Anklebiters

2 Capítulo 2 - Hey, olhe por onde anda


Notas iniciais
Quem aí sentiu saudades de mim? Ninguém? Ok. A boa notícia é que eu estou de férias (mesmo tendo trabalho de matemática e ciências pra fazer) e por isso eu vou escrever e postar mais rápido!(Assim espero) YAAAY! Enfim, quase postei esse capítulo na minha fic de Harry Potter, mas prestei atenção e aqui está! O segundo capítulo de Anklebiters :3

Ele continuou estático por alguns segundos. Nem piscava, o que chegou a ser um pouco assustador, mas eu também não estava assim tão calma. Afinal, como eu poderia ficar calma? Ali, bem na minha frente, estava o meu pai.


O pai que eu pensei que tinha sido abduzido por ETS (Mas isso foi com quatro anos de idade, então não vem ao caso), pensei que estava morto, por todo esse tempo. Não que eu pensasse nos meus parentes mortos no meu tempo livre lá na escola Joddine, era só que... ele podia ter dado sinal de vida (trocadilho idiota, é, eu sei).


Angie deu um cutucão em German e ele pareceu "acordar". Ele murmurou um "entre", ainda gaguejando, saindo da frente da porta. Entrei na casa timidamente, e, sinceramente: se a vida real fosse como os desenhos e as pessoas poderiam ficar com o queixo lá no chão eu estaria exatamente assim. A casa era linda, grande, linda, brilhante e... eu já disse que a casa era linda? Tinha até um piano, um piano lindo. Não que eu soubesse tocar piano, mas seria legal deitar nele nos momentos dramáticos.


– Sente-se, Dominique — Disse Angie.


Sentei em um sofá. Angie e German sentaram em outro, de frente para mim. Violetta e Olga tinham sumido assim como Ramalho.


Por uns segundos o local encontrou-se em um silêncio grande e desagradável e quem decidiu cortá-lo foi Angie, que ainda tinha o sorriso angelical no rosto, mas olhava para German como se quisesse matá-lo e depois picar o corpo em um milhão de pequenos pedacinhos para, em seguida, jogar num lago congelado de Mouthe.


– Então, Dominique...


– Ah, por favor, me chame de Domi. — Interrompi.


– Ah! Ok, Domi, então... conte-nos sobre você, que tal? — Ela continuou.


Olhei para German. Seu rosto tinha adquirido uma tonalidade verde como se ele fosse vomitar, alternava seus olhares: quando me encarava parecia confuso. Quando encarava a Angie parecia com medo que a mulher o matasse, picasse em um milhão de pedacinhos e o jogasse em um lago congelado em Mouthe. (Espera, eu já disse isso...)


– Bom, eu nasci e cresci na Espanha, as vezes viajavámos para longe, já que minha mãe é dançarina — Vi que Angie se mexeu desconfortável em seu assento quando eu mencionei minha mãe. — Aí uns anos depois eu fui para uma escola interna na França e é lá que venho morando desde então.


– Oh, certo. Como é essa escola?


– Um horror... quer dizer, bom, não exatamente um horror. É só que... é entendiante. Não que eu prefira ficar acompanhando minha mãe nesses barzinhos onde ela se apresenta.


– Como foi quando você descobriu que estava vindo para cá?


– Estranho — Descrevi a situação toda em uma única palavra. — Muito, muito, muito estranho. Primeiro porquê pensei que meu pai estava morto...


– Mas eu estou vivo! — Exclamou German parecendo um bêbado louco no meio da sala. Angie o olhou estranho, como se perguntasse "você está bem? Já tomou seus remédios hoje?".


– Oh, não me diga! Pensei que estava sentada na frente de um cadáver — Disse colocando um pouco de sarcasmo na voz. Os dois adultos na minha frente resolveram ignorar isso. — Enfim, eu pensei que ele estava morto e do nada descubro que ele está vivo, e que estou indo morar com ele. Como eu já disse, estranho!


Os dois assentiram, então German decidiu falar algo decente.


– Então, pelo jeito, esta situação está sendo estranha para nós assim como para você também.


– Ah, imagine! — Sorri ironicamente. — É super normal achar que o pai estar morto e depois ir morar com ele em outro país, né? Coisa do cotidiano...


Eles decidiram ignorar isso também.


– Acho que vamos nos conhecer de verdade com a convivência, não é? — Disse Angie, se levantando; aparentemente o interrogatório havia terminado. — É como dizem, tudo ao seu tempo.


– Claro. Ah, German, não se preocupe comigo. Não me sinto nem um pouco magoada por você não ser um pai presente e tudo mais.


– Ah, não? — Perguntou ele, parecendo um rato assustado (N/A: desculpem as fãs do German, mas tive que fazer essa comparação!).


Dei de ombros.


– Não muito. Não me fez falta.


Ele não pareceu gostar muito do que eu disse, mas aceitou. Acho que já estava se virando para ir embora quando completei minha frase.


– Só acho que se você estivesse lá no dia do meu nascimento poderia ter impedido minha mãe de colocar meu nome de Dominique. Fala sério, de onde minha mãe tirou esse nome, né? — Murmurei e segui Angie, que subia as escadas para mostrar o meu quarto.


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Paramos em frente a uma porta branca de madeira detalhada. Meio delicada demais para mim, mas tudo bem, aliás, eu era uma garota delicada quando eu queria. Ela levou as mãos à maçaneta prateada e revelou o meu novo quarto.


As paredes eram totalmente brancas assim como o chão, que brilhava tanto que era como se alguém tivesse passado anos e anos esfregando aquilo com uma escova de dentes (sim, meus pensamentos geralmente são bem estranhos). Uma cama grande com edredons azuis estava encostada á uma janela com cortinas cinza-prateada. Um guarda-roupa e uma cômoda ficavam do lado direito, além de uma mesinha para computador e um sofá também azul claro. Se você parasse para notar os detalhes, veria que vários itens de decoração também faziam parte do lugar, como um relógio, uma estatueta de uma bailarina-de-cristal, almofadas azul-prateadas e um porta-retratos, que pelo que vi, possuia a foto de uma família. Minhas malas estavam paradas em um canto.


– Uau — Foi a única coisa que encontrei para dizer naquela hora.


Angie sorriu: — Então, o que acha? Eu, Olga e Violetta escolhemos a maioria das coisas.


– É-é lindo! E eu adoro cinza e azul.


– Que bom que gostou! Então, vou deixar vocês dois sozinhos para que se conheçam melhor — Brincou Angie, mas eu, como sempre muito lerda, não entendi a piada.


– Nós dois, quem?


– Você e o quarto — Explicou.


– Ah, certo — Disse eu, rindo.


Angie saiu do quarto e a primeira coisa que fiz (não pude resistir) foi me jogar na cama. Aquilo era tão bom que o colchão devia ser feito de nuvem. Observei cada detalhe do quarto e então fui até a janela, onde a cortina prateada brilhava. A vista dava para o quintal, então dava para ver a rua também. Aquilo seria legal de noite, já que eu sempre tive um pequeno fascínio por observar as coisas de noite. Acho que talvez seja a sensação de que só eu estou acordada e que o mundo inteiro está dormindo, mesmo que não seja verdade.


Decidi desfazer minhas malas. Comecei por guardar todas as minhas roupas nos armários, meus sapatos e meus cadernos. Deixei minha câmera (que de vez em quando eu apelido de "meu bebê" ou "minha preciosa") em cima da cômoda, então parei para ver o porta-retratos que estava em cima da mesma. Ele era branco com detalhes em prateado, e na foto, Angie, Germán e Violetta sorriam felizes.


– Own, que fofo — Murmurei para o silêncio, fazendo aquela voz que as pessoas fazem quando estão falando com um cachorro ou um bebê que eles acham muito fofo (e que na maioria das vezes, tem cara de joelho). — Uma familia feliz.


Vi que alguma coisa rolou para baixo da minha cama e tomei um susto. Evitei gritar. Reuní toda a coragem que tinha me restado depois do susto (que, aliás, não era muita) e olhei debaixo da cama. Aí me senti muito, muito idiota, por que era só uma bolinha de papel amassada. Estiquei a mão para pegar, mas era muito difícil, o papel estava muito fundo e tinha enganchado na madeira da cama.


– Depois eu dou um jeito de pegar isso — Murmurei de novo, minha voz já tinha voltado ao normal (que bom, por que eu não queria ficar com a voz idiota pra sempre).


Alguém bateu na porta; fui até lá e abri, dando de cara com Violetta. Dei o sorriso mais simpático que consegui, o que não era muito, já que meu sorriso geralmente é meio psicopata, meio maníaco... pelo menos era o que as freiras da escola diziam. Violetta não pareceu assustada, então considerei que as freiras exageravam ao descrever minhas expressões.


– Ah, oi, Dominique, né? — Ela perguntou meio nervosa e eu assenti. — Eu só queria dizer que... ahñ, bom, que eu espero que você se sinta bem vinda na casa.


Uma sensação de alívio imediatamente invadiu meu peito, por que eu pensava que Violetta ia me odiar, já que eu sou a filha do pai dela com outra mulher e tudo mais (acho que eu deveria parar de assistir novela mexicana), mas ela foi bem simpática e gentil.


– Obrigada, Violetta — Disse, dando passagem para ela entrar no quarto. — Senta aí! Pode me chamar de Domi, se quiser.


– Ok então, pode me chamar de Vilu. Você... uhn, gostou do quarto?


Balancei a cabeça, afirmando.


– E você, não me odeia por eu ser filha do seu pai com outra mulher ou coisa assim? — Perguntei na mais pura inocência.


O rosto da garota ficou imediatamente vermelho e ela repetiu "não" duas vezes, parecendo nervosa. Algo me disse que no começo ela não tinha gostado muito da ideia.


– Eu já perdoei meu pai por isso. E além disso, eu nunca tive uma irmã.


– É, nem eu. Isso pode ser divertido, posso te atormentar, mexer nas suas coisas, brigar com você e todas essas coisas que irmãos fazem. — Violetta ficou séria de repente, como se mais uma vez ela não gostasse da ideia. — Estou brincando, estou brincando... então, onde você estuda?


– Eu estudo música e dança no Studio 21.


– Uma escola onde só cantam e dançam, tipo High School Musical? — Perguntei, curiosa.


Não que eu estivesse interessada a entrar pra esse tal de Studio 31, já que eu sou a desafinação em pessoa. É, lembro-me que as freiras da escola sofriam quando eu decidia cantar "Don't rain on my parade" nos festivais de música e elas eram forçadas a ouvir. Eu não era tão mal em dança, tinha feito aulinhas de balé quando tinha 5 anos, o que não ajudava muito.


– Quase isso — Violetta disse. — Então, eu vou me encontrar com meus amigos hoje, você não quer vir junto?


Ah, isso era bem gentil e tudo mais, mas já era um exagero. Eu já me sentia meio deslocada na casa, imagine no meio de uma rodinha de amigos onde eu não conhecia ninguém.


– Ah, obrigada, mas eu ia passear um pouco, tentar conhecer mais a região, tirar umas fotos talvez.


– Hum, certo, outro dia então — Violetta se despediu e saiu do quarto.


Andei até a cômoda e peguei minha câmera.


– Hora de passear.


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Certo, talvez, só talvez, andar pela nova cidade sem conhecer nada nem ninguém não tivesse sido uma boa ideia. Olhei ao redor, era como se eu só tivesse andado em circulos.


Je suis un imbécile! — Murmurei. Sentia que estava dentro de um labirinto.


Me sentei em um banco e comecei a verificar a câmera. Pelo menos eu tinha conseguido boas fotos. Apalpei o bolso da minha calça jeans: um mini ataque do coração.


Maudire! — Exclamei baixinho, pela quinta vez só naquele dia. Olhei ao redor, voltei por onde eu tinha andado (pelo menos onde eu achei que tinha andado), mas não encontrei meu celular em lugar nenhum.


Decidi continuar andando, quem sabe achar o caminho de volta para a casa dos Castillo. Agora estava em um parque, talvez fosse uma praça, bem, não importa. O céu tinha adquirido um tom alaranjado que não era muito comum em Mouthe, liguei minha câmera, ajustei o zoom e tirei a foto. Sorri para a tela, talvez ficasse ótima, talvez nem tanto. Continuei andando, ainda olhando bobamente para a câmera, foi aí que le grand merde aconteceu, e eu só percebi que tinha atropelado alguém — ou sido atropelada por alguém — quando me vi caída no chão. E o pior foi que a pessoa que me atropelou nem caiu também. Injustiça!


– Você tá bem? — Perguntou uma voz masculina. Olhei para cima.


Era um garoto. Devia ter mais ou menos minha idade. Era alto (É claro que era alto, eu estava caída no chão e ele estava de pé), cabelos escuros, se eu dissesse que tinha um rosto feio eu estaria mentindo. Segurava uma... como é o nome? Aquele negócio onde eles guardam instrumentos musicais de corda, enfim, não sei. Parecia ser uma guitarra.


Putain de merde! Eu pareço bem? — Perguntei, sendo mais rude do que eu queria. Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, mas eu já estava de pé, tentando limpar a sujeira da minha roupa e certificando-me que minha câmera estava bem. A mão dele continuava estendida.


– Sou Tomás — O garoto cumprimentou, colocando um pouco mais de força no aperto de mãos. — E você é?


– Eu o que? — Perguntei, confusa, ainda tentando tirar as folhas que tinham ficado presas no meu cabelo.


– Eu estou perguntando seu nome — Ele explicou.


– Ah! — Exclamei, apertando a mão dele de novo. — Meu nome é Dominique.


Ele olhou para mim de um jeito estranho, como se já me conhecesse de algum lugar e estivesse tentando lembrar. Bom, se eu conhecesse ele me lembraria, pessoas bonitas não saem da minha memória tão facilmente. Quer dizer... eu disse bonitas? Quis dizer... ah, esqueçam.


– Você não é daqui, é? — Perguntou.


Neguei com a cabeça.


– Como sabe?


– Você tem um sotaque estranho — Ele concluiu.


Ri, ironicamente.


– Você também teria esse sotaque se fosse espanhola e tivesse se mudado para a França depois de uns anos, obrigatoriamente tendo que aprender francês!


– Espera, você é da espanha? — Eu assenti. — Eu também. E presumi que você fosse francesa por causa do ataque de xingamentos franceses que você teve quando eu esbarrei em você.


– Esbarrou? ESBARROU? Você me atropelou!


Ele riu e eu não achei nada engraçado.


– Você está perdida?


Arqueei uma sobrancelha.


– Eu pareço perdida, por acaso?


Ele olhou para os lados como se pensasse "Melhor eu não falar nada".


– Para onde você está indo? — Perguntei.


– Vou visitar uns amigos meus na minha antiga, hum... escola.


– Ah. Por acaso você sabe onde fica a casa de Germán Castillo? — Perguntei, não esperando a reação que ele teve.


– Claro, por que? É amiga da Violetta?


– Não que seja da sua conta, mas eu sou meio-irmã da Violetta, moro lá agora. E sim, eu me perdi.


– Posso te levar até a minha escola, que não fica longe da casa dos Castillo, aí te explico o caminho.


– Hum, ok — Eu disse, repentinamente tirando uma foto dele, bem na cara dele e com um flash bem forte.


– Ah! — Ele exclamou, esfregando os olhos por causa do flash. — Por que fez isso?


Eu sorri inocentemente.


– Só pra ter uma recordação da primeira pessoa que me atropelou em Buenos Aires.


– Tá, mas por que o flash tão forte? Está de dia!


– Ah, o flash eu só coloquei para seus olhos arderem mesmo. Vingança por você ter me atropelado.


Ele me olhou de um jeito estranho e começou a andar, o segui, já que ele prometera me levar até a escola dele e me explicar o caminho para a casa do Germán.


– Então, você sempre é atropelada quando chega em lugares novos? — Perguntou.


Dei de ombros.


– As vezes — Respondi. — E você, sempre saí por aí atropelando as pessoas?


– Eu não te atropelei! Você que estava parada no meio da rua.


Bufei, já pronta para respondê-lo. É, seria um longo passeio até a antiga escola de Tomás.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.