriu o armário e escolheu um vestido vermelho tomara que caia, sandálias douradas de tiras finas e uma calcinha fio-dental vermelha. Colocou brincos discretos de brilhantes, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo trançado e finalizou com uma maquiagem suave e romântica.

Diante do espelho, sorriu. A doce Kitty Pryde havia se transformado numa femme fatale sáfica.

Antes de voltar ao quarto de Anne, passou pelo ambulatório médico da mansão. Lá dentro, por sorte, não havia ninguém.

— Ufa! O Hank não está de plantão. Seria muito cringe se o Fera me visse pegando luvas ginecológicas assim, vestida desse jeito... — murmurou rindo, pegando uma caixa de luvas e outra de máscaras. — Nem quero imaginar a explicação que eu daria.

Rindo sozinha, atravessou a parede novamente e foi direto para a adega — afinal, uma noite especial merecia um bom vinho.

Mas, quando começou a procurar um Bordeaux na estante, ouviu a porta ranger e se escondeu atrás das prateleiras. Seus olhos se arregalaram: Magneto havia acabado de entrar na adega, apenas com uma toalha enrolada na cintura.

— Droga! — sussurrou Kitty. — Logo agora, quando minha noite perfeita ia começar, esse imbecil aparece!

De repente, outra voz ecoou no corredor:

— Querido! Onde você está? — era Charles Xavier.

Kitty levou a mão à boca para não rir.

— Tô aqui na adega, escolhendo um vinho pra nós dois tomarmos juntinhos, meu amor! — respondeu Magneto, em tom meloso.

— Então escolhe rápido, querido! O dorama já vai começar! Quero assistir agarradinho com você. — respondeu o Professor Xavier, alegre como um adolescente apaixonado.

— Já tô indo, meu anjo! Noite de vinhos, doramas e amor! — respondeu Magneto, pegando a primeira garrafa e saindo, ainda assobiando uma música de Édith Piaf.

Quando a porta se fechou, Kitty não aguentou. Tapou a boca com as duas mãos, rindo silenciosamente até as lágrimas.

— Meu Deus do céu... o professor Xavier e o Magneto... namorando?! — murmurou, ainda entre risos. — Vou contar esse babado pra Anne Marie! Aquele tiozão metido a sedutor que dava em cima da gente tá pegando o professor! Hashtag ela não vai acreditar no babado!

Rindo baixinho, Kitty se recompôs, pegou o melhor Bordeaux da adega e atravessou a parede.

Com o vinho nas mãos, o coração acelerado e um sorriso travesso, seguiu em direção ao quarto de Anne Marie — pronta para a noite mais surpreendente, romântica e engraçada da sua vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.